domingo, 18 de janeiro de 2026

Projeto de Revitalização dos Leopard 1A5 garante longevidade e capacidade de combate ao Exército Brasileiro

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O Exército Brasileiro deu um passo estratégico para a manutenção e modernização de sua frota de blindados com a conclusão da revitalização das duas primeiras unidades do Leopard 1A5, em janeiro de 2026. Integrado ao Programa Estratégico Forças Blindadas, lançado em 2025, o Projeto de Revitalização visa prolongar a vida útil dos carros de combate e assegurar a projeção de poder do Exército até 2040. Segundo o Coronel Idunalvo Mariano, diretor do Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar, responsável pela execução do programa, “a revitalização do Leopard vai fazer com que o Exército ganhe uma sobrevida do seu poder de combate, por mais 15 anos, favorecendo a capacidade de atuação em operações convencionais e a segurança nacional.”

Localizado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, o Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar concentra equipes especializadas, formadas por militares e engenheiros do Instituto Militar de Engenharia, para conduzir um trabalho minucioso que vai além da manutenção preventiva e corretiva. “A revitalização pretende dar longevidade ao carro de combate, garantindo que cada veículo esteja apto a operar em plena capacidade por muitos anos”, explica o Subtenente Luciano Rauber, integrante da equipe de manutenção.

O processo de revitalização é dividido em duas etapas principais: chassi e torre. Cada blindado passa por diagnósticos detalhados, identificando peças e componentes que precisam ser substituídos ou modernizados. A 2ª Tenente Letícia Moreira, chefe do Pavilhão de Manutenção, destaca que, após os testes iniciais, o trabalho é direcionado à substituição de sistemas críticos, incluindo eletrônicos e de controle de tiro, seguido de testes finais rigorosos, que englobam arranque, aceleração, frenagem e estabilização da torre e do armamento. Apenas após aprovação em todos os critérios, o veículo retorna à unidade militar pronto para emprego operacional.

Para reduzir custos e aumentar a eficiência, o Parque mantém uma seção de Estudos e Projetos, onde engenheiros desenvolvem componentes nacionais para os blindados, nacionalizando partes essenciais e garantindo autonomia tecnológica ao Exército. Essa integração entre manutenção e desenvolvimento de tecnologia própria reforça a capacidade brasileira de manter sistemas avançados de combate sem depender integralmente de fornecedores externos.

Em 2026, a previsão é de que cinco Leopard 1A5 sejam revitalizados, totalizando 52 unidades ao longo de dez anos. Cada blindado exige cerca de dois meses de trabalho intenso, refletindo a complexidade e o rigor do projeto. Os Leopard 1A5 revitalizados pertencem majoritariamente ao Comando Militar do Sul, responsável por aproximadamente 80% da frota, consolidando a região como núcleo central do combate convencional brasileiro.

O Leopard 1A5, de origem alemã, combina mobilidade, poder de fogo e proteção blindada. Com 42 toneladas, motor de 830HC e autonomia de até 600 quilômetros, a viatura possui avançado sistema de controle de tiro e visão térmica, permitindo precisão noturna. Seu canhão de 105 mm, aliado à possibilidade de acoplar metralhadoras antiaéreas e MG3, mantém o blindado como referência em combate terrestre, apto a enfrentar cenários complexos de guerra convencional.

Paralelamente à revitalização, o Exército conduz estudos estratégicos voltados à futura substituição do Leopard 1A5 por um carro de combate moderno, capaz de atender às demandas da guerra contemporânea e integrar tecnologias nacionais e internacionais. Entretanto, esses estudos não eliminam a necessidade de manter e modernizar os Leopard 1A5 até a incorporação de novos blindados, garantindo que a capacidade de combate terrestre seja preservada sem lacunas estratégicas.

A revitalização do Leopard 1A5, portanto, representa mais do que a manutenção de uma frota: é um investimento em prontidão, autonomia tecnológica e projeção de poder. Ao combinar manutenção de alta complexidade, nacionalização de componentes e testes operacionais rigorosos, o Exército Brasileiro assegura que seus blindados continuem aptos a atuar em defesa da soberania nacional, contribuindo para o equilíbrio estratégico regional e fortalecendo a capacidade do país de reagir a ameaças convencionais.


