segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

GE Aerospace fortalece suporte à FAB com novo Acordo de Assistência Técnica

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A GE Aerospace anunciou a assinatura de um Acordo de Assistência Técnica (AAT) com a Força Aérea Brasileira (FAB), que amplia a capacidade operacional e de manutenção dos motores F414-GE-39E, utilizados nos jatos Gripen E/F da FAB. O acordo prevê suporte técnico especializado, programas de treinamento e acesso a dados críticos para a operação e integração dos motores, reforçando a prontidão da frota brasileira.

De acordo com o acordo, a GE Aerospace fornecerá materiais técnicos detalhados, conduzirá treinamentos de alta complexidade e atuará como representante local para garantir que a FAB possa operar, testar e manter os motores com maior autonomia. A MDS Aero Support Corporation será responsável por fornecer serviços de bancos de teste e suporte na elaboração de desenhos de equipamentos, complementando a assistência técnica.

Asha Belarski, gerente geral de suporte ao cliente de Defesa & Sistemas da GE Aerospace, destacou que o AAT reforça a parceria histórica entre a empresa e a FAB. "Ao oferecermos treinamento de última geração e suporte técnico à FAB, contribuímos para o sucesso operacional da frota Gripen e ampliamos a capacidade de defesa do Brasil", afirmou Belarski.

O acordo se insere em um contexto mais amplo de cooperação da GE Aerospace com as Forças Armadas brasileiras. Em 2025, a FAB comemorou os 50 anos da incorporação do F-5 à frota nacional, equipado com o motor J85 da GE. Além disso, a empresa mantém um Acordo de Assistência Técnica para o motor T700, presente nos helicópteros Sikorsky UH-60 Black Hawk. Todos os acordos seguem as diretrizes da Regulamentação sobre Tráfico Internacional de Armas (ITAR), assegurando que a transferência de dados técnicos e serviços de defesa seja autorizada e controlada.

Com mais de um século de experiência em propulsão e sistemas aeroespaciais, a GE Aerospace mantém aproximadamente 50.000 motores instalados em aeronaves comerciais e 30.000 em aeronaves militares, além de uma equipe global de 57.000 profissionais. A empresa reforça com o AAT seu compromisso de elevar a capacidade tecnológica da FAB e de contribuir para a segurança e autonomia operacional do Brasil no setor aeroespacial.


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UE e Índia aproximam agendas de defesa em meio à reconfiguração do equilíbrio estratégico global

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A União Europeia e a Índia avançam para uma nova etapa de cooperação em segurança e defesa, sinalizando uma inflexão relevante na arquitetura estratégica euro-asiática. Um documento preliminar de parceria, consultado pela Reuters, indica que Bruxelas e Nova Délhi irão explorar a participação indiana em iniciativas europeias de defesa, abrindo espaço para diálogo industrial, coordenação política e possíveis sinergias tecnológicas.

O movimento ocorre em um contexto de transformação profunda do ambiente internacional. A Europa busca reduzir sua dependência estratégica tanto dos Estados Unidos quanto da China, ao mesmo tempo em que procura ampliar seus vínculos diplomáticos, econômicos e de segurança com potências emergentes. A Índia, por sua vez, consolida-se como ator central no Indo-Pacífico e como polo industrial e tecnológico com crescente relevância militar.

Segundo o texto do acordo, que deve ser formalmente assinado nos próximos dias, a União Europeia e a Índia estabelecerão consultas regulares sobre suas respectivas iniciativas de defesa, incluindo intercâmbios estruturados sobre temas relacionados à indústria de defesa. O documento prevê ainda a exploração, quando houver interesse mútuo e alinhamento de prioridades de segurança, da participação indiana em programas e iniciativas europeias consideradas relevantes, sempre em conformidade com os marcos legais de ambas as partes.

Mais do que um gesto diplomático, a proposta reflete uma convergência de interesses estratégicos. A União Europeia enfrenta desafios crescentes relacionados à autonomia estratégica, à segurança marítima, à resiliência cibernética e à proteção de cadeias industriais críticas. A Índia, por sua vez, investe de forma consistente na modernização de suas Forças Armadas e no fortalecimento de sua base industrial de defesa, combinando políticas de indigenização com parcerias internacionais seletivas.

O acordo também prevê a criação de um diálogo anual de alto nível sobre segurança e defesa, além do aprofundamento da cooperação em áreas sensíveis como segurança marítima, cibersegurança e combate ao terrorismo. Esses domínios refletem a natureza híbrida das ameaças contemporâneas, nas quais fronteiras entre paz e conflito, civil e militar, tornam-se cada vez mais difusas.

O próprio documento reconhece esse cenário ao destacar que a crescente complexidade das ameaças globais, o aumento das tensões geopolíticas e o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas exigem uma cooperação mais estreita e estruturada entre a UE e a Índia. Trata-se de um reconhecimento explícito de que segurança deixou de ser um tema regional ou restrito a alianças tradicionais, passando a depender de redes flexíveis de parceiros com interesses convergentes.

Do ponto de vista industrial, a aproximação abre espaço para debates sensíveis sobre interoperabilidade, acesso a tecnologias críticas, regimes de exportação e complementaridade entre bases industriais distintas. Para a Europa, a Índia representa não apenas um mercado, mas um potencial parceiro na diversificação de fornecedores, no codesenvolvimento de sistemas e na mitigação de riscos associados a dependências externas excessivas. Para a Índia, o diálogo com a UE oferece acesso a ecossistemas tecnológicos avançados e a oportunidades de inserção em cadeias de valor mais sofisticadas.

A assinatura da parceria em defesa deve coincidir com outro anúncio de peso: a conclusão das longas negociações para um acordo de livre comércio entre a União Europeia e a Índia. A simultaneidade dos dois movimentos reforça a leitura de que Bruxelas e Nova Délhi buscam uma relação abrangente, na qual comércio, indústria, tecnologia e segurança passam a ser tratados de forma integrada.

Em um mundo cada vez mais multipolar e competitivo, a aproximação entre UE e Índia indica uma tentativa de construir alternativas estratégicas fora dos eixos tradicionais. Mais do que alianças formais, o que se desenha é uma arquitetura de cooperação pragmática, orientada por interesses concretos, resiliência industrial e autonomia decisória. Para ambos os lados, o desafio será transformar o diálogo político em mecanismos efetivos de cooperação, sem comprometer suas respectivas ambições estratégicas de longo prazo.


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com Reuters

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A Jordânia e a transição para a doutrina de sexta geração: adaptação estratégica em um ambiente regional volátil

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A recente diretiva emitida pelo rei Abdullah II para a reestruturação das Forças Armadas Jordanianas marca um movimento estratégico de grande relevância no contexto do Oriente Médio. Mais do que uma modernização administrativa ou uma simples atualização de meios, a decisão aponta para uma mudança deliberada de doutrina, abandonando o modelo tradicional de emprego de forças em favor de uma abordagem alinhada ao que vem sendo descrito como doutrina de sexta geração.

Segundo a Corte Real Hachemita, a orientação inclui a formulação de uma estratégia e de um roteiro de transformação estrutural a ser implementado ao longo dos próximos três anos. O objetivo declarado é adequar o Exército Árabe da Jordânia à natureza dos desafios emergentes, caracterizados por ameaças híbridas, assimétricas e multidimensionais, em um ambiente regional cada vez mais instável.

Na leitura do analista militar e estratégico Nidal Abu Zeid, a diretiva reflete uma convergência clara com as tendências globais de transformação militar. Elementos como dissuasão estratégica, métodos modernos de combate, operações cibernéticas defensivas e ofensivas, emprego de sistemas não tripulados e incorporação de inteligência artificial aparecem como pilares centrais da nova visão de poder militar jordaniano. Trata-se de uma redefinição que desloca o foco do volume e da massa para a eficiência, a agilidade e o domínio da informação.

O conceito orientador descrito como simplicidade e eficácia não deve ser interpretado como redução de ambição, mas como racionalização estratégica. Em termos práticos, isso implica priorizar a proteção dos centros de gravidade estratégicos e operacionais do Estado, reduzindo vulnerabilidades críticas e ampliando a capacidade de resposta rápida frente a ameaças difusas. A doutrina proposta se aproxima do modelo “lean and mean”, adotado por diversas forças armadas modernas, no qual forças menores, altamente treinadas e tecnologicamente integradas substituem estruturas pesadas e pouco flexíveis.

Do ponto de vista operacional, a mudança sinaliza um afastamento do emprego clássico de grandes unidades terrestres em favor de operações baseadas em inteligência, forças especiais, poder aéreo e integração de domínios. A guerra terrestre passa a ser concebida como parte de um sistema mais amplo, no qual sensores, dados, redes e capacidades cibernéticas desempenham papel tão decisivo quanto o combate cinético. Esse modelo busca maximizar impacto estratégico com menor custo político, econômico e humano.

