sexta-feira, 23 de outubro de 2026

CTEx realiza ensaios de drones kamikaze com apoio da indústria nacional

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Solução desenvolvida com participação da Santos Lab e da Airtech utiliza arquitetura modular, permitindo o emprego de diferentes plataformas aéreas como vetores.

O Centro Tecnológico do Exército (CTEx) realizou em 22 de outubro de 2026, ensaios de um sistema de drone kamikaze desenvolvido por engenheiros e técnicos do centro, com apoio das empresas brasileiras Santos Lab e Airtech. A solução tem como característica central sua arquitetura modular, que separa o módulo explosivo da plataforma aérea utilizada como vetor.

Essa configuração permite que o sistema seja associado a diferentes tipos de drones, incluindo plataformas comerciais, ampliando as possibilidades de emprego sem restringir a solução a um único modelo de aeronave. A compatibilidade efetiva, entretanto, depende dos requisitos técnicos e das avaliações de integração de cada plataforma.


Outro aspecto destacado no projeto é a independência entre o controle do módulo explosivo e os sistemas de navegação e pilotagem do drone. Segundo as informações divulgadas, o módulo possui enlace de comunicação próprio e uma estação de controle dedicada.

O sistema também incorpora mecanismos de segurança destinados a evitar acionamentos acidentais ou não autorizados. Os ensaios realizados pelo CTEx avaliaram o funcionamento do sistema e seus protocolos de segurança, incluindo a detonação por impacto, prevista para ocorrer no momento da colisão com o alvo.

A divulgação dos resultados não apresenta detalhes sobre as plataformas utilizadas nos testes, os parâmetros de desempenho avaliados ou o cronograma para as próximas etapas do projeto. Também não há confirmação de uma data para eventual incorporação operacional pelo Exército Brasileiro.

O desenvolvimento representa mais uma iniciativa nacional voltada a sistemas aéreos não tripulados de ataque, com participação do CTEx e de empresas brasileiras. A modularidade é o principal diferencial divulgado da solução, ao permitir considerar diferentes plataformas aéreas como vetores, sem vincular o projeto a um único modelo de drone.


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com Exército Brasileiro

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Portugal avança para viabilizar a venda de três KC-390 à Grécia em acordo de € 590 milhões

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Operação governo a governo amplia o papel português na expansão europeia do cargueiro da Embraer, com apoio logístico, guerra eletrônica e treinamento incluídos no pacote.

Portugal deu um passo decisivo para viabilizar a venda de três aeronaves KC-390 Millennium à Grécia. A Resolução do Conselho de Ministros n.º 207/2026, aprovada em 14 de outubro e publicada no Diário da República em 22 de outubro, autorizou encargos de até € 589,98 milhões para a aquisição das aeronaves, o apoio logístico inicial, os equipamentos de guerra eletrônica, a formação de pessoal e a gestão do programa. O valor ainda está sujeito ao IVA previsto na legislação portuguesa. 

A decisão não se limita à autorização para comprar e transferir três aeronaves. Ela estabelece a estrutura financeira e administrativa necessária para uma operação governo a governo (Government-to-Government, G2G), na qual Portugal atuará como interlocutor estatal na aquisição grega, utilizando a experiência acumulada na operação do KC-390 e sua participação industrial no programa da Embraer.

Há, contudo, uma etapa importante a cumprir: a resolução autoriza as despesas, mas prevê que os recursos venham do contrato de venda à Grécia, ainda a celebrar. Portanto, o documento representa um avanço formal na preparação do negócio, e não a confirmação de que todas as etapas contratuais já foram concluídas. 

Como os € 589,98 milhões serão distribuídos

A autorização portuguesa divide os encargos em duas frentes. A primeira, de até € 532,89 milhões, cabe à Direção-Geral de Armamento e Patrimônio do Ministério da Defesa Nacional e contempla a aquisição das três aeronaves junto ao consórcio formado pela Embraer S.A. e pela Embraer Portugal S.A., além do pacote de apoio logístico para a entrada em serviço.

A segunda parcela, de até € 57,08 milhões, ficará sob responsabilidade da Força Aérea Portuguesa (FAP). O montante cobre a suíte de guerra eletrônica (Electronic Warfare Suite, EW Suite), a formação de tripulações e equipes de manutenção, o apoio logístico, a sustentação de equipes técnicas em território grego, a gestão do programa e atividades associadas à atualização das capacidades das aeronaves. Os valores são limites autorizados, aos quais se acrescenta o IVA legalmente aplicável. 

A inclusão desses itens é operacionalmente relevante. A entrega de uma aeronave militar não equivale à disponibilização imediata de uma capacidade plenamente utilizável: a força compradora precisa preparar tripulações e mantenedores, estabelecer procedimentos, organizar a cadeia de suprimentos e garantir suporte técnico. Ao contemplar esses elementos no mesmo arranjo, Portugal e Grécia buscam estruturar a introdução da plataforma como um sistema de armas, e não apenas como a aquisição de células.

A referência à suíte de guerra eletrônica também merece atenção, mas exige cautela. A resolução confirma sua inclusão no pacote, sem identificar publicamente o fornecedor, a arquitetura ou os recursos específicos do sistema. Não é possível, portanto, atribuir ao equipamento capacidades particulares de alerta radar, interferência ou autoproteção sem documentação adicional.

O modelo português e a expansão do KC-390 na Europa

O papel de Portugal tem raízes anteriores à negociação com Atenas. Em 2010, o país manifestou interesse em participar do desenvolvimento e da produção do KC-390, buscando fortalecer sua base tecnológica e industrial aeronáutica. Em 2019, contratou cinco aeronaves, um simulador de voo e os serviços de sustentação logística correspondentes. 

Em 2025, Lisboa exerceu a opção de compra de uma sexta aeronave e formalizou a possibilidade de facilitar futuras aquisições de até dez unidades adicionais por países europeus ou integrantes da OTAN, por meio de acordos governo a governo. A iniciativa ampliou o papel português para além do de operador da aeronave, abrindo espaço para atuar como parceiro de referência em futuras negociações internacionais. 

Esse posicionamento também se apoia na experiência operacional da Força Aérea Portuguesa. Segundo o governo, a FAP desenvolveu e testou a configuração OTAN do KC-390 na Base Aérea n.º 11, em Beja, e obteve sua certificação pela Autoridade Aeronáutica Nacional. Lisboa também pretende consolidar a base como Centro de Treinamento de Excelência do programa, criando uma estrutura que pode apoiar a preparação de operadores aliados.

A vantagem portuguesa, portanto, combina três elementos: experiência de operação, participação industrial e capacidade de apoiar a formação e a sustentação de outras forças aéreas. Para a Embraer, esse arranjo pode reduzir barreiras práticas à entrada em novos mercados europeus; para Portugal, representa uma oportunidade de ampliar o retorno econômico e tecnológico de sua participação no programa.

Isso não significa, porém, que o país se torne automaticamente o principal integrador do KC-390 para toda a OTAN. A resolução e os documentos consultados sustentam a intenção de fortalecer esse papel, mas não estabelecem uma exclusividade portuguesa nem uma função formal de integração para toda a Aliança.

