quinta-feira, 24 de setembro de 2026

China apreende componentes de F-35 enviados pela Austrália aos EUA para manutenção

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Autoridades chinesas apreenderam em Hong Kong dois componentes de um F-35A australiano que estavam sendo transportados para os Estados Unidos onde seriam submetidos a manutenção, um episódio que levou autoridades norte-americanas e australianas a investigarem uma falha na cadeia logística envolvendo material relacionado ao caça de quinta geração.

A carga era transportada pela UPS em nome da Lockheed Martin e incluía um canopy e uma porta do compartimento de armas de um F-35 da Força de Defesa Australiana. As peças haviam sido encaminhadas aos Estados Unidos para trabalhos de manutenção quando o carregamento realizou uma escala não programada na Coreia do Sul e posteriormente foi desviado para Hong Kong.

Segundo informações atribuídas pela Bloomberg a autoridades norte-americanas, os dois componentes possuem revestimento com material absorvente de radar, utilizado na arquitetura de baixa observabilidade do F-35. O acesso físico às peças passou a ser tratado como uma questão de segurança, embora não haja confirmação pública de que informações classificadas ou tecnologias críticas tenham sido comprometidas.

O episódio provocou investigações no Congresso dos Estados Unidos. Pelo menos duas comissões parlamentares passaram a examinar como componentes associados a uma aeronave de combate de quinta geração foram transportados por uma cadeia comercial que acabou envolvendo território sob controle chinês.

O Pentágono informou que trabalha com autoridades norte-americanas e parceiros industriais para recuperar os componentes, investigar o incidente e implementar medidas destinadas a impedir uma ocorrência semelhante. Não foi informado, até o momento, se Pequim pretende devolver as peças.

A Lockheed Martin, por sua vez, afirmou à CNN que os componentes estão inutilizáveis e apresentam baixo risco de exploração. A avaliação contrasta com a preocupação manifestada por analistas de defesa, que apontam que o acesso físico a materiais empregados no revestimento furtivo pode representar riscos, ainda que as peças estejam fora de condição operacional.

A Austrália também abriu uma investigação sobre a cadeia logística em seu território. O ministro da Defesa australiano, Richard Marles, afirmou que a Lockheed Martin administra o transporte internacional dos componentes de acordo com parâmetros estabelecidos pelos Estados Unidos.

O caso ocorre no momento de maior atenção de Washington aos riscos associados à proteção da tecnologia do F-35 e à segurança de sua cadeia internacional de usuários e fornecedores. A preocupação ganhou dimensão adicional diante da expansão das relações industriais e de defesa da China com países que mantêm interesse ou vínculos estratégicos com os Estados Unidos.

Entre os temas examinados em Washington está a venda do F-35 à Arábia Saudita, avaliada em US$ 24,3 bilhões. Parlamentares e setores da comunidade de inteligência norte-americana discutem os riscos potenciais relacionados aos vínculos chineses no Oriente Médio e à possibilidade de exposição indireta de tecnologias sensíveis.

O episódio envolvendo as peças australianas acrescenta uma dimensão logística a esse debate. Mais do que a capacidade do próprio F-35 de preservar sua assinatura reduzida, o incidente evidencia a necessidade de proteger também os componentes, materiais e processos de manutenção que sustentam essa capacidade ao longo do ciclo de vida da aeronave.


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Coreia do Sul recebe primeiro KF-21 Boramae de produção seriada

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A Força Aérea da República da Coreia (ROKAF) recebeu oficialmente seu primeiro caça KF-21 Boramae produzido em série, marcando uma nova etapa no programa sul-coreano de desenvolvimento de uma aeronave de combate nacional. A entrega ocorreu na fábrica da Korea Aerospace Industries (KAI) em Sacheon, de onde a aeronave foi encaminhada para a Base Aérea de Yecheon.

Identificado pelo número de cauda 26-001, o primeiro exemplar entregue à ROKAF é uma aeronave biposto. A documentação de aceitação foi assinada pelo major Han Jae-seok, um dos primeiros pilotos da força aérea sul-coreana qualificados para o KF-21, antes do voo até sua nova unidade operacional, realizado sob escolta de aeronaves FA-50, TA-50 e T-50.

O programa KF-21 teve seu desenvolvimento iniciado em dezembro de 2015, após uma iniciativa de longo prazo lançada pela Coreia do Sul para ampliar sua capacidade nacional de projeto e fabricação de aeronaves de combate. O Boramae foi concebido como um caça de geração 4,5 destinado inicialmente a substituir aeronaves mais antigas, incluindo os F-4 e F-5 ainda empregados pela ROKAF.

A KAI prevê a entrega de 40 aeronaves do Block I, inicialmente orientadas para missões ar-ar, até 2028. Na sequência, estão planejados outros 80 exemplares do Block II, com maior capacidade de emprego ar-superfície, com entregas previstas até 2032.

A entrada em serviço ocorrerá com a reativação do 156º Esquadrão de Caça, subordinado à 16ª Ala de Caça. A unidade possui histórico ligado à operação dos F-4E Phantom e deverá voltar a desempenhar funções de caça com a introdução do novo caça. A expectativa sul-coreana é alcançar a plena capacidade operacional do KF-21 até o final de 2027.

Com aproximadamente 17 metros de comprimento e 11 metros de envergadura, o KF-21 emprega dois motores F414 desenvolvidos pela General Electric e produzidos sob licença pela indústria sul-coreana. A configuração proporciona cerca de 44 mil libras de empuxo combinado com pós-combustão, permitindo ao caça atingir velocidade máxima próxima de Mach 1,8.

A aeronave foi projetada para empregar um conjunto diversificado de armamentos, incluindo o canhão M61A2 Vulcan de 20 mm, bombas guiadas e convencionais, mísseis ar-ar, armamentos ar-superfície e mísseis antinavio. A arquitetura também incorpora radar de varredura eletrônica ativa (AESA), sistemas eletro-ópticos e recursos de guerra eletrônica.

A transferência do primeiro exemplar representa, portanto, mais do que a incorporação de um novo caça. O KF-21 passa a integrar a estrutura operacional sul-coreana enquanto o programa ainda avança para configurações de maior capacidade, estabelecendo uma base industrial para a evolução progressiva da aeronave e para a redução da dependência de plataformas estrangeiras em determinados segmentos.


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Patriot grego intercepta míssil balístico e drone sobre a Arábia Saudita

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Uma bateria de defesa aérea Patriot operada por militares gregos interceptou nesta quinta-feira (24) um míssil balístico e um drone sobre a região de Yanbu, na Arábia Saudita, segundo fontes de segurança gregas ouvidas pela Reuters. A área abriga importantes instalações da indústria de petróleo saudita.

De acordo com as fontes, o sistema grego empregou dois interceptadores Patriot durante a ação, neutralizando os dois alvos. Não foram divulgadas informações sobre a origem do míssil balístico ou do drone, nem detalhes adicionais sobre as trajetórias ou características dos vetores empregados.

A ação ocorreu em meio à emissão de alertas pela defesa civil saudita para diferentes regiões do país. Os avisos abrangeram Meca, a região de Tabuk, áreas do litoral do Mar Vermelho, incluindo Jeddah e Yanbu, além da região de Taif.

Segundo a Reuters, esta foi a quinta ocasião em que o sistema Patriot operado pela Grécia foi empregado em combate desde o início, no final de fevereiro, da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. O episódio evidencia a participação crescente de países europeus na proteção de instalações estratégicas e da infraestrutura energética dos países do Golfo.