A experiência regional reforça essa escolha. Abu Zeid observa que a reestruturação periódica das forças armadas é uma prática comum, citando reformas conduzidas por Israel em 2015 e 2020 como resposta direta à evolução das ameaças em seu entorno estratégico. No caso jordaniano, a última reestruturação abrangente ocorreu em 2005, o que torna o atual movimento não apenas oportuno, mas necessário diante das transformações acumuladas nas últimas duas décadas.

Outro elemento relevante é a crescente aproximação da Jordânia com a OTAN. A abertura, em junho de 2025, de um escritório de ligação da aliança em Amã consolidou uma parceria que já se estende por quase trinta anos e introduziu novos parâmetros doutrinários, especialmente no que se refere a operações conjuntas, interoperabilidade e agilidade operacional. A incorporação desses conceitos reforça a transição para uma força mais flexível, capaz de operar em coalizões e responder rapidamente a crises regionais.

Essa adaptação ocorre em um contexto de pressão constante sobre as fronteiras do Reino. Nas últimas duas décadas, a Jordânia enfrentou desafios persistentes relacionados ao terrorismo, ao contrabando de armas e drogas e ao uso crescente de sistemas não tripulados por atores estatais e não estatais. Os números divulgados pelas Forças Armadas, incluindo centenas de tentativas de infiltração frustradas e o abatimento de dezenas de drones apenas em 2025, ilustram a natureza concreta e imediata dessas ameaças.

Dentro desse cenário, a ênfase na manutenção de uma força de reserva suficiente assume caráter estratégico. Mais do que um instrumento quantitativo, a reserva é vista como vetor de transição para a guerra de próxima geração, integrada a um esforço mais amplo de desenvolvimento tecnológico e autossuficiência. Nesse ponto, ganha destaque o papel do Gabinete de Design e Desenvolvimento da Jordânia, criado em 1999 como uma instituição civil-militar voltada à pesquisa, desenvolvimento e fabricação de tecnologias de defesa.

A diretriz real indica uma intenção clara de fortalecer essa estrutura como um polo nacional de inovação em defesa, alinhado a padrões internacionais, mas orientado às necessidades específicas do Estado jordaniano. A busca por autonomia em áreas como operações cibernéticas, sistemas não tripulados e gestão de reservas reforça a compreensão de que, na guerra contemporânea, dependência tecnológica equivale a vulnerabilidade estratégica.

Em síntese, a reestruturação das Forças Armadas da Jordânia não deve ser vista como um movimento isolado, mas como parte de uma tendência global de redefinição do poder militar. Ao adotar uma doutrina de sexta geração, o Reino sinaliza que compreende a natureza das mudanças em curso na guerra moderna e busca posicionar-se de forma realista em um ambiente regional marcado por competição estratégica, instabilidade crônica e rápida evolução tecnológica.


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Elbit Systems amplia contrato com o Exército dos EUA para fornecimento do sistema Iron Fist ao Bradley

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A Elbit Systems anunciou a assinatura de um contrato adicional no valor de US$ 228 milhões para o fornecimento do Sistema de Proteção Ativa Iron Fist, destinado ao programa de modernização do Veículo de Combate de Infantaria Bradley, em uso pelo Exército dos Estados Unidos. O contrato foi concedido pela General Dynamics Ordnance and Tactical Systems após a emissão, em 29 de setembro de 2025, de uma nova ordem de serviço relacionada ao sistema de proteção ativa da plataforma.

Com vigência de três anos, o novo acordo dá continuidade a um contrato inicial anunciado em maio de 2024, reforçando os esforços em curso para a integração definitiva do Iron Fist à frota de Bradley. Segundo a Elbit Systems, esta é a terceira vez que o sistema é selecionado pelo Exército dos Estados Unidos, indicando um elevado grau de maturidade tecnológica e confiança operacional por parte das autoridades militares norte-americanas.

O Iron Fist é um sistema de proteção ativa de destruição direta, desenvolvido para ampliar a capacidade de sobrevivência de veículos blindados frente às ameaças modernas do campo de batalha. Concebido como um sistema de segunda geração das Forças de Defesa de Israel, ele se destaca por sua arquitetura compacta, baixo peso, reduzido consumo de energia e facilidade de integração em plataformas já existentes.

De acordo com a empresa, o sistema oferece cobertura de 360 graus contra uma ampla gama de ameaças, incluindo foguetes anticarro, mísseis guiados antitanque, munições de ataque direto, sistemas aéreos não tripulados e munições de energia cinética empregadas por carros de combate. O Iron Fist foi projetado para operar com eficácia tanto em terrenos abertos quanto em ambientes urbanos densos, onde o risco de engajamentos a curta distância é elevado.

No contexto internacional, o Iron Fist é frequentemente comparado a outros sistemas de proteção ativa amplamente conhecidos. O Trophy, desenvolvido pela Rafael e amplamente empregado em carros de combate Merkava e no M1A2 Abrams, prioriza elevada robustez e confiabilidade, sendo considerado o sistema mais testado em combate real, embora apresente maior peso e demanda energética, o que o torna mais adequado a plataformas pesadas.

Já o sistema russo Afghanit, integrado ao carro de combate T-14 Armata, combina sensores radar e eletro-ópticos com interceptores de destruição direta, mas ainda enfrenta questionamentos quanto à sua maturidade operacional e disponibilidade em escala, além da limitada transparência sobre seu desempenho real em operações de combate.

Nesse cenário, o Iron Fist se posiciona como uma solução intermediária, combinando capacidade de proteção, menor impacto sobre a mobilidade do veículo e maior flexibilidade de integração, características particularmente relevantes para veículos de combate de infantaria, como o Bradley, que operam cada vez mais próximos da linha de frente.

A Elbit Systems observa que o Iron Fist já foi selecionado por forças armadas de países membros da OTAN e de outras nações para diferentes plataformas de combate. Para o Exército dos Estados Unidos, a ampliação do contrato reforça a prioridade atribuída à proteção ativa como elemento central da modernização de sua frota de veículos blindados, especialmente diante da proliferação de mísseis anticarro e munições guiadas no campo de batalha contemporâneo.

Ao comentar o anúncio, o presidente e CEO da Elbit Systems, Bezhalel Machlis, destacou que o sistema continua demonstrando sua vantagem tecnológica, ressaltando a parceria estratégica com a General Dynamics e o Exército dos Estados Unidos, bem como o foco na proteção das tropas em operações reais.


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O Reino Unido acelera a modernização do Eurofighter com o radar ECRS Mk2 e reforça capacidades de guerra eletrônica

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O Ministério da Defesa do Reino Unido anunciou uma nova encomenda de 40 radares multifuncionais AESA ECRS Mk2 destinados à modernização da frota de caças Eurofighter Typhoon da Força Aérea Real (RAF). Avaliado em aproximadamente 650 milhões de libras, o contrato reforça a prioridade britânica em ampliar as capacidades de guerra eletrônica, supressão e destruição de defesas aéreas inimigas em um ambiente operacional cada vez mais contestado.

A decisão de avançar com uma encomenda adicional sinaliza que o ECRS Mk2 deixou de ser apenas um programa de atualização incremental e passou a ocupar posição central na estratégia britânica de combate aéreo. Em um contexto marcado pela proliferação de sistemas avançados de defesa aérea, sensores distribuídos e ameaças de negação de área, o radar torna-se um elemento crítico para a sobrevivência e a eficácia dos vetores de combate.

O Reino Unido, em parceria com a Itália, lidera o desenvolvimento e a introdução operacional do ECRS Mk2, que representa um salto qualitativo significativo em relação ao radar ECRS Mk0 atualmente em serviço. A ênfase do novo sistema não está apenas na detecção e rastreamento de alvos, mas na integração profunda de capacidades de guerra eletrônica ao próprio radar, ampliando o papel do Typhoon como plataforma multifuncional em operações de alta intensidade.

Desenvolvido conjuntamente pela BAE Systems e pela Leonardo UK, o ECRS Mk2 responde a uma exigência específica da RAF por maior potência de saída e capacidades aprimoradas de SEAD e DEAD. A incorporação dessas funções diretamente no radar permite que a aeronave atue de forma mais autônoma, reduzindo a dependência de plataformas dedicadas exclusivamente à guerra eletrônica e aumentando a flexibilidade tática do conjunto.

Entre as principais melhorias introduzidas pelo ECRS Mk2 destaca-se a formação de feixe adaptativa, que permite ao radar ajustar dinamicamente seus padrões de emissão para evitar interferências inimigas e operar de forma mais resiliente em ambientes eletronicamente degradados. A presença de receptores dedicados para funções de ESM amplia a consciência situacional da aeronave, permitindo não apenas detectar emissões adversárias, mas também classificá-las e explorá-las de forma ativa no planejamento da missão.

