sábado, 29 de novembro de 2025

Indústria brasileira consolida presença estratégica na EDEX 2025 sob coordenação da ABIMDE

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A indústria brasileira de defesa e segurança inicia dezembro com protagonismo no Cairo. Sob coordenação da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), e com suporte da ApexBrasil, do Ministério da Defesa e do Ministério das Relações Exteriores, o Brasil marca presença na EDEX 2025, uma das mais relevantes feiras de defesa do Norte da África, realizada de 1º a 4 de dezembro no Centro de Exposições Internacional do Egito.

A quarta edição do evento, organizada pela Autoridade Egípcia de Armamento e patrocinada pelo presidente Abdel Fattah El Sisi, reafirma a EDEX como plataforma essencial para governos, forças armadas e empresas que buscam soluções de alta complexidade para ambientes terrestres, marítimos e aéreos. Mais de 35 mil visitantes, 400 expositores e delegações oficiais de dezenas de países participam deste ciclo, reforçando seu peso geopolítico e industrial.

Presença articulada e atuação coordenada

A delegação brasileira conta com a participação do Tenente-Brigadeiro do Ar Heraldo Luiz Rodrigues, Secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, e do Coronel Luciano Fontana, da Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod). Pela ABIMDE, a articulação institucional e o suporte internacional estão a cargo do Coordenador de Projetos Miquéias Souza.

O estande nacional, o “Espaço Brasil”, reúne nove empresas representativas da tecnologia e da diversidade da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS): Akaer Engenharia, Avionics Services, BCA Têxtil, CBC, CSA, Mac Jee, M&K Assessoria, Modirum | GESPI e XMobots. O portfólio conjunto evidencia competências que vão da engenharia avançada aos sistemas aéreos não tripulados, passando por munições, têxteis técnicos, manutenção aeronáutica e soluções de alta tecnologia.

Acesso direto a decisores e parcerias estratégicas

Um dos grandes diferenciais da EDEX é seu programa robusto de relacionamento com delegações VIP, ministros de defesa, chefes de Estado-Maior, diretores de compras governamentais e autoridades de alto nível. A edição anterior contou com 108 delegações de 60 países, consolidando o evento como polo de tomada de decisão. Para a indústria brasileira, é uma oportunidade concreta de apresentar soluções, estabelecer diálogos estratégicos e ampliar possibilidades de inserção tecnológica em mercados do Oriente Médio e da África, regiões que intensificam investimentos em modernização e capacidades militares.

Além das demonstrações ao vivo, painéis técnicos e reuniões governamentais, os expositores contam com acesso ao sistema de matchmaking, que conecta empresas brasileiras a potenciais clientes e parceiros industriais, aumentando a probabilidade de negócios estruturados e cooperações duradouras.

Brazil Defense: estratégia de longo prazo

A participação brasileira na EDEX integra o projeto Brazil Defense, iniciativa conjunta ABIMDE–ApexBrasil, com apoio dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. O programa tem por objetivo ampliar a inserção internacional das empresas da BIDS por meio de plataformas de inteligência de mercado, feiras estratégicas e ações comerciais alinhadas às necessidades reais das empresas exportadoras e das que buscam iniciar sua atuação global.

A estratégia foca não apenas em resultados imediatos, mas na consolidação do posicionamento brasileiro no médio e longo prazo, fortalecendo competitividade, ampliando parcerias e integrando mais empresas em uma agenda de promoção internacional contínua.

Uma vitrine para a capacidade tecnológica do Brasil

Com mais de 240 empresas associadas, a ABIMDE reforça, na EDEX 2025, seu papel de interlocutora legítima da Base Industrial de Defesa e Segurança, articulando políticas, defendendo interesses e promovendo a tecnologia nacional diante de um dos cenários geopolíticos mais relevantes da atualidade.

A presença brasileira no Cairo demonstra maturidade, visão estratégica e capacidade tecnológica. Em um ambiente global marcado por disputas, reconfigurações e novos vetores de poder, o Brasil chega preparado para competir, cooperar e abrir portas que fortaleçam sua indústria e sobretudo, sua posição no tabuleiro internacional.


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Ministério da Defesa destaca papel estratégico do BNDES Exim nos 35 anos da linha de crédito

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O Ministério da Defesa participou, nesta quarta-feira (26), da comemoração pelos 35 anos do BNDES Exim, instrumento essencial para impulsionar as exportações brasileiras de bens e serviços. A cerimônia ocorreu na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, no Rio de Janeiro, reunindo autoridades do governo federal, representantes da indústria e players do mercado financeiro nacional e internacional.

Criado para fortalecer a presença do Brasil no comércio exterior, o BNDES Exim opera em duas modalidades complementares: o financiamento ao pré-embarque, dedicado à produção, e o apoio ao pós-embarque, focado na comercialização de produtos no exterior. Ao longo de mais de três décadas, o programa consolidou-se como uma das principais ferramentas públicas para ampliar a competitividade das empresas brasileiras em mercados estratégicos.

A abertura do evento contou com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e o diretor José Luis Gordon, que ressaltaram os resultados alcançados e a importância da continuidade do apoio estatal às exportações. Ambos defenderam que, em um ambiente global marcado por forte competição entre países, o crédito direcionado é um elemento indispensável para que empresas brasileiras consigam disputar espaço no cenário internacional.

O Ministério da Defesa foi representado pelo Secretário de Produtos de Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, e pelo Diretor do Departamento de Financiamentos e Economia de Defesa, General de Brigada Jason Silva Diamantino. Durante o Painel “Parcerias no Sistema Público de Apoio”, o Secretário Heraldo enfatizou que o financiamento adequado é decisivo para assegurar competitividade às empresas da Base Industrial de Defesa, cuja atuação gera empregos de alta qualificação, atrai divisas e contribui diretamente para a soberania tecnológica do país.

Segundo o Secretário, o debate evidenciou a necessidade de maior coordenação entre ministérios e instituições públicas para que o Brasil ofereça às suas indústrias condições similares às garantidas por outros países exportadores. Ele also destacou que a Secretaria de Produtos de Defesa cumpre papel central como ponto de ligação entre a BID e o BNDES, fortalecendo a articulação para projetos de pré e pós-embarque.

A celebração dos 35 anos do BNDES Exim reuniu representantes da CAMEX/MDIC, Tesouro Nacional, ABGF, CNI e grandes empresas exportadoras como Embraer, WEG, Jacto e Scania. Organizações internacionais, como a AFIC, a EKN Swedish Export Credit Agency e o escritório Norton Rose Fulbright, também participaram, reforçando o caráter global das parcerias que sustentam o crescimento das exportações brasileiras.

