A indústria espacial brasileira avança na articulação de competências para desenvolver soluções nacionais de monitoramento ambiental. A Fundação Ezute, Concert Space, HORUSEYE TECH, TR Radares e CRON Sistemas assinaram, em 20 de outubro, na sede da Ezute, em São Paulo, um Memorando de Entendimentos (MoU) para cooperar no desenvolvimento da Missão ATTOSat, iniciativa que prevê a construção, o lançamento e a operação de um satélite de pequeno porte dedicado à observação atmosférica e climática da Amazônia.
A proposta busca ampliar a capacidade de obtenção de dados sobre fenômenos que influenciam o clima e a qualidade do ar na região. Entre os parâmetros previstos estão aerossóis, formação de nuvens, queimadas e poluição atmosférica, além da possibilidade de monitoramento de gases de efeito estufa. Essas informações poderão subsidiar pesquisas científicas, aprimorar o acompanhamento de fenômenos ambientais e oferecer elementos técnicos para políticas públicas de preservação e enfrentamento das mudanças climáticas.
O projeto reúne empresas e instituições com competências distintas, em uma estrutura de cooperação voltada ao desenvolvimento de uma missão espacial completa. A participação da Fundação Ezute acrescenta experiência em engenharia de sistemas e gestão de projetos complexos, enquanto as demais organizações integram o conjunto de capacidades tecnológicas reunidas para viabilizar a iniciativa.
Para o diretor-presidente da Fundação Ezute, Roberto Lorenzoni, a cooperação representa uma oportunidade de aplicar conhecimento e tecnologia nacionais a um desafio de interesse público. A iniciativa, segundo ele, busca conectar inovação e desenvolvimento tecnológico à produção de informações capazes de apoiar a ciência, a preservação ambiental e a tomada de decisões.
Na avaliação de Rafael Mordente, CEO da Concert Space, a entrada da Ezute fortalece a estruturação da missão. O executivo ressaltou que a experiência da fundação em engenharia de sistemas e gestão de projetos complexos complementa as competências já reunidas pelo grupo e contribui para organizar as próximas etapas do desenvolvimento.
O planejamento do ATTOSat contempla todo o ciclo de vida da missão, desde o desenvolvimento e a integração dos sistemas até o lançamento, os testes em órbita e a operação do satélite. A iniciativa também prevê uma infraestrutura terrestre para receber, processar e disponibilizar os dados coletados, com período de operação planejado de pelo menos dois anos.
Um marco importante ocorreu no primeiro semestre de 2026, quando o projeto foi admitido pela Agência Espacial Brasileira (AEB) na Carteira de Qualificação do ProSAME. Essa etapa permite avançar para estudos mais aprofundados de viabilidade técnica, científica e orçamentária, mas não representa, por si só, aprovação definitiva de financiamento ou autorização para lançamento.
O desenvolvimento do ATTOSat evidencia a importância de reunir competências nacionais para transformar conhecimento científico em capacidade tecnológica. Para a Amazônia, uma região de dimensões continentais e marcada por fenômenos ambientais complexos, a disponibilidade de dados obtidos por satélite poderá ampliar os instrumentos de observação e análise. Para o setor espacial brasileiro, a iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer a participação da indústria nacional em uma missão que integra engenharia, tecnologia espacial e aplicações ambientais.
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