Outro avanço relevante está no aumento da potência de interferência, aspecto fundamental para missões de supressão de defesas aéreas modernas. Ao combinar capacidades de radar e de guerra eletrônica em um único sistema, o Typhoon equipado com o ECRS Mk2 passa a desempenhar um papel mais agressivo na penetração de áreas fortemente defendidas, degradando sensores inimigos e abrindo janelas de oportunidade para outras plataformas.

Do ponto de vista tecnológico, o radar incorpora uma arquitetura de antena reformulada, combinando módulos de transmissão e recepção baseados em GaN e GaAs. Essa solução híbrida permite elevar a potência, a eficiência térmica e a confiabilidade do sistema, além de aumentar o número total de TRMs em comparação com o ECRS Mk0. O resultado é um radar com maior alcance efetivo, melhor desempenho em ambientes saturados e maior versatilidade de modos de operação.

Enquanto o Reino Unido e a Itália avançam com o ECRS Mk2, a Alemanha e a Espanha optaram por uma solução alternativa para a modernização de suas frotas de Eurofighter. O radar ECRS Mk1, desenvolvido pela Hensoldt em parceria com a Indra, será adotado tanto para a atualização das aeronaves em serviço quanto para futuras encomendas. Essa divisão reflete abordagens distintas dentro do consórcio Eurofighter, equilibrando requisitos operacionais, custos e estratégias industriais nacionais.

A coexistência das versões Mk1 e Mk2 ilustra a flexibilidade do programa Eurofighter, mas também evidencia uma tendência mais ampla: a fragmentação de soluções tecnológicas dentro de alianças, à medida que cada país busca alinhar capacidades militares com interesses industriais e estratégicos próprios. No caso britânico, a aposta em um radar com forte ênfase em guerra eletrônica reforça a intenção de manter o Typhoon relevante frente a ameaças de última geração, mesmo em um cenário de transição para plataformas de quinta e sexta gerações.

A encomenda dos ECRS Mk2, portanto, não deve ser vista apenas como uma atualização de sensor, mas como parte de uma reconfiguração mais ampla do papel do Eurofighter no combate aéreo moderno. Ao integrar detecção, ataque eletrônico e supressão de defesas em um único sistema, o Reino Unido busca garantir que sua frota permaneça capaz de operar com credibilidade em teatros altamente contestados, preservando autonomia operacional e relevância estratégica nas próximas décadas.


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DGA avança com a MBDA na lógica da guerra de saturação com o One-Way Effector

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A assinatura do acordo entre a Direction Générale de l’Armement (DGA) e a MBDA para o desenvolvimento e a produção do One-Way Effector marca um movimento relevante na adaptação das forças europeias às lições extraídas dos conflitos recentes, em especial da guerra na Ucrânia. Trata-se de um UAV kamikaze de longo alcance, propulsionado por turbojato, concebido desde a origem como uma arma de saturação de baixo custo, com prioridade absoluta para simplicidade, escalabilidade e produção em massa.

O programa sinaliza uma inflexão conceitual importante. Após décadas de foco quase exclusivo em munições de alta precisão, alto custo unitário e forte dependência de sensores sofisticados, a indústria de defesa francesa passa a incorporar, de forma explícita, a lógica da exaustão do adversário por volume, densidade e persistência. O One-Way Effector não busca superioridade tecnológica individual, mas sim superioridade sistêmica por meio da quantidade.

O desenho do sistema apresenta semelhanças evidentes com a família de UAVs kamikaze Geran empregada pela Rússia, em especial o Geran-3. Essa convergência não é casual. O conflito ucraniano demonstrou que plataformas relativamente simples, quando empregadas em grande número, são capazes de saturar defesas aéreas sofisticadas, impor custos desproporcionais ao defensor e forçar o consumo acelerado de interceptadores caros. O projeto francês assume essa realidade sem constrangimentos doutrinários.

A prioridade dada à simplicidade estrutural e à facilidade de produção reflete uma mudança clara de mentalidade. O One-Way Effector abdica de sensores avançados, enlaces complexos e elevada capacidade de sobrevivência individual. Em vez disso, aposta em velocidade, alcance e carga útil suficiente para causar dano relevante. O conceito aproxima-se mais do domínio dos mísseis de cruzeiro do que das munições vagantes tradicionais, ainda que com desempenho inferior e menor resiliência a sistemas de defesa aérea, aspectos considerados secundários dentro da lógica de saturação.

Esse tipo de sistema redefine a relação custo-benefício no campo de batalha. A perda de unidades individuais deixa de ser um problema operacional crítico quando o efeito desejado é a sobrecarga dos sensores, dos interceptadores e do processo decisório do adversário. O valor estratégico passa a estar no efeito coletivo do enxame, não na sobrevivência de cada vetor.

Paralelamente ao One-Way Effector, a MBDA avança no desenvolvimento do míssil de cruzeiro CROSSBOW, que ocupa um espaço intermediário entre soluções de saturação e mísseis de cruzeiro de alta sofisticação, como o SCALP EG. O CROSSBOW busca manter alcance e carga útil comparáveis aos modelos tradicionais, mas com maior simplicidade logística, facilidade de transporte e integração com plataformas diversas.

Essa abordagem implica limitações, como a capacidade de apenas um míssil por lançador, em contraste com sistemas terrestres dedicados que operam múltiplos vetores simultaneamente. No entanto, essa restrição é compensada pela maior flexibilidade de emprego, pela possibilidade de dispersão dos lançadores e pela viabilidade de produção em maior escala. Trata-se de uma solução pensada para conflitos de alta intensidade e longa duração, nos quais a reposição rápida de meios torna-se tão importante quanto a performance individual.

O movimento francês reflete uma tendência mais ampla no pensamento militar contemporâneo. A guerra na Ucrânia expôs os limites de arsenais reduzidos, caros e excessivamente sofisticados frente a um ambiente de combate marcado por desgaste, consumo acelerado de munições e necessidade de presença persistente. A capacidade industrial, a logística e a produção em massa voltam a ocupar posição central na equação do poder militar.

Ao apostar simultaneamente em sistemas de saturação de baixo custo e em mísseis de cruzeiro simplificados, a França busca construir uma arquitetura de capacidades mais resiliente, capaz de operar em diferentes níveis de intensidade e de absorver perdas sem comprometer a continuidade das operações. Não se trata de substituir sistemas de alta precisão, mas de complementá-los com vetores adequados a um cenário onde quantidade, repetição e persistência voltaram a ser decisivas.

O acordo entre a DGA e a MBDA, portanto, vai além de um novo programa específico. Ele sinaliza uma reorientação estratégica: a compreensão de que, em conflitos modernos, a superioridade não será definida apenas por tecnologia de ponta, mas pela capacidade de produzir, empregar e sustentar meios eficazes em larga escala. Em um ambiente cada vez mais marcado por saturação, atrito e desgaste prolongado, simplicidade e volume voltam a ser atributos estratégicos centrais.


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A IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DIGITALIZADO DA ARTILHARIA DE CAMPANHA NO 3º GRUPO DE ARTILHARIA DE CAMPANHA AUTOPROPULSADO: O APOIO DE FOGO DA 6ª BRIGADA DE INFANTARIA BLINDADA NO ESTADO DA ARTE.

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Os conflitos recentes reposicionaram a Artilharia no centro do debate sobre o combate terrestre moderno. A guerra na Ucrânia evidenciou que a eficácia dos fogos de longo alcance depende, cada vez mais, da integração entre sensores, sistemas de comando e meios de tiro, bem como da rapidez com que comandantes e guarnições conseguem transformar informação em decisão. Nesse cenário, a digitalização dos processos de direção e coordenação de fogos deixou de ser apenas uma vantagem tecnológica para se tornar uma exigência operacional.

No Exército Brasileiro, essa compreensão não surgiu de forma abrupta. Pelo contrário, ela resulta de um processo contínuo de aprendizado institucional, no qual tecnologia, doutrina e preparo humano avançaram de maneira integrada. Esse caminho culmina no Sistema Digitalizado da Artilharia de Campanha (SISDAC), expressão de uma trajetória marcada pela valorização da indústria nacional e pela busca permanente de autonomia tecnológica.

Essa reflexão ganha especial significado quando observada a partir da realidade de unidades historicamente associadas à vanguarda do emprego da Artilharia. O 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado, Regimento Mallet (3º GAC AP), orgânico da 6ª Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer (6ª Bda Inf Bld), ao longo de sua trajetória, esteve reiteradamente vinculado à incorporação de novas capacidades, tanto no preparo de seu pessoal quanto na adoção de meios modernos. Inserido entre as organizações militares previstas para receber o SISDAC, o Regimento vivencia mais uma etapa desse processo contínuo de renovação.

