quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Operação Membeca testa o Exército no terreno

Entre os dias 10 e 12 de agosto, o Comando Militar do Leste levou ao Campo de Instrução de Gericinó no Rio de Janeiro, a fase de simulação viva do Exercício de Campanha Membeca 2026. Cerca de 3.500 militares e 200 viaturas participaram das atividades, que colocaram no terreno capacidades de manobra, fogos, comando e controle, defesa antiaérea, Engenharia, logística e apoio aeromóvel.

A etapa encerrou um ciclo de adestramento iniciado em 2025 e que passou pelas modalidades de simulação construtiva e virtual. Na primeira, comandantes e estados-maiores trabalham o planejamento e a tomada de decisões utilizando tropas e meios simulados. Na segunda, os militares treinam procedimentos em ambientes digitais. A simulação viva leva esse planejamento para o terreno, permitindo verificar como homens, equipamentos e unidades diferentes funcionam juntos em uma situação de combate.

A primeira jornada começou com a transposição de um curso d'água pela Engenharia, utilizando passadeiras de alumínio e botes para permitir a passagem das tropas e dos meios. Durante a noite, o exercício avançou para a avaliação dos sistemas de comando e controle, emprego de blindados, dispositivos antidrones e funcionamento do Hospital de Campanha.

A presença dos sistemas antidrones acompanha uma mudança importante no ambiente operacional. A proliferação de aeronaves remotamente pilotadas tornou a proteção das tropas contra ameaças aéreas de baixo custo uma preocupação permanente. Detectar, acompanhar e neutralizar esses sistemas passou a fazer parte do treinamento das forças terrestres.

No segundo dia, o exercício incorporou a defesa antiaérea, com o emprego do sistema RBS-70 em ações simuladas contra alvos aéreos. A artilharia também entrou em ação com disparos coordenados de obuseiros de 105 mm, enquanto outras frações executaram atividades de ajuda humanitária no contexto da Operação Sentinela Alerta.

O período noturno trouxe outra dimensão à atividade, com deslocamento ferroviário e uma ação de ataque conduzida pela 11ª Brigada de Infantaria de Montanha.

No terceiro dia, a 9ª Brigada de Infantaria Mecanizada/Grupamento de Unidades Escola conduziu ações de ataque mecanizado e aeromóvel, além de medidas de segurança de flanco. A Aviação do Exército atuou como Força Oponente, criando uma ameaça aérea dentro do cenário e exigindo das unidades em terra maior atenção à proteção e à coordenação de suas ações.

O objetivo não era apenas verificar o desempenho individual de cada unidade. A Membeca procurou avaliar a capacidade de integrar diferentes funções de combate em uma mesma operação, desde o movimento das tropas e o emprego dos blindados até os fogos, a defesa antiaérea, as comunicações, a logística e o apoio de saúde.

O Comandante Militar do Leste, General de Exército Pedro Celso Coelho Montenegro, destacou justamente a complexidade dessa integração e o emprego das capacidades da 1ª Divisão de Exército no terreno.

Trata-se de uma operação extremamente complexa, que exige a integração de todas as funções de combate e o emprego de meios modernos como drones”, afirmou.

Operação Saci

Dentro do mesmo contexto, a Brigada de Infantaria Paraquedista realizou a Operação Saci, ampliando o exercício para o ambiente aeroterrestre.

A atividade começou com a infiltração de precursores por salto livre, meios motorizados, ferrovia e deslocamento a pé. O objetivo era preparar a Zona de Lançamento de Itaguaí e controlar o aeródromo local, criando as condições para a chegada das forças.

Em seguida, três forças-tarefa executaram diferentes ações na região de Seropédica.

A Força-Tarefa Velame, do 27º Batalhão de Infantaria Paraquedista, realizou pouso de assalto com aeronaves C-105 e KC-390 da Força Aérea Brasileira, além de salto semiautomático e ações de cerco.

A Força-Tarefa Santos Dumont, do 26º Batalhão de Infantaria Paraquedista, executou um assalto aeroterrestre noturno para estabelecer uma cabeça de ponte.

Já a Força-Tarefa Afonsos, do 25º Batalhão de Infantaria Paraquedista, realizou um assalto aeroterrestre diurno, com progressão em Chaperó e cerco na região da antiga olaria.

A atividade permitiu avaliar não apenas a capacidade de lançamento e emprego das tropas paraquedistas, mas também toda a estrutura necessária para inserir uma força em profundidade, controlar uma área e criar condições para a continuidade da operação.

A Brigada de Infantaria Paraquedista integra o Sistema de Prontidão do Exército Brasileiro, mantendo uma estrutura preparada para ser empregada em curto espaço de tempo após o acionamento.

Do exercício à prontidão

A importância da Membeca está justamente na possibilidade de colocar diferentes capacidades dentro de um mesmo cenário.

No campo de batalha atual, uma unidade mecanizada não atua isoladamente. Seu desempenho depende de informações produzidas por sensores, de comunicações confiáveis, do apoio da artilharia, da proteção contra ameaças aéreas, da Engenharia para superar obstáculos e de uma cadeia logística capaz de manter combustível, munição, manutenção e atendimento médico disponíveis.

Os drones acrescentam outra camada a esse ambiente. Podem ampliar a capacidade de reconhecimento e aquisição de alvos, mas também representam uma ameaça que precisa ser incorporada ao planejamento das unidades.

É nesse ponto que a simulação viva ganha valor. Depois de trabalhar o planejamento na simulação construtiva e os procedimentos no ambiente virtual, o Exército coloca as tropas no terreno para verificar o que efetivamente funciona quando entram em cena distância, tempo, deslocamento, comunicações, desgaste e necessidade de coordenação entre diferentes unidades.

A Membeca 2026 representa, assim, mais do que uma demonstração de equipamentos. O exercício testa a capacidade do Comando Militar do Leste de transformar planejamento em ação coordenada, reunindo tropas de diferentes especialidades em um mesmo ambiente operacional.

Para uma Força Terrestre que precisa estar preparada para cenários cada vez mais complexos, esse tipo de treinamento permite identificar limitações, ajustar procedimentos e aprimorar a integração antes que essas capacidades sejam exigidas em uma situação real.


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Com Exercito Brasileiro

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