A Grécia mantém uma bateria Patriot na Arábia Saudita desde 2021, como parte de um acordo bilateral destinado a contribuir para a proteção das instalações energéticas do reino. O sistema é de fabricação norte-americana e permanece operado por militares gregos.

O emprego da bateria em operações reais amplia a experiência acumulada pela Grécia no emprego de defesa antiaérea em um ambiente operacional marcado pela combinação de ameaças balísticas e sistemas aéreos não tripulados. Para a Arábia Saudita, a presença de sistemas estrangeiros acrescenta uma camada à defesa de pontos considerados críticos para a segurança energética nacional.


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Taiwan amplia pressão por participação na ONU e questiona interpretação da Resolução 2758

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A abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas recoloca em evidência uma questão ainda sem solução dentro do sistema multilateral: a participação de Taiwan nas estruturas da Organização. Em manifestação dirigida ao público brasileiro, Benito Liao, representante de Taiwan, defende que os 23,5 milhões de habitantes da ilha tenham participação significativa na ONU e em suas agências especializadas, destacando também o peso tecnológico e econômico de Taiwan.

A Assembleia Geral deste ano tem como tema “Restaurando a confiança, gerenciando a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todos”. Para Liao, a própria formulação escolhida pela Organização reforça a discussão sobre a ausência de Taiwan. “Os 23,5 milhões de habitantes de Taiwan ainda estão excluídos da ONU e de suas agências especializadas”, afirma.

O representante taiwanês procura inserir a questão em uma agenda que ultrapassa a disputa política regional. Taiwan ocupa posição central na cadeia mundial de semicondutores e possui participação relevante no desenvolvimento de tecnologias associadas à inteligência artificial. Na avaliação de Liao, esse papel faz com que as decisões relacionadas à estabilidade da ilha tenham consequências que alcançam setores estratégicos da economia global.

Outro elemento destacado é o Estreito de Taiwan, importante corredor do comércio marítimo internacional. “A segurança e a estabilidade de Taiwan são vitais para o desenvolvimento econômico global”, afirma Liao, defendendo que a comunidade internacional permaneça atenta à preservação da estabilidade na região.

A diplomacia de Taiwan estabeleceu três eixos para sua atuação durante a atual sessão da Assembleia Geral: ampliar sua participação no sistema ONU, preservar a estabilidade no Estreito e defender a solução pacífica de disputas e uma ordem internacional baseada em regras.

Para o Brasil, Liao sustenta que a distância geográfica não elimina os interesses comuns. “Embora o Brasil esteja geograficamente distante de Taiwan, ambos compartilham o apreço pela paz e pela estabilidade”, afirma. A argumentação coloca no centro temas com impacto direto sobre diferentes economias, como comércio, tecnologia e cadeias internacionais de suprimentos.

A principal controvérsia está relacionada à Resolução 2758 da Assembleia Geral, aprovada em 1971. Taiwan sustenta que o documento tratou da representação da China nas Nações Unidas, mas não definiu o status de Taiwan nem estabeleceu que Pequim pudesse representar a ilha no sistema da ONU. “Na verdade, a resolução não afirma que Taiwan faça parte da China, nem autoriza a China a representar Taiwan no sistema da ONU”, afirma Liao.

Pequim apresenta interpretação diferente e considera a resolução parte da base internacional do princípio de uma só China, segundo o qual Taiwan integra a China. A disputa envolve, portanto, não apenas a leitura do texto aprovado em 1971, mas também interpretações distintas sobre seus efeitos políticos e jurídicos e sobre a posição internacional de Taiwan.

O debate ganhou novo elemento em 23 de setembro, quando a União Europeia afirmou que Taiwan deveria poder participar de sistemas internacionais quando isso estiver de acordo com as regras e práticas das respectivas organizações. Sobre a Resolução 2758, um porta-voz europeu observou que o texto não menciona Taiwan e reiterou a importância da paz e da estabilidade no Estreito.

Liao também questiona restrições à participação de cidadãos taiwaneses em atividades das Nações Unidas. Segundo ele, portadores de passaportes de Taiwan enfrentam limitações de acesso e jornalistas da ilha também encontram obstáculos em determinadas atividades relacionadas à Organização.

Taipei procura apresentar sua reivindicação como uma possibilidade de contribuição ao sistema multilateral. Liao cita competências desenvolvidas por Taiwan em áreas como tecnologia, desenvolvimento e sustentabilidade e afirma que a ilha está disposta a compartilhar essa experiência no âmbito das Nações Unidas.

“A comunidade internacional deve buscar maneiras adequadas de aceitar a participação de Taiwan para que ela possa contribuir ainda mais para o mundo”, afirma.

A questão permanece inserida em uma realidade diplomática complexa. Taiwan não possui assento como Estado-membro da ONU, enquanto a República Popular da China representa a China na Organização desde a decisão de 1971. Ao mesmo tempo, diferentes governos e organismos internacionais discutem formas de participação taiwanesa em determinados mecanismos sem que exista consenso sobre o status internacional da ilha.

É nesse ponto que a posição apresentada por Liao amplia o debate: como conciliar as estruturas existentes das Nações Unidas com a participação internacional de uma população de 23,5 milhões de pessoas e de um território com peso relevante em setores tecnológicos e industriais estratégicos? E qual deve ser o alcance atribuído à Resolução 2758 diante das diferentes interpretações apresentadas por Taipei e Pequim?

As respostas permanecem em disputa e ganham importância à medida que o Indo-Pacífico assume peso crescente na economia mundial e na segurança internacional. A participação de Taiwan no sistema multilateral continua, assim, como uma questão aberta dentro de uma arquitetura internacional marcada por interesses, interpretações jurídicas e posições diplomáticas divergentes.


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ABIMDE encerra participação na AAD 2026 com contatos e novas perspectivas para a indústria brasileira

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A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) encerrou sua participação na Africa Aerospace and Defence (AAD) 2026 com novos contatos comerciais e aproximação com potenciais parceiros no continente africano. Realizada entre 16 e 20 de setembro, na Base Aérea de Waterkloof, em Pretória, a feira reuniu empresas, autoridades e compradores de diferentes países.

Organizado pela ABIMDE com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o Espaço Brasil contou com a participação de Cinadra, CSA, IAS, M&K e Xmobots. Durante o evento, o estande recebeu delegações de Gana, África do Sul, Quênia, Lesoto e Botsuana, além de representantes empresariais interessados em estabelecer relações comerciais e de cooperação.

As empresas brasileiras apresentaram soluções em diferentes segmentos da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS), incluindo componentes para munições e foguetes, manutenção de motores aeronáuticos, logística especializada e sistemas não tripulados. A programação permitiu ainda identificar potenciais parceiros e ampliar o contato com mercados além da própria África do Sul.

Para o diretor de Projetos da ABIMDE, Coronel Antonio Ribeiro, um dos principais resultados da participação foi o aumento da visibilidade da indústria brasileira junto aos países africanos. Segundo ele, o interesse demonstrado por delegações oficiais e empresas reforçou as possibilidades de cooperação entre os países do Sul Global.

A CSA Aero Engines destacou o alcance das interlocuções realizadas durante a exposição. Segundo o gerente comercial Leonardo Corrêa, os contatos envolveram visitantes de diferentes nacionalidades e ultrapassaram o mercado sul-africano, abrindo perspectivas para novas oportunidades comerciais no setor de manutenção aeronáutica.

