O líder militar do leste da Líbia, Khalifa Haftar, teria incorporado novos drones de combate de origem chinesa e turca em suas forças, segundo investigação da agência Reuters baseada em imagens de satélite comerciais e análises de especialistas em armamentos. A movimentação ocorre apesar do embargo de armas imposto pela ONU ao país desde 2011.
As imagens mostram pelo menos três aeronaves não tripuladas estacionadas na base aérea de Al Khadim, localizada no deserto a cerca de 100 km de Benghazi, no leste líbio. A presença dos sistemas não havia sido relatada anteriormente e indica uma possível reativação da capacidade de ataque e vigilância do Exército Nacional Líbio (LNA), força comandada por Haftar.
Especialistas consultados apontam que os modelos identificados incluem o provável drone chinês Feilong-1 e aeronaves turcas do tipo Bayraktar TB2, plataformas já amplamente utilizadas em conflitos recentes no Oriente Médio e na África.
O caso reacende preocupações sobre a eficácia do embargo de armas da United Nations, que visa impedir a transferência de equipamentos militares para a Líbia em meio à sua prolongada fragmentação política.
O país permanece dividido entre o governo do leste, controlado por Haftar, e a administração de Trípoli, liderada por Abdulhamid Dbeibah, reconhecida internacionalmente.
Apesar das restrições formais, o conflito líbio tem sido marcado por sucessivas violações do embargo, com o país se tornando um dos principais laboratórios de guerra com drones na África desde a guerra civil de 2014–2020.
Segundo analistas, a incorporação de novos sistemas de combate aéreo não tripulado representa um avanço significativo na capacidade militar de Haftar, especialmente após a retirada de drones chineses Wing Loong II em anos anteriores.
O especialista Anas El Gomati, do Instituto Sadeq, avalia que a chegada dessas aeronaves pode representar uma “vitória simbólica” para o LNA, reforçando o controle sobre o leste e partes estratégicas do sul da Líbia, incluindo áreas de produção de petróleo.
Além do impacto militar direto, o fator tecnológico também é central: drones como o Bayraktar TB2, da empresa turca Baykar, e o Feilong-1 ampliam significativamente a capacidade de vigilância, ataque de precisão e controle territorial em áreas desérticas extensas.
Disputa geopolítica e mudança de alinhamentos
A presença simultânea de equipamentos chineses e turcos reflete a complexidade da disputa geopolítica na Líbia, onde múltiplos atores externos influenciam diretamente o equilíbrio de poder.
A China historicamente mantém posição de neutralidade formal no conflito, enquanto a Turquia apoia o governo de Trípoli. No entanto, recentes sinais de reaproximação entre Ancara e o campo de Haftar indicam uma possível reconfiguração pragmática de interesses, especialmente ligados a energia e acordos marítimos no Mediterrâneo.
Imagens de satélite também indicam que a base aérea de Al Khadim passou por ampliações estruturais, incluindo novos hangares e áreas de operação compatíveis com sistemas de drones.
Analistas apontam que parte dessa infraestrutura pode estar relacionada à operação e controle dos novos vetores aéreos, reforçando a hipótese de uma modernização silenciosa do aparato militar do leste líbio.
Apesar do cessar-fogo firmado em 2020, a Líbia continua em estado de equilíbrio instável, com duas administrações rivais e presença ativa de forças estrangeiras e grupos armados.
A introdução de novos drones de combate sugere que, embora o conflito aberto tenha diminuído, a competição militar segue evoluindo em outra dimensão, mais tecnológica, assimétrica e dependente de sistemas não tripulados.
Nesse contexto, a Líbia permanece como um dos principais teatros de experimentação da guerra moderna com drones, onde tecnologia, influência externa e fragmentação política se entrelaçam em um equilíbrio ainda longe de uma solução definitiva.
GBN Defense - A informação começa aqui
com Reuters






0 comentários:
Postar um comentário