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Drone MQ-9B SeaGuardian avança na guerra antissubmarino com balizas multiestáticas

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A General Atomics Aeronautical Systems (GA-ASI) anunciou em 13 de janeiro de 2026 a conclusão bem-sucedida de um teste prolongado das capacidades de guerra antissubmarino do drone MQ-9B SeaGuardian. A demonstração, realizada em 17 de dezembro de 2025 com o apoio da Marinha dos EUA, marcou a primeira vez em que um veículo aéreo não tripulado lançou balizas acústicas ativas multiestáticas de forma operacional, abrindo novas possibilidades para vigilância marítima e controle de ameaças submarinas. O local exato do teste não foi divulgado.

O programa AIRWorks, que supervisionou a avaliação, tinha como objetivo certificar operacionalmente o Sistema de Dispensação de Sonoboias (SDS) do MQ-9B. Segundo a GA-ASI, o teste expandiu a capacidade do sistema, utilizando pelo menos dois módulos SDS, cada um capaz de transportar 10 balizas do tipo A ou 20 do tipo G. Em plena configuração, o SeaGuardian poderia transportar até quatro módulos, chegando a 40 balizas A ou 80 balizas G, um avanço relevante para uma plataforma não tripulada.

Embora o SeaGuardian não substitua plataformas dedicadas como o P-8A Poseidon ou o helicóptero MH-60R Seahawk, que podem lançar um volume muito maior de balizas, ele oferece vantagens estratégicas claras: longo alcance, baixo custo operacional e capacidade de manter vigilância prolongada sobre vastas áreas oceânicas. Essa flexibilidade posiciona os drones como ferramentas essenciais para monitoramento de submarinos modernos, especialmente aqueles projetados para operar de forma silenciosa e evasiva.

O investimento da Marinha dos EUA reforça essa tendência: 20.000 sistemas AN/SSQ-125 foram encomendados em contrato de cerca de US$ 101,7 milhões, indicando que a adoção de drones e sistemas multiestáticos é parte de uma estratégia de longo prazo. O objetivo é criar uma capacidade de guerra antissubmarino distribuída, capaz de cobrir áreas extensas e reduzir zonas mortas que os sistemas clássicos monoestáticos não conseguem eliminar.

As balizas acústicas multiestáticas representam um salto tecnológico em relação aos sistemas convencionais. Enquanto os faróis tradicionais emitem e recebem sinais no mesmo ponto, os sistemas multiestáticos se distribuem em rede: um ou mais faróis emitem o pulso acústico e outros, posicionados a distância, recebem os ecos. Esse método gera múltiplos ângulos de varredura, dificultando que o submarino detecte a fonte do sonar e realize manobras evasivas efetivas. Além disso, a cooperação entre os sensores reduz a quantidade de balizas necessárias para cobrir grandes áreas, tornando o sistema mais eficiente e menos vulnerável.

Essa evolução reflete uma mudança na guerra antissubmarino, que passa a privilegiar plataformas aéreas não tripuladas, sistemas distribuídos e interoperáveis, capazes de enfrentar submarinos silenciosos e tecnologicamente sofisticados. O MQ-9B SeaGuardian, ao integrar lançamentos de balizas multiestáticas e vigilância de longo alcance, torna-se uma peça estratégica na proteção de rotas marítimas vitais e no controle de áreas oceânicas críticas.

Para países com interesses em segurança marítima e monitoramento de regiões estratégicas, como o Atlântico Sul, o avanço do SeaGuardian demonstra que sistemas não tripulados podem complementar forças tradicionais, oferecendo persistência, rapidez e economia operacional. A tendência é que plataformas desse tipo sejam cada vez mais incorporadas a redes de vigilância e inteligência, conectadas a navios, aeronaves tripuladas e centros de comando, ampliando a capacidade de resposta a ameaças submarinas em tempo real.

