sábado, 7 de novembro de 2026

O fim da era Stinger? EUA avançam no desenvolvimento de nova geração de mísseis antiaéreos portáteis

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O desenvolvimento de uma nova geração de mísseis antiaéreos portáteis pelos Estados Unidos abre uma nova etapa na evolução dos sistemas de defesa de baixa altura. Depois de décadas de emprego do FIM-92 Stinger, Washington trabalha em uma solução destinada a substituir o conhecido míssil, acompanhando a transformação do ambiente operacional e a crescente ameaça representada por aeronaves não tripuladas, helicópteros e aeronaves de baixa altitude.

O movimento ocorre em um momento no qual a experiência recente dos conflitos demonstra que a defesa antiaérea de curto alcance voltou a ocupar posição central no planejamento militar. A disseminação de drones de diferentes dimensões, a utilização de munições vagantes e a presença de aeronaves operando em ambientes saturados exigem sistemas capazes de responder com rapidez, mobilidade e precisão, sem depender exclusivamente de estruturas fixas ou de plataformas de maior porte.

O Stinger, introduzido na década de 1980, tornou-se um dos principais representantes dessa categoria. Seu emprego em diferentes conflitos consolidou a importância dos MANPADS (Man-Portable Air-Defense Systems), sistemas de defesa antiaérea portáteis que permitem a pequenas unidades terrestres criar uma ameaça significativa contra aeronaves que operam em baixa altitude.

A experiência acumulada, entretanto, também evidenciou os limites de uma arquitetura concebida em outro contexto tecnológico. A evolução dos sensores, das contramedidas, dos perfis de voo e, sobretudo, a multiplicação de alvos não tripulados impõem novos requisitos aos sistemas que deverão equipar as forças terrestres nas próximas décadas.

NGSRI: o sucessor começa a sair do papel

O programa norte-americano responsável por essa transição é o Next Generation Short-Range Interceptor (NGSRI), conduzido pelo Exército dos Estados Unidos. A iniciativa busca desenvolver um míssil de defesa antiaérea de curto alcance que preserve a capacidade de emprego por soldados e a integração com os meios existentes, mas ofereça maior alcance e letalidade diante das ameaças atuais.

Duas empresas participam da disputa: Lockheed Martin, com o projeto QuadStar, e Raytheon, da RTX. Ambas receberam contratos para desenvolver protótipos, em uma competição que procura reduzir riscos tecnológicos antes da escolha de uma solução para produção. O Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do Congresso norte-americano, registrou que a seleção de um fornecedor estava prevista para o ano fiscal de 2028, com a transição para a fase de aquisição e produção naquele período.

Os testes realizados em 2026 indicam que o programa avançou além da fase conceitual. Em janeiro, a Lockheed Martin anunciou o primeiro teste de voo de seu QuadStar. Em maio, a empresa informou ter concluído uma avaliação de voo do sistema de busca do míssil, etapa voltada à caracterização do desempenho do sensor. Já a Raytheon divulgou, em fevereiro, um teste balístico bem-sucedido e, em julho, uma demonstração na qual seus mísseis foram lançados a partir de uma unidade de comando portátil, atingindo alvos simulados com impacto direto.

A proposta não se limita a substituir um míssil antigo por outro mais moderno. O NGSRI pretende ampliar a capacidade de engajamento, reduzir o tempo de voo até o alvo e incorporar tecnologias de detecção e acompanhamento mais avançadas. A integração em uma arquitetura conectada também é apontada como característica importante, permitindo que o sistema opere em conjunto com outros sensores e componentes da defesa antiaérea. Os resultados definitivos dependerão da avaliação e da seleção conduzidas pelo Exército dos Estados Unidos.

A dimensão do programa demonstra a importância atribuída a essa capacidade. Em junho de 2026, informações sobre uma solicitação de informações do Exército norte-americano indicavam um planejamento de referência de 11 mil mísseis NGSRI e 2.200 unidades de lançamento ao longo de dez anos, com início das aquisições previsto para o ano fiscal de 2028. Trata-se de um parâmetro de planejamento, e não de uma encomenda já contratada.

Brasil solicita 100 Stinger Block I

Enquanto os Estados Unidos desenvolvem o sucessor do Stinger para suas próprias forças, o Brasil deu um passo em outra direção: solicitou a aquisição de uma versão modernizada do próprio míssil norte-americano.

Uma notificação publicada no Federal Register dos Estados Unidos, em julho de 2026, informa que o Governo brasileiro solicitou a compra de 100 mísseis FIM-92K Stinger Block I. O pacote foi estimado em US$ 330 milhões, sendo US$ 200 milhões referentes ao equipamento principal e US$ 130 milhões destinados a itens e serviços associados. A relação inclui unidades de comando e empunhadura, assistência de engenharia, serviços de integração e apoio técnico e logístico do governo norte-americano e de empresas contratadas.

É importante fazer uma distinção: a notificação trata de uma possível venda militar estrangeira, dentro do processo de autorização norte-americano. Portanto, a publicação comprova que o Brasil solicitou os armamentos e que os Estados Unidos notificaram o Congresso sobre a proposta, mas não permite afirmar, por si só, que o contrato já foi assinado, que o pagamento foi realizado ou que os mísseis já foram entregues.

O documento identifica o Departamento do Exército dos Estados Unidos como o órgão militar responsável pelo processo. A notificação também registra que a venda proposta tem como objetivo ampliar a capacidade brasileira de defesa antiaérea e atender a objetivos de segurança e política externa norte-americanos na América do Sul.

A possível aquisição merece atenção porque se insere em um esforço mais amplo de modernização da defesa antiaérea brasileira. O país opera sistemas de diferentes origens e alcances, incluindo os mísseis russos da família Igla e os sistemas suecos RBS 70, empregados pelo Exército. A chegada de um novo MANPADS de origem norte-americana poderá ampliar as opções de emprego e diversificar a composição do arsenal, mas também exigirá planejamento de integração, treinamento, manutenção, suprimento e sustentação logística.

O Brasil emprega o IGLA-S e o RBS70

A dimensão financeira também chama atenção. Um pacote estimado em US$ 330 milhões para 100 mísseis não corresponde apenas ao preço unitário dos interceptadores: inclui equipamentos associados, integração e serviços de apoio. Ainda assim, o valor reforça a necessidade de avaliar a aquisição dentro de uma política de defesa antiaérea de longo prazo, com previsibilidade orçamentária e definição clara das necessidades operacionais de cada Força.

Uma transição que não será imediata

O desenvolvimento do NGSRI não significa que o Stinger esteja prestes a desaparecer do arsenal norte-americano ou dos países que o utilizam. A substituição de um sistema dessa natureza depende de maturidade tecnológica, testes operacionais, capacidade industrial, disponibilidade de recursos e formação de estoques. Mesmo após a escolha de um fornecedor, a transição deverá ocorrer gradualmente.

