Protocolo publicado no DOU estabelece cooperação de 36 meses para estudos e desenvolvimento de Sistemas Aéreos Autônomos de Ataque Único destinados a missões de interdição
A indústria brasileira de Defesa deu mais um passo no desenvolvimento de uma capacidade que ganhou relevância nos conflitos contemporâneos. A Mac Jee Indústria de Defesa, juntamente com sua subsidiária Equipaer Indústria Aeronáutica, firmou com o Comando da Aeronáutica (COMAER) um protocolo de intenções voltado aos estudos e ao desenvolvimento de capacidades relacionadas aos Sistemas Aéreos Autônomos de Ataque Único, categoria que inclui os chamados "drones kamikaze".
O documento foi assinado em 3 de agosto e publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 11 de agosto, com vigência prevista de 36 meses, podendo ser prorrogado. O objetivo é estimular e coordenar os esforços necessários aos estudos para o desenvolvimento dessa capacidade, tendo como finalidade o cumprimento de missões de interdição.
A assinatura foi realizada pelo Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, e por Alessandra Batista Stefani, diretora executiva da Mac Jee e sócia-administradora da Equipaer.
Mais do que representar uma aquisição, o protocolo estabelece uma estrutura de cooperação entre a indústria e a Aeronáutica para avançar no desenvolvimento de uma capacidade específica. Essa distinção é importante, pois o documento não estabelece a contratação ou incorporação imediata de um sistema pela Força Aérea Brasileira.
O acordo também prevê a possibilidade de cooperação institucional entre as empresas e o COMAER na comunicação pública das iniciativas relacionadas ao desenvolvimento de produtos estratégicos de Defesa, além do planejamento de futuras ações de cooperação técnica, industrial e institucional alinhadas aos interesses estratégicos da Aeronáutica.
Uma capacidade que ganha espaço
Os Sistemas Aéreos Autônomos de Ataque Único passaram a ocupar uma posição cada vez mais relevante no ambiente militar. A evolução dos conflitos recentes mostrou como plataformas não tripuladas podem ser empregadas não apenas em missões de reconhecimento e vigilância, mas também para atacar alvos e realizar missões de interdição.
Para a indústria de Defesa, entretanto, desenvolver esse tipo de sistema envolve muito mais do que construir uma aeronave. Navegação, controle, comunicações, autonomia, sensores, sistemas de missão e integração dos diferentes subsistemas fazem parte de uma cadeia tecnológica que precisa ser dominada para que uma solução alcance maturidade operacional. É nesse contexto que o protocolo firmado entre a Mac Jee, a Equipaer e o COMAER ganha relevância.
A iniciativa aproxima uma empresa brasileira que já possui projetos nessa área das necessidades estratégicas da Aeronáutica, criando um ambiente institucional para o desenvolvimento e amadurecimento de novas capacidades. E o momento também permite uma leitura mais ampla sobre o movimento da companhia.
Em julho, o GBN Defense esteve nas instalações da Mac Jee, conhecendo de perto a estrutura da empresa e suas capacidades voltadas aos setores de Defesa e Aeroespacial. A visita permitiu observar uma indústria que vem ampliando seu domínio tecnológico e trabalhando em diferentes frentes, incluindo sistemas não tripulados e outras soluções de interesse estratégico.
Pouco menos de um mês depois, a assinatura do protocolo com o COMAER formalizou uma nova etapa dessa aproximação entre a empresa e a Aeronáutica.
O Anshar como referência da Mac Jee
A Mac Jee já possui uma solução diretamente relacionada ao conceito contemplado pelo protocolo. O Anshar, apresentado pela empresa em eventos internacionais, como a LAAD, foi desenvolvido como um sistema de ataque de emprego único e se tornou uma das principais referências públicas da indústria brasileira nesse segmento.
O sistema chamou atenção justamente por representar uma tentativa da indústria nacional de desenvolver uma solução própria dentro de uma categoria que vem ganhando espaço nas forças armadas de diferentes países.
Mas existe uma diferença importante entre o Anshar e o protocolo agora publicado. O documento do DOU não cita nominalmente o Anshar. O objeto da cooperação é mais amplo e está relacionado ao desenvolvimento de capacidades de Sistemas Aéreos Autônomos de Ataque Único para missões de interdição.
Portanto, não há, neste momento, uma contratação ou seleção formal do Anshar pela FAB estabelecida pelo protocolo.
A distinção é importante para evitar uma interpretação equivocada sobre o estágio da iniciativa. O que a Aeronáutica formalizou é uma cooperação destinada ao desenvolvimento de uma capacidade, deixando eventuais decisões futuras sobre sistemas específicos para outras etapas.
Indústria e Força Aérea mais próximas
O protocolo também reforça uma tendência importante para a Base Industrial de Defesa: a aproximação entre as empresas nacionais e as Forças Armadas durante as fases de desenvolvimento tecnológico.
Essa relação permite que a indústria tenha maior compreensão das necessidades operacionais e, ao mesmo tempo, possibilita que as Forças acompanhem a evolução de tecnologias que poderão futuramente atender a requisitos militares.
No caso da Mac Jee e da Equipaer, a experiência acumulada em projetos aeroespaciais e de Defesa cria uma base para que novos desenvolvimentos sejam conduzidos dentro do ecossistema industrial brasileiro.
A própria cooperação estabelecida pelo protocolo contempla iniciativas relacionadas a Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARP) e prevê a possibilidade de desenvolvimento de novos projetos.
Isso amplia a importância do acordo. Não estamos diante apenas de uma iniciativa associada a um determinado drone, mas de uma agenda de desenvolvimento que pode envolver diferentes soluções e tecnologias ao longo de sua vigência.
Os próximos 36 meses serão decisivos
O prazo de 36 meses estabelecido no protocolo cria uma janela relevante para que os estudos e projetos avancem. Nesse período, será possível acompanhar a evolução das tecnologias, o amadurecimento das soluções e a eventual realização de etapas posteriores de desenvolvimento, testes e avaliação.
Ainda existe um caminho entre a formalização de uma cooperação e a transformação de uma tecnologia em capacidade operacional. Por isso, qualquer eventual aquisição ou incorporação de um sistema pela FAB dependerá de decisões e processos que não estão definidos no protocolo publicado agora.
O que já está estabelecido, porém, é a disposição do COMAER de trabalhar em conjunto com a Mac Jee e a Equipaer no desenvolvimento dessa categoria de capacidade.
Para o Brasil, o movimento tem importância que vai além de um novo tipo de drone. O domínio de tecnologias associadas à autonomia, navegação, controle, comunicações e sistemas de ataque contribui para ampliar a autonomia tecnológica da Base Industrial de Defesa e reduzir dependências externas em um segmento que tende a ocupar espaço crescente no campo de batalha. A publicação do protocolo no DOU transforma essa aproximação em um compromisso institucional de médio prazo.
O Anshar permanece como uma referência importante da Mac Jee nesse segmento, mas o acordo firmado com o COMAER é mais abrangente. Seu objetivo é criar condições para que a indústria brasileira avance no desenvolvimento de Sistemas Aéreos Autônomos de Ataque Único voltados a missões de interdição.
A partir de agora, os próximos 36 meses serão fundamentais para mostrar até onde essa cooperação poderá levar a tecnologia brasileira e se os estudos previstos conseguirão avançar da fase de desenvolvimento para uma futura capacidade operacional da Força Aérea Brasileira.
GBN Defense - A informação começa aqui






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