O encontro reafirmou a importância da política de financiamento como pilar de competitividade e mostrou que a integração entre governo, indústria e setor financeiro é fundamental para ampliar a presença do Brasil em mercados internacionais, especialmente em segmentos estratégicos como o de defesa.


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Leonardo apresenta o “Michelangelo Dome”, seu novo ecossistema integrado de segurança multidomínio

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A Leonardo revelou em Roma, no "Officine Farneto", seu mais recente e ambicioso projeto no campo da segurança e defesa: o “Michelangelo Dome”. Concebido para responder a um cenário global em rápida transformação, marcado por ameaças cada vez mais complexas, o sistema reúne o que há de mais avançado em sensoriamento, inteligência artificial, comando e controle e integração multidomínio.

A solução foi projetada para proteger infraestrutura crítica, centros urbanos sensíveis, fronteiras, bases estratégicas e ativos de interesse nacional e europeu. Sua arquitetura modular e escalável permite que o Michelangelo Dome seja adaptado a diferentes necessidades, desde cidades e instalações específicas até sistemas nacionais de defesa, alinhando-se à estratégia da Leonardo de consolidar sua liderança na área de Segurança Global.

Durante o lançamento, Roberto Cingolani, CEO e Diretor-Geral da companhia, destacou o caráter estratégico da iniciativa: “Com o Michelangelo, reafirmamos nosso compromisso em desenvolver soluções que protejam cidadãos, instituições e infraestrutura, combinando tecnologia avançada, visão sistêmica e forte capacidade industrial. Em um mundo onde as ameaças evoluem rapidamente, e onde defender é mais custoso do que atacar, a defesa precisa inovar, antecipar e adotar a cooperação internacional.”

Uma cúpula de proteção que cobre todos os domínios

Longe de ser um sistema fechado, o Michelangelo Dome funciona como uma arquitetura abrangente que integra sensores terrestres, navais, aéreos e espaciais, além de plataformas de ciberdefesa, sistemas de comando e controle e efetores coordenados. É um ecossistema pensado para operar de forma simultânea em todos os domínios:

– ameaças aéreas, incluindo mísseis balísticos, vetores hipersônicos e enxames de drones;

– ataques de superfície e subsuperfície no ambiente naval;

– incursões e operações hostis em terra;

– ações cibernéticas e de guerra eletrônica.

A plataforma utiliza fusão de dados de múltiplas fontes e algoritmos preditivos capazes de antecipar comportamentos suspeitos, identificar padrões de ataque e sugerir a resposta mais eficiente, ou até coordená-la automaticamente. O resultado é uma “cúpula de segurança dinâmica”, preparada para enfrentar ataques coordenados e saturação de ameaças, algo cada vez mais comum no campo de batalha contemporâneo.

Aposta europeia em autonomia estratégica e resiliência industrial

Com o Michelangelo Dome, a Leonardo aprofunda sua contribuição para a integração das capacidades de defesa europeias e para os objetivos de autonomia estratégica do continente. O projeto conversa diretamente com iniciativas multilaterais da OTAN e da União Europeia, fortalecendo a cadeia industrial e ampliando a capacidade do bloco de responder a ameaças de alta intensidade.

A empresa, uma das principais forças industriais do setor aeroespacial, de defesa e segurança, emprega 60 mil profissionais e participa de programas-chave como Eurofighter, JSF, NH-90, FREMM, GCAP e Eurodrone. Com forte presença na Itália, Reino Unido, Polônia e Estados Unidos, além de participações estratégicas em empresas como Leonardo DRS, MBDA, ATR, Hensoldt, Telespazio e Thales Alenia Space, a Leonardo fechou 2024 com €20,9 bilhões em novos pedidos e €17,8 bilhões em receitas.

O Michelangelo Dome reforça essa trajetória ao introduzir uma abordagem integrada, preditiva e multidomínio para os desafios de segurança do século XXI, um movimento que tende a influenciar, de forma duradoura, a arquitetura de defesa europeia.


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IACIT conclui entrega do DroneBlocker ao Exército Brasileiro e reforça capacidade estratégica do SISFRON

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A IACIT, uma das principais empresas brasileiras de tecnologia aplicada à defesa, segurança e gestão do tráfego aéreo, concluiu a entrega do último lote do Sistema Antidrone DroneBlocker ao Exército Brasileiro, consolidando um salto relevante na proteção de fronteiras e infraestruturas sensíveis. Os quatro equipamentos finais foram entregues ao Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEX) e integrados ao Projeto SAD/SISFRON, que expande a capacidade nacional de vigilância e resposta a ameaças de baixa assinatura, como drones usados em ações ilícitas.

A entrega encerra um ciclo iniciado com avaliações técnicas rigorosas do Exército. O sistema foi submetido a provas de desempenho no Forte Marechal Rondon, em Brasília, além de exercícios integrados ao Centro de Instrução de Guerra Eletrônica (CIGE) e ao 1º Batalhão de Guerra Eletrônica, culminando em um programa intensivo de capacitação para operadores. Segundo a empresa, os resultados confirmaram a robustez do DroneBlocker diante de cenários realistas, simulando violações de espaço aéreo e tentativas de emprego de drones hostis.

Para Luiz Teixeira, CEO da IACIT, a aquisição demonstra maturidade tecnológica da Base Industrial de Defesa: “O DroneBlocker é uma solução altamente eficaz contra ameaças reais e foi projetado para responder aos desafios específicos do nosso território, garantindo soberania e pronta resposta em situações críticas.”

Tecnologia nacional para cenários operacionais complexos

Com desenvolvimento integralmente nacional, o DroneBlocker atua por bloqueio de radiofrequência, neutralizando Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas ao cortar o vínculo entre o drone e seu operador. A interrupção do sinal força o pouso controlado ou o retorno ao ponto de origem, permitindo resposta segura mesmo em ambientes densos ou próximos a infraestruturas sensíveis. O sistema opera em modos autônomo ou manual, oferecendo flexibilidade para missões de vigilância, proteção de perímetros ou operações móveis.

A solução já integra o arsenal de instituições estratégicas do Estado. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência utiliza o DroneBlocker em operações de proteção de autoridades e áreas críticas, enquanto forças de segurança federais e militares aplicam o sistema no combate ao garimpo ilegal, nas ações contra o narcotráfico na Amazônia e na proteção de fronteiras. O equipamento esteve presente em eventos de alta visibilidade, como as Olimpíadas Rio 2016, a Cúpula do G20, encontros do BRICS e, recentemente, na COP30 em Belém.

Em nota oficial, o Exército destacou que a incorporação do DroneBlocker ao SISFRON representa “um avanço significativo para a corporação, reforçando a proteção de estruturas estratégicas, a segurança da tropa e a prontidão tecnológica diante de ameaças emergentes, inclusive as de baixo custo e alta mobilidade.”