Para o Brasil, a questão é particularmente relevante. Caso a solicitação dos 100 FIM-92K Stinger Block I avance até a contratação e a entrega, o país poderá incorporar um sistema modernizado que continuará em serviço internacional enquanto os Estados Unidos desenvolvem e, futuramente, introduzem seu sucessor. Não há contradição nessa escolha: as necessidades, os cronogramas e as condições de cada força armada são diferentes.

O ponto estratégico, porém, vai além da escolha de um míssil. A defesa antiaérea de baixa altura precisa ser concebida como uma capacidade integrada, conectando sensores, sistemas de comando e controle, unidades de lançamento e diferentes camadas de interceptação. A proliferação de drones e munições vagantes tornou evidente que a proteção de tropas, instalações e infraestruturas críticas não pode depender de uma única solução.

A experiência norte-americana com o NGSRI mostra que até mesmo um sistema consagrado como o Stinger precisa evoluir para acompanhar as mudanças do campo de batalha. Para o Brasil, a possível aquisição do Block I representa uma oportunidade de reforçar uma capacidade necessária, mas também deve servir como ponto de partida para uma discussão mais abrangente sobre a estruturação de uma defesa antiaérea moderna, sustentável e compatível com as dimensões das responsabilidades estratégicas do país.

O desafio brasileiro será evitar que a incorporação de novos equipamentos se transforme em uma aquisição isolada. Sem planejamento de longo prazo, treinamento continuado, estoques adequados e integração entre as Forças, mesmo um sistema moderno terá seu potencial limitado. A defesa antiaérea exige continuidade, e não apenas decisões pontuais de compra.

Paralelamente, o Brasil precisa considerar o desenvolvimento de uma solução nacional de defesa antiaérea portátil. A aquisição de mísseis estrangeiros pode preencher lacunas operacionais e oferecer uma resposta necessária no curto prazo, mas a dependência externa em um segmento tão sensível representa uma vulnerabilidade estratégica. Em um cenário de crise, a disponibilidade de armamentos, componentes, assistência técnica e munições pode estar condicionada às prioridades dos países fornecedores e às circunstâncias geopolíticas.

O desenvolvimento de um MANPADS brasileiro, ou mesmo de uma família nacional de interceptadores de curto alcance, exigiria investimentos consistentes em pesquisa, sensores, sistemas de guiamento, propulsão, ogivas e integração com redes de comando e controle. Seria um empreendimento complexo, que demandaria cooperação entre as Forças Armadas, institutos de pesquisa e empresas da Base Industrial de Defesa, além de uma política de encomendas que assegurasse escala e continuidade tecnológica.

O país já possui competências industriais e tecnológicas em áreas relevantes para esse esforço. O desafio seria articulá-las em torno de um programa com requisitos operacionais definidos, financiamento previsível e perspectiva de evolução. Mais do que produzir um míssil, trata-se de dominar tecnologias críticas, assegurar autonomia de manutenção e produção e criar condições para futuras exportações.

A modernização da defesa antiaérea brasileira, portanto, não deve ser vista apenas pela quantidade de sistemas incorporados ou pela origem dos equipamentos. O verdadeiro avanço estará em combinar capacidades disponíveis no mercado internacional com o desenvolvimento progressivo de soluções próprias. O Stinger pode representar um reforço importante para as necessidades atuais, mas a construção de uma capacidade nacional nesse segmento precisa fazer parte do horizonte estratégico brasileiro.


por Angelo Nicolaci


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Exército Brasileiro avança no desenvolvimento de enxame autônomo de drones com o IME e a SkyDrones

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O Exército Brasileiro deu mais um passo no desenvolvimento de tecnologias voltadas ao emprego de sistemas autônomos com a realização dos primeiros voos experimentais do projeto “Enxame de Drones Dragões de Ricardo Franco”. A iniciativa é conduzida pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), por meio do Laboratório de Inteligência Artificial, Robótica e Cibernética (LIARC), em parceria com a empresa brasileira SkyDrones.

O projeto prevê o emprego coordenado de até 30 aeronaves não tripuladas, com supervisão de um único operador a partir de uma estação-base. A proposta utiliza inteligência artificial, robótica e software de controle desenvolvido no próprio laboratório do Exército, buscando permitir que múltiplos drones atuem de maneira integrada.

Nesta etapa, o IME recebeu um primeiro lote de dez aeronaves SD10, de asas rotativas, fornecidas pela SkyDrones. Os equipamentos estão sendo utilizados nos ensaios de voo destinados a verificar, em condições reais, os algoritmos de coordenação e controle que anteriormente passaram por testes em ambiente de simulação.

O desenvolvimento concentra parte importante de seus esforços na inteligência do sistema. Pesquisadores do LIARC trabalham nos algoritmos responsáveis pela coordenação das aeronaves e no software de controle embarcado, elementos necessários para que o conjunto opere de forma sincronizada, mantendo a supervisão humana sobre as atividades do enxame.

A proposta representa um avanço na pesquisa de sistemas não tripulados no âmbito do Exército, especialmente pela possibilidade de ampliar a capacidade de emprego de aeronaves sem exigir que cada equipamento seja controlado individualmente por um operador.

Pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico

O projeto reúne duas competências complementares: a capacidade de pesquisa e desenvolvimento do Instituto Militar de Engenharia e a experiência industrial da SkyDrones na produção e integração de sistemas aéreos não tripulados.

O LIARC, inaugurado em 2024, atua em áreas como inteligência artificial, robótica, aprendizado de máquina, visão computacional e segurança cibernética. A iniciativa Dragões de Ricardo Franco aplica parte desse campo de pesquisa ao desenvolvimento de uma arquitetura de controle capaz de coordenar múltiplas aeronaves.

A participação da SkyDrones insere a indústria nacional nesse processo, estabelecendo uma cooperação entre o ambiente acadêmico-militar e uma empresa brasileira de tecnologia. Essa aproximação é relevante para o desenvolvimento de soluções próprias, embora as informações divulgadas até o momento não permitam dimensionar o grau de nacionalização de todos os componentes e subsistemas empregados.

Aplicações militares e civis

O sistema possui potencial de emprego dual, com possibilidades de utilização em atividades militares e missões civis. A capacidade de coordenar múltiplas aeronaves sob supervisão de um único operador pode ampliar as possibilidades de utilização de drones em diferentes tarefas, conforme a evolução e a validação da tecnologia.

Entretanto, os primeiros voos experimentais representam uma etapa de desenvolvimento e avaliação. Ainda não foram divulgados resultados técnicos detalhados sobre o desempenho do conjunto completo, a autonomia das aeronaves, o alcance das comunicações ou a capacidade de operação em ambientes sujeitos a interferências.

O projeto Dragões de Ricardo Franco coloca em evidência o esforço do Exército Brasileiro para avançar na pesquisa de inteligência artificial e sistemas autônomos. O desafio agora está em transformar os resultados obtidos em laboratório e nos ensaios iniciais em uma capacidade confiável, integrada e aplicável às necessidades da Força Terrestre.

