sexta-feira, 17 de abril de 2026

Entrevista com um dos fundadores da Mectron e da SIATT

Recentemente, um dos fundadores da Mectron e da SIATT, Carlos Alberto de Paiva Carvalho, deu uma entrevista no X (antigo Twitter) para o milblogger 2S7 Pion.

Segue abaixo a tradução


(Entrevistador)

Pode se apresentar e falar um pouco sobre seu histórico?

Carlos Alberto de Paiva Carvalho

Fui um dos fundadores da Mectron e da SIATT. Sou engenheiro eletrônico de formação, formado em 1985 pelo ITA. Tenho mestrado em sistemas de controle. Trabalhei em todos os projetos de mísseis da Mectron e da SIATT: o MAA-1A Piranha, o MAR-1, o MSS-1.2 (MAX-1.2), o MANSUP, além do radar SCP-01 para o AMX.



Qual foi o projeto mais desafiador na Mectron?

Foi o MAR-1, porque os requisitos eram muito exigentes, assim como as soluções de projeto: um motor com propelente de queima cigarro, um buscador de radar passivo de banda larga, piloto automático ativo e por aí vai.



Por que continuar insistindo no MAX 1.2 apesar da idade do projeto?

Porque ele ainda é eficaz. O conceito de beam-rider ainda é usado em muitos mísseis em operação atualmente, como o RBS-70. Esse conceito tem a vantagem de ser muito preciso e praticamente impossível de ser interferido (jammed). A munição tem custo de fabricação muito menor que mísseis equivalentes, o que é definitivamente uma vantagem competitiva.


Qual foi o procedimento usado para aumentar o alcance operacional do míssil?

Otimizando o perfil de manobra e aumentando a massa de propelente. Também foi necessário reprojetar a ótica da Unidade de Lançamento para aumentar o alcance do laser.


O míssil pode ser configurado com uma ogiva tandem-HEAT?

Sim, essa é uma das melhorias que pretendemos introduzir em breve.


Quais serão as diferenças entre o 1.2 e o 1.3?

Maior alcance do míssil. Manteremos o máximo de comunalidade possível, para que um usuário de um míssil consiga operar o outro sem treinamento adicional.




O MAX 1.4 será um míssil completamente diferente do 1.2 e do 1.3, obviamente com base nas características mencionadas em entrevistas anteriores. Esse míssil terá capacidade de ataque superior (top-attack)? Além disso, como funcionará sua guia? Podemos ter alguma pista?

O Exército ainda não definiu os requisitos para o MAX 1.4, mas é bem provável que ele tenha as características mencionadas acima. Por enquanto, são apenas hipóteses; nada foi definido ainda.



Vemos um desenvolvimento considerável de motores scramjet no Brasil, no IEAv com o 14-X e na BRENG com o VHV-17 e VHV-31 Vector. Há alguma intenção da SIATT de entrar eventualmente no mercado de mísseis hipersônicos usando esses modelos ou outros proprietários?

Ainda não estudamos esse conceito de forma aprofundada, mas permanecemos abertos a ele caso se torne uma exigência das Forças Armadas.



Como está o desenvolvimento do morteiro guiado SGM-120?

Ainda está em desenvolvimento, mas em ritmo mais lento, pois o desenvolvimento do MAX-1.3 foi priorizado pelo Exército.



Dizem que o míssil MANSUP pode ser usado como míssil de cruzeiro. Qual seria seu principal método de guia e possível CEP (erro circular provável)?

Sim, já estamos trabalhando no conceito de um buscador de radar passivo tanto para o MANSUP quanto para o MARSUP. Nossa equipe, e eu pessoalmente, temos profundo conhecimento nesse tipo de sensor.

Tradução e adaptação: Renato Henrique Marçal de Oliveira - Químico, trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel)
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