Indústria estratégica e fortalecimento da soberania

Fundada em 1986 e certificada como Empresa Estratégica de Defesa pelo Ministério da Defesa, a IACIT mantém sede em São José dos Campos e atua em áreas críticas como defesa, segurança pública, controle de tráfego aéreo e meteorologia. O portfólio da empresa é pautado por tecnologias de alta complexidade e soluções voltadas a soberania, proteção de fronteiras e resposta a cenários críticos, incluindo desastres ambientais e segurança de grandes eventos.

Com a conclusão da entrega do DroneBlocker ao Exército, a IACIT reforça sua posição como fornecedora de referência em sistemas de guerra eletrônica e sua importância no ecossistema brasileiro de defesa, em um momento em que ameaças de baixa observabilidade se tornam cada vez mais comuns no teatro operacional moderno.


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com Rossi Comunicação

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Otokar mira expansão na América do Sul e apresenta TULPAR e COBRA II na Expodefensa 2025

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A Otokar, maior exportadora de plataformas terrestres de Türkiye e um dos nomes mais influentes do setor de defesa global, reforça sua presença na América do Sul ao participar da Expodefensa 2025, que ocorre entre 1º e 3 de dezembro, em Bogotá, na Colômbia. A empresa apresentará modelos em escala do veículo de combate TULPAR e do consagrado COBRA II, destacando seu portfólio avançado e seu compromisso com parcerias estratégicas na região.

A empresa coloca a América do Sul como eixo central de sua estratégia internacional, acompanhando de perto as demandas específicas dos países da região. Na feira, a Otokar buscará ampliar oportunidades de cooperação envolvendo transferência de tecnologia, fabricação local e novos modelos de parceria industrial — pontos cada vez mais relevantes para nações que buscam fortalecer suas capacidades de defesa com autonomia e ganho tecnológico.

Segundo Sedef Vehbi, Head do Military Cluster da Otokar, a empresa já possui veículos militares operando no continente e mantém interlocução ativa com usuários locais: “Mais de 33 mil veículos militares Otokar estão em serviço com mais de 70 usuários em 40 países. A Expodefensa é uma plataforma essencial para consolidar nossas relações e ampliar iniciativas de produção e participação industrial na região. Nosso objetivo é ampliar nossa presença e oferecer soluções sob medida.”

TULPAR: mobilidade, proteção e poder de fogo

O TULPAR será uma das grandes atrações do estande da Otokar. Projetado como um veículo de combate multiemprego sobre lagartas, o TULPAR pode variar entre 28 e 45 toneladas, atendendo desde funções de carro de combate leve até versões especializadas, como viatura de recuperação, porta-morteiros, plataforma antiaérea, posto de comando e unidade de evacuação médica.

Testado em cenários de clima extremo e terrenos complexos, o TULPAR oferece proteção balística e antiminas com blindagem modular e arquitetura comum entre suas variantes. Sua mobilidade superior garante desempenho em áreas urbanas, zonas densamente edificadas e em terrenos onde plataformas mais pesadas enfrentam limitações. Em Bogotá, o modelo será exibido com a torre de 30 mm MIZRAK.

COBRA II: versatilidade modular comprovada em combate

Outro destaque será o COBRA II, já operado por mais de 20 usuários em diversas regiões do mundo. O veículo 4×4 é reconhecido por sua mobilidade superior, ampla capacidade de carga interna e elevado nível de proteção contra ameaças balísticas, minas e IEDs.

Com arquitetura modular e pronta para integração de diversos sistemas, o COBRA II cumpre missões de segurança interna, operações de paz, vigilância, reconhecimento, defesa anticarro, CBRN e evacuação médica. Na Expodefensa 2025, será apresentado com a torre KESKİN.

Presença consolidada e foco em parcerias

Desde 1963, a Otokar desenvolve e fabrica veículos blindados sobre rodas e lagartas, sistemas de armas e plataformas não tripuladas, sendo fornecedora consolidada de organismos internacionais como a ONU e usuários da OTAN. Com mais de 3.500 funcionários e uma área industrial de 552 mil m², a empresa segue ampliando seu alcance global e oferecendo soluções personalizadas com tecnologia própria.

Ao término da feira, a Otokar reforça seu interesse em aprofundar relações com países sul-americanos, incluindo o Brasil, onde o TULPAR figura entre os favoritos na disputa o contrato para fornecer o futuro carro de combate do Exército Brasileiro.


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sexta-feira, 28 de novembro de 2025

F-39E Gripen Lança míssil Meteor e consolida avanço tecnológico da FAB

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A Força Aérea Brasileira deu um passo decisivo na elevação da capacidade de combate do país ao concluir, em novembro, o Exercício Técnico BVR-X, realizado em Natal (RN). O lançamento real do míssil Meteor a partir do F-39E Gripen, em cenários desafiadores e contra alvos manobráveis, marca um avanço concreto no poder dissuasório brasileiro e na consolidação de doutrinas modernas de combate além do alcance visual.

A escolha de Natal para a campanha não foi casual: a geografia, a proximidade com o mar e a regularidade de céu claro nesta época do ano garantiram condições seguras e estáveis para testes de armamentos avançados. Segundo o comandante da Base Aérea de Natal, Brigadeiro do Ar Breno Diogenes Gonçalves, a região reúne requisitos ideais para um exercício que prioriza precisão, telemetria e segurança operacional.

O eixo central do BVR-X foi a realização de dois disparos reais do Meteor contra alvos Mirach 100/5, que simularam aeronaves de caça em alta velocidade e altitude. A campanha mostrou que o binômio Gripen–Meteor, hoje o mais avançado da América Latina, oferece à FAB uma capacidade inédita de combate BVR. A Força insere-se no seleto grupo de países capazes de empregar um dos armamentos mais letais do mundo.

Preparação, integração e execução de alto nível

O Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) participou com quatro aeronaves Gripen, apoiado pelo Grupo Logístico de Anápolis. A preparação envolveu treinamento prévio fornecido pela Saab, seguido de práticas operacionais específicas de emprego do Meteor. Com a proximidade da campanha, as tripulações passaram a operar no mission trainer do Gripen, simulando cenários idênticos aos do exercício.

O nível de complexidade exigiu também integração direta com a MBDA, fabricante do míssil, que forneceu suporte especializado ao Instituto de Aplicações Operacionais (IAOp). Essa transferência de conhecimento, parte do acordo de compensação do programa, reforça o caráter estratégico do Gripen não apenas como plataforma de combate, mas como vetor de desenvolvimento industrial, tecnológico e doutrinário para a FAB.

Meteor: letalidade, inteligência e supremacia BVR

Equipado com motor ramjet de empuxo variável, o Meteor preserva energia durante todo o voo e acelera na fase final, quando o alvo tem mínima capacidade de evasão. Esse diferencial confere ao míssil uma zona de não-escape superior à dos sistemas convencionais.

