A Força Aérea Polonesa voltou a ser acionada para interceptar uma aeronave de inteligência eletrônica russa que operava nas proximidades do espaço aéreo da OTAN sobre o Mar Báltico. O incidente ocorreu na segunda-feira (3), apenas três dias após uma operação semelhante, evidenciando a continuidade das missões de coleta de informações conduzidas pela aviação russa junto ao flanco leste da Aliança Atlântica.
Segundo o ministro da Defesa da Polônia, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, dois caças F-16 foram acionados para identificar uma aeronave de reconhecimento Ilyushin Il-20 que voava aproximadamente 60 quilômetros a noroeste da cidade costeira de Łeba. Embora o voo tenha permanecido em espaço aéreo internacional, a proximidade com o território polonês exigiu a aplicação dos procedimentos de policiamento aéreo da OTAN.
O episódio repetiu praticamente o mesmo padrão observado em 31 de julho, quando outro Il-20 foi interceptado a cerca de 40 quilômetros ao norte de Kołobrzeg. Em ambos os casos, as aeronaves russas operavam sem plano de voo apresentado às autoridades civis de controle de tráfego aéreo, com os transponders desligados e sem manter comunicações por rádio, procedimento que dificulta sua identificação pelos sistemas civis e aumenta os riscos para a segurança da navegação aérea.
Diante desse cenário, os F-16 poloneses executaram os protocolos previstos para missões de Quick Reaction Alert (QRA), realizando a identificação visual da aeronave por meio de sensores embarcados e contato direto antes de acompanhá-la até que deixasse a área considerada de interesse operacional para a defesa aérea da Polônia.
A aeronave interceptada, o Ilyushin Il-20, desempenha um papel estratégico dentro da estrutura de inteligência das Forças Aeroespaciais Russas. Derivado da plataforma da aeronave de transporte Il-18, o modelo é dedicado a missões de Inteligência Eletrônica (ELINT) e Inteligência de Sinais (SIGINT), sendo equipado para interceptar emissões de radares, comunicações militares e outros sinais eletromagnéticos produzidos pelos sistemas de defesa de potenciais adversários.
Essas missões possuem um objetivo bem definido. Ao operar próximo às fronteiras da OTAN, a Rússia busca induzir a ativação dos radares terrestres, centros de comando e aeronaves de alerta da Aliança. Cada interceptação permite registrar assinaturas eletrônicas, frequências de radares, protocolos de comunicação e, principalmente, medir o tempo necessário para que toda a cadeia de defesa aérea, da detecção inicial ao acionamento dos caças interceptadores, entre em funcionamento. Essas informações são posteriormente utilizadas para aperfeiçoar bancos de dados de guerra eletrônica e planejamento operacional.
Os incidentes registrados nas últimas semanas indicam que essas operações não são eventos isolados, mas parte de uma campanha sistemática de coleta de inteligência conduzida pela Rússia sobre o Mar Báltico. Além dos Il-20, a Polônia já relatou a presença de caças Su-30SM2 realizando voos próximos a exercícios militares da OTAN, evidenciando o interesse russo em monitorar a atividade militar da Aliança na região e ampliar seu conhecimento sobre os sistemas de defesa do flanco oriental.
GBN Defense - A informação começa aqui




0 comentários:
Postar um comentário