Grécia: modernização e cooperação militar

O interesse grego ganhou forma institucional em 2026. Durante visita oficial a Portugal em maio, o ministro da Defesa da Grécia, Nikos Dendias, discutiu com seu homólogo português, Nuno Melo, a possibilidade de aprofundar a cooperação bilateral e adquirir aeronaves C-390 produzidas em Portugal. A agenda incluiu ainda outras áreas de cooperação tecnológica e de defesa.

Em agosto, o Ministério da Defesa português aprovou a minuta de um memorando de entendimento para estabelecer uma parceria estratégica relativa à capacidade de transporte aéreo militar. O despacho foi posteriormente revisto em setembro, com nova aprovação da minuta e delegação de poderes para a assinatura. Esses atos documentam o avanço institucional da negociação, mas não devem ser confundidos com a conclusão do contrato comercial de aquisição. 

Para a Grécia, a escolha do KC-390 oferece a perspectiva de incorporar um transporte militar a jato, multimissão, capaz de combinar deslocamento de tropas e cargas com outras funções previstas na configuração contratada. O pacote de treinamento e apoio técnico será importante para transformar a aquisição em disponibilidade operacional e estabelecer a sustentação da frota em território grego.

O cronograma, a configuração final das aeronaves, os equipamentos específicos de guerra eletrônica e os termos completos do contrato ainda precisam ser acompanhados à medida que a negociação avance. A resolução portuguesa não detalha esses elementos nem permite antecipar, com segurança, a data de entrega de cada unidade.

Um negócio que vai além da venda de aeronaves

A operação demonstra como a participação industrial em um programa de defesa pode criar oportunidades que ultrapassam a encomenda inicial de um país. Portugal construiu experiência operacional, desenvolveu competências industriais e agora utiliza essa posição para facilitar o acesso de um aliado europeu ao KC-390.

O modelo G2G pode dar maior coordenação estatal à negociação, mas seu êxito dependerá da execução contratual, da capacidade de entrega, da formação das equipes e da sustentação logística. A venda também poderá reforçar a presença da Embraer em um mercado no qual interoperabilidade, suporte regional e previsibilidade de manutenção pesam tanto quanto o desempenho da plataforma.

Para o Brasil, o avanço é relevante porque amplia as perspectivas de exportação de uma aeronave desenvolvida pela indústria nacional e evidencia o valor estratégico da participação de parceiros estrangeiros na cadeia produtiva. Portugal não substitui a Embraer como fabricante: atua como operador experiente, parceiro industrial e possível facilitador de novas aquisições europeias.

A etapa seguinte será observar a assinatura do acordo governo a governo e a formalização dos contratos correspondentes. Até lá, o anúncio representa uma autorização orçamentária robusta e um sinal concreto de avanço, mas não deve ser apresentado como uma venda definitivamente concluída.


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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Suécia encomenda quatro canhões navais BAE Systems Bofors 57Mk3

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A Suécia contratou a BAE Systems Bofors para fornecer quatro sistemas de artilharia naval Bofors 57Mk3, acompanhados de munição programável Bofors 57 mm 3P. O acordo, anunciado em 21 de outubro de 2026, prevê entregas em 2028 e 2029 e integra o programa de modernização dos meios navais suecos, com foco na capacidade de enfrentar ameaças aéreas e de superfície, incluindo drones.

A Administração Sueca de Materiais de Defesa (FMV) informou que os novos canhões substituirão sistemas atualmente instalados em alguns navios da Marinha sueca. As embarcações contempladas não foram identificadas, e o valor do contrato não foi divulgado. O acordo inclui ainda treinamento e serviços necessários à incorporação dos equipamentos.

Um canhão para diferentes cenários de combate

O Bofors 57Mk3 é um sistema de artilharia naval automática de 57 mm projetado para desempenhar diferentes funções em combate. Sua aplicação abrange defesa antiaérea, guerra antissuperfície e apoio de fogo naval, permitindo enfrentar desde ameaças aéreas até embarcações e alvos em terra.

A versatilidade do sistema está associada à combinação entre o canhão, os recursos de direção de tiro do navio e a variedade de munições disponíveis. Em um ambiente marítimo no qual ameaças podem surgir em diferentes direções e a distâncias variadas, essa capacidade permite empregar uma única instalação de artilharia em mais de um perfil de missão, sem depender exclusivamente de armamentos especializados para cada tipo de alvo.

O calibre de 57 mm também oferece uma alternativa intermediária entre sistemas de menor calibre, voltados principalmente à defesa aproximada, e mísseis guiados, cujo emprego envolve outros custos e requisitos operacionais. A artilharia não substitui os sistemas de mísseis, mas amplia as opções de resposta do navio diante de ameaças compatíveis com suas capacidades.

Munição 3P: programação para diferentes ameaças

Um dos principais elementos do contrato é a munição Bofors 57 mm 3P, cuja denominação em inglês corresponde a Pre-fragmented, Programmable, Proximity-fuzed: projétil pré-fragmentado, programável e equipado com espoleta de proximidade.

Diferentemente de uma munição convencional com funcionamento predeterminado, a 3P permite selecionar entre seis modos de operação, ajustando o efeito do disparo ao tipo de alvo e às condições do engajamento. A espoleta é programada automaticamente, projétil por projétil, por um dispositivo conectado ao sistema de controle de tiro. A configuração selecionada é transmitida imediatamente antes do disparo.

Esse recurso permite adaptar a munição a diferentes situações, incluindo o emprego contra alvos aéreos, embarcações e objetivos em terra. Entre as possibilidades está a detonação no ar, que dispersa os fragmentos na região do alvo e amplia as opções de engajamento contra ameaças pequenas ou de difícil interceptação por meios convencionais.

A capacidade é particularmente relevante diante da disseminação de sistemas aéreos não tripulados. Drones de diferentes dimensões podem exigir respostas distintas conforme velocidade, trajetória, distância e comportamento de voo. A programação da espoleta permite adequar o funcionamento da munição à situação tática, enquanto a integração com a direção de tiro contribui para coordenar a solução de engajamento.

A 3P também pode ser empregada contra aeronaves, mísseis e alvos de superfície, incluindo embarcações rápidas. Sua proposta é ampliar a flexibilidade do sistema de armas, reduzindo a necessidade de trocar de tipo de munição para responder a diferentes categorias de ameaça.

Modernização e continuidade logística

A nova encomenda dá continuidade ao emprego da família Bofors de 57 mm pela Marinha sueca. Sistemas da família já equipam, entre outras embarcações, corvetas das classes Visby e Gävle. A FMV, contudo, não informou quais navios receberão os quatro novos canhões, de modo que não é possível atribuir o contrato a uma classe específica.

Em dezembro de 2025, a Suécia e a Finlândia também contrataram conjuntamente munições Bofors de 40 mm e 57 mm, em acordo divulgado pela BAE Systems com valor aproximado de US$ 171 milhões. Na ocasião, a empresa informou que os projéteis seriam incorporados aos estoques existentes dos dois países, reforçando a continuidade logística de sistemas já em serviço.

