O GBN Defense acompanhou o Apronto Operacional da Operação Membeca 2026, realizado no Campo de Instrução de Gericinó no Rio de Janeiro, onde tropas do Comando Militar do Leste apresentaram suas capacidades operacionais em uma demonstração que reuniu meios de aviação, artilharia, reconhecimento, tropas especializadas e forças mecanizadas. A cobertura acompanhou desde a formação inicial da tropa e os discursos das autoridades militares até a demonstração dinâmica e a coletiva concedida pelo Comandante do Exército aos jornalistas presentes.
Mais do que uma apresentação militar, o evento serviu como uma oportunidade para o Exército Brasileiro apresentar sua visão de futuro, destacando os desafios e os caminhos da modernização da instituição diante das transformações observadas no ambiente internacional.
A atividade contou com a presença do Comandante do Exército, General de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, autoridades civis e militares e representantes da imprensa especializada. O exercício marcou uma etapa avançada do ciclo de preparo da Força Terrestre, reunindo tropas de diferentes especialidades e meios empregados em missões de combate, reconhecimento, mobilidade e apoio de fogo.
Durante os discursos que antecederam a demonstração operacional, o Comandante Militar do Leste destacou a importância do preparo contínuo, da disponibilidade permanente e da capacidade de emprego das tropas sob sua responsabilidade.
O comandante ressaltou que a Operação Membeca representa uma fase avançada do processo de instrução militar, reunindo capacidades estratégicas do Exército Brasileiro, como a Brigada de Infantaria Paraquedista, tropas de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear, a Brigada de Infantaria de Montanha e unidades de Operações Especiais.
Em sua fala aos militares formados no terreno, destacou que a profissão militar exige dedicação exclusiva e permanente disponibilidade, ressaltando que aquele momento simbolizava a passagem para uma etapa de adestramento avançado, na qual as tropas atingem condições máximas de prontidão para emprego em qualquer parte do território nacional.
O Comandante do Exército, por sua vez, destacou que a Operação Membeca contará com mais de 4.500 militares em sua plenitude e integra o Programa de Adestramento Avançado coordenado pelo Comando de Operações Terrestres (COTER).
Durante seu pronunciamento, o comandante ressaltou que a demonstração representa a capacidade real da Força Terrestre e reafirmou o compromisso do Exército Brasileiro com sua missão constitucional de defesa da Pátria.
Além de destacar o preparo da tropa, o Comandante do Exército apresentou um panorama sobre a evolução tecnológica da Força, citando sistemas que representam o processo de transformação em andamento, como os mísseis anticarro Javelin e Spike, o míssil anticarro nacional MAX 1.2 AC desenvolvido pela SIATT, os novos meios de Cavalaria com o Centauro II, a ampliação das capacidades da Aviação do Exército com os novos helicópteros UH-60 Black Hawk, sistemas de defesa antiaérea Stinger e o crescimento do emprego de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas.
Após os pronunciamentos, as tropas que estavam formadas diante das autoridades iniciaram o deslocamento para assumir suas posições em campo, dando início à demonstração dinâmica da Operação Membeca 2026.
A imprensa acompanhou a movimentação embarcada em viaturas do Exército Brasileiro, permitindo observar a disposição das tropas no terreno, a organização dos meios e algumas das características operacionais das unidades participantes.
A demonstração teve início com uma operação de resgate aeromóvel utilizando o helicóptero HM-1 Pantera K2 da Aviação do Exército. Na sequência, foram apresentados o emprego de atiradores especializados em tiro de precisão, uma demonstração de apoio de fogo de Artilharia de Campanha com artilharia de tubos, patrulha e reconhecimento utilizando viaturas Lince e VBTP-MR Guarani, lançamento de paraquedistas e, encerrando a atividade, uma ação ofensiva coordenada com blindados e tropas desembarcadas.
Após a demonstração operacional, o Comandante do Exército concedeu entrevista coletiva aos jornalistas presentes. Diferentemente dos discursos anteriores, voltados ao preparo e à motivação da tropa, a coletiva apresentou uma visão mais ampla sobre os desafios estratégicos enfrentados pela Força Terrestre e os programas que irão moldar sua capacidade operacional nas próximas décadas.
Um dos temas abordados foi o futuro da força blindada brasileira. Questionado pelo editor do GBN Defense, Angelo Nicolaci, sobre os estudos relacionados à substituição dos carros de combate Leopard 2A5 BR, o Comandante do Exército destacou que o processo não envolve apenas a escolha de um novo veículo, mas a construção de uma capacidade blindada sustentável.
Segundo o comandante, a experiência dos conflitos recentes demonstra que a efetividade de uma força blindada depende diretamente da capacidade logística, manutenção e disponibilidade operacional.
"O mais importante para o processo de busca de uma nova Força Blindada, uma nova plataforma de carros de combate, é a gente enxergar todas as capacidades que a gente já tem para manter a Força Blindada", afirmou.
O Comandante do Exército destacou que o Brasil atualmente possui duas Brigadas Blindadas operacionais, sustentadas por uma estrutura logística integrada.
"Hoje nós temos duas brigadas blindadas e as duas brigadas, apesar de serem antigas, elas são sustentadas. Elas têm um sistema logístico integrado que permite que elas funcionem", explicou.
Ao comentar sobre a capacidade desses meios diante dos conflitos atuais, o comandante afirmou que os Leopard 2A5 BR ainda possuem valor operacional.