Na área de sistemas não tripulados, a Xmobots apresentou seu portfólio de drones e tecnologias desenvolvidas pela empresa. Já a IAS concentrou parte de sua atuação na identificação de possíveis parceiros e no estabelecimento de contatos que poderão ser aprofundados após o encerramento da feira.

A Cinadra também avaliou positivamente a estrutura disponibilizada no Espaço Brasil e a participação na exposição. Para as empresas brasileiras, os contatos realizados em Pretória passam agora para uma etapa de avaliação e eventual aprofundamento das negociações.

Presente na AAD desde 2012, a ABIMDE mantém a participação na feira como parte de sua estratégia de aproximação entre a indústria brasileira de defesa e segurança e os mercados africanos. A edição de 2026 encerra-se, assim, com uma agenda de contatos que deverá continuar após o evento, especialmente nas áreas de cooperação industrial, serviços aeronáuticos, sistemas não tripulados e soluções para defesa e segurança.


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com Rossi Comunicação

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P-3AM perto do fim: O E190-E2 pode dar origem a próxima aeronave de patrulha marítima brasileira?

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A substituição do P-3AM Orion exige uma discussão mais ampla sobre o futuro da capacidade brasileira de patrulha marítima. A aeronave ainda desempenha funções relevantes de vigilância, reconhecimento, guerra antissubmarino e guerra antissuperfície, mas seu ciclo de vida, associado ao baixo índice de disponibilidade, torna necessário planejar sua sucessora. A questão não deveria se limitar à aquisição de uma aeronave pronta no exterior, mas considerar se a substituição de uma plataforma estratégica pode também criar uma nova capacidade nacional de alto valor tecnológico, especialmente diante da existência de uma plataforma madura como o Embraer E190-E2.

Um dos pontos que tornam essa discussão relevante está relacionado ao AGM-84L Harpoon Block II empregado pelo P-3AM. Sua incorporação exigiu aquisição, integração, homologação, testes, certificação e treinamento, estabelecendo uma capacidade antinavio incorporada à Aviação de Patrulha. A FAB mantém mecanismos para preservar a disponibilidade do sistema, incluindo manutenção e recertificação de lotes, mas sua própria documentação prevê a reavaliação da solução diante da evolução tecnológica, obsolescência e condições futuras de suporte. A Marinha dos Estados Unidos planeja retirar de serviço a versão de lançamento aéreo do Harpoon em 2035, horizonte que precisa ser considerado no planejamento brasileiro.

Isso não significa que o Harpoon esteja próximo de deixar de ser empregado no Brasil. O ponto é o tempo necessário para desenvolver, testar, certificar e colocar em serviço uma capacidade sucessora. A experiência do P-3AM demonstra que substituir um sistema de armas envolve muito mais que adquirir um novo míssil: sensores, computadores de missão, interfaces, software, equipamentos de apoio, treinamento e certificação precisam funcionar como um conjunto. Quanto mais tarde esse processo começar, menor será a margem para uma transição sem lacunas operacionais.

Nesse cenário, o P-8A Poseidon constitui uma referência internacional de capacidade e deve fazer parte de qualquer estudo comparativo. Entretanto, a existência de uma solução estrangeira madura não elimina a necessidade de avaliar uma alternativa brasileira, sobretudo porque o país possui indústria aeronáutica capaz de produzir plataformas de grande porte e experiência na integração de sistemas de defesa complexos.

A possibilidade de utilizar uma plataforma da Embraer para essa missão não é nova. Em 2016, a empresa anunciou a intenção de desenvolver uma variante de patrulha marítima baseada no E190-E2, associada à substituição de aeronaves como o P-3 e ao potencial mercado internacional. A iniciativa não se transformou em programa operacional. Em 2023, a Embraer voltou a estudar uma configuração militar do E190-E2 para patrulha marítima, considerando radar, sistemas de missão, sonoboias e armamentos antinavio. Há, portanto, um histórico de interesse industrial, mas não existe atualmente um E190-E2 de patrulha marítima em desenvolvimento.

É nesse espaço que o Brasil poderia retomar a discussão. O conceito P-190A Tritão, proposto pelo GBN Defense nesta análise, não representa um programa existente nem uma designação oficial da FAB ou da própria Embraer. A proposta consiste em utilizar o E190-E2 como plataforma-base para uma aeronave brasileira de patrulha marítima, concentrando o desenvolvimento na adaptação militar, arquitetura de missão, sensores, enlaces de dados e integração de armamentos.

Partir de uma plataforma existente permitiria evitar o desenvolvimento simultâneo de uma nova célula aeronáutica e de todo o sistema de missão. O E190-E2 possui uma arquitetura aeronáutica madura e certificada no mercado civil, embora sua conversão para emprego militar exigisse estudos estruturais, alterações internas, sistemas acústicos, guerra eletrônica, comunicações seguras, sensores e integração de armas, seguidos de uma campanha completa de ensaios e certificação.

O eventual P-190A não poderia ser simplesmente um E190 equipado com radar marítimo. Sua arquitetura precisaria integrar radar de vigilância, sensores eletro-ópticos e infravermelhos, guerra eletrônica, inteligência eletrônica, comunicações seguras, processamento de dados, sistema acústico, sonoboias e interfaces para armamentos. A aeronave também poderia ser concebida para integrar a arquitetura do SisGAAz, funcionando como um dos nós aéreos da consciência situacional marítima.

Essa arquitetura permitiria explorar melhor os sistemas remotamente pilotados. Um P-190A poderia receber dados de SARP empregados pela FAB e pela Marinha do Brasil, como Hermes 900 e ScanEagle, além de futuras plataformas nacionais, funcionando como elemento de processamento, fusão e coordenação. Os sistemas remotamente pilotados poderiam proporcionar persistência sobre áreas específicas, enquanto a aeronave tripulada concentraria maior capacidade de processamento, identificação e eventual emprego de armamentos.

A rede poderia ainda incorporar informações provenientes de navios, sensores costeiros e centros de comando. Para o Brasil, que precisa acompanhar uma extensa área marítima e proteger linhas de comunicação e recursos oceânicos, essa integração seria tão importante quanto o desempenho isolado da aeronave.

Nesse contexto, o MANSUP e os estudos do MARSUP acrescentam outra variável. O desenvolvimento do MANSUP permitiu ao Brasil acumular competências em navegação, guiagem, controle, eletrônica, telemetria e integração, enquanto o MANSUP-ER amplia essa base. Em fevereiro de 2026, Marinha do Brasil e SIATT avançaram em estudos e intercâmbio de informações para avaliar o desenvolvimento de dois grupos de Mísseis Ar-Superfície, denominados MARSUP, com horizonte de trabalho até 2031.

O MARSUP ainda está em fase de estudos e não foi definido como solução pronta, também não existe programa de desenvolvimento de uma aeronave de patrulha marítima derivada do E190-E2. Entretanto, caso ambos os projetos avancem, seus requisitos poderiam ser coordenados desde o início, incluindo interfaces digitais, computadores de missão, software, transmissão de dados, procedimentos de lançamento e certificação. Uma arquitetura aberta permitiria ainda manter a possibilidade de empregar armamentos estrangeiros quando necessário.

Essa abordagem também muda a discussão sobre nacionalização. Não seria necessário substituir todos os componentes estrangeiros, mas ampliar o domínio brasileiro sobre os elementos críticos da plataforma, principalmente engenharia de integração, software, arquitetura de missão e capacidade de modernização. Isso reduziria dependências e daria maior liberdade para incorporar novos sensores e armamentos ao longo da vida útil.