A manutenção de uma cadeia de fornecimento de munições compatíveis é parte importante da capacidade de combate naval. Além da aquisição dos canhões, a disponibilidade de munição, o treinamento das guarnições, a integração aos sistemas de bordo e a manutenção influenciam diretamente a prontidão operacional.

Com entregas previstas para 2028 e 2029, o contrato de quatro Bofors 57Mk3 combina a renovação de equipamentos embarcados com a incorporação de munição programável de múltiplos efeitos. A iniciativa reforça a capacidade da Marinha sueca de empregar sua artilharia contra ameaças aéreas e de superfície, em um cenário no qual drones e embarcações não tripuladas ampliam a diversidade dos desafios enfrentados pelos navios de guerra.


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HK416 no Brasil: o fuzil alemão adotado por forças especiais ao redor do mundo

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Desenvolvido pela alemã Heckler & Koch (HK) no início dos anos 2000, o HK416 surgiu como uma evolução da família M4/M16, mantendo características de sua configuração geral, mas introduzindo mudanças importantes no funcionamento e em componentes da arma. A principal delas é a substituição do sistema convencional de aproveitamento direto dos gases por um mecanismo de pistão a gás de curso curto, solução derivada da experiência da fabricante com outros projetos, como o G36. O resultado é um fuzil de calibre 5,56×45mm NATO que combina familiaridade ergonômica com modificações voltadas à confiabilidade, à durabilidade e ao emprego em diferentes condições operacionais. Adotado por forças militares e unidades de operações especiais de diversos países, o HK416 também está presente em unidades de operações especiais brasileiras.

Na Marinha do Brasil, o HK416A3 equipa o Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC), unidade de operações especiais especializada em ações de elevada complexidade no ambiente marítimo. O fuzil atende às exigências de missões que envolvem infiltração, abordagem de embarcações e operações a partir de meios navais, nas quais confiabilidade, controle e adaptação aos equipamentos do operador são fatores essenciais.

No Exército Brasileiro, o HK416A3 integra os meios do Comando de Operações Especiais (COpEsp), compondo o arsenal de uma força preparada para atuar em diferentes ambientes operacionais.

A presença dessas plataformas nas unidades especializadas brasileiras reflete a importância de contar com armamentos adaptáveis, capazes de integrar sistemas ópticos e acessórios e de atender às exigências de operações terrestres, marítimas e anfíbias.

HK416 e M4: duas plataformas, sistemas de funcionamento distintos

Embora compartilhem elementos de projeto e características ergonômicas, o HK416 e o M4 convencional diferem principalmente no sistema de operação a gás. O M4 utiliza o sistema de expansão direta dos gases, que conduz os gases do disparo ao conjunto do ferrolho para movimentar o mecanismo. O HK416, por sua vez, emprega um pistão a gás de curso curto, que transmite o impulso ao conjunto móvel sem conduzir os gases diretamente para o interior do transportador do ferrolho.

Essa diferença influencia o comportamento mecânico e a distribuição de calor e resíduos no armamento. No HK416, o sistema de pistão reduz a exposição direta do conjunto do ferrolho aos gases da combustão, enquanto o M4 mantém uma solução mais leve e tradicional, amplamente difundida e com extensa cadeia logística. Isso não significa que um sistema seja universalmente superior ao outro: confiabilidade e desempenho dependem também da configuração, da manutenção, da munição e das condições de emprego.

Ambos utilizam munição 5,56×45mm NATO e podem empregar carregadores compatíveis com o padrão STANAG. Para as unidades de operações especiais brasileiras, a coexistência dessas plataformas representa acesso a soluções com características mecânicas distintas, cuja escolha e configuração dependem dos requisitos operacionais de cada força e missão.

HK416A3 e A5: evolução da plataforma

A HK416A3 e a HK416A5 pertencem à mesma família de fuzis, mas a versão A5 introduziu mudanças importantes na ergonomia, na compatibilidade com carregadores e no controle do sistema de gases. Apresentada como uma evolução do projeto, a A5 foi desenvolvida para aprimorar a adaptação do armamento às necessidades do operador e às diferentes configurações de emprego.

Uma das principais mudanças está nos comandos ambidestros. Na A5, o seletor de tiro, o retém do ferrolho, o liberador do carregador e a alavanca de manejo permitem operação por ambos os lados, facilitando o manuseio por destros e canhotos. A caixa inferior também foi redesenhada, com um alojamento do carregador que amplia a compatibilidade com diferentes modelos dentro do padrão M4/M16.

Outra evolução importante é o regulador de gases ajustável sem ferramentas, que permite selecionar a configuração adequada para o emprego com ou sem supressor. A A5 também recebeu alterações nas interfaces entre componentes, na empunhadura, na coronha e no trilho superior, que passou a oferecer uma superfície contínua para a instalação de miras ópticas, dispositivos de visão noturna e outros acessórios.

As mudanças não se limitam à ergonomia. A HK introduziu reforços e ajustes estruturais destinados a melhorar a durabilidade, a segurança e a confiabilidade do conjunto em condições reais de emprego. A A5 representa, portanto, uma evolução técnica da plataforma, embora a escolha entre variantes dependa dos requisitos de cada força e dos armamentos já incorporados ao serviço. A adoção de uma versão mais recente não implica, por si só, a substituição imediata das anteriores.

Noruega e França: adoção como armamento padrão

A Noruega foi pioneira na adoção do HK416 como fuzil padrão de suas Forças Armadas em 2007. O país selecionou a plataforma para substituir o AG-3, derivado do alemão G3, e incorporou variantes próprias, identificadas como HK416N e HK416K, destinadas a diferentes necessidades de emprego. A escolha norueguesa marcou a primeira adoção do HK416 como armamento individual padrão de um exército. 

Na França, o HK416F foi selecionado em 2016 para substituir progressivamente o FAMAS nas três Forças Armadas. As primeiras entregas ocorreram em maio de 2017, dando início a um programa de renovação em larga escala. O planejamento francês prevê versões de comprimento padrão para tropas de infantaria e versões mais curtas para unidades com requisitos específicos de mobilidade, incluindo forças embarcadas.

O programa francês prevê a entrega de 117 mil fuzis, consolidando o HK416 como armamento individual de referência das forças francesas. A adoção por Noruega e França demonstra a capacidade da plataforma de atender a requisitos de exércitos distintos, com variantes configuradas conforme as necessidades operacionais e logísticas de cada força.

HK416: presença consolidada nas operações especiais

A presença do HK416A3 no Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC) da Marinha do Brasil, e no Comando de Operações Especiais (COpEsp) do Exército Brasileiro, insere as forças especiais brasileiras entre os usuários de uma plataforma adotada internacionalmente por unidades militares de elite. Em missões nas quais a confiabilidade do armamento, a mobilidade e a adaptação aos equipamentos do operador são fundamentais, o HK416 consolidou seu espaço ao combinar uma solução mecânica própria com a flexibilidade exigida por diferentes cenários operacionais.