O link de dados bidirecional permite correções de rota em tempo real, com informações enviadas pela aeronave lançadora ou por outras plataformas aéreas participantes. Além disso, o míssil pode operar com baixa emissão até a fase terminal, dificultando a detecção por sistemas inimigos.

Combinados, esses fatores explicam por que a Europa, a Índia e agora o Brasil tratam o Meteor como um dos pilares de sua postura de defesa aérea.

Exercício de grande envergadura e coordenação interagências

Para garantir realismo e segurança, múltiplos esquadrões e unidades da FAB atuaram de forma integrada. Aeronaves A-1M cumpriram o papel de agressor, enquanto o espaço aéreo foi monitorado pelo Terceiro Centro de Operações Militares e pelo E-99 do Esquadrão Guardião. A defesa do tráfego aéreo foi reforçada por A-29 Super Tucano do Esquadrão Joker.

No âmbito marítimo, P-3AM e P-95BM vigiaram continuamente embarcações que pudessem ingressar na área de exclusão. Para garantir prontidão em eventual emergência, o H-36 Caracal do Esquadrão Falcão permaneceu em alerta para missões de Busca e Salvamento. A BANT atuou como Direção do Exercício, mantendo o fluxo logístico e operacional.

Os alvos Mirach foram lançados e acompanhados em tempo real a partir do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, cuja telemetria foi decisiva para validar os dados de desempenho do míssil. O apoio institucional envolveu COMPREP, COMGAP, DIRMAB, PAMA-SP e PAMB-RJ, mostrando a capacidade da FAB de conduzir um exercício de larga escala em múltiplos domínios.

IAOp: o elo entre ciência, técnica e combate real

Subordinado ao COMPREP, o Instituto de Aplicações Operacionais desempenhou papel central no BVR-X. Coube ao órgão definir perfis de lançamento, supervisionar a integração do Meteor ao Gripen e, posteriormente, analisar todos os dados coletados.

O trabalho do IAOp garante que o conhecimento obtido em campo se transforme em doutrina, atualizando táticas, técnicas e procedimentos que influenciarão decisões futuras de aquisição, modernização e requisitos tecnológicos para a FAB. É a partir dessas avaliações que a Força mantém seus sistemas alinhados às necessidades reais de combate.

Um salto estratégico para o Brasil

O sucesso da campanha com o Meteor evidencia a maturidade operacional da FAB e o acerto das escolhas estratégicas feitas nos últimos anos. O país avança não apenas na capacidade de combate aéreo de longo alcance, mas também no domínio técnico e doutrinário que sustenta uma aviação de caça moderna.

O BVR-X consolida o Gripen como vetor central da defesa aérea brasileira e posiciona o Brasil, de forma inédita, entre as nações capazes de integrar e empregar armamentos de última geração com rigor técnico, precisão e visão estratégica.

Se quiser, posso produzir também uma versão analítica complementar, focada nos impactos para a postura estratégica brasileira ou na evolução futura da capacidade BVR da FAB.


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com FAB


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Operação Aratu X reafirma a prontidão e a maturidade operacional da Brigada Aeromóvel

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Entre 14 e 21 de novembro, a Brigada de Infantaria Aeromóvel conduziu, no Vale do Paraíba, a Operação Aratu X, exercício tático que marcou o encerramento do ciclo anual de adestramento da Força de Prontidão da Brigada. Além de consolidar capacidades já amadurecidas ao longo do ano, o exercício reforça a preparação para a certificação prevista para 2026, que será supervisionada diretamente pelo Comando de Operações Terrestres.

A Aratu X foi estruturada no formato de dupla ação, colocando duas forças oponentes em dinâmica realista, com liberdade de planejamento, tomada de decisão e manobra. O conjunto envolveu mais de 850 militares, 103 viaturas e aeronaves HM-1 Pantera e HM-3 Cougar do 2º Batalhão de Aviação do Exército, compondo um ambiente complexo que exige integração precisa entre elementos terrestres e aéreos.

O núcleo da operação foi um assalto aeromóvel em contexto de guerra, seguido por ações continuadas que permitiram avaliar, de forma objetiva, o desempenho de todas as funções de combate. O emprego combinado de aeronaves para infiltração e conquista de objetivos estratégicos destacou a sinergia entre aviação do Exército e tropas de superfície. Paralelamente, sensores de inteligência, drones, frações de reconhecimento, turma de caçadores e precursores, ampliaram o alcance situacional e a capacidade de antecipação da Brigada.

A operação também dedicou atenção especial ao apoio de fogo. A atuação dos Observadores, Controladores e Avaliadores e da equipe Fire Marker assegurou a integração efetiva entre fogos e manobra, trazendo precisão e aumentando a eficácia das ações. No campo da proteção, a defesa antiaérea atuou para identificar e engajar vetores aéreos inimigos, enquanto os Pelotões de Engenharia Aeromóvel reforçaram mobilidade, contramobilidade e a implementação de barreiras no terreno.

A logística, elemento decisivo para operações prolongadas, foi trabalhada de forma integrada ao esforço tático, com destaque para os pacotes logísticos aerotransportados. Esse emprego mostrou a capacidade da Brigada de sustentar operações em profundidade, alinhando planejamento, entrega e reposição de meios em cenários de alta demanda.

A conclusão da Aratu X reforça a condição da Brigada de Infantaria Aeromóvel como força estratégica do Exército Brasileiro. O exercício demonstrou elevado grau de adestramento, flexibilidade e coordenação entre seus elementos, consolidando a prontidão para atuar com rapidez e precisão em qualquer região do país, seja em ambientes convencionais, seja em cenários assimétricos que exigem adaptação e domínio das capacidades aeromóveis.


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com Exército Brasileiro

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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Antes da Intel, um Tomcat: O MP944 e a Verdadeira Origem dos Microprocessadores

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O desenvolvimento do MP944 para o F-14 Tomcat marcou um ponto de inflexão silencioso e decisivo na história da computação militar. Décadas antes de a expressão “computador de missão” se popularizar, engenheiros da Marinha dos EUA criaram um sistema digital embarcado que não só processava dados de radar e gerenciava lógica tática do AWG-9 e do míssil AIM-54 Phoenix, como também exercia papel direto sobre a dinâmica da própria aeronave: controle de voo e ajuste automático da geometria variável das asas. Em termos práticos, o MP944 permitia que o avião adaptasse sua configuração aerodinâmica em tempo real durante manobras, reduzindo carga de trabalho do piloto e aumentando segurança e desempenho operacionais, capacidades que à época eram inéditas em plataformas de combate.

