quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Exército testa drone com munição anticarro em campanha conduzida pelo CTEx

 

O Exército Brasileiro realizou em 14 de setembro, uma campanha de testes com um drone equipado com munição anticarro, colocando em avaliação uma solução destinada ao emprego contra veículos blindados. A atividade foi conduzida pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx), em parceria com a empresa CSD, no Centro de Avaliações do Exército (CAEx).

O projeto contempla um drone bombardeiro desenvolvido para transportar e lançar uma munição anticarro. A primeira etapa da campanha consistiu em um ensaio estático da cabeça de guerra equipada com carga oca HEAT (High Explosive Anti-Tank), no qual foi verificada a capacidade de perfuração contra placas de aço utilizadas como representação da estrutura de um blindado.

Na sequência, o sistema foi submetido a um lançamento cinético real da munição a partir da plataforma aérea. Segundo o CTEx, o vetor cumpriu a missão mesmo sob condições meteorológicas adversas, com presença de vento e precipitação, permitindo verificar seu comportamento durante a operação.

O ensaio avaliou parâmetros como estabilidade aerodinâmica, segurança do emprego e funcionamento da munição, além da integração entre os diferentes sistemas envolvidos. A realização do lançamento real representa uma etapa distinta dos ensaios laboratoriais, pois permite verificar o comportamento do conjunto em condições efetivas de operação.

O desenvolvimento ganha relevância diante de informações obtidas pelo GBN Defense no início deste ano. Na ocasião, fontes ligadas ao setor de Defesa informaram que o Exército Brasileiro buscava uma solução baseada em drones para ampliar sua capacidade anticarro, considerando inclusive possibilidades de emprego associadas ao EE-9 Cascavel e a outros veículos blindados.

A proposta identificada pelas fontes tinha como princípio acrescentar um vetor aéreo às capacidades já disponíveis nas unidades mecanizadas, sem substituir o armamento orgânico dos veículos. A utilização de um sistema desse tipo poderia proporcionar uma alternativa adicional para o engajamento de alvos blindados, dependendo do alcance, sensores, munição e conceito operacional definidos para a solução.

O Exército, entretanto, não informou que o sistema testado pelo CTEx será integrado ao Cascavel. Também não foram divulgados até o momento uma decisão de aquisição, configuração operacional definitiva ou cronograma para sua eventual incorporação às unidades. O dado oficialmente confirmado é o desenvolvimento e o teste de uma plataforma aérea destinada ao emprego de munição anticarro.

A escolha de uma cabeça de guerra HEAT direciona o projeto para uma função específica no campo de batalha. Esse tipo de carga utiliza o efeito de jato formado pela detonação para concentrar energia sobre uma área reduzida do alvo, sendo empregado historicamente em diferentes sistemas destinados ao combate de veículos blindados.

O projeto também se insere em um processo mais amplo de transformação da capacidade terrestre brasileira. Enquanto o Exército avança na incorporação do Centauro II e na modernização de diferentes segmentos de sua frota, como o EE-9  Cascavel NG, o desenvolvimento de sistemas não tripulados cria possibilidades para ampliar as capacidades das formações mecanizadas sem concentrar todas as funções de reconhecimento, aquisição de alvos e engajamento em uma única plataforma.

A dimensão tecnológica do programa também merece destaque. O trabalho conduzido pelo CTEx em parceria com a CSD, empresa da Base Industrial de Defesa, permite desenvolver e testar no Brasil uma solução que reúne plataforma aérea, sistema de lançamento e armamento. Para o Exército, esse domínio tecnológico está diretamente relacionado ao objetivo de ampliar a autonomia nacional em áreas consideradas estratégicas para a Defesa.

O teste realizado em setembro estabelece, portanto, uma conexão concreta com uma demanda que já havia sido identificada pelo GBN Defense meses antes. Naquele momento, as informações recebidas apontavam para a busca de uma solução aérea capaz de complementar a capacidade anticarro das tropas blindadas e mecanizadas. Agora, as evidências confirmam que o Exército Brasileiro trabalha no desenvolvimento de um drone equipado com munição específica para esse emprego e o sistema já foi submetido aos primeiros testes.

Ainda não está definido qual será o destino operacional dessa tecnologia, o prazo de conclusão de desenvolvimento ou se ela será incorporada às plataformas atualmente empregadas pela Força Terrestre. A campanha realizada pelo CTEx, contudo, representa uma etapa objetiva no desenvolvimento da capacidade que combina sistemas não tripulados e armamento anticarro, ampliando o conjunto de tecnologias que o Exército brasileiro avalia para o futuro do combate terrestre.


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