A 6ª Bda Inf Bld, com quartel-general em Santa Maria – RS, representa um dos maiores poderes de combate à disposição da Força Terrestre, em razão dos meios que possui e do elevado nível de adestramento alcançado. Seus recursos humanos, instruídos e em permanente treinamento, encontram-se condicionados a atuar com iniciativa, coragem, flexibilidade e adaptabilidade, de acordo com a intenção do comandante e o propósito das tarefas, tendo em vista o estado final desejado para cada missão. Sempre pronta, a Brigada compõe-se harmonicamente por doze organizações militares, que incluem tropas de manobra, comando e controle, defesa antiaérea, mobilidade, contramobilidade e proteção, além dos apoios de fogo e logístico. Trata-se, portanto, de uma Grande Unidade vocacionada para as ações decisivas e que, quando acionada, age com rapidez, precisão, violência e ação de choque.

O 3º GAC AP figura entre as unidades mais antigas e emblemáticas do Exército Brasileiro. Criado em 1831, com origens no Corpo de Artilharia a Cavalo, construiu sua identidade operacional em sucessivas campanhas decisivas da história nacional, destacando-se pelo emprego disciplinado, preciso e resoluto do fogo. Da Guerra da Tríplice Aliança à participação com alguns de seus integrantes na Força Expedicionária Brasileira, durante a 2ª Guerra Mundial, incorporou-se definitivamente às tropas blindadas na década de 1970. Ao longo de sua virtuosa trajetória, soube, com invulgar maestria, atualizar meios e processos, sem abdicar de valores e tradições. Sediado em Santa Maria–RS, desde 1925, consolidou sua vocação para o emprego da Artilharia Autopropulsada, alinhando-se, ao longo do tempo, às transformações doutrinárias e materiais da Força Terrestre.

As origens do SISDAC remontam ao desenvolvimento do Sistema Gênesis, concebido pela Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL), ainda no final do século XX. Em um período em que a digitalização do campo de batalha era incipiente no País, o Gênesis representou uma iniciativa pioneira, ao automatizar processos que até então dependiam fortemente da experiência individual e de cálculos manuais. Ao longo das décadas de 1990 e 2000, o sistema evoluiu gradualmente, havendo sido empregado em instruções, avaliações técnicas e estudos doutrinários. Mais do que um produto tecnológico, o Gênesis funcionou como um espaço de aprendizado coletivo, permitindo que operadores, instrutores e planejadores identificassem limitações, aperfeiçoassem procedimentos e definissem requisitos para sistemas futuros.

A modernização das viaturas autopropulsadas M109, que resultou na versão M109 A5+BR, na década de 2010, elevou significativamente o patamar tecnológico da Artilharia brasileira. Além de novas possibilidades, trouxe consigo, também, novos desafios para aqueles que planejam, coordenam e executam os fogos. Sistemas avançados de navegação, pontaria e comunicações passaram a demandar soluções digitais capazes de integrar dados de forma rápida e confiável. Desta forma, tornou-se evidente que a tecnologia somente produziria efeito real se estivesse alinhada aos processos de decisão e à rotina das guarnições.

O SISDAC surge como resposta a essa necessidade. Herdando conceitos desenvolvidos no Sistema Gênesis, ele amplia o escopo da digitalização, ao integrar navegação, posicionamento, direção de tiro, comunicações e apoio ao comando e controle. Na prática, esses avanços não se traduzem apenas em redução de tempos ou aumento de precisão. Eles oferecem maior previsibilidade às guarnições, ampliam a confiança nos dados empregados e permitem que o comando concentre sua atenção no que é de fato essencial: decidir, coordenar e empregar os fogos com responsabilidade e oportunidade.

A incorporação de sistemas digitais não se resume à aquisição de equipamentos. Ela exige preparo do pessoal, atualização doutrinária e uma cultura organizacional aberta ao estudo e à inovação. Unidades com trajetória histórica associada à vanguarda do emprego da Artilharia, como o Regimento Mallet, refletem, com muita propriedade, a arte de amalgamar tradição e modernidade. Nesse ambiente, a tecnologia não substitui o militar, que inegavelmente representa a fonte de energia que move qualquer exército. Ao contrário, amplia sua capacidade de julgamento, precisão e responsabilidade, reforçando valores historicamente associados à Artilharia.

Além do impacto militar direto, o SISDAC possui, igualmente, relevância estratégica para a Base Industrial de Defesa (BID). Sistemas de comando e controle e de fogos são sensíveis e raramente transferidos de forma plena por fornecedores estrangeiros. Ao apoiar-se no desenvolvimento nacional, o Exército Brasileiro preserva conhecimento crítico, reduz vulnerabilidades tecnológicas e cria condições para evoluir sistemas, de acordo com suas próprias necessidades. Sob essa perspectiva, o SISDAC transcende o campo militar, tornando-se um instrumento de poder e soberania nacional.

Do Sistema Gênesis ao SISDAC, a Artilharia de Campanha brasileira percorreu um caminho marcado por continuidade, aprendizado, visão de longo prazo e, sobretudo, competência. A digitalização do tiro não representa uma ruptura com a tradição, mas sua atualização, diante das exigências do combate contemporâneo. O SISDAC simboliza, assim, mais do que uma nova capacidade tecnológica: expressa uma escolha institucional de investir em pessoas, em conhecimento e em soluções nacionais para manter a relevância operacional e a autonomia da Força Terrestre do século XXI. A implantação do Sistema no Regimento Mallet seguirá um rigoroso cronograma, que ao final do primeiro semestre de 2026, possibilitará ao 3º GAC AP prover o apoio de fogo da Brigada Niederauer em seu estado da arte.


Autores:

TENENTE CORONEL FLÁVIO HENRIQUE DO NASCIMENTO: Formando Oficial da Arma de Artilharia em 2002, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), realizou o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO), no ano de 2010, e o Curso de Comando e Estado-Maior do Exército, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), no biênio 2017-18. Possui o Mestrado Acadêmico em Ciências Militares, pelo Instituto Meira Mattos. No exterior, frequentou o Curso de Aperfeiçoamento, na Escuela de Aplicación de Armas y Tecnológica Mariscal José Ballivián, na Bolívia, e realizou o Command and General Staff Office Course, no Western Hemisphere Institute for Security Cooperation (WHINSEC), nos Estados Unidos da América. Atualmente, comanda o 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado, Regimento Mallet.

GENERAL DE BRIGADA ANDRÉ LUIZ DE SOUZA DIAS: Formado em 1996, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), é oriundo da Arma Infantaria. Atualmente, comanda a 6° Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer, com sede em Santa Maria-RS. Nesta mesma Brigada, foi o Comandante da Companhia de Comando, em 2010-11, e do 29º Batalhão de Infantaria Blindado –Batalhão Cidade de Santa Maria, no biênio 2019-20. Além do Curso de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro, realizou o Curso de Estado-Maior das Forças Armadas da Espanha e o de Altos Estudos Nacionais da Bolívia. Possui os seguintes Mestrados Acadêmicos: em Operações Militares e em Ciências Militares, ambos no Brasil; em Política de Defesa e Segurança Internacional, na Espanha; e em Segurança,Defesa e Desenvolvimento, na Bolívia. É membro da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB) e do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB).






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Brasil enfrenta apagão de consciência situacional aérea e marítima enquanto crime organizado avança com tecnologia

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Por anos, o debate sobre defesa e segurança pública no Brasil ficou preso à dicotomia entre orçamento curto e demandas infinitas. O que começa a emergir agora de forma cada vez mais evidente, é um problema mais profundo e estrutural: o país enfrenta um apagão de consciência situacional, tanto no espaço aéreo de baixa altitude quanto no domínio marítimo e fluvial, justamente no momento em que organizações criminosas ampliam o uso de tecnologia para driblar o Estado.

No espaço aéreo, a proliferação de aeronaves não tripuladas escancarou uma lacuna histórica. O Brasil não dispõe de um sistema integrado de vigilância de baixa altitude capaz de acompanhar em tempo real, atividades suspeitas sobre áreas urbanas críticas, fronteiras e infraestrutura estratégica. A cobertura existente é fragmentada, dependente de operações pontuais e em muitos casos, baseada em meios que não foram concebidos para lidar com ameaças de assinatura reduzida e operação irregular.

O Narcotráfico já emprega drones para transportar drogas

No domínio marítimo e fluvial, o cenário não é menos preocupante. Rotas fluviais na Amazônia, no Pantanal e em regiões costeiras tornaram-se corredores logísticos para o tráfico de drogas, armas e contrabando. Embarcações rápidas, discretas e cada vez mais bem equipadas operam com alto grau de liberdade, explorando a limitação de sensores, radares e meios de patrulha permanentes. A ausência de uma consciência situacional contínua favorece a previsibilidade das ações do Estado e a adaptação constante das organizações criminosas.