O MP944 foi concebido como um sistema distribuído com objetivo militar: múltiplos módulos coordenados, paralelismo de 20 bits, execução em pipeline e tecnologia MOS avançada, operando com frequência de 375 kHz. Essa escolha refletia requisitos claros de engenharia para aviação: tolerância a vibração, robustez eletromagnética, redundância e latência ultrabaixa para responder a sensores e atuadores do avião. A integração entre processamento e controles aerodinâmicos colocou o MP944 em um patamar que hoje chamaríamos de “computador tático embarcado”, não apenas um assistente de missão, mas um elemento ativo no controle de estabilidade e desempenho do F-14.

Em contraste, o Intel 4004, lançado comercialmente em 1971, nasceu com objetivos opostos. Era um processador monolítico de 4 bits, pensado para calculadoras e aplicações generalistas: foco em miniaturização, custo e padronização industrial. O 4004 inaugurou a indústria de microprocessadores ao demostrar viabilidade e aplicabilidade em massa da CPU integrada, mas não foi projetado para enfrentar as exigências ambientais e de resposta real-time impostas por um caça de superioridade aérea.

As diferenças técnicas e de propósito traduzem diferenças estratégicas. O MP944 entregou vantagem operacional imediata: controle integrado de sensores, armas e, crucialmente, da própria aerodinâmica da plataforma, uma capacidade force-multiplier em combates de alta intensidade. O 4004 ofereceu vantagem industrial e escalabilidade, criando o mercado e a base tecnológica que, anos depois, permitiria à defesa incorporar eletrônica compacta, programável e de custo menor.

O MP944 NO F-14 TOMCAT

Hoje apontado como primeiro computador digital de controle de voo já usado em combate, tinha as seguintes funções principais:

  • Processamento aerodinâmico em tempo real
  • Leitura contínua de sensores estruturais e ambientais
  • Cálculo de velocidade, altitude e ângulo de ataque
  • Geração de comandos para o sistema de voo analógico-digital
  • Redução da carga de trabalho do piloto em envelopes extremos
  • Ajuste automático das asas conforme velocidade e manobra
  • Compensação digital de sustentação e arrasto
  • Otimização da performance em combate BVR e manobras de alta energia
  • Sincronização com o radar AWG-9
  • Suporte aos envelopes de engajamento do AIM-54 Phoenix
  • Cálculo e estabilização para tracking de múltiplos alvos

O F-14 tornou-se o primeiro caça operacional a usar computação digital embarcada para controle aerodinâmico crítico.

O objetivo do MP944 era fornecer vantagens táticas reais, entregando controle digital em ambiente de combate, estabilidade em regimes supersônicos, automação crítica para missões ar-ar. O MP944 é o pioneiro funcional, que provou que sistemas digitais podiam comandar aeronaves de combate antes mesmo da indústria entender o potencial dessa tecnologia, enquanto o Intel 4004 é o pioneiro industrial, que transformou essa ideia em uma revolução global.

QUEM FOI O PRIMEIRO?

Se a pergunta for “primeiro a entrar em operação, a resposta é inconteste, o MP944, que no ano de 1970 já estava operacional a bordo do F-14 Tomcat, realizando o controle de voo e asas de geometria variável e provendo demais capacidades.

Se a pergunta for “primeiro chip comercial integrado”, a resposta é o Intel 4004 que em 1971, entrou no mercado civil como o primeiro CPU monolítica programável

O debate historiográfico emergiu no final da década de 90, com Ray Holt defendendo o MP944 como o primeiro microprocessador funcional e engenheiros do Intel 4004 apontando para a primazia do chip integrado e comercial, marcando a disputa entre pioneirismo funcional versus pioneirismo comercial. Há ainda o componente do sigilo: documentos liberados só nas décadas posteriores, controvérsias sobre classificação e relatos da Garrett AiResearch que complicam a narrativa cronológica.

Em suma: o MP944 foi o primeiro processador operacional que além de processar dados em tempo real, atuou diretamente sobre controles de voo e a geometria variável do F-14, antecipando a noção de sistemas embarcados táticos integrados. O Intel 4004 foi o primeiro processador comercial integrado que criou a indústria de microprocessadores. Para o público de defesa e tecnologia militar, a lição é clara: a inovação em ambiente operacional muitas vezes precede e difere da inovação comercial, e entender essa dinâmica é crucial para avaliar riscos, vantagens e trajetórias de adoção tecnológica em programas de defesa.


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com Xataka



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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Indústria de defesa: motor da economia e da inovação

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A indústria de defesa brasileira é, hoje, um dos setores mais estratégicos da economia nacional. Representando cerca de 4,8% do PIB, o segmento reúne mais de 250 empresas e gera cerca de 3 milhões de empregos diretos e indiretos, com destaque para engenheiros, técnicos e especialistas em áreas de ponta como aviônica, cibersegurança, satélites, radares e sistemas embarcados.

Mais do que garantir soberania, a Base Industrial de Defesa (BID) funciona como motor de desenvolvimento econômico. Cada investimento de R$ 10 milhões em projetos de defesa gera R$ 18,6 milhões em efeitos diretos e indiretos, além de aproximadamente 150 novos empregos. Isso porque os grandes programas, como o PROSUB (submarinos), o SISFRON (monitoramento de fronteiras) e o Gripen F-39, movimentam cadeias produtivas em diferentes regiões do Brasil, estimulando pequenas e médias empresas locais.

Defesa como vetor de inovação tecnológica

Outro aspecto crucial da indústria de defesa é sua capacidade de gerar inovação. Projetos como o Link-BR2, desenvolvido em parceria com a AEL Sistemas, e a integração de tecnologias no caça Gripen criaram novos padrões em comunicação criptografada e displays de alta resolução. Essas inovações, muitas vezes, geram spin-offs para a sociedade civil, em um processo de transferência tecnológica.

Exemplos não faltam: sistemas de navegação desenvolvidos para o caça Super Tucano inspiraram soluções em aviação comercial, enquanto tecnologias de satélites militares também ampliaram o acesso à banda larga em regiões remotas. A cada nova demanda de defesa, abrem-se caminhos para setores como transporte, saúde, telecomunicações e educação.

Desafios e oportunidades do setor

Apesar dos avanços, a indústria de defesa enfrenta desafios históricos. A dependência do orçamento público, a burocracia nos financiamentos e a concorrência internacional são entraves que exigem políticas industriais consistentes e visão de longo prazo. Em paralelo, o setor precisa investir cada vez mais em ciberdefesa, inteligência artificial e sistemas autônomos, áreas que definirão o futuro da segurança global.