"Hoje eu diria para você que elas estariam combatendo um conflito como o da Ucrânia. Estariam combatendo, mesmo sendo um carro antigo", declarou.
A afirmação demonstra uma visão baseada na capacidade de emprego e sustentação, e não apenas na idade dos equipamentos. Para o Exército Brasileiro, a substituição de uma plataforma blindada exige uma análise de longo prazo envolvendo doutrina, infraestrutura, treinamento, munições, manutenção e integração com outros sistemas.
Questionado sobre as alternativas analisadas, o Comandante do Exército confirmou que diferentes plataformas estão sendo avaliadas.
"A gente tem dúvida de qual a melhor plataforma, se é uma plataforma alemã ou se é uma plataforma turca", afirmou.
Entre as plataformas avaliadas pelo Exército Brasileiro está o Tulpar, desenvolvido pela empresa turca Otokar. A família Tulpar foi concebida como uma plataforma blindada modular, capaz de receber diferentes configurações e acompanhar a evolução tecnológica ao longo de seu ciclo de vida.
Um dos pontos de destaque da plataforma é sua capacidade de receber a torre Leonardo HITFACT Mk II equipada com canhão de 120 mm, a mesma família de torre utilizada no Centauro II adquirido pelo Exército Brasileiro para modernização da Cavalaria.
Essa configuração amplia significativamente o poder de fogo do veículo, permitindo o emprego de munições de 120 mm, integração de sensores modernos, sistemas digitais de gerenciamento do campo de batalha e recursos avançados de controle de tiro. A solução representa uma alternativa dentro da tendência internacional de desenvolvimento de plataformas blindadas médias de alta capacidade, combinando mobilidade, proteção e poder de fogo.
A definição de uma futura plataforma, entretanto, envolve fatores que vão além do desempenho do veículo. Aspectos como transferência tecnológica, participação da indústria nacional, sustentabilidade logística, custos operacionais e integração com os meios existentes serão determinantes no processo decisório conduzido pelo Estado-Maior do Exército, Alto Comando do Exército e Ministério da Defesa.
Outro tema estratégico abordado durante a coletiva foi a ampliação das capacidades relacionadas aos Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas.
O Comandante do Exército revelou que a aquisição de drones de maior capacidade está entre os processos mais avançados atualmente conduzidos pela Força, com especial interesse em plataformas que possam atuar também em missões ofensivas.
"O que está muito adiantado de aquisição é uma conversa sobre drones. Nós temos a Turquia, drones de ataque, drones de capacidade maior, capacidade 3, como por exemplo os drones que têm capacidade de atacar. Esse é o nosso principal interesse", afirmou.
A declaração representa uma mudança importante na visão brasileira sobre sistemas remotamente pilotados. Além das tradicionais missões de reconhecimento e vigilância, os drones passaram a assumir papel central nos conflitos modernos, sendo empregados para aquisição de alvos, ataques de precisão e ampliação da consciência situacional.
A referência à Türkiye demonstra o interesse brasileiro por soluções que já apresentam maturidade operacional e que foram testadas em diferentes cenários, acompanhando uma tendência observada nos principais exércitos do mundo.
O comandante também destacou a necessidade de ampliar a capacidade de vigilância e reconhecimento das fronteiras brasileiras, empregando sistemas capazes de fornecer maior consciência situacional em um território de dimensões continentais.
Na área de poder de fogo, o Comandante do Exército destacou durante o discurso inicial a evolução da capacidade anticarro brasileira, citando a incorporação de sistemas internacionais como Javelin e Spike, além do desenvolvimento nacional representado pelo MAX 1.2 AC, desenvolvido pela SIATT.
A incorporação de um sistema nacional nesse segmento reforça a importância estratégica da Base Industrial de Defesa brasileira, reduzindo dependências externas em capacidades críticas e ampliando o domínio tecnológico nacional.
Durante a coletiva, o Comandante do Exército abordou o Programa Centauro II, destacando o planejamento para aquisição de 98 viaturas blindadas 8x8, além da modernização dos EE-9 Cascavel conduzida pelo Arsenal de Guerra de São Paulo.
Segundo o comandante, a atualização dos Cascavel deverá incorporar novos sistemas eletrônicos e ampliar suas capacidades, incluindo a integração de armamentos anticarro, elevando seu desempenho operacional enquanto permanece em serviço.
Outro ponto abordado foi a retomada das atividades da Avibras, tema questionado pelo editor do GBN Defense. O Comandante do Exército destacou a importância estratégica da empresa para o Brasil e para o Sistema ASTROS.
Segundo o comandante, recursos estão sendo destinados para garantir a continuidade da aquisição de munições para o sistema de foguetes e mísseis, enquanto o Míssil Tático de Cruzeiro MTC-300 se aproxima da fase final antes da entrada em operação.
"A notícia da retomada da Avibras é uma notícia muito boa para a defesa do Brasil e para o nosso sistema de defesa", afirmou.
As declarações realizadas durante a Operação Membeca 2026 revelam uma Força Terrestre em processo de transformação, buscando equilibrar a manutenção das capacidades existentes com a incorporação gradual de novas tecnologias.
A renovação da força blindada, a adoção de sistemas não tripulados com maior capacidade, a evolução dos meios anticarro e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa aparecem como pilares centrais da estratégia do Exército Brasileiro para manter sua prontidão e ampliar sua capacidade de resposta diante dos desafios do futuro.
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