O avanço tecnológico do crime organizado não se limita ao uso de drones ou lanchas rápidas. Comunicações criptografadas, monitoramento de forças de segurança em redes abertas e o emprego de sensores improvisados já fazem parte do cotidiano dessas estruturas. Em muitos casos, o crime opera com lógica de rede, capacidade de aprendizado rápido e integração transnacional, enquanto o Estado permanece compartimentado entre diferentes órgãos e níveis federativos.

Esse cenário coloca em xeque a forma como o Brasil pensa defesa e segurança pública. A separação rígida entre ameaças externas e internas torna-se cada vez menos funcional quando organizações criminosas transnacionais atuam dentro do território nacional com métodos, recursos e alcance típicos de ameaças estratégicas. O resultado é um ambiente em que o país reage a crises, mas raramente antecipa movimentos.

A discussão que começa a ganhar espaço nos bastidores institucionais envolve a necessidade de integrar sensores, plataformas aéreas, meios navais e bases de dados em uma arquitetura única de consciência situacional. Não se trata apenas de adquirir novos equipamentos, mas de conectar sistemas já existentes, harmonizar protocolos e criar centros de comando capazes de operar de forma interagências e permanente.

No Brasil, existem iniciativas isoladas, tanto nas Forças Armadas quanto em órgãos civis, mas falta uma visão conjunta. A ausência de integração plena reduz a eficácia de programas caros, limita a interoperabilidade e gera zonas cegas exploradas sistematicamente pelo crime organizado. O problema não é apenas tecnológico; é institucional e estratégico.

A pauta ganha ainda mais relevância em um contexto de crescente pressão sobre fronteiras, portos, aeroportos e hidrovias. O Brasil segue sendo peça-chave nas rotas internacionais do narcotráfico e do contrabando, enquanto o debate público permanece focado em respostas episódicas, operações pontuais e soluções de curto prazo.

O desafio colocado hoje não é apenas reforçar policiamento ou ampliar efetivos, mas redefinir o conceito de vigilância e controle do território nacional. Sem consciência situacional permanente, o Estado opera no escuro. E, no escuro, quem se adapta mais rápido tende a vencer.

Essa é uma pauta que cruza defesa, segurança pública, soberania e tecnologia, e que tende a se tornar central nos próximos anos, à medida que o desequilíbrio entre capacidades do Estado e do crime organizado se torne cada vez mais evidente.


por Angelo Nicolaci


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Amazônia: o Brasil não perde território, perde capacidade de controle

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O debate sobre a Amazônia costuma ser capturado por uma dicotomia simplificadora: ou o Brasil estaria “sob ameaça de perder território”, ou as preocupações seriam meramente retóricas, infladas por interesses externos. Ambas as leituras obscurecem o problema central. A questão amazônica contemporânea não se expressa pela perda formal de soberania, mas pela erosão progressiva da capacidade efetiva de controle do Estado brasileiro sobre o espaço, os fluxos, os dados e as decisões que moldam a região.

No século XXI, soberania não se resume à posse jurídica de um território. Ela se materializa na capacidade de monitorar, compreender, decidir e agir de forma autônoma. Nesse sentido, controle não é sinônimo de presença simbólica. Hashtags, discursos diplomáticos, operações pontuais e declarações de intenção não substituem a construção permanente de capacidades estatais. Onde o Estado não enxerga, não decide; onde não decide, outros decidem por ele.

A Amazônia brasileira sofre hoje de um déficit crônico de meios de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR). A cobertura por satélites próprios é limitada, descontínua e, em muitos casos, dependente de acordos internacionais. A disponibilidade de drones de longo alcance, sensores persistentes, radares fluviais e sistemas integrados de comando e controle está muito aquém das dimensões geográficas e da complexidade operacional da região. O resultado é um território vasto onde o Estado reage mais do que antecipa.

Essa lacuna tecnológica gera um efeito estratégico direto: a dependência crescente de dados produzidos, processados e interpretados por atores externos. Informações sobre desmatamento, movimentações logísticas, impactos ambientais e até atividades ilícitas muitas vezes chegam ao Estado brasileiro por meio de plataformas estrangeiras, ONGs internacionais, centros acadêmicos fora do país ou sistemas comerciais controlados por terceiros. Quando os dados fundamentais sobre um território estratégico não são produzidos de forma soberana, a autonomia decisória torna-se limitada, mesmo que a soberania formal permaneça intacta.

Nesse ambiente, a criminalidade transnacional ocupa o vácuo estatal com rapidez e sofisticação. Redes de narcotráfico, garimpo ilegal, extração clandestina de madeira, contrabando de armas e crimes ambientais operam de maneira integrada, explorando fronteiras porosas, rios extensos e a baixa capacidade de fiscalização contínua. Essas organizações não apenas exploram recursos; elas constroem sistemas próprios de controle territorial, inteligência local, coerção e logística, substituindo, na prática, funções do Estado em determinadas áreas.

O problema se agrava quando essas estruturas criminosas se conectam a fluxos financeiros internacionais, tecnologias de comunicação avançadas e cadeias logísticas globais. O território amazônico passa a ser menos um espaço isolado e mais um nó funcional em redes transnacionais que não respondem a Brasília. A ausência de controle estatal efetivo não gera apenas ilegalidade; ela reconfigura o equilíbrio de poder local, criando zonas onde a autoridade formal existe apenas no papel.

A dimensão informacional da questão amazônica é igualmente crítica. Narrativas sobre a região, seus povos, seus recursos e sua governança são cada vez mais produzidas fora do país e consumidas globalmente como referência legítima. Quando o Brasil não controla os dados, tampouco controla o discurso estratégico. Isso influencia decisões de investimento, políticas ambientais internacionais, mecanismos de financiamento, sanções indiretas e pressões diplomáticas que moldam o espaço de manobra do Estado brasileiro.

É nesse ponto que a discussão sobre defesa nacional deixa de ser abstrata e passa a ser concreta. O controle efetivo da Amazônia exige investimentos continuados em Defesa, não como resposta episódica a crises, mas como política de Estado. Meios de ISR, sistemas de comando e controle, integração interagências e presença persistente dependem de previsibilidade orçamentária, planejamento de longo prazo e articulação entre capacidades militares, civis e industriais.

A expansão das capacidades de monitoramento pode e deve ser feita com tecnologia nacional. O Brasil dispõe de uma base industrial de defesa capaz de desenvolver soluções adaptadas às especificidades amazônicas, reduzindo dependências externas e fortalecendo a soberania informacional. Exemplos concretos já existem. Os estados do Acre e do Amazonas foram pioneiros ao implantar drones de longa permanência com capacidade de monitoramento contínuo, utilizando o SARP HARPIA, desenvolvido pela empresa brasileira ADTECH-SD. Essas iniciativas demonstram que é possível empregar tecnologia nacional em missões complexas de vigilância territorial, ambiental e de segurança.

Ainda assim, esses avanços permanecem pontuais diante da escala do desafio. O número de sistemas disponíveis, a cobertura efetiva e a integração entre plataformas estão muito aquém do necessário para um controle abrangente e persistente da região. A Amazônia exige capacidade contínua, não soluções experimentais ou projetos isolados. Sem massa crítica de meios, sem redundância tecnológica e sem integração plena entre sensores, dados e tomada de decisão, o Estado continuará operando com visibilidade parcial e reação tardia.

Não se trata de negar a importância da cooperação internacional ou da agenda ambiental. Trata-se de compreender que cooperação sem capacidade própria gera dependência, e dependência, no plano estratégico, equivale à perda de autonomia. A proteção da Amazônia exige muito mais do que compromissos retóricos ou ações episódicas. Exige investimento sistemático em ISR, fortalecimento da base industrial de defesa, integração entre Forças Armadas, agências civis e órgãos de segurança, e domínio soberano dos dados produzidos sobre o território nacional.

A polêmica central é inevitável: quem controla os dados, controla o território. No mundo contemporâneo, a disputa não se dá apenas sobre hectares de floresta, mas sobre fluxos de informação, capacidade de monitoramento e poder de decisão. O Brasil não está perdendo a Amazônia no sentido clássico do termo. Está, lentamente, perdendo a capacidade de controlá-la de forma soberana.

