quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Crise no Egito se agrava com pronunciamento de Mubarak


O presidente do Egito, Hosni Mubarak, afirmou nesta quinta-feira que se compromete com a Constituição do país até que ocorra a transferência do cargo ao vencedor em uma "eleição honesta".

O presidente fez um pronunciamento à nação em meio à forte pressão para que deixe o poder, que ocupa há 30 anos.

Ele reiterou que não vai concorrer ao cargo nas próximas eleições e que o país caminha, dia após dia, para uma transferência de poder pacífica.

Mubarak afirmou ainda que o diálogo com a oposição resultou num consenso preliminar para resolver a crise.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, delegou alguns poderes a seu vice-presidente e propôs reformas constitucionais, mas afirmou que a transição que colocará fim a seu regime de 30 anos durará até setembro.

A esperança era de que Mubarak fosse renunciar imediatamente, depois que a cúpula militar anunciou horas mais cedo que iria garantir a segurança do país e defenderia as demandas "legítimas" da população.

Mas, no final de seu discurso, Mubarak permaneceu como presidente do país.

"Decidi delegar alguns poderes ao vice-presidente com base na Constituição", disse o aparentemente fragilizado Mubarak, com uma voz rouca.

"Estou consciente dos perigos desta encruzilhada... e isso nos força a priorizar os altos interesses da nação."

Ele continuou o discurso com um aparente ataque aos Estados Unidos e outros países que o pressionaram para acelerar a transição para a democracia, afirmando: "eu nunca me curvei a ingerências externas".

"Sempre preservei a paz e trabalhei pelo Egito e por sua estabilidade."

O discurso não agradou aos manifestantes, que nas últimas duas semanas pediram o fim do regime Mubarak.


Multidão na praça Tahrir reage furiosa a discurso de Mubarak

Os manifestantes reunidos na praça Tahrir, no centro do Cairo, reagiram furiosos, nesta quinta-feira, quando o presidente Hosni Mubarak anunciou que não deixará o poder imediatamente, e pediram que o exército se una a eles na rebelião.

Demonstrando decepção e ira, centenas de manifestantes tiraram os sapatos e os agitaram em frente aos telões pelos quais assistiam ao discurso de Mubarak, um gesto que é considerado um insulto em sociedades árabes.

A multidão que há horas abarrotava o epicentro dos protestos à espera do discurso de Mubarak, explodiu em gritos de "Abaixo Mubarak, saia, saia!" e "Vamos te enterrar debaixo da terra".

O ar estava impregnado de agressividade na praça e começaram a se ouvir chamados de alguns que propunham ir ao palácio presidencial e retirar Mubarak dali à força, despertando o temor de uma escalada da violência.

Outros, ainda, pediram a convocação de uma greve geral e dirigindo-se ao exército, que mobilizou grande número de tropas no entorno do local do protesto, demandaram: "Exército egípcio, o momento da escolha é agora, o regime ou o povo!".

O presidente Mubarak, que enfrenta há 17 dias uma rebelião que exige sua renúncia imediata, disse que participará de uma transição política até as eleições presidenciais de setembro, embora tenha anunciado que delegará alguns poderes ao vice-presidente Omar Suleiman, sem detalhar quais.

O chefe de Estado disse, ainda, que está determinado a viver e morrer no Egito, levando desânimo àqueles que esperavam que ele se exilasse no exterior, deixando o caminho livre para as desejadas reformas democráticas.


Egito vai explodir e Exército deve salvar o país, diz ElBaradei

Reagindo à decisão do presidente egípcio, Hosni Mubarak, de permanecer no cargo, o opositor Mohamed ElBaradei advertiu na quinta-feira que o Egito explodirá e precisa ser resgatado pelo Exército.

"O Egito explodirá. O Exército deve salvar o país agora", afirmou o vencedor do prêmio Nobel da Paz e ex-diretor da agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) em mensagem no Twitter.

ElBaradei, entrevistado desde o Egito pela CNN, disse que "as pessoas estão muito irritadas". Ele acrescentou que caberá ao Exército "salvar o país de ir pelo ralo."

"Devemos ficar bastante preocupados", disse. "Eles (Mubarak e o vice-presidente Omar Suleiman) precisam se afastar. As pessoas perderam a confiança neles."

Mais cedo, Mubarak anunciou que estava delegando alguns poderes a Suleiman.

ElBaradei afirmou que Mubarak perdeu toda a legitimidade. Referindo-se à transferência de poderes de Mubarak a Suleiman, ele disse: "como você pode ser um presidente sem poder algum?"

Fonte: Agências de notícias.

Nota do Blog: A atual conjuntura política no Egito é muito instável, o que tem deixado o país a mercê das incertezas, pois tal instabilidade pode inflar uma guerra civil pelo poder, desestabilizando a organização do Estado e derrubando premturamente Mubarak, assim resultando em um novo foco de tensão no Oriente Médio que pode vir a afetar a economia na região e mesmo a estabilidade relativa que há entre Israel e os Estados Árabes que o circundam.

A revolução que tomou conta do Egito pode resultar em um novo governo democrático, como vem sendo o alvo das manifestações, bem como pode a qualquer momento resultar em um golpe de Estado por parte das forças armadas, que até então tem acompanhado a situação do país, sendo apoiadas a intervir na vida política do país por grandes nomes da política egípcia como ElBaradei. A posição adotada por Mubarak em se manter no poder até as eleições de setembro não conseguiram atender aos anceios da população egípcia, que esperavam que o discurso em rede nacional fosse o pronunciamento da renuncia da presidencia e a implantação de um governo provisório até as eleições de setembro.

Israel e as demais nações acompanham de perto o desenrolar da crise no Egito, pois os caminhos que forem determinados pela revolução que tomou o Egito podem comprometer a integridade do Estado Israelense e reacender a insegurança nas fronteiras entre os dois Estados, que há décadas atrás travaram uma guerra que resultou na perda de territórios do Egito ao Estado de Israel. Outros governos árabes acompanham a crise egipcia e temem que as manifestações venham a atingir seus Estados com revoluções pró-democracia. Agora só nos resta acompanhar o desenrolar dos fatos e esperar que o desfecho seja pacífico e venho a contribuir para a manutenção da paz nesta área tão turbulenta de nosso planeta.

Angelo D. Nicolaci

Editor - GeoPolítica Brasil
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