Ainda assim, a indústria brasileira já mostra sinais de recuperação e expansão, com aumento de exportações e consolidação de polos tecnológicos em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

40 anos da ABIMDE: a voz da Base Industrial de Defesa

Neste contexto, a ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança) completou 40 anos de história em 2025. Criada para integrar e fortalecer a nascente BID, a entidade acumulou marcos como a participação na Constituinte de 1988, a formulação da Política Nacional da Indústria de Defesa e a conquista de incentivos estratégicos com a Lei 12.598/2012.

Mais recentemente, lançou a Visão 2035, que aponta compromissos para o futuro, como inovação aberta em sistemas não tripulados, práticas robustas de ESG, ampliação da diversidade em carreiras técnicas e internacionalização da indústria brasileira em mercados da América Latina, África e Ásia.

A ABIMDE é, portanto, mais do que uma associação: é o elo entre indústria, governo e academia, responsável por consolidar a defesa como prioridade nacional.

AEL Sistemas: quatro décadas lado a lado com a defesa brasileira

A história da ABIMDE se confunde com a da AEL Sistemas, que também completou 40 anos em 2022. Fundada em Porto Alegre, a empresa nasceu atendendo demandas da Força Aérea Brasileira e, desde então, tornou-se referência em aviônicos, comunicações, sistemas embarcados e aeronaves remotamente pilotadas (ARPs).

Ao longo de quatro décadas, a AEL entregou tecnologias críticas em programas como o Super Tucano, o KC-390 Millennium e o Gripen F-39. Também é protagonista em sistemas não tripulados, com os RQ-450 e RQ-900. No campo das comunicações, lidera projetos estratégicos como o Link-BR2 e o programa de rádios definidos por software (RDS-Defesa), ambos fundamentais para a interoperabilidade das Forças Armadas.

Com mais de 400 colaboradores altamente qualificados e um centro tecnológico de 12 mil m², a AEL mantém o compromisso de desenvolver tecnologia nacional confiável e de contribuir diretamente para a soberania do Brasil.

Se a ABIMDE representa a consolidação da BID como setor estratégico, a AEL Sistemas simboliza, em sua trajetória, a materialização desse esforço. As duas histórias caminham juntas: ambas consolidaram a defesa como motor de inovação e ambas projetam o Brasil como referência internacional. Mais do que um elo histórico, essa sinergia mostra como a defesa nacional não é apenas uma questão militar, mas também econômica, tecnológica e social. Ao olhar para o futuro, tanto a ABIMDE quanto a AEL Sistemas compartilham um compromisso: fazer da indústria de defesa um ativo central para a soberania, a inovação e o desenvolvimento sustentável do Brasil.


Fonte: AEL Sistemas 

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EUA mudam rota e cancelam fragatas Constellation: o que está por trás da decisão que redesenha a estratégia naval americana?

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A decisão dos Estados Unidos de abandonar o programa de fragatas da classe Constellation após a construção de apenas dois exemplares marca uma guinada significativa na estratégia naval do país. Mais do que um simples ajuste orçamentário, a medida revela a pressão crescente sobre o Pentágono para responder a desafios urgentes, especialmente no Indo-Pacífico, onde a competição com a China exige rapidez, volume e flexibilidade.

O anúncio foi feito pelo Secretário da Marinha, John Phelan, que classificou a mudança como “estratégica”, enfatizando que as fragatas FFG-61 Constellation e FFG-62 Congress serão concluídas pela Fincantieri Marinette Marine. Segundo Phelan, isso garante a continuidade da força de trabalho no estaleiro, preservando competências críticas para futuros contratos da Marinha americana.

Contudo, o restante do programa que previa seis navios e poderia chegar futuramente a uma frota de 20 unidades, foi interrompido antes mesmo que as outras quatro embarcações saíssem do papel. O programa acumula mais de três anos de atraso, e os navios que deveriam ser entregues no próximo ano só estarão, na melhor das hipóteses, prontos para operar em 2029. Em um cenário geopolítico acelerado, esse cronograma se tornou inaceitável para o Pentágono.

A lógica por trás da decisão não é apenas operacional, mas estrutural. Washington quer navios mais baratos, de construção rápida e capazes de reforçar a presença naval em teatros onde a competição estratégica se intensifica. Trata-se de priorizar o ritmo da indústria e a capacidade de responder a crises emergentes, mesmo que isso signifique abandonar um projeto que no papel representava um salto tecnológico.

O redirecionamento dos recursos do programa Constellation para outras classes de navios indica que a Marinha dos EUA busca algo maior literalmente. A Casa Branca e o Departamento de Defesa avaliam uma nova geração de “navios de guerra” mais robustos, com maior blindagem e armamento projetado especificamente para o ambiente altamente contestado do Indo-Pacífico. A resposta à expansão naval chinesa, marcada por centenas de navios de superfície, porta-aviões e uma capacidade industrial incomparável, exige mudanças profundas.

Pete Hegseth, Secretário da Defesa, reforçou a nova filosofia: “A rapidez na entrega é agora o nosso princípio organizador.” A mensagem é clara: a vantagem estratégica depende menos de plataformas ideais e mais da capacidade de produzir e colocar meios no mar sem os atrasos que têm marcado quase todas as classes de navios da frota americana.

A decisão também expõe uma vulnerabilidade crítica: a crise nos estaleiros dos EUA. Phelan admitiu que a Marinha enfrenta atrasos generalizados em todos os tipos de embarcação. O caso das fragatas Constellation é apenas o mais recente sintoma de um problema estrutural que afeta produtividade, custos e previsibilidade.

No pano de fundo, a competição naval global está se reconfigurando. Enquanto os EUA enfrentam dificuldades para entregar navios dentro do cronograma, a China opera o maior conglomerado naval do mundo, capaz de lançar uma frota do tamanho da britânica inteira em poucos anos. O Indo-Pacífico, portanto, não permite luxos ou hesitações.

O cancelamento do programa Constellation não representa uma derrota, mas sim uma reorientação pragmática de prioridades. É um reconhecimento de que a supremacia naval americana, pilar da ordem internacional desde a Segunda Guerra, está sendo pressionada por uma potência que opera em ritmo industrial.

A mudança deixa claro que para Washington, o futuro da guerra no mar dependerá menos da perfeição e mais da velocidade, da escala e da capacidade de adaptação. É nesse tabuleiro que os EUA reposicionam suas peças, e o abandono das fragatas Constellation é apenas o primeiro movimento de uma transformação muito maior.


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Reino Unido e Rússia elevam tensão no Canal da Mancha em meio a disputa narrativa sobre monitoramento naval

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O recente episódio envolvendo navios da Marinha Russa no Canal da Mancha reacendeu a disputa político-estratégica entre Reino Unido e Rússia, transformando um procedimento rotineiro de vigilância marítima em mais um capítulo da guerra de narrativas travada pelos dois países.