Enquanto essa realidade não for enfrentada com seriedade estratégica, a soberania amazônica permanecerá formal, porém frágil. E, em um sistema internacional cada vez mais competitivo e menos tolerante à fragilidade estatal, soberania sem controle efetivo é apenas uma condição transitória.


por Angelo Nicolaci


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O colapso silencioso da Base Industrial de Defesa brasileira

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A Base Industrial de Defesa (BID) constitui um dos pilares fundamentais da soberania de um Estado moderno. Ela não se limita à produção de armamentos ou sistemas militares, mas engloba o conjunto de capacidades industriais, tecnológicas, científicas e humanas necessárias para sustentar, adaptar e evoluir os meios de defesa ao longo do tempo. Em um sistema internacional cada vez mais competitivo, fragmentado e marcado pela revalorização do poder material, a existência de uma BID funcional deixou de ser opção e passou a ser requisito básico de autonomia estratégica.

No Brasil, entretanto, observa-se um processo contínuo e silencioso de erosão dessas capacidades. Não se trata de um colapso abrupto, visível ou concentrado em um único evento, mas de uma deterioração gradual, cumulativa e estrutural, resultante da ausência de políticas de Estado consistentes, previsibilidade orçamentária e compreensão estratégica do papel da defesa como vetor de desenvolvimento nacional.

Empresas estratégicas da BID brasileira sobrevivem hoje, em grande medida, graças a contratos de exportação, parcerias externas e nichos específicos no mercado internacional. Embora a inserção externa seja desejável e necessária, ela não pode substituir o papel do próprio Estado como cliente âncora. Em países que tratam a defesa com seriedade, a demanda estatal garante escala mínima, continuidade produtiva e estabilidade de planejamento. No caso brasileiro, a volatilidade das encomendas públicas transformou o mercado interno em um fator de risco, e não de sustentação.

A interrupção ou postergação recorrente de programas estratégicos produz efeitos devastadores que vão muito além do atraso na entrega de equipamentos. O impacto mais crítico recai sobre o capital humano. Engenheiros, técnicos, integradores de sistemas e especialistas em tecnologias sensíveis não são recursos facilmente recomponíveis. Quando projetos são suspensos, esse contingente migra para outros setores ou para o exterior, levando consigo conhecimento tácito acumulado ao longo de décadas. A retomada posterior de um programa encontra, muitas vezes, apenas a estrutura física remanescente, mas não o saber necessário para fazê-lo avançar.

Essa perda de capital humano aprofunda a dependência externa em áreas estratégicas. O Brasil tornou-se crescentemente dependente de fornecedores estrangeiros de sensores, sistemas optrônicos, semicondutores, componentes eletrônicos críticos, sistemas de propulsão e materiais especiais. Trata-se de uma dependência que não se limita ao fornecimento inicial, mas se estende ao ciclo de vida completo dos sistemas, incluindo manutenção, modernização, atualização de software e autorização para emprego operacional. Em cenários de crise, sanções ou tensões diplomáticas, essas dependências tornam-se instrumentos de coerção.

A fragilidade da BID compromete diretamente a autonomia das Forças Armadas. A capacidade militar de um Estado não se mede apenas pelo inventário de meios adquiridos, mas pela sua capacidade de sustentá-los em operação, adaptá-los a novos cenários e integrá-los a doutrinas próprias. Sem uma base industrial capaz de absorver, modificar e evoluir tecnologias, o país se transforma em operador dependente, com liberdade de ação severamente limitada.

Esse quadro não é exclusivo do Brasil, mas a diferença reside na forma como outros Estados reagiram a desafios semelhantes. A comparação internacional é elucidativa.

A Coreia do Sul, por exemplo, enfrentou nos anos 1970 e 1980 severas restrições externas e ameaças diretas à sua segurança. A resposta foi tratar a defesa como política industrial estratégica. O Estado assumiu o papel de indutor, garantiu demanda contínua, protegeu sua indústria nascente e integrou universidades, centros de pesquisa e empresas privadas. O resultado foi a construção de uma BID robusta, capaz não apenas de suprir suas Forças Armadas, mas de se tornar uma das principais exportadoras globais de sistemas de defesa.

A Turquia seguiu caminho semelhante nas últimas duas décadas. Mesmo enfrentando sanções, pressões diplomáticas e crises econômicas, manteve a continuidade dos investimentos em sua base industrial de defesa. A decisão política de reduzir dependências externas levou à criação de capacidades nacionais em áreas críticas, como sistemas não tripulados, eletrônica embarcada e integração de plataformas. Hoje, a indústria de defesa turca é instrumento central de sua política externa e de sua projeção regional.

Israel oferece outro exemplo relevante. Cercado por ameaças desde sua fundação, o país compreendeu que a sobrevivência dependia de autonomia tecnológica. O Estado atuou de forma sistemática como cliente, financiador e articulador da inovação. A indústria de defesa tornou-se motor de desenvolvimento tecnológico, com amplos efeitos de transbordamento para o setor civil, consolidando um ecossistema de inovação altamente competitivo.

Mesmo a Índia, tradicionalmente dependente de fornecedores externos, reconheceu os custos estratégicos dessa dependência. Após sucessivas crises de abastecimento e restrições políticas, lançou programas voltados à internalização de capacidades industriais, ainda que de forma tardia e com dificuldades. A lição indiana é clara: reconstruir capacidades perdidas é muito mais caro e lento do que preservá-las.

Esses exemplos convergem para um ponto central: a Base Industrial de Defesa não emerge espontaneamente do mercado. Ela é resultado de decisão política, continuidade estratégica e investimento de longo prazo. Onde o Estado se omite, a indústria enfraquece; onde o Estado atua de forma errática, a indústria se torna dependente; onde o Estado assume seu papel, a indústria floresce.

No Brasil, predomina ainda a visão de que defesa é gasto, e não investimento estratégico. Essa percepção ignora o papel da BID como política industrial avançada, geradora de empregos altamente qualificados, inovação tecnológica, soberania produtiva e capacidade de inserção internacional. Em um contexto de restrição fiscal, a expansão do custeio administrativo e a compressão dos investimentos estratégicos revelam uma hierarquia de prioridades incompatível com qualquer projeto nacional de poder.

A crença de que acordos de transferência de tecnologia compensariam a fragilidade da BID nacional também se mostrou ilusória. Sem capacidade interna de absorção, integração e evolução, tais transferências tornam-se limitadas, condicionadas e reversíveis. Tecnologia não se transfere plenamente sem base industrial, capital humano e continuidade de programas.

O efeito final desse colapso silencioso é estratégico. Sem uma Base Industrial de Defesa funcional, a soberania nacional transforma-se em discurso. Não há autonomia decisória quando sistemas críticos dependem de autorizações externas. Não há dissuasão crível quando a reposição de componentes pode ser vetada politicamente. Não há liberdade de ação quando a manutenção da capacidade militar está sujeita a interesses alheios.

O colapso da Base Industrial de Defesa brasileira não é resultado de um único governo ou conjuntura específica, mas de décadas de descontinuidade, improvisação e incompreensão do papel estratégico da indústria de defesa. Ainda é reversível, mas cada ano de inação eleva exponencialmente o custo da reconstrução.

Em um sistema internacional que voltou a valorizar poder material, autonomia produtiva e resiliência estratégica, países sem indústria de defesa própria não são neutros, independentes ou soberanos. São vulneráveis. E vulnerabilidade, no mundo real, não é uma condição moral, é um convite à coerção.

Sem indústria de defesa, soberania é discurso vazio.



por Angelo Nicolaci



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ABIMDE marca presença na SHOT Show 2026

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A Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) acompanha, nesta semana, a SHOT Show 2026, realizada entre os dias 20 e 23 de janeiro, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Considerada o principal evento comercial global voltado aos segmentos de tiro esportivo, caça, atividades ao ar livre e proteção individual, a feira reúne fabricantes, compradores profissionais, representantes institucionais e imprensa especializada, funcionando como um importante termômetro das tendências tecnológicas e comerciais do setor.

A presença da ABIMDE se insere em um movimento contínuo de aproximação com o mercado norte-americano de segurança pública, marcado pelo acompanhamento direto de feiras técnicas estratégicas e pelo diálogo permanente com empresas brasileiras interessadas em ampliar sua atuação internacional. Nesta edição, a entidade mantém uma agenda voltada tanto ao relacionamento institucional quanto ao suporte às empresas associadas que participam da SHOT Show por diferentes formatos, incluindo exposição direta, parcerias comerciais, agendas próprias de reuniões e ações de prospecção.

Segundo o assessor de Segurança Pública da ABIMDE, Dr. Edval Novaes, o acompanhamento da SHOT Show permite uma leitura mais precisa das dinâmicas específicas de um evento de perfil amplo, que congrega múltiplos segmentos e públicos, incluindo profissionais ligados à aplicação da lei. Essa diversidade contribui para identificar demandas técnicas, tendências de mercado e oportunidades comerciais relevantes para empresas brasileiras que atuam em nichos distintos da cadeia de segurança.

