O litoral do Rio Grande do Sul foi transformado, entre os dias 10 e 21 de agosto, em cenário para o treinamento de militares da Marinha do Brasil destinados a atuar em condições de clima frio. Sob apoio do Comando do 5º Distrito Naval, o Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC) conduziu, nas regiões de Rio Grande e São José do Norte, o Exercício no Terreno de Clima Frio do Curso Especial de Comandos Anfíbios (C-Esp-ComAnf/2026), atividade voltada à preparação de oficiais e praças para o planejamento e a execução de Operações Especiais de Fuzileiros Navais em um ambiente que impõe desafios particulares à mobilidade, sobrevivência e condução das ações.
A escolha do extremo sul do País permite aos alunos experimentar, em condições reais, características distintas daquelas encontradas em outros ambientes operacionais. Durante o exercício, os militares receberam instruções relacionadas às particularidades da região e realizaram treinamentos de atendimento pré-hospitalar, salvamento aquático e técnicas de entrada e saída da zona de arrebentação, tanto a nado quanto empregando embarcações de desembarque pneumáticas. A preparação combina conhecimento do ambiente, resistência física e domínio técnico, elementos essenciais para uma tropa que precisa operar com elevado grau de autonomia e sob condições adversas.
O treinamento alcançou seu ponto culminante com a Operação Minuano, exercício concebido para reproduzir, de maneira integrada, o planejamento e a execução de uma Operação Especial inserida no contexto de uma Operação Anfíbia. A atividade envolveu o embarque dos militares em meios navais, seguido por infiltrações marítima e terrestre, ação de comandos e posterior retirada para as linhas amigas, reunindo em uma mesma sequência diferentes capacidades desenvolvidas ao longo do curso.
Para que a operação pudesse reproduzir as condições de uma missão real, o exercício contou com o emprego coordenado de diversas Organizações Militares subordinadas ao Comando do 5º Distrito Naval. Entre elas estiveram a Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul, o 5º Batalhão de Operações Litorâneas de Fuzileiros Navais e o Grupamento de Patrulha Naval do Sul, que participou por meio do Navio de Apoio Oceânico Mearim. O componente aéreo ficou a cargo do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Sul (EsqdHU-51), ampliando as possibilidades de inserção, apoio e movimentação das equipes empregadas na operação.
A integração entre meios navais, tropas de Fuzileiros Navais e aviação de emprego geral é particularmente relevante para o treinamento de Comandos Anfíbios, uma vez que operações especiais dessa natureza dependem da capacidade de inserir pequenas frações em áreas controladas ou de difícil acesso, executar a missão e realizar a retirada sem comprometer a força empregada. Nesse contexto, o domínio das diferentes formas de infiltração e a coordenação entre os componentes marítimo, terrestre e aéreo são elementos fundamentais para a eficiência operacional.
As atividades realizadas na Praia do Cassino também contaram com a participação do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul, que contribuiu para as instruções relacionadas ao ambiente aquático. O apoio de uma força especializada em salvamento e atendimento em áreas costeiras amplia a qualidade do treinamento, especialmente em uma região onde as condições do mar e da zona de arrebentação podem representar riscos significativos para a movimentação de pessoal e equipamentos.
O Exercício no Terreno de Clima Frio integra a formação do Curso Especial de Comandos Anfíbios, conduzido pela Escola de Operações Especiais do CIASC. Com duração total de 34 semanas, o curso tem como objetivo preparar oficiais e praças da Marinha do Brasil para o planejamento e a execução de Operações Especiais de Fuzileiros Navais, exigindo dos alunos elevado nível de preparo técnico, físico e psicológico.
A realização de uma etapa específica em ambiente de clima frio demonstra a preocupação da Marinha em ampliar a capacidade de seus Comandos Anfíbios para atuar em diferentes cenários geográficos e operacionais. No litoral sul brasileiro, os militares são submetidos não apenas às condições meteorológicas características da região, mas também à necessidade de adaptar procedimentos de infiltração, deslocamento, sobrevivência e emprego de meios às particularidades do terreno e do mar.
Mais do que uma atividade isolada de adestramento, a Operação Minuano encerrou uma etapa de formação que buscou aproximar os alunos das condições encontradas em uma operação especial real. A combinação entre ambiente de clima frio, operações anfíbias, infiltrações marítima e terrestre, emprego de meios navais e apoio aéreo permite avaliar a capacidade dos futuros Comandos Anfíbios de integrar diferentes competências e tomar decisões sob pressão, mantendo a precisão necessária para o cumprimento da missão.
O exercício reforça, assim, a importância da preparação especializada das tropas de Operações Especiais da Marinha do Brasil e da integração entre as organizações militares do 5º Distrito Naval. Ao utilizar o litoral gaúcho como ambiente de treinamento, a Força amplia a experiência operacional de seus militares e mantém a capacidade de empregar seus Comandos Anfíbios em diferentes condições de terreno, clima e ameaça.
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Com Marinha do Brasil










