
O Paquistão foi alvo nesta segunda-feira de dois violentos ataques de homens-bomba no noroeste: um contra o consulado americano de Peshawar, assumido pelos talibãs, e outro durante um comício político, que matou 41 pessoas.
O atentado contra o consulado dos Estados Unidos foi reivindicado por um porta-voz dos talibãs paquistaneses aliados à Al-Qaeda, responsáveis por uma onda de ataques suicidas que já mataram mais de 3.200 pessoas em todo o país nos últimos dois anos e meio.
Em Washington, a Casa Branca expressou "profunda preocupação" com a situação no Paquistão - um dos aliados na "guerra contra o terrorismo" liderada pelos Estados Unidos na região desde o final de 2001.
Em Timargarah, localidade do distrito do Baixo Dir, no vale do Swat, um homem-bomba matou pelo menos 41 pessoas e feriu mais de 80 ao detonar os explosivos que carregava junto ao corpo durante um comício ao ar livre do Partido Nacional Awami, uma formação laica que controla a Assembleia e o poder Executivo da Província da Fronteira do Noroeste (NWPF).
Pouco depois, um grupo fortemente armado tentou tomar de assalto o consulado dos Estados Unidos em Peshawar, a principal cidade do noroeste do país, apesar do forte esquema de segurança ao redor do edifício.
Segundo Liaqat Ali, chefe de polícia da cidade, um primeiro homem-bomba lançou seu veículo com 30 kg de explosivos contra um posto de controle da segurança a 50 metros do consulado, para tentar abrir passagem.
Um segundo carro, carregado com outras centenas de explosivos, foi detonado perto da entrada do consulado, seguindo-se uma troca de tiros com armas automáticas entre os demais atacantes e os guardas de segurança.
Depois, dois terroristas a pé foram abatidos quando tentavam ultrapassar uma outra barreira, sem terem tido tempo de fazer detonar as cargas que levavam nas roupas, segundo Ali.
O ministro de Informação da província, Mian Iftikhar Hussain, contou pelo menos 11 mortos no total: cinco membros das forças de segurança e seis atacantes.
A embaixada dos Estados Unidos em Islamabad anunciou que pelo menos dois guardas paquistaneses de seu consulado tinham sido mortos, mas ainda não está claro se estão incluídos ou não no número total de 11 mortos. "Outros vários (guardas do consulado) ficaram gravemente feridos", precisou o corpo diplomático, em um comunicado condenando a ação de Peshawar e a de Lower Dir.
A França também condenou os atentados com firmeza.
Situada à margem das instáveis zonas tribais na fronteira do Afeganistão, Peshawar é a cidade do Paquistão onde os atentados são mais frequentes.
Azam Tariq, porta-voz do Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP), assumiu a responsabilidade de seu grupo pela ação contra o consulado, realizada, segundo ele, "em represália a ataques de aviões americanos teleguiados não tripulados (drones)".
Essas aeronaves da CIA, cuja base fica no vizinho Afeganistão, atacam quase diariamente alvos da Al-Qaeda e dos talibãs afegãos e paquistaneses nas zonas tribais, baluartes do TTP.
Principal movimento talibã paquistanês, o TTP proclamou, em dezembro de 2007, sua fidelidade à Al-Qaeda e aderiu à jihad (guerra santa) declarada pela rede de Osama bin Laden contra o governo paquistanês por sua aliança com os Estados Unidos.
Quase 90 bombardeios de aviões teleguiados contra essas zonas desde agosto de 2008 mataram pelo menos 830 pessoas, entre elas muitos dirigentes talibãs - embora tenham provocado também inúmeras vítimas civis.
"Nós dispomos de 2.800 a 3.000 fedayin (homens-bomba), pelo que podemos cometer estes tipos de ataques, em todos os lugares onde estiverem os americanos", afirmou Azam Tariq.
O vale do Swat e o distrito do Baixo Dir, a apenas 100 km de Islamabad, também são cenários de atos de violência, apesar do Exército ter retomado no ano passado o controle da zona depois de uma dura ofensiva.
Fonte: AFP

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