Entre as associadas acompanhadas pela ABIMDE nesta edição estão empresas que participam do evento em diferentes modalidades, refletindo estratégias variadas de inserção internacional. Iniciativas envolvendo SiNTRES Systems, Taurus, CBC, Condor, AR500, New Expo e CINADRA fazem parte do conjunto de atividades monitoradas, assim como a participação da Algemas Brasil em cooperação com um parceiro expositor. Esse modelo de atuação evidencia a busca por maior flexibilidade na presença internacional, especialmente em um ambiente altamente competitivo e regulado como o mercado norte-americano.

A GoldenDome Comércio de Equipamentos Táticos Ltda. participa da SHOT Show por meio de uma delegação empresarial, alinhada à sua estratégia de atuação internacional. A empresa, que representa marcas norte-americanas no Brasil, utiliza o ambiente da feira para aprofundar o relacionamento com fornecedores, acompanhar lançamentos e alinhar soluções às demandas das forças de segurança públicas e privadas brasileiras, reforçando o papel da SHOT Show como espaço de interlocução técnica e comercial.

Para Pietra Pasquali, CEO da Algemas Brasil, a atuação conjunta com a ABIMDE contribui para ampliar a visibilidade institucional das empresas nacionais em um mercado altamente especializado. Segundo ela, mesmo a presença por meio de parcerias permite apresentar produtos, estabelecer diálogo com distribuidores internacionais e compreender com maior precisão o perfil do público-alvo e as exigências regulatórias e operacionais do setor.

Organizada pela National Shooting Sports Foundation (NSSF), a SHOT Show chega à sua 48ª edição consolidada como um evento exclusivamente comercial, restrito a profissionais da indústria. Em 2026, a feira reúne cerca de 2.800 expositores e atrai visitantes de mais de 120 países, reforçando seu papel como uma das principais plataformas globais de negócios e networking no campo da segurança e dos equipamentos táticos.

A atuação da ABIMDE na SHOT Show integra um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas à ampliação do diálogo internacional da indústria brasileira de defesa e segurança, incluindo a organização e o apoio a delegações empresariais em eventos especializados no exterior. O objetivo é aprofundar o conhecimento sobre mercados estratégicos, estimular conexões comerciais sustentáveis e apoiar a inserção da indústria nacional em ambientes técnicos de alta relevância, fundamentais para a competitividade e a projeção internacional do setor.


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Embraer leva KC-390 Millennium e E195-E2 ao Singapore Airshow e reforça aposta estratégica na Ásia-Pacífico

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A Embraer confirmou sua participação na 10ª edição do Singapore Airshow, que ocorre entre os dias 3 e 8 de fevereiro, em Singapura, levando para exposição estática duas de suas aeronaves mais estratégicas da atualidade: o jato comercial E195-E2 e o transporte tático multimissão KC-390 Millennium. A presença no principal evento aeroespacial do Sudeste Asiático vai além da vitrine tecnológica e simboliza o aprofundamento da estratégia da empresa na região Ásia-Pacífico, hoje um dos principais vetores de crescimento do setor aeroespacial e de defesa no mundo.

O E195-E2, maior aeronave da família E-Jets E2, representa a aposta da Embraer no segmento de small narrowbody, combinando baixo consumo de combustível, redução significativa de ruído e elevada eficiência operacional. Já o KC-390 Millennium, cada vez mais consolidado no mercado internacional de defesa, reforça a capacidade da empresa brasileira de competir em um segmento historicamente dominado por poucos fabricantes globais, oferecendo uma plataforma multimissão com elevado grau de flexibilidade, interoperabilidade e custos operacionais reduzidos.

A participação da Embraer no Singapore Airshow ocorre em um momento particularmente favorável, marcado por avanços concretos na região. Atualmente, aeronaves da fabricante operam em mais de 20 países da Ásia-Pacífico, refletindo uma presença construída ao longo de décadas e agora acelerada por novos contratos, parcerias estratégicas e investimentos em infraestrutura.

Entre os destaques recentes está a ampliação das operações comerciais com a Scoot, companhia aérea de baixo custo de Singapura, que desde maio de 2024 opera o E190-E2 em diversas rotas regionais. Na Oceania, a Virgin Australia iniciou, em novembro de 2025, operações com o mesmo modelo, reforçando a atratividade do E2 para mercados que demandam flexibilidade, eficiência e conectividade regional. No Japão, a All Nippon Airways (ANA) formalizou um pedido de 15 aeronaves E190-E2, com opção para mais cinco, consolidando a entrada do E2 em um dos mercados mais exigentes do mundo em termos de segurança, confiabilidade e desempenho.

No campo da defesa, a Embraer Defesa & Segurança assinou um Memorando de Entendimento com a Administração do Programa de Aquisição de Defesa da Coreia do Sul (DAPA), movimento que indica o interesse sul-coreano em aprofundar a cooperação industrial e operacional. Paralelamente, a empresa avançou de forma significativa na Índia, com a assinatura de um Acordo de Cooperação Estratégica com o Mahindra Group, voltado à proposta do C-390 Millennium para o programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana. Trata-se de uma iniciativa alinhada à política indiana de fortalecimento da base industrial de defesa local e de transferência de tecnologia.

Outro marco relevante foi a inauguração do escritório da Embraer em Nova Déli, ampliando sua rede de presença física na Ásia-Pacífico, bem como a instalação, em Singapura, do primeiro simulador completo de voo (Full Flight Simulator – FFS) para os E-Jets E2 na região. A estrutura foi implementada por meio da joint venture Embraer-CAE Training Services (ECTS) e reforça o ecossistema de suporte, treinamento e pós-venda, elemento-chave para a consolidação de qualquer fabricante no mercado asiático.

Esses movimentos refletem uma estratégia integrada que envolve todas as unidades de negócio da Embraer — Aviação Comercial, Aviação Executiva, Defesa & Segurança, Serviços & Suporte e Mobilidade Aérea Urbana. A região Ásia-Pacífico, marcada por crescimento econômico, expansão do tráfego aéreo e modernização acelerada das forças armadas, oferece um ambiente fértil tanto para soluções civis quanto militares.

Segundo Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer, a dinâmica regional é central para o futuro da companhia. Ele destaca que as companhias aéreas da Ásia-Pacífico têm reconhecido os E-Jets E2 como ativos estratégicos para ampliar a conectividade regional, enquanto o KC-390 Millennium avança no cenário global de defesa ao demonstrar, em operações reais, sua capacidade multimissão, confiabilidade e eficiência.

Além das aeronaves tripuladas, a Embraer também leva ao Singapore Airshow os avanços de sua subsidiária Eve Air Mobility. Em dezembro de 2025, a Eve realizou o primeiro voo de seu protótipo eVTOL não tripulado em escala real, marcando o início da campanha de testes de voo e validação de sistemas críticos, como a arquitetura fly-by-wire de quinta geração. Ao longo de 2026, os testes devem avançar progressivamente, ampliando o envelope de voo e preparando a plataforma para as próximas fases de desenvolvimento.

A presença da Embraer na Ásia-Pacífico remonta a quase cinco décadas, desde a entrada em operação do Bandeirante na região, em 1978. Singapura, hoje, funciona como o principal hub regional da empresa, abrigando um Centro de Distribuição com mais de US$ 100 milhões em peças e um simulador E2 utilizado para treinamento de pilotos de companhias aéreas de toda a região. A fabricante também mantém um escritório em Pequim, reforçando sua capilaridade no mercado asiático.

No Singapore Airshow, a Embraer realizará uma coletiva de imprensa no dia 3 de fevereiro, enquanto a Eve Air Mobility fará sua apresentação no dia 4. Estão previstas ainda visitas técnicas às aeronaves em exposição, reforçando o caráter institucional e estratégico da participação da empresa no evento.

Mais do que uma simples exibição de produtos, a presença da Embraer em Singapura sinaliza a consolidação de uma estratégia de longo prazo, na qual tecnologia, cooperação industrial, presença local e capacidade de suporte formam os pilares para competir em um dos ambientes mais disputados e estratégicos do setor aeroespacial global.


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domingo, 25 de janeiro de 2026

ABIMDE estrutura Comitê de Veículos Não Tripulados e organiza agenda industrial do setor

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Em um contexto de rápida expansão dos sistemas não tripulados e de crescente complexidade regulatória, a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) deu início, no dia 2 de dezembro, aos trabalhos do Comitê de Veículos Não Tripulados. A nova instância foi criada com o objetivo de organizar a atuação da indústria nacional envolvida no desenvolvimento, produção e aplicação de veículos não tripulados nos domínios aéreo, terrestre e marítimo, consolidando um espaço técnico de articulação industrial, institucional e normativa.