O efeito sobre a Base Industrial de Defesa seria igualmente relevante. Um programa desse porte poderia envolver empresas de sensores, software, comunicações, guerra eletrônica, processamento de sinais, integração de armamentos e manutenção, além de institutos de pesquisa e universidades. As competências desenvolvidas poderiam ser reaproveitadas em outros programas militares e aplicações civis, ampliando o retorno do investimento.

Existe também uma possível dimensão de exportação. Um patrulheiro baseado no E190-E2 não precisaria competir diretamente com o P-8A em todas as categorias. Dependendo do desempenho obtido, poderia atender países interessados em vigilância marítima, proteção de zonas econômicas exclusivas, busca e salvamento e, em determinadas configurações, guerra antissubmarino e antissuperfície, sem necessariamente exigir uma plataforma do mesmo porte do Poseidon. Uma eventual escala internacional ajudaria a distribuir os custos de desenvolvimento, como ocorre com o KC-390 e o A-29 Super Tucano.

Tudo isso, porém, precisaria ser comprovado por engenharia. O E190-E2 foi concebido como aeronave comercial e sua adaptação exigiria determinar alcance, autonomia, desempenho nos diferentes perfis de missão, capacidade estrutural, disponibilidade, custos de operação e requisitos de manutenção na configuração militar.

O P-8A deve permanecer como referência nessa avaliação por oferecer uma capacidade operacional comprovada. A comparação permitiria identificar quais requisitos são indispensáveis à FAB e quais poderiam ser atendidos por uma arquitetura diferente. O objetivo não seria reproduzir o Poseidon no Brasil, mas verificar se uma solução nacional poderia alcançar o desempenho necessário dentro de parâmetros sustentáveis de custo, autonomia tecnológica e evolução.

A atual situação do P-3AM oferece uma janela para realizar esse trabalho. A FAB ainda mantém uma capacidade operacional consolidada e mecanismos de sustentação do Harpoon, enquanto o MARSUP está em fase inicial de estudos. Há, portanto, espaço para definir requisitos e avaliar uma eventual solução nacional antes que a substituição se transforme em uma necessidade emergencial.

O P-190A Tritão deve ser entendido, portanto, como uma proposta do GBN Defense a ser confrontada com as alternativas disponíveis no mercado e com os requisitos futuros da FAB. O E190-E2 oferece uma plataforma nacional sobre a qual essa possibilidade pode ser investigada, enquanto a experiência brasileira em integração de sistemas, mísseis antinavio e aeronaves remotamente pilotadas fornece elementos para estruturar o estudo. A decisão final deverá considerar desempenho, custos, ciclo de vida, capacidade industrial e liberdade para evoluir a plataforma nas próximas décadas.


por Angelo Nicolaci


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Harpoon entra na reta final e coloca FAB diante do desafio de uma nova capacidade antinavio

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A Força Aérea Brasileira entrou em uma fase decisiva para o futuro de sua capacidade de ataque antinavio a partir do ar. O AGM-84L Harpoon Block II, empregado pelos P-3AM Orion, continuará sendo sustentado por meio de manutenção, formação de estoques, recertificação e suporte contratado no âmbito do programa norte-americano Foreign Military Sales (FMS). O problema é que a própria documentação da FAB identifica um horizonte de risco: a Marinha dos Estados Unidos prevê retirar de operação a versão de lançamento aéreo do Harpoon em 2035, o que tende a reduzir progressivamente a disponibilidade do suporte externo ao sistema brasileiro.

O Harpoon foi incorporado à capacidade operacional dos P-3AM depois da aquisição brasileira realizada por meio do case BR-P-ASP, assinado em 2014. A arma passou por integração, homologação e treinamento específicos para o Orion, acrescentando ao avião uma capacidade de ataque antinavio de longo alcance além de suas funções de patrulha marítima, guerra antissubmarino e vigilância de extensas áreas do Atlântico.

O desafio atual é essencialmente de ciclo de vida. O plano aprovado pela Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico em abril de 2026 prevê a continuidade do suporte e a internalização de atividades de manutenção, mas reconhece a necessidade de reduzir a exposição futura à cadeia logística norte-americana. O suporte complementar pelo FMS, estabelecido pelo case BR-P-GVX em 2021, possui vigência financeira prevista até setembro de 2026, enquanto a FAB trabalha com mecanismos de renovação, estoques e nacionalização das atividades que estão dentro de sua capacidade.

A questão não se resume à disponibilidade física dos mísseis. O Harpoon depende de uma cadeia que envolve armamento, equipamentos de apoio, software, interfaces com a aeronave, treinamento, manutenção e procedimentos de emprego. Qualquer sucessor terá de enfrentar processo semelhante de integração, ensaios, homologação e certificação, o que torna inadequado esperar pelo fim da vida operacional do sistema atual para iniciar seu substituto.

É nesse intervalo que surge uma oportunidade para a indústria brasileira. Em fevereiro de 2026, a Marinha do Brasil e a SIATT assinaram um Protocolo de Intenções para estudos e intercâmbio de informações destinados ao desenvolvimento de dois grupos de Mísseis Ar-Superfície Antinavio, denominados MARSUP. O instrumento, com vigência até 2031, prevê estudos preliminares para avaliar a viabilidade de desenvolvimento conjunto a partir de conhecimentos e tecnologias acumulados no programa MANSUP.

O MARSUP, entretanto, ainda não é um sistema operacional e não foi definido publicamente como substituto do Harpoon. A iniciativa está em fase de estudos e, neste primeiro momento, está orientada às aeronaves da Força Aeronaval da Marinha. Sua importância para a FAB está na possibilidade de o Brasil desenvolver uma família nacional de armamentos antinavio lançados do ar que, caso alcance maturidade tecnológica e atenda aos requisitos das Forças, possa futuramente ser considerada para outras plataformas.

Essa possibilidade parte de uma base tecnológica que já existe. O desenvolvimento do MANSUP permitiu à indústria brasileira acumular competências em guiagem, navegação e controle, computador de guiagem, altímetro, atuadores, telemetria e integração de sistemas. A sequência de lançamentos e a evolução dos subsistemas reduziram parte da curva tecnológica necessária para uma nova família de armamentos, embora uma versão aerolançada imponha requisitos próprios.

A lógica de uma família também amplia o potencial do investimento. O MANSUP já avança para o MANSUP-ER, enquanto o MARSUP procura levar conhecimentos dessa linha tecnológica para o emprego a partir de aeronaves. O compartilhamento de soluções e competências pode criar uma base industrial comum, ainda que cada variante dependa de desenvolvimento, ensaios e certificação específicos.

Para a Aviação Naval, a necessidade possui uma aplicação direta. O AH-15B Super Cougar emprega atualmente o AM39 Exocet em sua missão antinavio, e o MARSUP abre a possibilidade de uma futura sucessão nacional para essa capacidade. Alcance, massa, interfaces, integração com o helicóptero e parâmetros de lançamento ainda dependem do desenvolvimento, mas a lógica operacional é ampliar a capacidade de engajamento sem exigir que a aeronave se aproxime excessivamente do alvo.

Na FAB, o problema assume outra escala e envolve tanto o P-3AM quanto seu futuro sucessor. O Orion continua desempenhando funções de patrulha marítima, vigilância de longo alcance e guerra antissubmarino, mas sua substituição precisará considerar desde o início a capacidade de emprego de armamentos antinavio. Integrar essa função durante a definição dos requisitos da próxima aeronave tende a ser mais racional do que repetir posteriormente um processo específico de adaptação.