Da Europa às operações especiais brasileiras, sua trajetória reflete a importância do desenvolvimento contínuo dos armamentos individuais e da capacidade de adequá-los às exigências de cada força. No GRUMEC e no COpEsp, o HK416A3 faz parte dos meios empregados por unidades cuja eficiência depende da integração entre armamento, treinamento e preparo operacional.


por Angelo Nicolaci

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Argentina recebe o sexto Bell 407GXi, concluindo pacote para Exército e Força Aérea

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A Argentina concluiu a incorporação do sexto helicóptero Bell 407GXi destinado ao Exército, fazendo parte do pacote que entregou seis aeronaves destinadas ao Exército e à Força Aérea Argentinos, encerrando um programa iniciado em 2022 para ampliar a mobilidade aérea e recuperar capacidades de operação em terrenos exigentes. A apresentação do AE-342 em 20 de outubro, marcou a chegada da terceira aeronave destinada ao Exército Argentino e a conclusão da distribuição prevista, com três helicópteros para cada Força.

A aquisição integra os esforços de modernização das Forças Armadas argentinas e busca reforçar missões de transporte, busca e salvamento, evacuação aeromédica e apoio em situações de emergência. A capacidade de operar em regiões montanhosas tem importância particular para o país, cuja extensa fronteira com o Chile acompanha a Cordilheira dos Andes.

Contrato de US$ 32,4 milhões

O contrato foi assinado em dezembro de 2022 entre o Estado-Maior Conjunto argentino e a Canadian Commercial Corporation, entidade estatal canadense. O programa foi avaliado em aproximadamente US$ 32,4 milhões e abrangeu não apenas as seis aeronaves, mas também treinamento, documentação técnica, ferramentas especiais e equipamentos de apoio em solo.

A inclusão desses recursos é relevante para a sustentação da frota. Em programas de aviação militar, a entrega das aeronaves representa apenas uma etapa: a disponibilidade operacional depende também da qualificação das tripulações, da formação dos técnicos e da capacidade de manter os helicópteros em serviço ao longo do tempo.

A distribuição entre Exército e Força Aérea permite às duas instituições operar a mesma plataforma, com potencial para racionalizar parte das atividades de treinamento, manutenção e suporte logístico. O resultado prático, contudo, dependerá da disponibilidade dos meios e da estrutura de apoio de cada Força.

Aviónica moderna e versatilidade operacional

O Bell 407GXi é um helicóptero leve equipado com motor Rolls-Royce M250-C47E/4 e conjunto de aviônicos Garmin G1000H NXi. O sistema integra informações de voo em telas digitais, auxiliando a tripulação na navegação e no acompanhamento dos parâmetros da aeronave.

A plataforma pode ser empregada no transporte de pessoal e cargas, em missões de ligação, busca e salvamento e evacuações médicas. Essas características também favorecem seu emprego em operações de apoio à população, especialmente em áreas remotas, onde as distâncias, o relevo e as dificuldades de acesso limitam o uso de meios terrestres.

O programa argentino contempla ainda o emprego de equipamento Bambi Bucket, utilizado no lançamento de água em operações de combate a incêndios florestais. Esse recurso amplia a utilidade dos helicópteros em emergências ambientais, embora sua efetividade dependa das condições da missão, da configuração da aeronave e da disponibilidade dos equipamentos necessários.

Reforço para a Aviação do Exército

Com a entrega do AE-342, o Exército Argentino completa as três unidades previstas no programa. Uma das destinações anunciadas para os helicópteros é o apoio à V Brigada de Montanha, sediada em Salta, formação que atua em um ambiente operacional no qual a mobilidade aérea pode ser decisiva para o transporte de pessoal, o apoio logístico e a evacuação de feridos.

A incorporação fortalece uma capacidade particularmente importante para as operações em montanha: deslocar equipes e suprimentos para áreas de acesso difícil, além de permitir respostas mais rápidas em missões de resgate. Não se trata, porém, de uma solução isolada para todas as necessidades da aviação militar argentina, mas de um reforço específico à sua frota de helicópteros leves.

A conclusão do programa também deve ser observada com cautela em relação à frota anterior. Embora a recuperação da capacidade de operar em ambientes montanhosos esteja entre os objetivos associados à aquisição, as informações disponíveis não permitem afirmar que os Bell 407GXi tenham substituído integralmente os helicópteros SA-315B Lama.

Modernização depende da disponibilidade

A entrega das seis aeronaves representa uma etapa concreta de renovação da aviação militar argentina, com uma plataforma comum para duas Forças e um pacote contratual que inclui recursos de treinamento e apoio. O desafio seguinte será manter os helicópteros disponíveis para as missões previstas, assegurando a formação continuada das tripulações e a sustentação técnica da frota.

Em um cenário de recursos limitados, o valor militar do programa será medido menos pelo número de aeronaves recebidas do que pela capacidade de mantê-las operacionais e empregá-las de forma consistente. Para a Argentina, os Bell 407GXi ampliam as opções de mobilidade aérea, apoio humanitário e atuação em terrenos montanhosos, sem eliminar a necessidade de investimentos adicionais na estrutura mais ampla de sua aviação militar.


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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

EDGE destaca papel estratégico da AKAER e aponta novas oportunidades para a engenharia brasileira

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Com mais de 30 anos de experiência e 10 milhões de horas de engenharia acumuladas, empresa brasileira passa a integrar o grupo dos Emirados Árabes Unidos, ampliando as possibilidades de cooperação tecnológica e participação em programas internacionais.

A aquisição da AKAER pela EDGE Group dos Emirados Árabes Unidos, representa um novo capítulo para a engenharia aeroespacial brasileira e para a estratégia de expansão internacional do conglomerado de defesa. Concluída em setembro de 2026, a operação incorpora ao grupo uma empresa com mais de três décadas de experiência no desenvolvimento de soluções para os setores aeroespacial e de defesa, além de uma equipe multidisciplinar com capacidade para atuar desde a concepção de projetos até sua industrialização.

Em publicação recente, a EDGE Group destacou três aspectos centrais da aquisição: a experiência acumulada pela AKAER, a importância do mercado brasileiro para os planos de longo prazo do grupo e as oportunidades de combinar a engenharia nacional com seu portfólio internacional de tecnologias avançadas.

A dimensão técnica da operação ajuda a compreender seu alcance. A AKAER acumula mais de 10 milhões de horas de engenharia, resultado de sua atuação em projetos aeroespaciais complexos e do desenvolvimento de competências que abrangem estruturas, sistemas, integração e industrialização. Para a EDGE, essa experiência representa a incorporação de uma base de engenharia estabelecida no Brasil, capaz de contribuir para programas do grupo em diferentes mercados.

Engenharia brasileira integrada a um grupo internacional

Fundada em São José dos Campos, um dos principais polos aeroespaciais do país, a AKAER consolidou sua atuação em projetos de alta complexidade para os setores aeronáutico, espacial e de defesa. Sua experiência inclui participação em programas relevantes da indústria aeronáutica, como o cargueiro KC-390, o caça Gripen NG, o turco TAI Hürjet e diferentes famílias de aeronaves comerciais e executivas. 

A empresa também já mantinha relacionamento industrial com a EDGE antes da aquisição. Em 2023, as duas companhias firmaram um memorando de entendimento (MoU) para estudar oportunidades de desenvolvimento e produção de sistemas e equipamentos de alta tecnologia. Entre as áreas contempladas estavam tecnologias de guiagem, sensores e soluções para aplicações aeroespaciais e de defesa. 