A criação do Comitê ocorre em um momento sensível para o setor, marcado pelo avanço acelerado dessas tecnologias e pela ampliação de seu emprego por órgãos de defesa, segurança pública e usuários institucionais. Nesse cenário, a ausência de coordenação estruturada entre indústria, reguladores e compradores tem imposto desafios relevantes ao planejamento industrial e à adoção consistente dessas capacidades no país.

O Comitê de Veículos Não Tripulados é coordenado por Caique Garbin, Consultor de Novos Negócios da Xmobots, e tem como secretário Renaldo Almeida, da Taurus Armas. O grupo reúne empresas com atuação em diferentes elos da cadeia produtiva, incluindo fabricantes de plataformas, desenvolvedores de sistemas embarcados, soluções de comunicação, integração tecnológica e aplicações operacionais. Essa composição diversa permite uma leitura abrangente do setor e contribui para a construção de diagnósticos mais consistentes sobre os desafios enfrentados pela indústria nacional.

Ao comentar a iniciativa, o Presidente-Executivo da ABIMDE, Tenente-Brigadeiro do Ar R1 José Augusto Crepaldi Affonso, destacou o papel da Associação como elemento de convergência entre indústria e Estado em um ambiente de rápida evolução tecnológica. Segundo ele, a ABIMDE atua como espaço institucional para que a indústria possa dialogar de forma organizada, qualificada e contínua com o poder público, contribuindo tecnicamente para decisões que impactam diretamente o desenvolvimento industrial e as capacidades nacionais.

Integram o Comitê as empresas Adtech, AEL Sistemas, Aeroid, Akaer, Avionics, Baiuca Sports, BR Vant, CERTI, Condor Não Letal, CSD, DGS Boats, EMGEPRON, Energias, IDV, Mac Jee, Modirum Gespi, Neger, Performa Defesa, Polícia Militar da Bahia, Redtech, Stella Tecnologia, Taurus Armas e Xmobots. O grupo reúne fabricantes de veículos aéreos, terrestres e marítimos, fornecedores de sistemas de comunicação e acessórios, além de representantes da indústria e de usuários institucionais, o que reforça o caráter transversal do fórum.

Entre os principais temas debatidos na primeira reunião estão a fragmentação regulatória e a multiplicidade de órgãos fiscalizadores, além das dificuldades associadas aos processos de certificação, homologação e aquisição de sistemas não tripulados no Brasil. A inexistência de diretrizes unificadas para os diferentes domínios de operação tem impacto direto tanto no planejamento industrial quanto na previsibilidade de investimentos e na incorporação dessas tecnologias por órgãos de defesa e segurança.

As discussões conduzidas no âmbito do Comitê também dialogam com o ambiente legislativo. Em especial, o grupo acompanha o Projeto de Lei Complementar nº 36-B, de 2025, que trata do emprego de veículos não tripulados por órgãos de segurança pública e pelas Forças Armadas. A proposta é observada como parte de um esforço mais amplo de qualificação do debate normativo, com base em contribuições técnicas oriundas da própria indústria.

De acordo com o coordenador do Comitê, a intenção é consolidar o fórum como um espaço permanente de construção coletiva. Para Caique Garbin, reunir empresas, usuários e a Associação em torno de uma agenda comum permite identificar gargalos reais e avançar em soluções que atendam simultaneamente às necessidades operacionais, industriais e institucionais do país.

A agenda inicial de trabalho do Comitê inclui o mapeamento detalhado da base produtiva nacional, a sistematização de contribuições técnicas para processos regulatórios, o diálogo com órgãos compradores sobre requisitos operacionais e a organização de ações voltadas à promoção comercial do setor. Também estão previstas iniciativas relacionadas ao acesso a instrumentos de financiamento para pesquisa e desenvolvimento, considerados essenciais para a consolidação e a competitividade da indústria brasileira de sistemas não tripulados.



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O mito da neutralidade brasileira em um mundo multipolar

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Em meio à aceleração da rivalidade entre grandes potências e à consolidação de um sistema internacional multipolar, o Brasil insiste em sustentar o discurso da neutralidade como eixo central de sua política externa. Apresentada como virtude diplomática, essa postura é frequentemente associada à tradição pacífica do país, à ausência de inimigos declarados e à preferência histórica pelo diálogo. No entanto, à luz da realidade estratégica contemporânea, a neutralidade brasileira revela-se menos uma escolha soberana e mais um mito conveniente, sustentado por premissas que já não se aplicam ao mundo real.

A neutralidade, na teoria clássica das relações internacionais, nunca foi um valor moral em si. Sempre foi uma condição estratégica. Estados neutros só foram respeitados quando possuíam capacidade concreta de dissuasão, controle territorial e autonomia decisória. Suíça, Suécia durante a Guerra Fria e, em certa medida, a Finlândia, não foram neutras por fragilidade, mas por força. Investiram pesadamente em defesa, controle de fronteiras, mobilização nacional e preparo da sociedade para o conflito. A neutralidade era crível porque custava caro violá-la.

No caso brasileiro, o discurso da neutralidade não é acompanhado por capacidade material compatível. O país não dispõe de meios suficientes para negar o uso de seu espaço aéreo em um cenário de crise, não possui capacidade naval para controlar suas águas jurisdicionais de forma contínua, tampouco apresenta uma estrutura de defesa integrada capaz de impor custos significativos a atores externos. Neutralidade sem capacidade de defesa não é neutralidade: é vulnerabilidade estratégica.

No mundo multipolar, o poder não se exerce apenas por meios militares diretos. As pressões contemporâneas são silenciosas, graduais e muitas vezes invisíveis ao debate público. Elas se manifestam no controle de cadeias de suprimento, na dependência tecnológica, na manipulação de fluxos financeiros, no acesso a dados estratégicos, na influência sobre infraestrutura crítica e, sobretudo, no condicionamento do comércio de commodities. Países que se dizem neutros, mas dependentes, tornam-se alvos preferenciais desse tipo de coerção.

O Brasil, grande exportador de alimentos, minérios e energia, encontra-se especialmente exposto. A ausência de uma política clara de proteção de dados, de soberania digital e de controle sobre ativos estratégicos amplia o poder de barganha de atores externos. Pressões sobre certificações ambientais, padrões regulatórios, financiamento internacional e acesso a mercados funcionam como instrumentos de alinhamento indireto. Não se trata de invasão ou ultimato formal, mas de constrangimento estrutural.

Nesse contexto, a neutralidade brasileira corre o risco de se transformar em alinhamento forçado por omissão. Ao evitar escolhas estratégicas claras e ao não investir na construção de capacidades nacionais, o país reduz seu espaço de manobra. A ausência de posicionamento firme não preserva autonomia; ao contrário, transfere a iniciativa aos atores mais fortes, que passam a definir os limites do possível para o Estado brasileiro.

Há ainda um equívoco conceitual recorrente: confundir não alinhamento automático com neutralidade estratégica. Um país pode evitar alianças rígidas e, ainda assim, construir poder, definir linhas vermelhas e proteger interesses vitais. O problema surge quando o discurso da neutralidade é utilizado como substituto para a ausência de estratégia, planejamento e investimento. Nesse caso, a política externa deixa de ser instrumento de poder e passa a ser narrativa de autojustificação.

A insistência brasileira na neutralidade ocorre em um momento em que o sistema internacional se torna menos tolerante à ambiguidade. Conflitos regionais, disputas por tecnologia, energia e alimentos, e a fragmentação das cadeias globais de valor exigem posicionamentos mais claros, ainda que pragmáticos. Países intermediários que não constroem poder próprio tendem a ser pressionados a escolher lados em condições desfavoráveis.

O risco é evidente: uma neutralidade fraca não protege a soberania, apenas a adia. Quando a coerção se intensifica, Estados despreparados são compelidos a concessões assimétricas, seja no campo econômico, regulatório ou político. Nesse cenário, a neutralidade deixa de ser instrumento de preservação da paz e se converte em submissão estratégica disfarçada.

Para que a neutralidade seja uma opção real, o Brasil precisaria investir de forma consistente em defesa, inteligência, proteção de infraestrutura crítica, soberania tecnológica e integração nacional. Precisaria também alinhar política externa, política industrial e política de defesa em um projeto coerente de poder. Sem isso, o discurso neutral torna-se apenas retórica, incapaz de resistir às dinâmicas duras do sistema internacional.

O mundo multipolar não pune a neutralidade; pune a fraqueza. E, no atual estágio, o maior perigo para o Brasil não é escolher um lado, mas continuar acreditando que pode permanecer indefinidamente fora do jogo sem pagar o preço. A neutralidade, quando não é sustentada por poder, deixa de ser estratégia e passa a ser ilusão — confortável no discurso, perigosa na prática.


por Angelo Nicolaci


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