Mais do que reunir dezenas de aeronaves, o desenvolvimento de um enxame autônomo exige domínio sobre os algoritmos, as comunicações e os mecanismos que permitem a coordenação dos equipamentos. É nesse conjunto de tecnologias que está o principal valor estratégico da iniciativa.


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Exército Brasileiro treina defesa de infraestrutura crítica com drones da Xmobots em São Carlos

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O Exército Brasileiro realizou, nos dias 22 e 23 de outubro, um exercício de defesa de infraestrutura crítica nas instalações da Xmobots, em São Carlos (SP). A atividade envolveu militares do 13º Regimento de Cavalaria Mecanizado e simulou a proteção de uma estrutura de interesse estratégico para o País, colocando em campo recursos terrestres e sistemas aéreos não tripulados desenvolvidos pela indústria nacional.

A operação mobilizou 90 militares e 23 veículos, entre blindados e jipes, durante 24 horas de treinamento. A atividade integrou o Exercício Anhanguera, conduzido no contexto do Programa de Adestramento Avançado da 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada, no qual o Regimento Anhanguera atuou como Força de Emprego de Prontidão (FEP).

O cenário escolhido traz um elemento relevante para o exercício: a própria sede de uma empresa integrante da Base Industrial de Defesa (BID). A proteção de instalações industriais e tecnológicas vinculadas ao desenvolvimento de capacidades nacionais representa uma dimensão importante da defesa de infraestruturas críticas, especialmente diante da necessidade de preservar estruturas que contribuem para o desenvolvimento de tecnologias de interesse militar.

Um dos destaques do treinamento foi o emprego do Nauru 100D, da Xmobots, em atividades de monitoramento aéreo do perímetro, tanto durante o dia quanto à noite. O sistema também participou de uma ação simulada de ataque contra alvos específicos, utilizando sua versão de veículo aéreo de combate não tripulado (UCAV).

O exercício incluiu o disparo de munição de manejo inerte, permitindo incorporar ao treinamento uma situação de emprego de armamento sem utilização de munição real. Dessa forma, os militares puderam trabalhar diferentes possibilidades de integração entre vigilância aérea, acompanhamento de movimentações e ações táticas no cenário simulado.

A atividade também evidencia como os sistemas remotamente pilotados podem ser incorporados ao adestramento das tropas, aproximando tecnologias desenvolvidas pela indústria nacional das situações práticas enfrentadas pelas unidades militares. No caso do Nauru 100D, o emprego combinado de vigilância diurna e noturna e da versão de ataque permitiu explorar diferentes funções de uma mesma família de sistemas.

Além da participação operacional dos equipamentos, a Xmobots realizou uma apresentação institucional aos militares, abordando sua trajetória, estrutura e tecnologias desenvolvidas, proporcionando contato direto com os sistemas e suas possibilidades de aplicação no campo da Defesa.

Segundo Reinaldo Junior, diretor de Defesa da empresa, o treinamento foi bem-sucedido e representou uma oportunidade de estreitar a relação com o Exército Brasileiro. O executivo destacou a integração entre tecnologia e preparo operacional como elemento importante para o desenvolvimento de soluções alinhadas às necessidades da Defesa.

Fundada em 2007, a Xmobots possui cerca de 500 colaboradores, entre eles aproximadamente 250 engenheiros especializados, e desenvolve aeronaves, hardware, software e soluções de inteligência artificial aplicadas a sistemas robóticos. Na área de Defesa, mantém parcerias com o Exército Brasileiro, a Marinha do Brasil e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

O exercício em São Carlos coloca em evidência uma dimensão que merece atenção no planejamento de Defesa: a proteção das estruturas industriais e tecnológicas que participam do desenvolvimento das capacidades nacionais. Ao utilizar as instalações de uma empresa da BID como cenário de adestramento, o Exército incorporou essa preocupação à preparação de sua tropa, enquanto o emprego dos sistemas da Xmobots permitiu explorar, em ambiente simulado, recursos nacionais de vigilância e ataque.

Mais do que a utilização de drones em uma atividade de treinamento, o exercício aproxima dois componentes essenciais da capacidade de Defesa brasileira: o preparo operacional das Forças Armadas e o desenvolvimento tecnológico da indústria nacional.

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CIASC reúne 245 alunos e 25 viaturas em exercício na Região dos Lagos

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O Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), da Marinha do Brasil, realizou, entre os dias 13 e 23 de outubro, um exercício no terreno na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. A atividade reuniu 245 alunos de sete cursos e estágios, com emprego de 25 viaturas, incluindo blindados Piranha sobre rodas e M113 MB1 sobre lagartas.

A programação envolveu militares em formação nas áreas de blindados, comunicações navais, motores e máquinas, além de alunos da Qualificação Técnica Especial para Motorista Militar de Viatura Operativa Leve. O exercício teve como propósito aprimorar a capacitação técnica e profissional dos participantes, por meio de atividades práticas relacionadas às respectivas especialidades.

Entre os cursos participantes estavam o Aperfeiçoamento em Blindados (C-AP-BD) e a Especialização em Blindados (C-Espc-BD); o Aperfeiçoamento em Comunicações Navais (C-AP-CN) e a Especialização em Comunicações Navais (C-Espc-CN); o Aperfeiçoamento em Motores e Máquinas (C-AP-MO) e a Especialização em Motores e Máquinas (C-Espc-MO). Também participou a Qualificação Técnica Especial para Motorista Militar de Viatura Operativa Leve (E-QTEsp-MoMiL).

Blindados Piranha e M113 integraram os meios empregados

Para a execução das atividades, foram mobilizadas 25 viaturas. Desse total, quatro eram blindadas: duas viaturas especiais blindadas sobre rodas Piranha e duas viaturas blindadas sobre lagartas M113 MB1.

A composição dos meios incluiu ainda quatro caminhões de cinco toneladas ATEGO, cinco caminhões de cinco toneladas UNIMOG U-5000, dez viaturas de três quartos de tonelada e duas ambulâncias administrativas.

A presença de diferentes tipos de viaturas acompanhou a proposta de formação dos alunos, com atividades voltadas à condução e operação dos veículos, ao emprego de blindados e ao desenvolvimento das capacidades técnicas dos militares envolvidos.

Atividades ocorreram em quatro municípios fluminenses

A Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA) apoiou a realização do exercício, cedendo suas instalações e áreas de estacionamento para a montagem do Posto de Comando, a instalação do acampamento e a condução de instruções diurnas e noturnas.

Além das atividades realizadas nas instalações da base, a Escola de Comunicação Naval e de Motores e Máquinas desenvolveu instruções em áreas rurais e litorâneas dos municípios de São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Araruama.

