A Navantia realizou neste domingo (25) no estaleiro de San Fernando, na Espanha, a botadura da corveta HMS Neom, sétima unidade construída pela empresa para a Marinha Real Saudita. O navio é o segundo de uma nova série de três corvetas contratadas para dar continuidade ao programa naval saudita, que já havia contemplado cinco unidades da classe Avante 2200.
A cerimônia contou com a presença do vice-almirante Mohammed bin Abdulrahman Al-Ghuraybi, comandante da Marinha Real Saudita, do presidente da Navantia, Ricardo Domínguez, e da embaixadora saudita na Espanha, princesa Haifa bint Abdulaziz Al Muqrin. Segundo informações divulgadas pela imprensa espanhola, a botadura integra o calendário industrial do programa, que prevê o lançamento de um navio a cada quatro meses.
Com aproximadamente 104 metros de comprimento e 14 metros de boca, a família Avante 2200 foi concebida para missões de vigilância marítima, controle do tráfego naval, busca e salvamento e apoio a outras embarcações. As corvetas também foram projetadas para cumprir missões de defesa antissubmarino, antiaérea e antissuperfície, além de guerra eletrônica e proteção de ativos estratégicos.
O programa incorpora sistemas desenvolvidos ou integrados pela indústria espanhola, incluindo o sistema de combate HAZEM, fornecido por meio da joint venture SAMI Navantia; o sistema de comunicações HERMESYS; a direção de tiro DORNA; o sistema integrado de controle da plataforma; e a ponte integrada MINERVA. A propulsão utiliza motores fabricados sob licença da MTU, enquanto os grupos geradores e as caixas redutoras também integram a configuração industrial do projeto.
A botadura, entretanto, não representa a conclusão do navio. A Neom ainda deverá passar pelas etapas de integração de sistemas, provas de mar e preparação de sua tripulação antes de alcançar a plena capacidade operacional.
Construção naval e transferência de capacidades
O segundo contrato compreende três corvetas, com entregas previstas até 2029. A Navantia será responsável pela entrega da primeira unidade, enquanto a Neom e a terceira embarcação serão finalizadas na Arábia Saudita, incluindo a instalação, integração e testes do sistema de combate. O modelo amplia a participação industrial saudita e acompanha a estratégia do país de desenvolver competências próprias no setor de defesa.
O contrato prevê aproximadamente quatro milhões de horas de trabalho na região da Baía de Cádiz, além de apoio logístico integrado, treinamento das tripulações e formação de cerca de cem engenheiros sauditas. O programa também contempla um período de avaliação operacional na base naval espanhola de Rota, com suporte da Navantia.
A continuidade do projeto demonstra que a relação entre a empresa espanhola e a Marinha Real Saudita ultrapassou a construção isolada de plataformas. Ao combinar produção naval, suporte logístico, capacitação técnica e conclusão de parte dos trabalhos no país comprador, o programa estabelece uma relação industrial de longo prazo, na qual a exportação do navio é apenas uma etapa do ciclo de vida do sistema de defesa.
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