Também levou sua experiência ao Porto de Santos, operando embarque e desembarque de veículos para a Kawasaki Line, ampliando sua atuação nos principais eixos logísticos do país.
À frente da SPA Shipping Operadores Portuários, participou de um momento decisivo da modernização portuária nacional, sendo parte da introdução e consolidação do sistema Roll-on/Roll-off no Brasil, contribuindo para trazer mais eficiência e integração aos padrões internacionais.
No Rio de Janeiro, esteve envolvido na operação de navios de armadores como Grimaldi, Kawasaki Line e Wallenius, sempre com atenção aos detalhes e profundo conhecimento técnico, atingindo um nível de qualidade incomparável.
Mas sua atuação não se limitava à operação. Defendia a modernização dos portos brasileiros, ao mesmo tempo em que valorizava a mão de obra portuária, entendendo que eficiência e respeito ao trabalhador caminham juntos. Sua visão buscava equilíbrio entre avanço estrutural e responsabilidade com as pessoas que fazem o porto acontecer.
Mesmo nos últimos anos, mantinha o olhar voltado para o futuro. Via no sistema feeder uma solução natural para o Brasil. Acreditava na integração entre portos, na redução da dependência do transporte rodoviário e uma logística mais eficiente, segura e competitiva. Enxergava no mar um caminho estratégico para superar limitações históricas do país.
Nos anos 2000, buscou transformar essa visão em realidade por meio da Argos Navegação S.A., com o projeto de uma linha feeder conectando Salvador, Vitória e Rio de Janeiro, utilizando o navio MV Viva América, posteriormente rebatizado como MV Borodine.
Era uma proposta simples na essência, mas profunda em impacto. Infelizmente, o destino não permitiu que ele visse o pleno florescer dessa semente. O Comandante Ângelo veio a falecer em 5 de abril de 2005, deixando o projeto do sistema feeder como um desafio inacabado para o país. Ele partiu como viveu: com o olhar fixo no horizonte, planejando a próxima rota, sem jamais ancorar sua mente no passado.
Embora seu nome possa não figurar em registros frios de organizações portuárias, seu legado, no entanto, permanece presente nas operações, nas ideias que continuam atuais e na memória de quem conviveu com sua forma de pensar e agir.
Bravo Zulu, Comandante Angelo. Sua última rota traçada ainda é o caminho que o Brasil precisa seguir.
Por Angelo Nicolaci







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