A própria documentação da FAB estabelece uma referência importante para esse planejamento. Antes do horizonte de 2035, deverá ser realizada nova avaliação do programa, considerando a evolução do sistema, sua obsolescência, as condições de suporte e as alternativas disponíveis. Essa janela permite que uma eventual solução nacional seja avaliada enquanto o Harpoon ainda permanece disponível, reduzindo o risco de uma transição conduzida sob pressão.

Isso coloca o Brasil diante de mais de uma possibilidade. A FAB poderá futuramente optar por uma nova aquisição estrangeira, desenvolver uma solução nacional ou combinar diferentes alternativas durante a transição. O MARSUP não elimina nenhuma dessas opções e ainda precisa demonstrar viabilidade, desempenho, maturidade e capacidade de integração. O ponto estratégico é que o país possui tempo para avaliar essas possibilidades antes que a atual capacidade entre em sua fase crítica.

A discussão também deve considerar a cadeia de informações necessária para o emprego de um míssil antinavio moderno. Radares, sensores eletro-ópticos, inteligência de sinais, guerra eletrônica, comunicações seguras e sistemas de comando e controle precisam produzir uma solução de tiro confiável antes do lançamento. A arma é apenas o componente final de uma arquitetura muito maior de consciência situacional marítima.

Essa arquitetura possui relação direta com a proteção da Amazônia Azul. A dimensão das águas jurisdicionais brasileiras exige meios capazes de detectar, acompanhar e responder a ameaças em áreas distantes do litoral. Aeronaves de patrulha e helicópteros equipados com armamentos antinavio acrescentam mobilidade a essa estrutura, permitindo concentrar poder de combate onde uma ameaça seja identificada sem depender exclusivamente da presença permanente de navios de superfície.

O desenvolvimento nacional também possui impacto sobre a Base Industrial de Defesa. Um míssil desse tipo movimenta competências em propulsão, eletrônica, sensores, navegação, software, atuadores, telemetria, integração e ensaios. O conhecimento acumulado no MANSUP reduz parte do esforço inicial, mas a transição para uma arma aerolançada continuará exigindo desenvolvimento específico, inclusive para atender às condições aerodinâmicas e às interfaces de cada plataforma.

O momento, portanto, é particularmente relevante. A FAB trabalha para preservar a disponibilidade do Harpoon enquanto sua cadeia logística ainda pode ser sustentada, ao mesmo tempo em que o calendário norte-americano aponta para uma mudança estrutural após 2035. Paralelamente, a Marinha iniciou os estudos do MARSUP e continua ampliando a família MANSUP. São programas distintos, mas que podem convergir para uma mesma necessidade nacional: preservar, no longo prazo, uma capacidade soberana de ataque antinavio a partir do ar.

O desafio não é simplesmente encontrar um sucessor para o AGM-84L. É evitar que o encerramento de seu ciclo produza uma lacuna operacional justamente em uma capacidade relevante para a defesa marítima brasileira. Se o país utilizar os próximos anos para desenvolver, testar, certificar e integrar uma solução nacional, a transição poderá ocorrer com continuidade. Caso contrário, a aproximação do fim do suporte ao Harpoon poderá transformar uma questão hoje administrável em uma nova dependência de aquisição externa.

O Harpoon tornou-se, assim, um marcador temporal para a próxima geração da guerra antissuperfície brasileira. A FAB possui uma janela para preservar a capacidade atual; o MANSUP fornece uma base tecnológica já desenvolvida no país; e o MARSUP abre uma possibilidade que ainda precisa ser comprovada. Transformar esses elementos em uma capacidade operacional exigirá continuidade de recursos, integração entre as Forças e planejamento de longo prazo. É justamente essa decisão que determinará se a próxima transição será apenas uma substituição de equipamento ou a consolidação de uma capacidade brasileira de ataque antinavio aerolançado.


por Angelo Nicolaci


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Escudo das Américas: Trump cobra ação contra narcoterrorismo e 15 países anunciam sanções contra PCC e CV

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra organizações criminosas transnacionais durante seu discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro, ao defender uma resposta coordenada dos países do Hemisfério Ocidental contra grupos que Washington classifica como narcoterroristas. No mesmo dia, os 15 países integrantes do Escudo das Américas anunciaram uma ação conjunta contra 24 organizações, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

A declaração foi assinada por Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago. O documento estabelece uma frente coordenada contra organizações consideradas ameaças narcoterroristas transnacionais e representa uma das primeiras iniciativas concretas do mecanismo no campo econômico e de segurança.

Entre as medidas previstas estão o congelamento de ativos, restrições de vistos e imigração para integrantes, associados e apoiadores das organizações identificadas, além da responsabilização criminal, conforme as legislações nacionais, de pessoas que forneçam conscientemente apoio material ou logístico. A aplicação das medidas permanece subordinada às leis de cada país e às respectivas obrigações internacionais, não estabelecendo automaticamente uma classificação jurídica uniforme para as organizações em todos os Estados signatários.

A relação inclui 24 organizações consideradas parte de redes transnacionais. A presença do PCC e do Comando Vermelho entre os alvos amplia a dimensão regional da iniciativa, uma vez que ambas possuem conexões internacionais relacionadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, aquisição de armamentos e utilização de rotas que ultrapassam as fronteiras brasileiras.

Durante seu discurso na ONU, Trump defendeu uma mobilização mais ampla contra organizações criminosas transnacionais e estabeleceu um paralelo entre a ameaça representada por essas estruturas e aquela enfrentada anteriormente por grupos terroristas internacionais. A posição americana busca elevar o combate ao narcoterrorismo dentro da agenda estratégica do Hemisfério Ocidental, aproximando instrumentos de segurança, inteligência, controle financeiro e cooperação entre governos.

Essa mudança amplia o alcance da resposta. Em vez de concentrar a atuação exclusivamente na repressão ao tráfico e na cooperação policial, o mecanismo passa a atingir também as estruturas financeiras, logísticas e humanas que sustentam as organizações criminosas. O congelamento de recursos e as restrições de circulação internacional criam instrumentos destinados a dificultar a movimentação de integrantes, capitais e redes de apoio entre diferentes países.

A iniciativa também contempla uma dimensão institucional. Os países signatários pretendem solicitar ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) uma reunião de consulta para discutir a criação de um órgão consultivo com fundamento nos artigos 6º e 13º do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR). A medida procura conectar a nova agenda de combate ao narcoterrorismo a mecanismos já existentes no sistema interamericano.

A evolução do Escudo das Américas, analisada ao longo desta série, começa assim a ultrapassar o campo das declarações políticas. A combinação de sanções econômicas, medidas migratórias, cooperação jurídica e mecanismos multilaterais cria uma estrutura capaz de produzir efeitos concretos sobre organizações que operam em diferentes jurisdições.

Nesse contexto, o componente de inteligência assume papel central. O enfrentamento de redes transnacionais exige compartilhamento de informações sobre movimentação financeira, rotas de tráfico, documentação, comunicações, logística e vínculos entre organizações criminosas. A integração desses dados tende a aumentar a importância de capacidades de vigilância, reconhecimento, análise de inteligência, comunicações seguras e comando e controle.

A dimensão tecnológica também ganha espaço. Aeronaves de inteligência, sistemas remotamente pilotados, radares, sensores marítimos e terrestres e plataformas capazes de integrar diferentes fontes de informação podem ser empregados na identificação e acompanhamento das redes que sustentam o narcotráfico transnacional. A segurança regional passa, dessa forma, a depender não apenas de efetivos e operações, mas também da disponibilidade de capacidades tecnológicas permanentes.