A utilização dessas áreas permitiu a realização das atividades em diferentes ambientes, conforme a programação estabelecida para os cursos e estágios participantes.

Formação técnica e interoperabilidade

De acordo com o CIASC, o exercício contribuiu para o aprimoramento das técnicas, táticas e procedimentos próprios de cada área de formação. Entre os objetivos estiveram o aperfeiçoamento da condução e operação de viaturas operativas, o emprego de blindados e o desenvolvimento das capacidades dos militares de comunicações navais.

A atividade também teve como finalidade fortalecer a interoperabilidade e a capacidade de atuação em diferentes ambientes operacionais, preparando os futuros profissionais para o cumprimento das missões do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN).

Ao reunir alunos de sete cursos e estágios em uma mesma atividade no terreno, o CIASC proporcionou uma etapa de formação prática que contemplou diferentes especialidades necessárias à atuação dos Fuzileiros Navais.


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com Marinha do Brasil

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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Brasileiros na guerra da Ucrânia: denúncias de recrutamento fraudulento ampliam alerta sobre aliciamento de estrangeiros

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A participação de brasileiros na guerra da Ucrânia já foi tema de uma investigação do GBN Defense. Em reportagem publicada em 9 de janeiro de 2026, intitulada “Da ilusão ao front: aliciamento engana brasileiros, como a guerra da Ucrânia virou escola de guerra para criminosos brasileiros”, reunimos relatos de brasileiros que estiveram no país e descreveram uma realidade distante das condições apresentadas durante o recrutamento. Os depoimentos apontaram problemas com remuneração, documentação, infraestrutura, violência dentro de unidades e dificuldades para deixar o serviço e retornar ao Brasil.

Agora, investigações internacionais acrescentam outra dimensão ao problema: denúncias de que cidadãos brasileiros e de outros países latino-americanos teriam sido atraídos para a Rússia por meio de falsas ofertas de trabalho civil e, depois de chegar ao país, incorporados às Forças Armadas russas.

Embora os dois cenários envolvam estrangeiros que foram parar na guerra, as circunstâncias não são necessariamente equivalentes. É preciso distinguir o alistamento voluntário, realizado com conhecimento da natureza militar do compromisso, das situações em que há fraude, coação, exploração da vulnerabilidade ou restrição da liberdade. É justamente essa diferença que permite compreender a gravidade das denúncias sem estabelecer uma falsa equivalência entre experiências distintas.

A realidade encontrada por brasileiros na Ucrânia

A apuração publicada pelo GBN Defense teve como base relatos de brasileiros que retornaram da Ucrânia e compartilharam suas experiências conosco. O que emergiu dos depoimentos foi uma distância significativa entre as promessas feitas por recrutadores e intermediários, e as condições efetivamente encontradas por alguns voluntários.

As ofertas apresentavam a possibilidade de remuneração, estrutura organizada, treinamento e apoio durante a permanência no país. Entretanto, os relatos recebidos pelo GBN apontaram situações de pagamentos atrasados ou não realizados, ausência de clareza sobre contratos e obrigações, alojamentos e instalações precários e dificuldades para obter informações sobre os próprios direitos.

Também foram relatados casos de retenção de passaportes e outros documentos, além de restrições à liberdade de circulação. Para alguns brasileiros, a decisão de deixar a unidade e voltar para casa teria se transformado em um processo complexo, marcado por obstáculos administrativos, exigências financeiras e falta de apoio para o regresso.

A violência dentro de determinadas unidades aparece entre os aspectos mais preocupantes. Os depoimentos mencionaram agressões físicas, intimidações e práticas abusivas contra voluntários, inclusive por parte de integrantes das próprias unidades às quais estavam vinculados. Essas situações, segundo os relatos, agravavam a vulnerabilidade de quem já enfrentava dificuldades para sair da estrutura militar ucraniana.

Outras reportagens ajudaram a confirmar nossa reportagem e ampliar a compreensão desse cenário. Em fevereiro de 2026, o UOL publicou entrevistas com brasileiros que denunciaram atrasos salariais, retenção de passaportes e celulares, alojamentos inadequados, restrições à liberdade de circulação, pressão psicológica e agressões físicas.

Uma investigação do Kyiv Independent, publicada no mesmo mês, trouxe denúncias envolvendo uma formação de combatentes estrangeiros liderada por brasileiros e vinculada à estrutura da inteligência militar ucraniana. Ex-integrantes relataram espancamentos, retenção de documentos e práticas violentas de disciplina. A apuração também examinou a morte do jovem brasileiro Bruno Gabriel Leal da Silva, em dezembro de 2025, em circunstâncias que antigos integrantes associaram a abusos dentro da unidade.

Essas denúncias revelam que a experiência de alguns voluntários esteve muito distante da realidade apresentada durante o recrutamento e que a existência de canais oficiais de alistamento não elimina a necessidade de investigar abusos e irregularidades.

O Ministério da Defesa da Ucrânia mantém um procedimento oficial para candidatos estrangeiros, com etapas de seleção, avaliação médica, verificação documental e assinatura de contrato. As condições contratuais também precisam ser compreendidas antes do alistamento. Informações oficiais indicam contratos com duração de três a cinco anos e regras específicas para a rescisão durante a lei marcial, incluindo exigências de tempo mínimo de serviço contínuo.

Esse contexto ajuda a compreender por que o desligamento pode ser difícil, mas não justifica retenção irregular de documentos, ameaças, agressões ou qualquer prática que comprometa a liberdade individual. A questão central está na transparência das condições oferecidas e na possibilidade do voluntário compreender, antes de viajar, o compromisso que está assumindo.

Denúncias de recrutamento fraudulento para as forças russas

No caso russo, investigações recentes de organizações internacionais de direitos humanos identificaram mecanismos de recrutamento que, em determinadas situações, teriam utilizado falsas ofertas de trabalho civil para atrair estrangeiros.

Em 10 de setembro de 2026, a Anistia Internacional publicou uma investigação sobre o recrutamento de cidadãos estrangeiros para as Forças Armadas russas. O documento reuniu depoimentos de pessoas de diferentes nacionalidades, incluindo brasileiros, colombianos, cubanos, sul-africanos e cidadãos de outros países.

Segundo a organização, candidatos teriam sido atraídos por anúncios e intermediários que ofereciam empregos em áreas como segurança, logística, construção, transporte e tecnologia da informação. As propostas incluíam salários elevados e, em alguns casos, a possibilidade de obter cidadania russa. Depois de chegar ao país, porém, alguns entrevistados afirmaram ter descoberto que os documentos apresentados correspondiam a contratos militares.

Entre os casos relatados está o de um brasileiro identificado pelo pseudônimo “Pedro”, profissional da área de tecnologia da informação. De acordo com a Anistia Internacional, ele acreditava ter aceitado uma oportunidade de trabalho civil, mas acabou incorporado às forças russas. Ao tentar deixar o serviço, teria recebido ameaças de prisão ou morte.

