O segundo protótipo do HÜRJET (P2), realizou um teste em voo utilizando o radar AESA MURAD da ASELSAN, no qual detectou, acompanhou e travou o primeiro protótipo (P1). O ensaio demonstra uma função específica do sistema de radar integrada à aeronave, mas não representa, isoladamente, a obtenção de uma capacidade operacional de combate pelo HÜRJET.
Durante a atividade, o P2 utilizou o MURAD para adquirir e acompanhar o P1 como alvo aéreo e posteriormente realizar o travamento do alvo. O cenário permitiu avaliar em condições reais de voo a interação entre radar, aeronave e alvo, mas não envolveu lançamento de armamento nem demonstração de uma sequência completa de engajamento ar-ar.
A importância do teste está na integração do radar AESA à plataforma e na validação de uma etapa necessária para uma eventual configuração de combate. O HÜRJET foi originalmente desenvolvido como aeronave de treinamento avançado, e a incorporação de um radar dessa categoria amplia o caminho tecnológico disponível para futuras versões, mas não altera por si só a classificação operacional atual da aeronave.
A possibilidade de uma configuração de combate leve contempla a utilização do MURAD em conjunto com armamentos ar-ar, entre eles o GÖKDOĞAN, destinado a engajamentos além do alcance visual, e o BOZDOĞAN, voltado ao combate de menor alcance. Esses sistemas fazem parte do conceito de uma futura configuração armada e não foram empregados no ensaio realizado entre os dois protótipos.
A evolução para uma aeronave efetivamente empregável em combate exigirá a integração e qualificação de um conjunto muito mais amplo de sistemas, incluindo sensores, sistema de missão, enlaces de dados, armamentos, integração de tiro e procedimentos operacionais. O teste realizado com o P2 valida apenas uma etapa dessa cadeia.
O desenvolvimento do HÜRJET também contempla diferentes configurações e mercados. A Espanha selecionou a aeronave para sua futura plataforma de treinamento avançado, denominada Saeta II no programa espanhol. A eventual adoção de uma configuração de combate leve constitui uma questão distinta e não deve ser confundida com o programa espanhol de treinamento.
Outra derivação prevista é a versão naval do HÜRJET, destinada a operações a partir do futuro porta-aviões MUGEM. A configuração embarcada exigirá alterações específicas na estrutura e nos sistemas da aeronave, mas seu desenvolvimento permanece separado da capacidade demonstrada no atual teste do radar.
A tecnologia AESA empregada no HÜRJET também faz parte da expansão dos sensores desenvolvidos pela indústria turca para outras plataformas. A TUSAŞ prevê a integração do radar MURAD 100-A ao ANKA III, associada a uma configuração de maior capacidade de carga útil, autonomia ampliada e possibilidade de emprego de armamentos ar-ar.
O teste realizado pelo P2 representa, portanto, uma demonstração de integração e funcionamento do MURAD em uma situação real de voo, com detecção, acompanhamento e travamento de outro avião. A transformação dessa capacidade técnica em uma capacidade operacional de combate dependerá das etapas posteriores de desenvolvimento, integração, ensaios e qualificação da configuração correspondente.
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