Para o Brasil, a situação possui uma particularidade adicional. Embora o país não esteja entre os 15 signatários da declaração, duas das organizações brasileiras mais relevantes no crime organizado foram incluídas entre os alvos. A decisão não altera automaticamente a legislação brasileira nem produz, por si só, uma nova classificação jurídica do PCC ou do CV dentro do território nacional, mas coloca essas estruturas no centro de uma agenda regional coordenada da qual Brasília não participa formalmente.

O movimento também introduz uma questão estratégica para o país. À medida que Estados vizinhos ampliam mecanismos de compartilhamento de inteligência, controle financeiro e vigilância de fronteiras, o Brasil precisará avaliar como pretende se posicionar diante dessa arquitetura sem abrir mão de sua autonomia decisória. A discussão envolve segurança pública, defesa, relações exteriores, tecnologia e capacidade industrial.

É justamente nessa convergência que o Escudo das Américas começa a adquirir uma dimensão mais ampla do que o combate convencional ao narcotráfico. A iniciativa combina instrumentos econômicos, jurídicos, diplomáticos e de segurança para enfrentar organizações que atuam em múltiplos territórios, aproximando uma ameaça tradicionalmente tratada como questão criminal de uma agenda estratégica de segurança hemisférica.

A declaração de 22 de setembro marca, portanto, uma nova etapa da iniciativa liderada pelos Estados Unidos. O que antes se apresentava principalmente como uma proposta de coordenação regional começa a ganhar mecanismos próprios de pressão e cooperação, enquanto a inclusão do PCC e do Comando Vermelho demonstra que as organizações criminosas brasileiras já estão inseridas em uma discussão que ultrapassa as fronteiras nacionais.


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Guardião Cibernético 8.0 mobiliza Defesa e setor estratégico em exercício de guerra cibernética

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O Brasil amplia, nesta semana, sua preparação para um dos ambientes mais complexos da guerra moderna: o domínio cibernético. O Exercício Guardião Cibernético 8.0 reúne, entre 21 e 25 de setembro, cerca de 1.300 participantes, 300 organizações e representantes de 14 países, em uma estrutura coordenada pelo Exército Brasileiro, por meio do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), sob responsabilidade do Ministério da Defesa e com participação da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira. A atividade ocorre simultaneamente em diferentes pontos do país e testa a capacidade de resposta diante de ataques contra sistemas estratégicos.

Considerado pelo Exército Brasileiro o maior exercício de defesa cibernética do Hemisfério Sul, o Guardião foi estruturado para aproximar as capacidades militares das organizações civis responsáveis por serviços essenciais. Entre seus objetivos estão o fortalecimento da cooperação no setor cibernético de interesse da Defesa Nacional, a avaliação de procedimentos de resposta a incidentes e a integração de áreas prioritárias de infraestrutura crítica em ambientes de simulação virtual e construtiva.

No Rio de Janeiro, um dos principais núcleos da atividade está instalado no DigiTech Firjan SENAI. Cerca de 20 empresas e órgãos públicos participam dos cenários, incluindo Light, MetrôRio, Detran e Farmanguinhos/Fiocruz, além de organizações dos setores de óleo e gás, siderurgia e tecnologia. A concentração de instalações industriais, energéticas, logísticas, portuárias e militares torna o estado um ambiente relevante para avaliar os efeitos de uma crise cibernética sobre estruturas interdependentes.

As equipes enfrentam cenários que reproduzem sistemas semelhantes aos utilizados pelas organizações participantes. A metodologia permite testar simultaneamente procedimentos técnicos e processos decisórios, verificando como cada instituição identifica uma ameaça, contém seus efeitos, aciona seus protocolos e mantém a continuidade das operações. Para o ComDCiber, a avaliação da cadeia de resposta é tão importante quanto a capacidade tecnológica empregada na detecção de uma intrusão.

A dimensão militar do exercício está justamente nessa capacidade de preservar a liberdade de ação do Estado diante de uma ameaça que pode atingir diferentes domínios. Em um conflito, operações cibernéticas podem buscar degradar redes de comando e controle, interromper comunicações, comprometer sistemas logísticos ou afetar processos industriais, produzindo efeitos estratégicos sem necessariamente recorrer inicialmente ao emprego de força convencional.

A edição 8.0 também amplia a presença regional do exercício, com estruturas em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Recife, Manaus e Belém. A descentralização permite incorporar diferentes realidades operacionais e ampliar a participação de organizações locais. Na Amazônia, por exemplo, as características territoriais e a dispersão de sistemas de comunicação, energia, logística e serviços públicos acrescentam desafios específicos à proteção cibernética.

No ambiente fluminense, outro ponto de atenção é a conexão entre tecnologia da informação e tecnologia operacional. Um ataque contra sistemas administrativos possui consequências diferentes de uma intrusão capaz de interferir no funcionamento de uma instalação industrial, energética ou logística. A distinção é particularmente importante em setores nos quais uma falha digital pode produzir consequências físicas, ambientais ou interromper serviços essenciais.

A participação de Farmanguinhos evidencia essa dimensão. O instituto, vinculado à Fiocruz e ao Ministério da Saúde, utiliza o exercício para aprimorar suas medidas de prevenção, resposta a incidentes e continuidade operacional. Em uma estrutura responsável pela produção de medicamentos, indisponibilidade de sistemas ou perda de informações pode ultrapassar o ambiente tecnológico e afetar diretamente processos essenciais à saúde pública.

O cenário de ameaça reforça a necessidade de preparação permanente. Dados da Agência Nacional de Proteção de Dados apontam crescimento dos incidentes de segurança comunicados à autoridade, embora esses registros não representem a totalidade dos ataques ocorridos no país. Paralelamente, a crescente digitalização de serviços públicos, cadeias produtivas e sistemas estratégicos amplia a superfície que precisa ser protegida.

O Guardião também possui uma dimensão de soberania tecnológica. A capacidade de defesa depende de pessoal especializado, desenvolvimento e manutenção de tecnologias, intercâmbio de informações e participação da indústria nacional. Nesse aspecto, a aproximação entre Forças Armadas, governo, empresas, academia e operadores de infraestrutura permite identificar vulnerabilidades e transformar os resultados dos exercícios em aperfeiçoamentos concretos.

A experiência acumulada pelo ComDCiber demonstra que defesa cibernética não se resume à aquisição de ferramentas de segurança. É necessário manter doutrina, treinamento, pessoal qualificado, protocolos atualizados e capacidade de recuperação após um incidente. Em um cenário de dependência crescente de redes digitais, essa prontidão passa a integrar diretamente o planejamento de defesa nacional.

O Guardião Cibernético 8.0, ao colocar diferentes setores diante de situações simuladas de crise, oferece ao Brasil uma oportunidade de medir sua capacidade de permanecer operacional sob pressão e de aperfeiçoar mecanismos que serão decisivos caso uma ameaça cibernética alcance estruturas estratégicas. A continuidade desse esforço exige planejamento de longo prazo, atualização tecnológica e investimentos compatíveis com a importância que o domínio cibernético já assumiu para a segurança do Estado.


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Operação Formosa 2026: incêndio controlado por militares provoca danos materiais e não deixa feridos

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Na noite da última terça-feira (22), um incêndio atingiu uma área utilizada para os impactos previstos no exercício operativo da Operação Formosa 2026, em Formosa (GO). Segundo informações obtidas pelo GBN Defense junto a fonte segura, não houve feridos e a ocorrência resultou apenas em danos materiais a uma viatura administrativa.