O caso começou quando a Marinha Real Britânica anunciou ter “interceptado” e monitorado a corveta Stoiki e o navio-tanque Elna durante a travessia do Estreito de Dover rumo ao Canal da Mancha. A operação foi conduzida pelo navio de patrulha HMS Severn e confirmada pelo Ministério da Defesa do Reino Unido em 23 de novembro. Londres afirmou que o aumento de 30% na aproximação de navios russos às águas territoriais britânicas nos últimos dois anos intensificou a vigilância, o que inclui o envio de aeronaves de patrulha marítima P-8 Poseidon para reforçar missões de reconhecimento a partir da Islândia.

O Reino Unido alega preocupação crescente com a atividade naval russa em áreas sensíveis, onde se concentram cabos submarinos de dados e energia, infraestrutura considerada vital para a segurança europeia. “Nós estamos de olho em vocês. Sabemos o que estão fazendo”, declarou o Secretário de Defesa britânico, John Healey, em tom de alerta.

Moscou, porém, reagiu com irritação. A imprensa russa classificou o anúncio britânico como um gesto teatral e acusou Londres de inflar artificialmente a tensão. O jornal Vzglyad, alinhado às narrativas do Kremlin, ironizou o poder naval britânico, afirmando que a Grã-Bretanha estaria “posando de sapo musculoso” para sua audiência interna. Diplomatas russos dizem que a narrativa britânica desperta “sorrisos diplomáticos” e acusam o Reino Unido de “amplificar a histeria militarista”.

Autoridades russas sustentam que não houve interceptação, apenas identificação visual e aproximação, prática que consideram normal em águas internacionais. Parlamentares e especialistas militares em Moscou destacaram que a corveta Stoiki jamais foi parada, e que o termo “interceptação” seria exagerado para criar a impressão de controle britânico sobre o movimento de navios russos na região.

A crítica russa continua ao destacar que os navios cruzavam legalmente o Canal da Mancha e que nenhum país pode impedir seu trânsito. Também afirmam que Londres estaria usando o episódio para reforçar o discurso de firmeza diante da OTAN e compensar a falta de “sucessos militares”, em referência ao prolongamento da guerra na Ucrânia.

A narrativa britânica, por sua vez, sustenta que o monitoramento é fundamental em um momento em que a Rússia tem intensificado operações navais em zonas estratégicas. A situação lança luz sobre o desgaste da capacidade militar russa, frequentemente lembrado pelos adversários: o país não tem controle pleno do Mar Negro após quatro anos de guerra, e seu único porta-aviões, o problemático Almirante Kuznetsov, encontra-se parado há 8 anos após sucessivos acidentes, incêndios e atrasos em sua modernização.

O episódio no Canal da Mancha, embora militarmente discreto, ganhou dimensão simbólica. De um lado, Londres reforça sua postura de vigilância e dissuasão. Do outro, Moscou tenta transformar o ocorrido em uma demonstração de excesso britânico, alimentando sua narrativa interna de que o Ocidente age de forma hostil e provocativa.

No fundo, o caso evidencia como operações rotineiras têm se tornado combustível para disputas políticas e informacionais em um cenário global cada vez mais tenso e competitivo.


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Polônia escolhe submarinos suecos A26

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A Polônia deu um passo decisivo para reforçar sua capacidade de defesa no Mar Báltico ao anunciar, nesta quarta-feira (26), a escolha da sueca Saab para fornecer três submarinos da classe A26, o projeto mais avançado já desenvolvido pela indústria naval da Suécia. O acordo, avaliado em cerca de US$ 2,7 bilhões, insere-se no programa estratégico “Orka”, criado para modernizar a Marinha polonesa diante de um ambiente regional marcado por incertezas, tensões e uma Rússia cada vez mais ativa no Báltico.

Desde a invasão da Ucrânia em 2022, Varsóvia se tornou um dos países europeus que mais ampliaram seus investimentos em defesa. E a escolha da Suécia, agora membro pleno da OTAN, simboliza mais que a compra de submarinos: representa a consolidação de um eixo nórdico-báltico de defesa, num momento em que antigos alinhamentos da Europa Central se fragmentam devido às divergências sobre como enfrentar Moscou.

Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, destacou que a oferta sueca “foi a melhor em todos os critérios”, especialmente quando se considera o ambiente operacional do Mar Báltico, que exige plataformas discretas, ágeis e preparadas para a guerra no fundo do mar.

Além dos três submarinos A26, a Suécia fornecerá um quarto submarino para treinamento e se comprometeu a adquirir sistemas de armamento fabricados pela indústria polonesa, um reforço industrial e político que ajuda Varsóvia a ampliar sua base tecnológica nacional.

Para a Saab, trata-se de um marco histórico: é o primeiro contrato internacional de submarinos desde que a empresa assumiu a divisão naval em 2014. Micael Johansson, CEO da companhia, classificou a decisão como “um avanço extraordinário” e ressaltou que a presença dos A26 operando tanto sob bandeira sueca quanto polonesa “muda o padrão de segurança no Báltico”.

A expectativa é que o contrato seja assinado até o segundo trimestre de 2026, com a primeira entrega planejada para 2030, prazo considerado realista pela Saab, mesmo com o histórico de atrasos do programa em território sueco.

Tecnologia para vencer no teatro mais sensível da Europa

Discreto, compacto e projetado para navegar onde outros submarinos simplesmente não conseguem operar, o A26 é fruto de décadas de experiência sueca no Báltico, um ambiente raso, de visibilidade limitada e que exige plataformas silenciosas para missões de longa duração.

Com 66 metros de comprimento e propulsionado por motores Stirling, tecnologia que dispensa entrada de ar e garante semanas de imersão sem revelar posição, o submarino é considerado um dos mais silenciosos do mundo na categoria convencional (não nuclear).

Seu elemento mais inovador é o portal multimissão: uma câmara de 1,5 metro que permite lançar drones submarinos, veículos autônomos e equipes de mergulhadores. Essa capacidade faz do A26 uma ferramenta valiosa para proteger cabos submarinos, oleodutos e outras infraestruturas críticas que hoje estão no centro das preocupações de segurança europeias.

A guerra no fundo do mar se tornou uma prioridade após os incidentes envolvendo danos suspeitos a infraestrutura submersa desde 2022. Mesmo sem conclusões formais sobre autoria, o tema acendeu o alerta na OTAN, e pressionou países como Polônia e Suécia a investirem em capacidades mais sofisticadas.

O A26 pode lançar torpedos, empregar minas e transportar forças especiais navais, mas não possui capacidade de lançamento de mísseis. Ainda assim, é considerado um multiplicador subaquático capaz de alterar o equilíbrio regional.