Essa relação anterior oferece uma base para a integração das capacidades das duas empresas. A AKAER agrega experiência de engenharia e industrialização, enquanto a EDGE reúne um portfólio diversificado de tecnologias de defesa, sistemas autônomos e soluções avançadas, além de presença comercial internacional. A combinação pode facilitar o desenvolvimento de novos produtos e ampliar as possibilidades de participação em programas conduzidos pelo grupo.

O alcance efetivo dessa integração, contudo, dependerá das decisões sobre investimentos, distribuição de responsabilidades industriais e definição dos programas que serão desenvolvidos ou produzidos no Brasil.

O que a aquisição representa para o Brasil

A EDGE apresenta o país como um polo estratégico para seus investimentos, destacando a disponibilidade de profissionais altamente qualificados, a infraestrutura industrial e as oportunidades de crescimento no setor aeroespacial e de defesa.

A continuidade das operações da AKAER no Brasil é um aspecto importante dessa estratégia. A estrutura local permite preservar competências técnicas, relações com clientes e conhecimento acumulado pela equipe brasileira. A operação também foi estruturada para manter o enquadramento da empresa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), com participação societária da SIATT. 

A manutenção desse status é relevante porque a classificação como EED está associada a requisitos legais e regulatórios específicos da Base Industrial de Defesa brasileira. A preservação da estrutura local, entretanto, não elimina a necessidade de acompanhar como serão organizadas a governança, a propriedade intelectual e a participação da engenharia nacional nos projetos futuros.

O principal potencial para o país está na possibilidade de transformar a presença de um grupo internacional em novas atividades de engenharia, desenvolvimento tecnológico e industrialização realizadas no Brasil. Para que isso se concretize, será importante que a AKAER participe não apenas como fornecedora de serviços de engenharia, mas também de etapas relevantes do desenvolvimento e da produção de sistemas de maior valor agregado.

Oportunidades em programas estratégicos

A aquisição também pode ampliar as possibilidades de colaboração em áreas como sistemas não tripulados, tecnologias eletro-ópticas e infravermelhas, aplicações espaciais e integração de sistemas avançados. Essas áreas estão entre as capacidades que a EDGE busca fortalecer com a incorporação da empresa brasileira. 

A experiência da AKAER em projetos complexos pode contribuir para aproximar as necessidades de programas internacionais da capacidade produtiva brasileira. Ao mesmo tempo, a estrutura global da EDGE poderá oferecer oportunidades de acesso a novos mercados, desde que os projetos sejam acompanhados de investimentos, responsabilidades industriais definidas e condições comerciais sustentáveis.

Para a Base Industrial de Defesa, o resultado mais significativo será a capacidade de ampliar o trabalho de engenharia realizado no país e gerar novas oportunidades para profissionais, fornecedores e empresas nacionais. A simples mudança de controle societário não garante esses resultados; eles dependerão de como a integração será executada e de quais atividades permanecerão efetivamente sob responsabilidade das equipes brasileiras.

A conclusão da aquisição consolida a presença da EDGE no Brasil e aproxima duas estruturas com competências complementares. O próximo passo será transformar essa combinação em programas concretos, com desenvolvimento tecnológico, industrialização e participação brasileira capazes de gerar resultados de longo prazo para o setor aeroespacial e de defesa.


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Portugal avança na construção de navio logístico na Türkiye e abre uma referência de interesse para a Marinha do Brasil

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Com entrega prevista para 2028, o NRP Fernando Pessoa integra a modernização da Marinha Portuguesa e oferece ao Brasil uma oportunidade para avaliar a capacidade industrial turca, em meio à necessidade futura de substituir seu atual navio-tanque.

A Marinha Portuguesa avançou na renovação de sua capacidade logística com a cerimônia de assentamento do primeiro bloco da quilha do futuro NRP Fernando Pessoa, realizada em 20 de outubro, no estaleiro ADA Shipyard em Tuzla, Istambul, na Türkiye. A embarcação será a segunda unidade de uma nova classe de Navios Reabastecedores de Esquadra e Logísticos, projetada para ampliar a autonomia das operações navais portuguesas.

A cerimônia foi presidida pelo chefe do Estado-Maior da Armada de Portugal, almirante Jorge Nobre de Sousa, e contou com a presença do comandante naval da Marinha da Türkiye, almirante Kadir Yıldız, além de representantes militares e civis dos dois países. O projeto combina a modernização da frota portuguesa com a capacidade de construção naval turca, inserindo o estaleiro de Istambul no programa estratégico para Lisboa.

Com 137 metros de comprimento e deslocamento de aproximadamente 11 mil toneladas, o NRP Fernando Pessoa terá propulsão híbrida, combinando sistemas diesel e elétrico, e velocidade máxima superior a 18 nós. A guarnição será composta por 50 militares, com alojamentos adicionais para receber temporariamente mais de 100 pessoas.

O navio transportará e fornecerá combustível para embarcações e aeronaves, água potável, munições e carga geral, além de oferecer apoio logístico diversificado e recursos hospitalares ampliados. Essas capacidades permitirão sustentar operações prolongadas, apoiar forças navais afastadas de suas bases e contribuir para missões humanitárias e de resposta a catástrofes.

O programa inclui também o NRP Luís de Camões. Juntos, os dois navios deverão ampliar a capacidade portuguesa de manter unidades navais em operação por períodos mais longos, reforçando a presença do país no Atlântico e o cumprimento de compromissos internacionais, como a OTAN. A entrega do NRP Fernando Pessoa está prevista para o final de 2028.

A construção na Türkiye demonstra a participação da indústria naval turca em programas internacionais de modernização de frotas, uma experiência que pode interessar a países que buscam renovar suas capacidades e avaliar alternativas de cooperação industrial.

O programa português representa oportunidade para o Brasil?

A experiência merece atenção da Marinha do Brasil. A extensão do litoral, a proteção da Amazônia Azul e a necessidade de operar em áreas distantes tornam o reabastecimento no mar essencial para ampliar a permanência de escoltas e outros meios navais em missão, reduzindo a dependência de apoio em terra.

Atualmente, a Marinha brasileira dispõe do Navio-Tanque Almirante Gastão Motta, incorporado em 1991, para o apoio logístico oceânico à Esquadra. Além da idade, a embarcação possui casco simples, característica que impõe limitações diante de determinadas exigências ambientais e condições de operação internacional. A aplicação dessas restrições depende das normas e do contexto operacional, mas a configuração do navio é um fator relevante no planejamento de longo prazo. A dependência de uma única plataforma também reforça a importância de preparar sua futura substituição.

Nesse cenário, acompanhar a construção do NRP Fernando Pessoa pode oferecer ao Brasil uma referência concreta para avaliar a indústria naval turca. O andamento do cronograma, a execução do projeto e a capacidade de entrega do estaleiro são aspectos que podem ajudar a dimensionar a experiência industrial da Türkiye na construção de navios logísticos dessa categoria.