Pelas características do ambiente e pela recorrência de incêndios na região durante este período do ano, a Marinha mantém uma equipe em prontidão para atuar diante de eventuais focos, contribuindo para a segurança das tropas e das áreas empregadas no exercício. O incêndio foi controlado e extinto pelos próprios militares da equipe de Controle de Avarias (CAv) presentes no local.

A ocorrência não comprometeu o andamento da Operação Formosa, que prossegue normalmente e tem encerramento previsto para esta sexta-feira (25).

O episódio, contudo, ganhou repercussão nas redes sociais diante da circulação de informações desencontradas sobre a ocorrência. A confirmação obtida pelo GBN Defense permite esclarecer que não houve feridos e que os danos registrados ficaram restritos a uma viatura administrativa, diferente do que vem sendo noticiado nas redes sociais.

O editor do GBN Defense, Angelo Nicolaci, conhece o Campo de Instrução de Formosa e acompanha a Operação Formosa há anos, tendo realizado diversas coberturas presenciais das atividades do Corpo de Fuzileiros Navais. Neste ano, excepcionalmente, foi impedido de acompanhar o exercício no terreno, assim como outros veículos especializados em Defesa, em razão das restrições adotadas sob o chamado “defeso eleitoral”.

A situação demonstra também a importância da presença da imprensa especializada em exercícios militares dessa dimensão. O acompanhamento presencial permite compreender o ambiente operacional, contextualizar ocorrências e, sobretudo, oferecer uma resposta jornalística rápida diante da circulação de informações não confirmadas.

O GBN Defense permanece atento e aguarda eventuais esclarecimentos adicionais da Marinha do Brasil sobre a ocorrência.


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terça-feira, 22 de setembro de 2026

FAB localiza helicóptero PP-MGR desaparecido na serra de Santa Catarina

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A Força Aérea Brasileira (FAB) localizou nesta terça-feira (22) os destroços do helicóptero Bell 430, matrícula PP-MGR, desaparecido desde segunda-feira (21) durante um voo entre Porto Belo e São Joaquim, em Santa Catarina. A aeronave foi encontrada na região de Urubici após o trabalho de coordenação e busca conduzido pelo Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba (ARCC-CW), o Salvaero Curitiba.

A localização ocorreu a partir do emprego de um SC-105 Amazonas, operado pelo Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV) — Esquadrão Pelicano, de Campo Grande (MS). A aeronave acumulou aproximadamente 13 horas de voo na ocorrência e, durante uma das missões, identificou os destroços do helicóptero e orientou outra aeronave envolvida na operação, que estava mais próxima do ponto localizado.

O resultado evidencia uma das principais características do sistema brasileiro de Busca e Salvamento (SAR): a combinação de aeronaves com capacidades distintas dentro de uma mesma operação. O SC-105 Amazonas é empregado para missões de busca em grandes áreas, utilizando sensores e sistemas de missão destinados à localização e identificação de aeronaves, embarcações e pessoas, enquanto helicópteros permitem uma aproximação mais precisa e atuação direta sobre a área encontrada.

Na ocorrência em Santa Catarina, essa segunda capacidade foi representada pelo H-60 Black Hawk do Quinto Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (5º/8º GAV) — Esquadrão Pantera, de Santa Maria (RS). A aeronave permaneceu empregada sobre o local dos destroços após a localização, permitindo o prosseguimento das ações na área de ocorrência.

A definição do setor de busca ficou sob responsabilidade do Salvaero Curitiba, que realizou as etapas de investigação operacional, análise das informações disponíveis e planejamento para delimitar a região com maior probabilidade de localização. Esse processo é fundamental em ocorrências desse tipo, especialmente em áreas montanhosas, onde relevo, vegetação, condições meteorológicas e limitações de visibilidade podem reduzir significativamente a eficiência da busca visual.

Com a localização do PP-MGR, a ocorrência entra também na etapa de investigação aeronáutica. Investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), em Brasília, e do Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA V), em Canoas (RS), foram acionados para realizar a Ação Inicial no local.

Essa atividade envolve a coleta e confirmação de dados, o levantamento das condições encontradas na área, a documentação dos danos e a obtenção de informações relevantes para a investigação. A Ação Inicial não representa, por si só, uma conclusão sobre as causas do acidente, e os possíveis fatores contribuintes somente poderão ser estabelecidos após a análise técnica do conjunto de evidências reunidas pelos investigadores.

O emprego do SC-105 e do H-60 durante a ocorrência também demonstra a importância de manter disponíveis meios especializados para operações SAR em diferentes ambientes. O Amazonas proporciona capacidade de permanência e busca sobre grandes extensões, enquanto o Black Hawk oferece mobilidade e capacidade de acesso a áreas restritas, permitindo que a resposta seja adaptada à evolução da ocorrência.

Para o Brasil, que possui dimensões continentais, extensa área marítima e regiões de difícil acesso terrestre, a manutenção dessa capacidade depende não apenas da existência das plataformas, mas da disponibilidade operacional, treinamento das tripulações, infraestrutura, manutenção e atualização contínua dos sistemas de missão. A continuidade dos investimentos nesses componentes é determinante para preservar a capacidade de resposta quando uma aeronave ou embarcação desaparece em uma área de localização complexa.

A ocorrência em Santa Catarina termina, portanto, com a localização do PP-MGR e o início da investigação conduzida pelo CENIPA e pelo SERIPA V. A determinação das circunstâncias do acidente dependerá agora do trabalho dos investigadores, sem que informações preliminares sejam confundidas com conclusões técnicas.


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Com FAB


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Türkiye sinaliza apoio militar à Arábia Saudita em meio à escalada dos ataques houthis

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A Türkiye sinalizou disposição para atender eventuais necessidades militares da Arábia Saudita diante da intensificação dos ataques conduzidos pelos houthis a partir do Iêmen. A manifestação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, em entrevista à emissora NTV, poucas semanas após a assinatura do Acordo de Defesa Conjunta de Meca, firmado por Türkiye, Arábia Saudita e Paquistão.

Segundo Fidan, os ataques representam uma ameaça à integridade territorial e à soberania saudita. O chanceler afirmou que Riad pode apresentar necessidades militares, particularmente em áreas técnicas, acrescentando que Ancara não teria dificuldades em atendê-las. A declaração, entretanto, não especificou quais sistemas ou capacidades poderiam ser disponibilizados nem indicou o envio de forças turcas para operações de combate.

O acordo estabelece que um ataque armado contra qualquer um dos três signatários será considerado um ataque contra os demais. Formalizado em agosto, o mecanismo prevê maior coordenação política e militar entre os países e permanece aberto à expansão, sem substituir formalmente as alianças já existentes de seus integrantes.

A crise coloca esse novo arranjo de segurança diante de uma situação concreta. Os houthis ampliaram os ataques contra território saudita desde julho, empregando mísseis e drones contra alvos que incluem áreas urbanas, infraestrutura energética e instalações relacionadas ao transporte. Em 19 de setembro, o grupo reivindicou ataques contra locais considerados sensíveis em Riad, enquanto imagens registraram uma grande coluna de fumaça nas proximidades do principal aeroporto da capital.

Para a Arábia Saudita, o desafio envolve a capacidade de detectar, acompanhar e interceptar diferentes tipos de ameaça, mantendo protegidos centros urbanos, instalações críticas e infraestrutura energética. A evolução dos conflitos recentes reforçou a importância de defesa aérea em camadas, sensores, guerra eletrônica, sistemas antidrones e vigilância permanente, áreas nas quais a indústria de defesa turca desenvolveu um amplo portfólio.