A investigação também reuniu relatos de retenção de passaportes e telefones celulares, restrições à liberdade de circulação, promessas salariais não cumpridas e envio para áreas de combate após períodos de treinamento considerados insuficientes pelos entrevistados.

A Anistia Internacional avalia que, quando há fraude, coerção, exploração da vulnerabilidade e privação da liberdade, essas práticas podem configurar tráfico de pessoas. Trata-se de uma conclusão da organização a partir dos casos investigados, e não de uma decisão judicial individual sobre cada pessoa mencionada.

Estudo internacional aponta recrutamento em mais de 130 países

Em 29 de abril de 2026, a Federação Internacional pelos Direitos Humanos (FIDH), em conjunto com a Truth Hounds e o Kazakhstan International Bureau for Human Rights and Rule of Law, publicou um estudo sobre o recrutamento de estrangeiros para combater ao lado da Rússia.

Com base em nove meses de pesquisa, entrevistas com prisioneiros de guerra e ex-integrantes das forças russas, fontes abertas e consultas a especialistas, o levantamento estimou que pelo menos 27 mil cidadãos estrangeiros de mais de 130 países teriam sido recrutados desde fevereiro de 2022.

O número representa uma estimativa das organizações responsáveis pelo estudo, não um dado oficial confirmado pelo governo russo. O relatório também diferencia aqueles que sabiam estar se alistando para participar de um conflito daqueles que teriam sido enganados ou coagidos por meio de ofertas fraudulentas.

Essa distinção é essencial. A presença de estrangeiros nas forças de um país não significa, por si só, que todos tenham sido vítimas de tráfico de pessoas. O que precisa ser examinado é como ocorreu o recrutamento, se o candidato conhecia a natureza do serviço, se compreendia o contrato e se manteve liberdade efetiva para aceitar ou recusar o compromisso.

ONU identifica recrutamento mediante fraude em 29 países

Em 26 de outubro de 2026, a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Ucrânia, vinculada ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, divulgou novas conclusões sobre o recrutamento de estrangeiros para as forças russas.

A Comissão afirmou ter encontrado evidências de que cidadãos de 29 países foram recrutados mediante fraude e coerção, em um processo que envolveria agentes e intermediários atuando em diferentes regiões do mundo. O Brasil está entre os países mencionados.

Segundo a investigação, os recrutadores apresentavam ofertas de trabalho civil aparentemente legítimas, organizavam vistos e passagens e, em alguns casos, acompanhavam os candidatos durante o deslocamento. Depois da chegada à Rússia, os homens eram pressionados a assinar contratos militares redigidos em russo, frequentemente sem compreender plenamente o conteúdo dos documentos.

A Comissão identificou coordenação entre intermediários e autoridades russas, além do encaminhamento de estrangeiros para posições de combate na Ucrânia. O órgão concluiu que as práticas investigadas configuram tráfico de pessoas e violações de direitos humanos.

A investigação também estabeleceu uma distinção entre o recrutamento fraudulento e o alistamento voluntário de estrangeiros que conhecem a natureza militar do compromisso assumido. No escopo específico dessa apuração, a Comissão afirmou não ter encontrado evidências de um esquema equivalente de recrutamento fraudulento do lado ucraniano.

Frank Dario Jarrosay Manfuga, cubano que afirmou ter sido enganado por uma oferta de trabalho na construção civil.

Essa conclusão não invalida os relatos de brasileiros sobre abusos, violência, retenção de documentos e condições precárias em determinadas estruturas ucranianas. São questões distintas: uma investigação sobre fraude no recrutamento e relatos sobre as condições enfrentadas por voluntários depois de ingressarem em unidades ou estruturas específicas.

O alerta para os brasileiros

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil já alertou sobre os riscos do alistamento voluntário de cidadãos nacionais em forças armadas estrangeiras envolvidas em conflitos internacionais.

A orientação consular chama atenção para a possibilidade de morte, as dificuldades para interromper o serviço militar e as limitações da assistência prestada pelas representações brasileiras, conforme os compromissos assumidos pelo cidadão com forças armadas de outros países. O retorno também pode envolver custos e obstáculos que não foram considerados antes da viagem.

Para brasileiros atraídos por promessas de remuneração, treinamento ou oportunidades profissionais, a ausência de informações claras sobre o contrato, a unidade de destino, as condições de serviço e os mecanismos de desligamento representa um risco significativo.

O GBN Defense buscará um posicionamento oficial do governo da Federação Russa sobre as denúncias de recrutamento fraudulento de brasileiros e outros cidadãos estrangeiros, bem como esclarecimentos sobre os mecanismos de recrutamento adotados, a atuação de intermediários e as medidas implementadas para prevenir e apurar eventuais irregularidades. Também questionaremos como as autoridades russas têm tratado os casos de estrangeiros que afirmam ter sido enganados, coagidos ou impedidos de deixar o serviço militar. O objetivo é apresentar a posição oficial de Moscou e ampliar a compreensão sobre como o país vem lidando com essas denúncias. O espaço permanecerá aberto para manifestação.

O que está por trás das promessas de recrutamento

Os relatos reunidos pelo GBN Defense sobre brasileiros que foram à Ucrânia e as investigações internacionais envolvendo o recrutamento para as forças russas mostram que a participação de estrangeiros na guerra precisa ser analisada para além da decisão individual de combater.

Em ambos os cenários, a distância entre o que é anunciado durante o recrutamento e a realidade encontrada no destino merece atenção. Salários, treinamento, infraestrutura, equipamentos, alojamento, liberdade de circulação e condições para deixar o serviço são elementos que precisam estar claramente definidos antes de qualquer compromisso.

No caso ucraniano, os depoimentos publicados pelo GBN e por outros veículos apontam problemas enfrentados por determinados brasileiros depois de ingressarem em unidades militares. No caso russo, investigações da Anistia Internacional, de organizações de direitos humanos e da Comissão de Inquérito da ONU identificaram mecanismos de fraude e coerção utilizados para incorporar estrangeiros às forças militares.

A diferença entre voluntariado e aliciamento não está apenas na nacionalidade de quem recruta ou no lado do conflito em que o estrangeiro decide combater. Está, sobretudo, na informação oferecida, no consentimento efetivo, na transparência contratual e na liberdade de cada indivíduo para decidir sobre sua própria permanência.

O GBN Defense continuará acompanhando o tema, distinguindo o alistamento voluntário das denúncias de fraude, exploração e coerção. A participação de estrangeiros em um conflito não pode servir de justificativa para abusos, assim como denúncias envolvendo indivíduos ou unidades específicas não devem ser generalizadas para todos os militares de um país.

A transparência no recrutamento, o respeito aos direitos individuais e a possibilidade efetiva de retorno ao país de origem são questões fundamentais para impedir que pessoas atraídas por promessas de oportunidades acabem submetidas a condições que jamais aceitaram conscientemente.