Existe um canal institucional que pode facilitar esse acompanhamento. Em abril de 2026, durante a LAAD, as Marinhas do Brasil e de Portugal assinaram um instrumento de entendimento voltado à cooperação e ao intercâmbio de informações sobre programas navais. Esse mecanismo abre espaço para conhecer melhor a experiência portuguesa com o projeto, incluindo aspectos de contratação, construção e avaliação da capacidade de entrega do fornecedor turco.

O intercâmbio não significa que o Brasil adotará o mesmo projeto. As necessidades brasileiras exigem avaliação própria de requisitos operacionais, capacidade de transporte e transferência de combustível, autonomia, custos de ciclo de vida e integração com os meios existentes, além de construção no Brasil. Ainda assim, as informações obtidas por meio da cooperação com Portugal podem contribuir para uma análise mais fundamentada de alternativas disponíveis no mercado internacional.

A perspectiva ganha outra dimensão com o Acordo sobre Cooperação em Indústria de Defesa entre Brasil e Türkiye, assinado em 2022 e aprovado pelo Congresso Nacional em setembro de 2025. O instrumento estabelece uma base para ampliar a cooperação técnico-industrial entre os dois países, criando condições para examinar oportunidades que envolvam desenvolvimento de capacidades, participação industrial e transferência de conhecimento.

A combinação dos dois mecanismos, com o intercâmbio de informações navais entre Brasil e Portugal e o acordo de cooperação em defesa entre Brasília e Ancara, abre uma janela interessante para estudar possíveis caminhos para a renovação da capacidade logística naval brasileira. A experiência portuguesa pode servir tanto para observar o desempenho da indústria turca quanto para compreender como um parceiro europeu estruturou a contratação de uma nova classe de navios de apoio.

Para o Brasil, o desafio será transformar essas referências em uma avaliação alinhada às suas próprias necessidades, considerando a participação da indústria nacional, a sustentação ao longo da vida útil e a autonomia operacional. Com a futura substituição do Almirante Gastão Motta no horizonte do planejamento naval, acompanhar um programa em execução na Türkiye por meio de um parceiro que já mantém relação institucional com a Marinha brasileira pode representar uma oportunidade concreta de ampliar o conhecimento disponível antes de uma eventual decisão.


por Angelo Nicolaci


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Elbit Systems compra empresa canadense e amplia capacidade de guerra submarina com drones autônomos

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Aquisição da International Submarine Engineering incorpora veículos subaquáticos não tripulados ao portfólio da empresa israelense, com aplicações em vigilância, caça a submarinos e neutralização de minas navais.

A israelense Elbit Systems concluiu a aquisição da canadense International Submarine Engineering (ISE), especializada em robótica e sistemas subaquáticos autônomos e operados remotamente. Anunciada em 20 de outubro, a operação amplia a presença da fabricante israelense no ambiente submarino e abre caminho para integrar veículos não tripulados subaquáticos às suas plataformas de superfície, sistemas de vigilância e estruturas de comando e controle. 

Sediada na região de Vancouver, no Canadá, a ISE atua no desenvolvimento e na fabricação de veículos subaquáticos autônomos (AUVs), veículos operados remotamente (ROVs), sistemas computadorizados de controle e soluções robóticas. Fundada em 1974, a empresa já entregou mais de 250 veículos subaquáticos a clientes em mais de 20 países, segundo os dados divulgados pela Elbit.

O valor da aquisição não foi revelado. A companhia informou que o preço pago não é material para seus resultados financeiros, sem detalhar as condições comerciais da transação.

Da superfície ao fundo do mar

A incorporação da ISE complementa uma capacidade que a Elbit vem desenvolvendo há anos com o Seagull, seu veículo de superfície não tripulado (USV). Projetado para missões navais, o sistema pode ser empregado em operações de vigilância, contramedidas de minas e guerra antissubmarino.

Com a nova aquisição, a empresa pretende avançar de plataformas de superfície para uma arquitetura que também inclua veículos capazes de operar debaixo d’água. A proposta é integrar aeronaves não tripuladas (VANTs), embarcações de superfície autônomas e veículos subaquáticos em uma estrutura comum de missão, sem excluir o emprego independente de cada sistema.

A combinação amplia as opções para operações de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), nas quais diferentes plataformas podem coletar informações de áreas distintas e contribuir para a construção de um quadro operacional compartilhado. No ambiente naval, essa integração pode ajudar a monitorar áreas extensas, investigar contatos suspeitos e acompanhar atividades próximas a portos, rotas marítimas e infraestruturas submarinas.

A Elbit também reúne em seu portfólio sistemas de comando e controle, sensores eletro-ópticos, sonar, comunicações e guerra eletrônica. A aquisição da ISE acrescenta a esses recursos a experiência em robótica subaquática, permitindo à companhia oferecer soluções que conectem a detecção de ameaças à coleta de dados e à coordenação dos meios empregados.

Vigilância, minas e guerra antissubmarino

Entre as áreas que a Elbit pretende desenvolver com a tecnologia canadense estão a vigilância subaquática, as contramedidas de minas navais e a guerra antissubmarino. São missões nas quais veículos não tripulados podem reduzir a exposição de tripulações e ampliar a persistência das operações.

Os AUVs navegam de forma autônoma conforme uma missão programada, enquanto os ROVs são controlados remotamente por operadores. Dependendo da configuração, essas plataformas podem transportar sensores para mapear o fundo do mar, inspecionar estruturas, localizar objetos e coletar informações sobre atividades subaquáticas.

Na guerra de minas, veículos desse tipo podem pesquisar áreas de risco e identificar possíveis artefatos explosivos antes que navios tripulados atravessem a região. Na guerra antissubmarino, sensores e plataformas não tripuladas podem contribuir para a busca e o acompanhamento de contatos, embora a detecção efetiva dependa dos equipamentos embarcados, das condições ambientais e da integração com outros meios navais.

A aquisição não significa, por si só, que a Elbit já disponha de uma nova capacidade operacional plenamente integrada. A empresa apresentou a operação como uma expansão de seu portfólio, mas não divulgou um cronograma para a integração dos sistemas da ISE, nem anunciou contratos específicos associados à combinação das tecnologias.

Mercado de sistemas navais não tripulados

A compra ocorre em um momento de expansão do interesse militar por plataformas não tripuladas capazes de operar em diferentes ambientes. A vigilância do fundo do mar, a proteção de cabos e outras infraestruturas submarinas, a localização de minas e o acompanhamento de submarinos estão entre as missões que impulsionam o desenvolvimento dessas tecnologias.

A tendência também se reflete na evolução do Seagull. A Elbit vem desenvolvendo versões de diferentes dimensões e demonstrou aplicações voltadas à desminagem e à guerra antissubmarino. Em 2022, uma unidade participou do evento Digital Horizon, promovido pelo Comando Central dos Estados Unidos no golfo Pérsico para avaliar o emprego de sistemas não tripulados.

A estratégia naval da companhia também inclui cooperação industrial internacional. Em fevereiro de 2026, a Elbit e a alemã TKMS anunciaram a inauguração de uma linha de produção de componentes para submarinos em Israel. Em maio, as empresas firmaram um memorando de entendimento para explorar oportunidades de desenvolvimento, integração e comercialização de soluções avançadas de defesa naval. 

