O Ministério da Defesa avançou na estruturação do novo programa conjunto de helicópteros para as Forças Armadas, iniciativa que retoma a lógica de aquisição integrada adotada no Programa H-XBR. No centro desse movimento está o Airbus H145M, aeronave já avaliada no Brasil e que se encontra no foco da estratégia da Helibras para uma nova fase de produção nacional em Itajubá (MG).
A perspectiva ganhou forma com a criação de um Grupo de Trabalho no âmbito do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, responsável pela elaboração do conceito operacional conjunto para um futuro helicóptero multimissão. A iniciativa envolve Marinha, Exército e Força Aérea e busca identificar necessidades comuns que possam ser atendidas por uma mesma plataforma.
Embora o processo formal de aquisição ainda esteja em desenvolvimento, o H145M desponta como a principal referência para esse novo ciclo. A aeronave já passou por avaliações e reúne características que atendem ao conceito de emprego multimissão pretendido pelas Forças, enquanto sua produção no Brasil se conecta diretamente à estratégia de continuidade industrial da Helibras após o encerramento do programa H-XBR.
A empresa trabalha para transformar a unidade de Itajubá em uma nova base de produção do H145, com foco na versão militar H145M. Para viabilizar uma linha de produção nacional, a Helibras considera necessária uma encomenda de escala significativa, estimada em aproximadamente 50 aeronaves.
O cenário cria uma convergência entre duas necessidades estratégicas. De um lado, as Forças Armadas precisam renovar parte de suas frotas de helicópteros leves e ampliar suas capacidades multimissão. De outro, a indústria precisa garantir escala para preservar a capacidade produtiva e o conhecimento acumulado no Brasil após quase duas décadas de fabricação e suporte aos H225M do H-XBR.
O programa H-XBR representa o principal precedente. A iniciativa resultou na produção de 47 helicópteros H225M destinados às três Forças, além de transferência de tecnologia, qualificação de fornecedores e ampliação da capacidade brasileira de manutenção, integração e suporte a aeronaves militares de grande porte.
Agora, a proposta é avançar para uma plataforma menor, mais leve e com custos operacionais inferiores, mantendo a lógica de uma aquisição conjunta. O H145M pode cumprir missões de transporte, reconhecimento, operações especiais, evacuação aeromédica, busca e salvamento e apoio de fogo, além de permitir a integração de diferentes sistemas de armas por meio do conceito HForce.
Para o Exército Brasileiro, a nova aeronave também se relaciona diretamente com a necessidade de renovação dos meios leves da Aviação do Exército, especialmente os Fennec empregados em missões operacionais. A adoção de uma plataforma comum pelas três Forças poderia ainda proporcionar ganhos de escala em treinamento, logística, manutenção e aquisição de peças e componentes.
A criação do Grupo de Trabalho representa, portanto, mais do que um estudo isolado sobre uma nova aeronave. Ela abre caminho para a construção de um novo programa conjunto de asas rotativas, ao mesmo tempo em que oferece à indústria brasileira a possibilidade de iniciar um novo ciclo de produção.
O desafio agora será transformar essa convergência em um programa de longo prazo, com requisitos bem definidos, recursos previsíveis e uma encomenda capaz de sustentar a produção nacional.
Se o H-XBR marcou a criação da capacidade brasileira para produzir helicópteros militares de grande porte, o H145M poderá representar o próximo capítulo dessa trajetória, com uma diferença importante: desta vez, o Brasil já possui infraestrutura, mão de obra qualificada e experiência industrial para partir de uma posição muito mais madura.
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