Por Angelo Nicolaci


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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Fragata Jerônimo de Albuquerque avança para nova etapa dos testes de aceitação no mar

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A F201 Jerônimo de Albuquerque, segunda fragata do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), retornou ao mar para uma nova etapa dos Testes de Aceitação no Mar (SAT), agora concentrada nos sistemas de combate. A fase representa um passo importante na avaliação das capacidades operacionais do navio e na verificação da integração dos equipamentos e sistemas embarcados.

Diferentemente das avaliações voltadas ao desempenho geral da plataforma, esta etapa tem como foco o funcionamento integrado dos recursos que compõem o sistema de combate, aspecto essencial para verificar a capacidade da fragata de operar seus sensores, sistemas e equipamentos de missão de forma coordenada.

O avanço dos testes também evidencia o trabalho conjunto da TKMS, da Águas Azuis Construções Navais, da Embraer, da Atech, da EMGEPRON e da Marinha do Brasil, além de uma ampla cadeia de empresas e profissionais que participam do desenvolvimento e da construção dos navios.

A conclusão progressiva das avaliações no mar é necessária para verificar o atendimento aos requisitos do projeto e preparar a fragata para as etapas seguintes até sua entrega e incorporação à Marinha do Brasil.

Com a F201, o PFCT avança na construção de uma nova geração de escoltas para a Esquadra brasileira, contribuindo para a renovação dos meios de superfície e para o fortalecimento da capacidade de defesa marítima do País.


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França avança no desenvolvimento do drone submarino de grande porte UCUV

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A França deu mais um passo no desenvolvimento de sua capacidade de guerra submarina não tripulada. A Agência de Inovação de Defesa (AID) e a Naval Group assinaram um acordo para a realização do demonstrador operacional do UCUV (Unmanned Combat Underwater Vehicle), um veículo submarino não tripulado de grande porte destinado a missões de longa duração.

O anúncio, divulgado em 4 de novembro de 2026, durante a Euronaval, formaliza uma nova etapa de um programa desenvolvido desde 2023, com participação da Direção-Geral de Armamento (DGA), da Marinha Francesa e da indústria naval.

O UCUV deverá demonstrar elevada autonomia e capacidade de permanência no mar, além de ser aerotransportável e poder ser lançado tanto a partir de instalações portuárias quanto de navios de superfície. Sua proposta é atender a diferentes missões, desde inteligência, vigilância e reconhecimento até ações de neutralização.

Um dos principais desafios tecnológicos está na autonomia decisória controlada. O sistema deverá adaptar seu comportamento às condições ambientais, às mudanças táticas e a eventuais avarias, podendo operar individualmente ou em coordenação com outros sistemas.

Essa autonomia não significa ausência de supervisão humana. A concepção apresentada pela DGA prevê que o veículo execute suas tarefas respeitando as determinações do operador, mesmo durante missões prolongadas e em ambientes nos quais a comunicação submarina é limitada.

O desenvolvimento aproveita os resultados obtidos com um demonstrador industrial de drone oceânico desenvolvido pela própria Naval Group. Os ensaios marítimos anteriores permitiram avaliar tecnologias essenciais para a evolução do UCUV, reduzindo riscos na passagem para a nova fase.

A iniciativa também mobilizará uma cadeia industrial francesa composta por grandes empresas, médias companhias e pequenas empresas especializadas, distribuídas por regiões como Var, Morbihan, Manche, Loire-Atlantique, Yvelines, Bouches-du-Rhône e Seine-et-Marne.

As primeiras experimentações no mar estão previstas para 2028. Essa etapa deverá validar as escolhas tecnológicas e avaliar a resposta operacional do sistema diante das novas exigências do combate naval.

O desafio estratégico do domínio submarino

O desenvolvimento do UCUV acompanha uma mudança importante na disputa pelo ambiente submarino. A proteção de cabos de comunicação, estruturas energéticas e outras infraestruturas críticas exige meios capazes de ampliar a vigilância e a presença em áreas marítimas extensas.

Para a França, que possui territórios ultramarinos distribuídos pelo Atlântico, Pacífico e Índico, a capacidade de operar veículos submarinos de grande porte e longa autonomia representa um instrumento adicional de monitoramento e atuação marítima.

Para o Brasil, o avanço merece atenção. A extensão da Amazônia Azul, a concentração de infraestruturas estratégicas no ambiente marítimo e a dependência de conexões submarinas tornam a vigilância do espaço oceânico uma questão de segurança nacional. O desenvolvimento de capacidades próprias ou a cooperação tecnológica nesse segmento deverá integrar as discussões futuras sobre a evolução dos meios da Marinha do Brasil.

O UCUV ainda é um demonstrador em desenvolvimento, e não uma capacidade operacional já incorporada à Marinha Francesa. Seus resultados a partir de 2028 serão fundamentais para avaliar o alcance real dessa nova geração de sistemas submarinos não tripulados.


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terça-feira, 3 de novembro de 2026

CTEx e ARES firmam acordo para desenvolver sistema antidrone baseado no REMAX

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O Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e a ARES Aeroespacial e Defesa formalizaram, em 29 de outubro de 2026, um Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação voltado ao desenvolvimento de um sistema antidrone baseado na estação de armas REMAX.

Segundo as informações divulgadas pelo CTEx, o objetivo é desenvolver uma solução com recursos dedicados à detecção, identificação, acompanhamento e neutralização cinética de drones de pequeno porte.

O sistema deverá permitir operação integral a partir do interior de viaturas. Entre as plataformas citadas pelo Exército estão a Viatura Blindada de Transporte de Pessoal Guarani 6×6 e a Viatura Blindada Multitarefa Guaicurus 4×4.

O REMAX foi desenvolvido anteriormente em parceria entre o CTEx e a ARES. De acordo com o comunicado institucional, mais de 300 unidades já foram entregues ao Exército Brasileiro. A estação existente é remotamente controlada e estabilizada, permitindo ao operador empregar o armamento sem deixar a proteção da viatura.

A nova iniciativa busca ampliar essa capacidade para uma função antidrone, incorporando os recursos necessários para detectar e acompanhar alvos aéreos de pequeno porte e realizar sua neutralização cinética.

O CTEx prevê disponibilizar um protótipo para testes no primeiro semestre de 2027. Essa previsão corresponde à etapa de desenvolvimento e avaliação, não representando confirmação de adoção operacional ou produção em série.

Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre os sensores, o armamento previsto para a nova configuração, o alcance de detecção e engajamento, o investimento ou o cronograma completo do projeto.

O acordo representa uma nova aplicação para uma tecnologia já empregada pelo Exército. Os resultados dos testes do protótipo deverão demonstrar a viabilidade técnica da solução e sua adequação à proteção das guarnições de viaturas blindadas contra drones de pequeno porte.