A aquisição da ISE reforça essa direção, acrescentando uma especialização que a Elbit não possuía na mesma escala em seu portfólio divulgado. O objetivo é conectar sistemas aéreos, de superfície e subaquáticos em operações coordenadas, ampliando a oferta da empresa para marinhas que buscam maior cobertura de vigilância e capacidade de atuação sem expor continuamente suas tripulações.

O resultado dependerá da integração técnica dos veículos, sensores e sistemas de comando, além da capacidade de transformar a combinação industrial em soluções operacionais adotadas por clientes. A transação, contudo, sinaliza que o desenvolvimento de capacidades navais está cada vez mais ligado à combinação de plataformas tripuladas e autônomas em múltiplos ambientes.


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Su-30SM cai durante treinamento em Kaliningrado e expõe desafios para a aviação russa no Báltico

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Os dois pilotos sobreviveram após a ejeção; acidente ocorreu no enclave estratégico cercado por países da OTAN, e suas causas ainda são desconhecidas.

Um caça Su-30 das Forças Armadas russas caiu nesta quarta-feira, 21 de outubro, durante um voo de treinamento na região de Kaliningrado. Os dois tripulantes conseguiram ejetar antes do impacto e foram resgatados. Segundo o Ministério da Defesa russo, a aeronave caiu em uma área desabitada e voava sem munição. As causas do acidente ainda não foram esclarecidas. 

A imprensa russa identificou a aeronave como um Su-30SM e informou que os dois pilotos sofreram ferimentos e foram hospitalizados. O local da queda fica no distrito de Chernyakhovsky, entre as localidades de Timofeevka e Zeleny Bor, próximo de uma das principais áreas de operação da aviação militar russa no enclave. Moscou não divulgou a unidade à qual pertencia o caça nem apresentou uma hipótese oficial para o acidente.

Perda em uma área estratégica para Moscou

Kaliningrado ocupa uma posição singular na estrutura militar russa. Separado do restante do território nacional, o enclave está situado entre a Polônia e a Lituânia, integrantes da OTAN, e permite à Rússia manter presença militar no mar Báltico, próximo das rotas marítimas e das fronteiras orientais da Aliança.

A aviação baseada na região reúne aeronaves de combate da Frota do Báltico e unidades das Forças Aeroespaciais russas. Nesse contexto, os caças Su-30SM e Su-30SM2 cumprem missões de combate aéreo e ataque, além de contribuir para a presença militar de Moscou na região.

Relatos russos relacionaram o acidente ao aumento da atividade de reconhecimento de países da OTAN nas proximidades do enclave. No entanto, não há evidências públicas que vinculem esses voos à queda. A ocorrência aconteceu durante uma atividade de treinamento, e qualquer associação com operações estrangeiras seria especulativa enquanto não houver resultados da investigação.

Frota relativamente pequena e entregas em lotes

A disponibilidade de aeronaves em Kaliningrado é um elemento importante para compreender o impacto da perda. Uma análise publicada pelo portal especializado Defence24 aponta que o regimento de aviação mista da Frota do Báltico recebeu oito Su-30SM e, posteriormente, 13 exemplares da versão modernizada Su-30SM2. Os dois últimos aviões desse lote chegaram em novembro de 2025. 

O mesmo levantamento descreve a renovação da aviação regional como gradual, com entregas em pequenos lotes. A perda de um caça não significa, por si só, uma alteração decisiva no equilíbrio militar do Báltico, mas reduz a disponibilidade da frota e exige reposição de material e recursos para manter a prontidão operacional.

Em julho de 2026, a estatal russa Rostec anunciou novas entregas de Su-30SM2 e de caças-bombardeiros Su-34 ao Ministério da Defesa. O comunicado, porém, não identificou os destinos das aeronaves, portanto não permite afirmar que os novos exemplares tenham sido enviados a Kaliningrado. 

Su-30SM: capacidade multimissão

Derivado da família Su-27, o Su-30SM é um caça pesado, bimotor e biposto, desenvolvido para cumprir missões de superioridade aérea, escolta e ataque contra alvos terrestres e marítimos. O segundo tripulante pode dividir as tarefas de navegação, gerenciamento de sensores e emprego de armamentos, especialmente em missões complexas ou de maior duração.

A versão Su-30SM2 incorpora melhorias em sistemas e equipamentos, com o objetivo de ampliar as capacidades de combate e aproximar parte de sua configuração à de outros aviões russos modernizados. Ambas as variantes podem empregar diferentes armamentos, de acordo com a missão e a configuração utilizada.

A causa da queda permanece o ponto central a esclarecer. Sem informações sobre os registros de manutenção, os parâmetros do voo e os exames dos destroços, não é possível atribuir o acidente a falha mecânica, erro humano ou deficiência de algum sistema. A investigação também deverá determinar se haverá necessidade de inspeções adicionais em outras aeronaves do mesmo tipo.

Por enquanto, o episódio confirma a perda de um caça em uma área de elevada importância militar, mas não permite concluir que exista um problema sistêmico na frota. O impacto operacional dependerá das conclusões da investigação e da capacidade russa de manter a disponibilidade de suas unidades aéreas no Báltico.


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Reino Unido coloca caças Typhoon na defesa da Arábia Saudita contra ataques houthis

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Decisão amplia o envolvimento direto da RAF na proteção do território saudita, após ataques contra o aeroporto de Riad, e reforça o apoio britânico às operações de defesa aérea do reino.

O Reino Unido empregará caças Eurofighter Typhoon para interceptar drones e mísseis houthis direcionados contra cidades e infraestruturas estratégicas da Arábia Saudita. Anunciada em 20 de outubro, a medida amplia a participação direta da Royal Air Force (RAF) na defesa do reino, em meio à intensificação dos ataques e à deterioração da segurança regional.

A decisão foi tomada após novos ataques contra alvos sauditas, incluindo o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad. Até então, o apoio britânico incluía equipamentos de defesa aérea e reabastecimento em voo para aeronaves sauditas. Com a entrada dos Typhoon, Londres passa a contribuir também com caças próprios para missões de interceptação sobre o território do aliado.

O governo britânico delimitou a missão como estritamente defensiva: os aviões deverão proteger o espaço aéreo saudita, sem realizar ataques contra posições houthis no Iêmen. O número de aeronaves e o cronograma de emprego não foram divulgados.

Reforço operacional e apoio logístico

O pacote britânico inclui ainda uma aeronave de transporte Airbus A400M, destinada à movimentação de material militar dentro da Arábia Saudita, e o envio de assessores para apoiar os oficiais sauditas. Londres também estendeu por mais 90 dias o apoio de reabastecimento em voo às operações aéreas defensivas do reino.

Esse último componente tem implicações que vão além da proteção imediata do espaço aéreo saudita. Segundo o Ministério da Defesa britânico, o suporte abrange operações destinadas a degradar capacidades militares houthis no Iêmen quando estas representam uma ameaça aos sauditas e aos iemenitas. Embora os Typhoon britânicos não devam executar ataques ofensivos, o apoio logístico pode contribuir para missões realizadas por aeronaves sauditas contra alvos militares em território iemenita.