Embora Fidan não tenha detalhado quais seriam as possíveis necessidades sauditas, a indústria de Türkiye dispõe de soluções em diferentes segmentos dessa arquitetura, incluindo sistemas de defesa antiaérea, radares, guerra eletrônica, veículos aéreos não tripulados, munições guiadas e plataformas de ataque. Qualquer eventual fornecimento dependeria de definições políticas e técnicas entre Ancara e Riad.

A possibilidade de apoio também amplia o peso de Türkiye na equação de segurança do Golfo. O país reúne uma ampla base industrial de defesa e capacidade de desenvolver e produzir sistemas destinados a diferentes níveis de uma arquitetura militar integrada, enquanto a Arábia Saudita busca ampliar seus recursos diante de ameaças provenientes de mísseis e drones.

Islamabad, por sua vez, mantém uma posição mais cautelosa quanto a uma eventual resposta militar. O governo paquistanês afirmou que não havia discussões sobre uma reação militar em razão dos ataques houthis, embora tenha reiterado que cumprirá seus compromissos quando necessário. A posição indica que qualquer resposta conjunta dependeria de decisões específicas dos governos envolvidos.

A posição de Ancara também precisa ser observada à luz da tentativa de evitar uma ampliação do conflito regional. Fidan afirmou ser inaceitável que a Arábia Saudita seja arrastada para a guerra entre Estados Unidos e Irã e disse que propostas para interromper os combates foram apresentadas às partes envolvidas. Ao mesmo tempo, a Türkiye condenou os ataques houthis e pediu sua interrupção imediata.

O cenário ganha ainda maior complexidade diante das consequências sobre o comércio e o setor energético. A combinação entre a instabilidade no Mar Vermelho e as restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz aumenta a importância das rotas alternativas para a exportação de petróleo do Golfo e amplia o impacto de qualquer ataque contra infraestrutura saudita ou contra a navegação regional.

A movimentação britânica reforça que Riad já busca ampliar o apoio externo à sua defesa. Em 21 de setembro, o Reino Unido anunciou que atenderá a um pedido saudita para fornecer apoio defensivo de reabastecimento aéreo, com o emprego de uma aeronave Voyager por período limitado. Londres também havia deslocado anteriormente o sistema Sky Sabre para a Arábia Saudita diante das ameaças de mísseis na região.

A declaração de Hakan Fidan não representa, portanto, a entrada formal de Türkiye na campanha militar contra os houthis. O movimento indica, porém, que a cooperação entre Ancara, Riad e Islamabad começa a ser confrontada pelas pressões concretas do ambiente estratégico do Oriente Médio, enquanto a capacidade industrial turca surge como uma possível ferramenta para atender às necessidades defensivas sauditas.


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FAB emprega H-60L Black Hawk e SC-105 Amazonas nas buscas por helicóptero encontrado na Serra Catarinense

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A Força Aérea Brasileira (FAB) empregou meios especializados de Busca e Salvamento (SAR) na operação que resultou na localização do helicóptero Bell 430, matrícula PP-MGR, desaparecido desde a tarde de segunda-feira (21), durante um voo entre Porto Belo e a região de São Joaquim, em Santa Catarina. Os destroços foram encontrados nesta terça-feira (22), na Serra Catarinense, e o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina confirmou a localização de cinco corpos.

Entre os principais meios empregados pela FAB estiveram o H-60L Black Hawk e o SC-105 Amazonas, integrados à estrutura especializada do Esquadrão Pelicano, o 2º Esquadrão do 10º Grupo de Aviação (2º/10º GAV). A combinação de aeronaves de asa fixa e rotativa permitiu ampliar a capacidade de procura aérea e apoiar a delimitação das áreas prioritárias em uma região marcada por relevo acidentado, mata fechada e condições meteorológicas adversas. A operação foi coordenada pelo Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba (Salvaero Curitiba).

O cantor Rick da dupla Rick e Renner esta entre as vítimas

Na configuração empregada pela FAB, o SC-105 Amazonas é uma plataforma dedicada à Busca e Salvamento, equipada com radar de busca, sensores eletro-ópticos, sistemas de comunicação e outros recursos destinados à localização de aeronaves, embarcações e pessoas. Derivado do C-295, o vetor oferece autonomia e capacidade de permanência sobre a área de interesse, características que permitem realizar varreduras extensas e trabalhar com diferentes informações obtidas durante a missão.

O H-60L Black Hawk cumpre uma função complementar, especialmente relevante em terrenos restritos. A aeronave pode operar em baixa velocidade, pairar e aproximar-se de áreas onde aeronaves de asa fixa não conseguem atuar diretamente, além de contar com equipamentos específicos para missões de resgate. Essa flexibilidade permite apoiar a localização e, quando necessário, o acesso às áreas identificadas.

A definição dos setores prioritários ocorreu de forma progressiva. Os primeiros esforços se concentraram na região de Vacas Gordas, em Urubici, depois de informações sobre uma possível queda. Posteriormente, o cruzamento de dados relacionados ao último sinal de celular de um dos ocupantes levou as equipes a ampliar a procura em direção ao Morro Agudo, em uma área situada a aproximadamente 30 quilômetros do primeiro ponto.

No solo, mais de 20 bombeiros participaram da operação, apoiados por sete viaturas, drones equipados com câmeras térmicas e cães de busca. O mau tempo, a baixa visibilidade, a vegetação fechada e as dificuldades de acesso aumentaram a complexidade da missão e limitaram, em determinados momentos, o emprego dos meios aéreos, fazendo com que as equipes terrestres mantivessem a procura durante a madrugada.

A localização dos destroços encerrou a etapa de procura da aeronave e iniciou uma nova fase da ocorrência, voltada ao acesso ao local, recuperação dos corpos e preservação das informações necessárias às investigações. A identidade da quinta vítima ainda não havia sido divulgada nas primeiras informações após a localização, enquanto Rick Sollo, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares e o piloto estavam entre os ocupantes já identificados publicamente.

A ocorrência também evidencia a importância dos meios especializados disponíveis no Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico. Em setembro, um SC-105 do Esquadrão Pelicano localizou, a aproximadamente 480 quilômetros de Fortaleza, uma embarcação pesqueira que estava sem contato havia sete dias. Naquela missão, radar, sensores e sistemas de comunicação contribuíram para a identificação inicial do alvo, posteriormente confirmada pelos Observadores SAR.

Em Santa Catarina, a combinação entre sensores, aeronaves, informações de telefonia e equipes terrestres permitiu reduzir progressivamente a área de procura até a localização da aeronave. O episódio demonstra, na prática, que uma operação SAR depende de uma cadeia de capacidades que vai muito além da disponibilidade de uma única plataforma, envolvendo coordenação, treinamento, comunicações, inteligência de localização e meios capazes de atuar em diferentes ambientes.

Para um país com dimensões continentais, extensa costa e regiões de difícil acesso, manter essa estrutura exige disponibilidade operacional e atualização permanente. Aeronaves especializadas, sensores e sistemas de comunicação precisam ser acompanhados por manutenção, treinamento e infraestrutura capazes de preservar sua prontidão ao longo dos anos.

A evolução dos meios da FAB, com a incorporação de novas tecnologias e plataformas, amplia gradualmente essa capacidade. A continuidade desses programas, dentro de um planejamento de longo prazo e com previsibilidade para sua manutenção e modernização, é o que permite transformar equipamentos disponíveis em uma resposta efetiva quando uma emergência exige sua utilização.

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