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Saab leva inteligência artificial ao combate aéreo e prepara o Gripen para operar com sistemas não tripulados

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A Saab anunciou nesta terça-feira (3) um novo avanço no desenvolvimento de inteligência artificial aplicada ao combate aéreo. A empresa sueca revelou uma família própria de agentes de Inteligência Artificial (IA), desenvolvidos internamente e já submetidos a ensaios em voo a bordo do Gripen E. O anúncio representa um passo importante na preparação de futuras arquiteturas de combate, nas quais aeronaves tripuladas poderão atuar em conjunto com plataformas não tripuladas, compartilhando tarefas e decisões táticas.

O avanço vai além da utilização de algoritmos para auxiliar o piloto. Durante os ensaios, um dos agentes desenvolvidos pela Saab controlou autonomamente a aeronave em cenários simulados de combate além do alcance visual (Beyond Visual Range – BVR), demonstrando a capacidade de executar decisões táticas durante operações aéreas complexas.

A empresa destaca que desenvolveu não apenas os agentes, mas também os ambientes de treinamento e as ferramentas necessárias para sua avaliação e evolução. Essa autonomia sobre toda a cadeia tecnológica permite à Saab controlar como os sistemas aprendem, como suas decisões são verificadas e de que maneira novas capacidades podem ser incorporadas às aeronaves.

Do apoio ao piloto à autonomia tática

A família de agentes apresentada pela Saab foi concebida para atuar em diferentes configurações operacionais. Uma possibilidade é apoiar o piloto diretamente no cockpit, auxiliando na interpretação do cenário e na tomada de decisões. Outra perspectiva envolve a utilização desses agentes em plataformas aéreas não tripuladas, operando ao lado de caças tripulados.

Essa segunda aplicação possui implicações importantes para o futuro do poder aéreo. Em vez de depender exclusivamente de aeronaves tripuladas, uma força aérea poderá empregar diferentes plataformas conectadas, distribuindo tarefas de reconhecimento, acompanhamento de ameaças e apoio ao combate.

Nesse contexto, a inteligência artificial poderá permitir que aeronaves não tripuladas acompanhem caças tripulados, executando tarefas sob uma arquitetura de comando coordenada. O objetivo é ampliar a capacidade operacional, distribuir riscos e permitir que o piloto concentre sua atenção nas decisões de maior relevância tática.

A Saab não apresentou, nesse anúncio, uma plataforma não tripulada específica já integrada operacionalmente a esses agentes. Entretanto, deixou claro que a infraestrutura desenvolvida para o programa foi concebida para permitir a expansão das capacidades e sua aplicação em diferentes plataformas.

AI Fighter Pilot Academy: milhões de horas de treinamento simulado

Um dos pilares dessa iniciativa é a AI Fighter Pilot Academy, estrutura criada pela Saab para desenvolver, treinar e avaliar seus agentes de inteligência artificial.

Nesse ambiente, os sistemas são submetidos a milhões de horas de voo simulado, abrangendo diferentes cenários e situações de combate aéreo. Por meio da avaliação contínua das decisões tomadas em relação aos objetivos estabelecidos, os agentes aprendem a adaptar suas estratégias e aperfeiçoar seu desempenho.

Uma das capacidades já submetidas à validação em condições reais de voo é o combate BVR, no qual a identificação, o acompanhamento e o engajamento de ameaças ocorrem além do alcance visual dos pilotos.

É uma modalidade de combate particularmente complexa, pois exige o processamento de informações provenientes de diferentes sensores, avaliação de ameaças, gestão de energia e posicionamento da aeronave, além da tomada de decisões em janelas de tempo reduzidas.

A utilização de ambientes simulados permite explorar uma quantidade de combinações táticas que seria impraticável reproduzir exclusivamente em exercícios reais. Entretanto, a validação em voo continua sendo indispensável para verificar o comportamento dos agentes diante das condições efetivas de operação de uma aeronave.

A empresa também ressalta que segurança e controle são incorporados desde o início do desenvolvimento, uma questão fundamental quando se trata de sistemas capazes de influenciar ou executar decisões em um ambiente de combate.

Gripen E: uma arquitetura preparada para a evolução por software

A escolha do Gripen E como plataforma para esses ensaios não é casual. A arquitetura definida por software da aeronave permite integrar e testar novas capacidades com ciclos de desenvolvimento mais curtos, sem depender necessariamente de plataformas experimentais dedicadas.

Essa característica representa uma vantagem importante em um cenário no qual a evolução tecnológica ocorre em ritmo acelerado. A possibilidade de atualizar sistemas, testar novos algoritmos e incorporar funcionalidades amplia a capacidade de adaptação da aeronave diante de novas ameaças e requisitos operacionais.

Segundo Peter Nilsson, chefe da unidade Advanced Programs da área de Aeronautics da Saab, o futuro do combate aéreo não será definido por plataformas individuais operando isoladamente, mas por redes de sistemas tripulados e não tripulados trabalhando de maneira coordenada.

A empresa também destaca a Sferical AI, iniciativa sueca de inteligência artificial soberana que oferece capacidade computacional segura e em larga escala para o desenvolvimento de sistemas avançados. A Saab participa como uma das parceiras fundadoras, reforçando a dimensão nacional e estratégica dessa iniciativa.

Da experiência com o Centaur à inteligência artificial própria

O anúncio atual também precisa ser compreendido à luz dos avanços apresentados pela Saab em junho de 2025, quando a empresa divulgou os primeiros voos do agente Centaur, desenvolvido em parceria com a Helsing.

Naquela ocasião, o sistema foi integrado ao Gripen E e executou manobras autônomas em cenários de combate BVR, além de fornecer indicações ao piloto para o disparo de armamentos. Um dos ensaios colocou o agente diante de um Gripen D real, permitindo avaliar seu comportamento em situações dinâmicas, com integração de dados dos sensores.

Agora, a Saab apresenta uma família própria de agentes e uma infraestrutura de desenvolvimento sob seu controle. A diferença é relevante: a empresa passa a demonstrar não apenas sua capacidade de integrar inteligência artificial desenvolvida por terceiros, mas também de construir e controlar internamente os componentes fundamentais dessa tecnologia.

Isso não significa que o Centaur tenha sido substituído ou que os novos agentes já estejam certificados para emprego operacional em combate. O anúncio trata de desenvolvimento e validação em voo, com expansão progressiva das capacidades.

O significado para o Brasil e o futuro do programa Gripen

Para o Brasil, operador do Gripen E/F, essa evolução merece atenção especial. O programa brasileiro representa uma parceria industrial e tecnológica de longo prazo com a Suécia, envolvendo transferência de tecnologia, participação da indústria nacional e capacitação de profissionais em diferentes áreas da engenharia aeronáutica.

A evolução da inteligência artificial embarcada em aeronaves de combate acrescenta uma nova dimensão a essa parceria. O domínio sobre software, algoritmos, integração de sensores e sistemas de missão poderá ser tão relevante quanto as capacidades tradicionais de fabricação e manutenção das plataformas.