A distinção é importante: Londres amplia sua participação militar, mas separa a missão de interceptação atribuída aos próprios caças do apoio às operações conduzidas pela Arábia Saudita.

O desafio de enfrentar drones e mísseis

O Eurofighter Typhoon é um caça multimissão com capacidade de interceptação e combate ar-ar. Sua utilização contra ameaças não tripuladas depende, contudo, da detecção e identificação dos alvos, das condições de engajamento e dos armamentos disponíveis. Drones de ataque e mísseis apresentam perfis distintos de velocidade, altitude e trajetória, exigindo respostas compatíveis com cada ameaça.

A presença de caças não elimina a necessidade de uma defesa aérea integrada. Radares, sensores, centros de comando e sistemas terrestres precisam compartilhar informações para detectar os alvos e coordenar a resposta. Essa integração também permite escolher o meio de interceptação mais adequado, uma questão relevante diante do custo de empregar armamentos sofisticados contra drones relativamente baratos.

O governo britânico não especificou quais armas serão utilizadas pelos Typhoon nem detalhou a integração operacional com os sistemas sauditas. Assim, ainda não há elementos para avaliar a capacidade de interceptação que será acrescentada à defesa aérea do reino.

A dimensão regional da decisão

A ampliação do apoio ocorre em um cenário no qual a segurança saudita está ligada à estabilidade do comércio e do fornecimento de energia. A escalada no Iêmen e as ameaças no entorno do Mar Vermelho aumentam a preocupação com rotas marítimas estratégicas, especialmente o estreito de Bab al-Mandab, passagem importante para o tráfego entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa. 

Para o Reino Unido, a instabilidade pode produzir efeitos econômicos diretos, pressionando os custos de energia, transporte e operações comerciais. O reforço militar também reafirma a parceria de defesa com Riad, em um momento no qual os ataques houthis ampliam o risco para a infraestrutura civil e os interesses regionais.

Londres, entretanto, reconhece que a força militar não oferece uma solução duradoura para o conflito iemenita e mantém o apoio a um processo político conduzido pelas Nações Unidas. Por ora, a mobilização dos Typhoon representa um passo adicional para proteger o território saudita, sem anunciar uma nova campanha ofensiva britânica contra os houthis.


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BAE Systems testa drone com três foguetes Hydra 70 guiados a laser para abater drones

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Versão militar do T-150 foi equipada com lançador triplo de foguetes de 70 mm e demonstrou capacidade de engajar sucessivos alvos aéreos durante uma única missão.

A britânica BAE Systems testou uma nova configuração de seu sistema antidrones, baseada em uma aeronave não tripulada equipada com três foguetes Hydra 70 dotados de guiamento a laser (APKWS). A demonstração ocorreu no fim de setembro, na Base Aérea de Eglin na Flórida, durante o exercício Mission Capabilities Joint Readiness Experimentation, conduzido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

A plataforma utilizada foi o TRV-150, versão militar do drone T-150, desenvolvido pela Malloy Aeronautics, subsidiária da BAE Systems. Adaptada para transportar um lançador triplo de foguetes de 70 mm, a aeronave demonstrou capacidade de engajar múltiplos alvos aéreos em sequência, sem precisar retornar ao solo para rearmamento.

A principal evolução em relação aos testes de julho de 2025 está no aumento da capacidade de transporte de armamentos. Na demonstração anterior, a configuração utilizava uma única munição de precisão. Com três foguetes disponíveis, o sistema pode realizar mais engajamentos durante a mesma saída. A empresa, porém, não divulgou o número exato de alvos interceptados nos novos ensaios.

Foguetes Hydra 70 recebem guiamento a laser

O sistema utiliza foguetes Hydra 70 equipados com kits APKWS (Advanced Precision Kill Weapon System), desenvolvidos pela própria BAE Systems. O conjunto incorpora guiamento a laser a foguetes originalmente não guiados, convertendo-os em munições de precisão.

A solução aproveita um armamento já utilizado por diferentes plataformas militares, dispensando o desenvolvimento de uma munição inteiramente nova. Essa abordagem pode oferecer uma alternativa economicamente mais acessível a determinados mísseis antiaéreos dedicados, embora o custo efetivo de cada interceptação dependa da configuração empregada e dos resultados obtidos contra cada tipo de ameaça.

O guiamento a laser exige a designação adequada do alvo e condições que permitam conduzir o engajamento. Velocidade, altitude e manobrabilidade do drone adversário também influenciam o resultado. Assim, os testes não permitem concluir que o sistema terá o mesmo desempenho contra todas as categorias de aeronaves não tripuladas.

De drone logístico a plataforma armada

O T-150 foi concebido para transportar cargas e operar por decolagem e pouso vertical, sem depender de pistas convencionais. Sua adaptação para missões de combate amplia as possibilidades de emprego de uma plataforma originalmente desenvolvida para funções logísticas.

A versão TRV-150 foi adaptada aos requisitos do Exército dos Estados Unidos pela SURVICE Engineering, enquanto a integração do lançador de foguetes ficou a cargo da divisão FalconWorks da BAE Systems.

A aeronave também possui experiência em operações marítimas. Em 2025, drones T-150 transportaram suprimentos entre navios do grupo de ataque de porta-aviões da Marinha Real britânica durante um destacamento de oito meses na região do Indo-Pacífico.

A BAE Systems pretende explorar o emprego do sistema antidrones em ambientes marítimos, nos quais aeronaves não tripuladas representam uma ameaça crescente a navios e instalações portuárias. Para isso, a plataforma armada precisará operar integrada aos sensores de detecção, aos sistemas de comando e controle e às demais camadas de defesa.

Foguetes guiados ampliam as opções contra drones

A iniciativa britânica acompanha a busca por alternativas capazes de enfrentar ataques com aeronaves não tripuladas sem depender exclusivamente de mísseis antiaéreos de custo elevado. A conversão de foguetes de 70 mm em munições guiadas permite aproveitar tecnologias existentes em uma nova função, embora sua viabilidade dependa das características do alvo e das condições de interceptação.

Entre as soluções internacionais está o FZ275 LGR da Thales, que também utiliza guiamento a laser. A empresa apresentou ainda o LGR275 Proxy, variante concebida para ampliar a capacidade de engajamento de alvos aéreos com o emprego de um sensor de proximidade. Outra alternativa é o CIRIT, da turca Roketsan, foguete guiado a laser de 70 mm destinado principalmente ao ataque contra alvos terrestres.

O diferencial da configuração da BAE Systems está na combinação entre uma plataforma não tripulada de transporte e um lançador com múltiplas munições. Em cenários com ataques simultâneos, essa arquitetura pode ampliar a capacidade de resposta e permitir sucessivos engajamentos sem que a aeronave precise retornar imediatamente para recarga.

O desafio será comprovar a eficácia contra ameaças de diferentes velocidades e altitudes, especialmente diante da evolução dos drones de ataque. A integração com redes de sensores e comando, assim como o custo por interceptação, será determinante para estabelecer o valor operacional da solução.


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