terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Explosões em Bagdá atingem futura embaixada brasileira


O Ministério de Relações Exteriores do Brasil informou, em comunicado, que um dos ataques realizados nesta terça-feira em Bagdá atingiram as instalações da futura embaixada do Brasil na capital iraquiana, "provocando danos materiais". A sede diplomática ficará no Tribunal Civil de Karkh, de acordo com o MRE.

Os ataques, que aconteceram no intervalo de poucos minutos, mostraram a capacidade dos insurgentes de atacar alvos no coração de Bagdá e marcaram a terceira vez, desde agosto, que edifícios do governo são alvos de explosões que mataram mais de cem pessoas. Desta vez, mais de 120 pessoas morreram, segundo autoridades locais.

"Ao reiterar seu repúdio a todas as formas de terrorismo, o governo brasileiro manifesta suas mais sinceras condolências e oferece sua solidariedade aos familiares das vítimas, ao povo e ao governo do Iraque", afirma o comunicado brasileiro.

A série de ataques ocorrida nesta terça-feira foi o episódio de violência mais grave registrado no Iraque em mais de um mês. Não há confirmação sobre o número de explosões, mas elas incluem a detonação de ao menos dois carros-bomba conduzidos por suicidas e de um outro que atingiu prédios do governo.

As informações sobre o número de mortos e feridos são imprecisas e variam de acordo com as fontes de segurança consultadas. Ao longo de todo o dia, circularam várias notícias sobre novas vítimas, mas a contagem não terminou. Agências internacionais de notícias chegam a confirmar 127 mortos. O número de feridos é superior a 400.

O porta-voz militar iraquiano general Qassim al Moussawi jogou a culpa pelos ataques a uma aliança entre o braço da rede terrorista Al Qaeda no Iraque e os membros do Baath, o proscrito partido do ex-ditador Saddam Hussein. "As mesmas mãos que realizaram os ataques de agosto e outubro fizeram os ataques terroristas de hoje contra civis inocentes."

Por enquanto, nenhum grupo reivindicou os ataques desta terça-feira.

Em agosto, homens-bomba detonaram explosivos em frente aos ministérios das Finanças e das Relações Exteriores de Bagdá, matando mais de cem; e em outubro dois carros-bomba explodiram em frente escritórios do governo, matando pelo menos 155. Nestes dois casos, a autoria dos ataques foi reivindicada pelo braço da rede terrorista Al Qaeda no Iraque.

Os atentados reforçaram as preocupações sobre falhas na segurança do Iraque à medida que as forças americanas planejam a sua retirada. O Parlamento realizou uma sessão de emergência com muitos legisladores exigindo respostas às falhas de segurança. Os militares americanos enviaram algumas tropas e equipamentos para ajudar as forças iraquianas após a explosão, disse o sargento do Exército Nicholas Conner, porta-voz militar.


Eleições

Um eventual aumento no poder dos insurgentes no Iraque poderia ser um duro golpe para a credibilidade do governo antes das eleições nacionais, que foram definidas, nesta terça-feira, para 7 de março --mais de sete semanas de atraso em relação à data originalmente prevista, por causa de disputas políticas sobre as regras de votação.

Formado pelo presidente do país, o curdo Talabani, e pelos dois vice-presidentes, o sunita Tareq al Hashemi e o xiita Adel Abdel Mahdi, o conselho informou a mudança depois de uma reunião com membros da Comissão Suprema Independente Eleitoral (CSIE) e da missão da ONU no Iraque (Unami).

O primeiro anúncio informava o dia 6 de março, mas em seguida houve novo adiamento, para o dia seguinte, atendendo a um pedido dos curdos. A minoria do norte do país não queria que eleições fossem realizadas na mesma data em que se lembra um acordo assinado em 1975 entre Irã e Iraque que, segundo eles, diminuiu os seus direitos e os marginalizou.

Uma eleição bem-sucedida é pré-requisito para que os Estados Unidos completem a retirada das tropas de combate do país, prevista para até o dia 31 de dezembro de 2011. É vista ainda como um marco para o Iraque no momento em que o país emerge de anos de conflitos sectários desde a invasão americana em 2003 e começa a se sustentar nas próprias pernas antes da retirada completa.

Fonte: Folha
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