Nesse cenário, é importante que o Brasil acompanhe de perto a evolução dos agentes de IA e avalie quais competências poderão ser incorporadas ao seu ecossistema de defesa, especialmente no desenvolvimento de software aeronáutico, processamento de dados, integração de sensores e sistemas autônomos.

Isso não significa presumir que os agentes apresentados pela Saab estarão automaticamente disponíveis para a frota brasileira ou que a transferência tecnológica do programa Gripen contemple essas capacidades específicas. O acesso dependerá dos acordos, requisitos de segurança e decisões de cooperação tecnológica entre os países e as empresas envolvidas.

Entretanto, a evolução apresentada em 2026 reforça a importância de preservar e ampliar a capacidade nacional de absorver tecnologias críticas, evitando que a modernização futura das aeronaves dependa exclusivamente de soluções externas.

Uma nova dimensão da superioridade aérea

A apresentação da Saab aponta para uma transformação que vai além da modernização dos caças atuais. A inteligência artificial começa a assumir um papel mais amplo na organização do combate aéreo, com potencial para transformar a relação entre pilotos, aeronaves tripuladas e sistemas autônomos.

A possibilidade de operar agentes de IA em aeronaves de combate abre caminho para arquiteturas nas quais o piloto deixa de ser responsável por executar individualmente todas as tarefas e passa a coordenar uma rede de capacidades distribuídas.

O desafio será garantir que essa autonomia seja confiável, verificável e compatível com as regras de engajamento e os níveis de autoridade estabelecidos pelas forças aéreas.

A Saab está construindo essa capacidade a partir de uma plataforma já existente, utilizando a arquitetura do Gripen E para reduzir o intervalo entre desenvolvimento, integração e ensaios em voo. É um movimento que evidencia como a disputa pela superioridade aérea está migrando também para o domínio dos algoritmos, da computação e da soberania tecnológica.

Para o Brasil, essa transformação reforça que o futuro do Gripen não será definido apenas por radares, sensores, motores e armamentos, mas também pela capacidade de evoluir continuamente seu software e integrar novas tecnologias ao ambiente de combate.


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Embraer fortalece suporte europeu do C-390 com a Fokker como centro autorizado na Holanda

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A Embraer avança na estruturação de sua rede internacional de suporte ao C-390 Millennium na Europa. Em anúncio realizado nesta terça-feira (3), a fabricante brasileira confirmou a nomeação do Fokker Services Group como Centro de Serviço Autorizado para atender à frota de cinco aeronaves adquiridas pela Força Aérea Real dos Países Baixos.

O acordo estabelece uma estrutura local de manutenção e suporte técnico, incluindo assistência presencial por meio de representantes de serviço de campo (Field Service Representatives – FSRs), que acompanharão a introdução da aeronave na operação e prestarão apoio às equipes holandesas.

A iniciativa representa mais um passo na estratégia da Embraer de consolidar um ecossistema de sustentação próximo aos operadores internacionais do C-390, fator particularmente importante para uma aeronave militar multimissão cuja disponibilidade depende não apenas de suas capacidades de voo, mas também da eficiência da cadeia logística, manutenção e fornecimento de componentes.

Indústria local e disponibilidade operacional

A escolha do Fokker Services Group possui relevância adicional por envolver uma empresa com tradição na indústria aeroespacial holandesa e atuação internacional em serviços de engenharia, manutenção, reparo e suporte aeronáutico.

Com cinco instalações distribuídas pela Europa, Ásia e Américas, a companhia possui competências em modificações e engenharia, manutenção de componentes, serviços de estrutura e conversão de aeronaves. Sua participação no programa C-390 amplia o envolvimento da indústria holandesa na introdução e sustentação da nova plataforma.

Para a Embraer, estabelecer uma estrutura de suporte no próprio país operador contribui para aproximar a fabricante das necessidades cotidianas da Força Aérea, oferecendo assistência técnica e operacional durante a fase de entrada em serviço e ao longo da vida operacional da frota.

O CEO do Fokker Services Group, Roland van Dijk, destacou que a nomeação reconhece a capacidade técnica de suas equipes e amplia os serviços oferecidos aos operadores militares. Já Frederico Lemos, Chief Commercial Officer da Embraer Defesa & Segurança, ressaltou que a parceria fortalece os laços com a Força Aérea Real dos Países Baixos e representa uma colaboração estratégica de longo prazo.

Um programa europeu de 13 aeronaves

Os Países Baixos adquiriram cinco C-390 Millennium para substituir sua frota de C-130 Hercules. A aquisição integra uma iniciativa conjunta com Áustria e Suécia, que encomendaram quatro aeronaves cada, totalizando 13 unidades.

Os Países Baixos assumiram a posição de nação líder do programa conjunto, buscando aproveitar ganhos de escala em aquisição, treinamento e sustentação, além de favorecer a padronização das aeronaves e a interoperabilidade entre os operadores.

O cronograma oficial holandês prevê o recebimento das primeiras aeronaves no final de 2027, com a conclusão das entregas até 2029. A introdução do C-390 também envolve a preparação de tripulações, infraestrutura, simuladores e sistemas necessários à operação.

Nesse cenário, a designação do Fokker Services Group como centro autorizado antecipa uma etapa fundamental: assegurar que a estrutura de suporte esteja preparada para acompanhar a chegada dos novos vetores.

Sustentação como diferencial competitivo

O avanço do C-390 no mercado internacional demonstra que a competitividade de uma aeronave militar não se limita às características de desempenho, capacidade de carga ou versatilidade operacional. A existência de uma estrutura de suporte eficiente, com capacidade de resposta próxima ao operador, tornou-se um dos elementos determinantes nas decisões de aquisição e na manutenção da disponibilidade das frotas.

Com capacidade para transportar até 26 toneladas de carga útil, o C-390 Millennium foi desenvolvido para cumprir missões de transporte de tropas e equipamentos, lançamento aéreo, evacuação aeromédica, busca e salvamento, operações humanitárias e combate a incêndios. Também pode receber um sistema de reabastecimento em voo de instalação rápida, permitindo atuar como aeronave-tanque ou receptora de combustível.

Ao estabelecer uma parceria com o Fokker Services Group, a Embraer amplia sua presença industrial e logística na Europa, fortalecendo o relacionamento com um operador que também participa de uma iniciativa multinacional de padronização e cooperação.

Para a indústria aeroespacial brasileira, o movimento tem significado estratégico. A exportação de uma plataforma militar de alto valor agregado precisa ser acompanhada por uma rede internacional capaz de garantir manutenção, suporte técnico, disponibilidade e evolução das capacidades ao longo de décadas.

O C-390 não está apenas conquistando novos operadores. A Embraer está construindo a estrutura necessária para sustentar sua presença nesses mercados, um componente essencial para transformar vendas internacionais em parcerias industriais e operacionais duradouras.


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