O novo tabuleiro estratégico do Báltico

A decisão polonesa ocorre em meio a uma reconfiguração acelerada da segurança no Norte da Europa. A entrada de Finlândia e Suécia na OTAN transformou o Mar Báltico em um “lago da Aliança”, aumentando a necessidade de coordenação entre os aliados que o cercam.

A região também se tornou palco de episódios que envolvem possíveis sabotagens e operações clandestinas nas profundezas, um domínio sensível, difícil de monitorar e que exige plataformas especializadas, como o A26.

Para a embaixadora da Suécia na Polônia, Martina Quick, o acordo simboliza uma Europa mais consciente da necessidade de assumir responsabilidade por sua própria defesa. Já o ministro sueco da Defesa, Pal Jonson, destacou que o novo arranjo cria “um sistema comum para operações subaquáticas”, ampliando a capacidade combinada sueco-polonesa e fortalecendo diretamente o flanco norte da OTAN.

Os submarinos incluirão componentes britânicos, adicionando o Reino Unido ao eixo estratégico que se forma entre Estocolmo e Varsóvia, uma triangulação que reforça o poder naval da Aliança em uma das áreas mais sensíveis do planeta.

A notícia impulsionou as ações da Saab, que registraram alta imediata após o anúncio. A empresa já havia firmado um memorando com o conglomerado polonês PGZ, reforçando a expectativa de que o acordo gere transferência de tecnologia e cooperação industrial de longo prazo.

Disputa acirrada e sinal político claro

A Polônia recebeu propostas de Alemanha, França, Itália, Espanha e Coreia do Sul, enquanto o Reino Unido manifestou apoio explícito à candidatura sueca. A escolha sueca não é apenas técnica: é também estratégica. Ela alinha Varsóvia ao bloco nórdico-báltico, onde a percepção de ameaça russa é mais intensa e a resposta é mais robusta.

Com o acordo, a Polônia avança mais um passo em sua ambição de se tornar uma potência militar regional, e reforça um recado que ecoa pelo Báltico: a OTAN está fortalecendo sua presença nas profundezas, onde a guerra moderna já começou.


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com Reuters e SAAB

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Naval Group entrega o submarino Tonelero e realiza o lançamento ao mar do Almirante Karam em cerimônia no Complexo Naval de Itaguaí

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A Marinha do Brasil e o Naval Group realizaram nesta quarta-feira (26), uma cerimônia histórica no Complexo Naval de Itaguaí para realizar dois marcos decisivos do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). O submarino Tonelero (S42), terceiro submarino da classe Riachuelo (SBR), construído baseado no projeto Scorpène francês, foi oficialmente entregue à Marinha do Brasil, enquanto o quarto navio da classe, o Almirante Karam (S43), foi lançado ao mar, avançando para sua próxima etapa de integração e testes.

Os dois eventos, realizados no mesmo dia, confirmam o ritmo consistente do PROSUB e reforçam a capacidade industrial e tecnológica do Brasil na construção de submarinos convencionais avançados. O programa já havia incorporado o Riachuelo (S40) em 2022, e o Humaitá (S41) em 2024, consolidando a transição da Marinha do Brasil para um novo patamar, com uma força dotada com meios modernos e de alta complexidade.

Durante a cerimônia, autoridades civis e militares acompanharam apresentações sobre o andamento do projeto, destacando o papel da parceria estratégica entre a Marinha do Brasil e o Naval Group. Construídos no estaleiro e base naval da Itaguaí Construções Navais (ICN), os submarinos resultam de um amplo acordo de transferência de tecnologia firmado entre o Brasil e a França.

Para Pierre Éric Pommellet, Chairman e CEO do Naval Group, a entrega do Tonelero e o lançamento do Almirante Karam representam mais que conquistas industriais. “É uma honra contribuir para o fortalecimento da soberania marítima do Brasil. Mais do que entregar submarinos, nossa missão é construir, junto com o Brasil, um legado tecnológico e industrial de longo prazo. Nossa parceria com a Marinha do Brasil é um exemplo de cooperação estratégica entre nações que compartilham valores e objetivos comuns no cenário global”, afirmou.

O Naval Group desempenha um papel central no PROSUB, fornecendo equipamentos essenciais, assistência técnica e capacitação para as equipes brasileiras. Técnicos da ICN receberam treinamento especializado na França, incluindo soldagem, caldeiraria, encanamento naval e eletricidade, permitindo que a indústria brasileira dominasse integralmente o processo de construção de submarinos. Paralelamente, fornecedores nacionais foram qualificados e integrados à cadeia de suprimentos global do grupo, ampliando o alcance comercial da indústria de defesa brasileira.

A classe Scorpène, referência mundial em submarinos convencionais, foi adaptada para os requisitos operacionais da Marinha do Brasil. Projetados para operar em águas profundas ou rasas, os submarinos são capazes de realizar guerra antissubmarino, ações contra alvos de superfície e operações especiais, mantendo elevada discrição acústica e autonomia prolongada. Esses atributos reforçam a capacidade do Brasil de proteger interesses estratégicos na "Amazônia Azul", especialmente em áreas de grande relevância econômica e energética.


Presente em cinco continentes e reconhecido pelo desenvolvimento de soluções de alta tecnologia, o Naval Group reafirmou durante o evento seu compromisso com a soberania marítima brasileira e com a continuidade da cooperação industrial. O lançamento do submarino Almirante Karam e a entrega do submarino Tonelero marcam uma nova etapa do PROSUB e evidenciam o amadurecimento de um projeto que se tornou símbolo de transformação, capacitação nacional e fortalecimento das capacidades navais do país.

Histórico do PROSUB

Lançado em 2008, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos é o maior empreendimento de defesa naval já realizado no Brasil. Ele contempla a construção de quatro submarinos convencionais da classe Scorpène, um submarino com propulsão nuclear, atualmente em desenvolvimento, e a implantação do Complexo Naval de Itaguaí, que reúne estaleiro, base e instalações industriais. O PROSUB foi concebido para ampliar a capacidade de dissuasão do Brasil, proteger a Amazônia Azul e promover transferência real de conhecimento e tecnologia, elevando o país ao seleto grupo de países capazes de projetar e construir submarinos de alta complexidade.


Próximos passos esperados

Com o Tonelero já incorporado e o Almirante Karam tendo sido lançado e iniciado a fase de integração, a Marinha deve avançar nos testes de sistemas, provas de mar e certificações até sua incorporação definitiva. Paralelamente, segue em curso o desenvolvimento do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear convencionalmente armado (SNBR), o SN10 "Alvaro Alberto" considerado o pilar mais ambicioso do PROSUB e fundamental para ampliar o alcance estratégico do país. O estaleiro e a base de Itaguaí, plenamente operacionais, tornam-se agora parte permanente da infraestrutura naval brasileira, capazes de sustentar futuras construções e modernizações.


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