O teste da GA-ASI confirma que drones de grande porte podem desempenhar funções tradicionalmente reservadas a plataformas caras e limitadas em alcance, abrindo espaço para uma nova abordagem na guerra antissubmarino global, mais ágil, distribuída e resiliente. Para o Brasil, com sua extensa zona econômica exclusiva e interesse estratégico no Atlântico Sul, investir em soluções desse tipo se mostra essencial. Empresas nacionais como ADTech, XMobots e Stella possuem capacidade tecnológica para desenvolver plataformas e sistemas de monitoramento semelhantes, fortalecendo a soberania marítima e ampliando a presença nacional em um cenário de segurança regional cada vez mais complexo.


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Somalilândia, Israel e o novo tabuleiro estratégico do Chifre da África

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O reconhecimento oficial da Somalilândia por Israel em dezembro de 2025 representa um ponto crítico de tensão no Chifre da África, com repercussões profundas sobre a segurança regional, as rotas marítimas estratégicas e a configuração das alianças globais. A medida de Tel Aviv, inédita, não apenas legitima uma região autoproclamada independente, mas também estabelece uma base estratégica para projeção de poder em uma das áreas mais sensíveis do comércio internacional e do transporte de energia. A ação cria um dilema imediato para Mogadíscio e seus aliados, ao mesmo tempo em que redesenha o mapa de influência de atores externos na região.

Historicamente, a Somalilândia declarou independência em 1991, após o colapso do Estado somali e uma guerra civil devastadora. Apesar de possuir instituições próprias, moeda, bandeira e parlamento, nenhum país-membro da ONU havia formalmente reconhecido sua soberania até Israel. A visita do ministro israelense Gideon Sa’ar e o subsequente reconhecimento conferem à Somalilândia não apenas visibilidade internacional, mas também acesso potencial a investimentos, tecnologia e cooperação em segurança marítima. Para Israel, o ganho estratégico é direto: controle indireto sobre portos próximos ao Estreito de Bab el-Mandeb, ponto crítico de passagem entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden, por onde circula parte significativa do comércio de petróleo e gás do Oriente Médio para a Europa e Ásia.

A reação da Somália foi imediata e firme. O ministro da Defesa, Ahmed Moallim Fiqi, apelou à Arábia Saudita para intervir militarmente, traçando paralelos com a campanha saudita no Iêmen, sinalizando que Mogadíscio não pretende aceitar um precedente que fragilize sua soberania. O governo somali denuncia o reconhecimento israelense como “agressão” e ameaça usar todos os meios diplomáticos disponíveis para contestá-lo. O Egito, observando a situação com atenção, reafirma apoio à unidade somali, preocupando-se com efeitos dominó em outras regiões africanas e com movimentos separatistas que poderiam ameaçar a estabilidade do Chifre da África.

O contexto estratégico da região é complexo. O Chifre da África é historicamente uma encruzilhada de rotas comerciais e militares. Países do Golfo, potências africanas e atores globais veem na região oportunidades para projeção de poder, controle de fluxos energéticos e influência sobre cadeias de suprimento críticas. A presença de Israel na Somalilândia adiciona uma camada de complexidade à dinâmica local. A cooperação com Hargeisa permite a Tel Aviv estabelecer inteligência avançada, logística e monitoramento marítimo, criando uma plataforma que poderia ser utilizada para influenciar diretamente o tráfego de mercadorias e energia através do Mar Vermelho.

Essa mudança afeta o equilíbrio de poder regional. A Somália, apoiada por aliados árabes e africanos, enfrenta um adversário estratégico que, embora menor em população e território, recebe suporte internacional que multiplica sua capacidade de resistência e projeção. Riad pode se ver pressionada a agir para manter a unidade do bloco árabe e garantir que o precedente não se espalhe para outras regiões com movimentos separatistas. Por outro lado, a Somalilândia fortalece sua posição, recebendo legitimidade política e abertura para investimentos e parcerias de defesa com Israel e potenciais aliados externos.

O impacto geopolítico também se estende ao controle de recursos e cadeias de suprimento críticas. A Somalilândia e o Chifre da África possuem acesso a portos vitais, rotas de energia e proximidade com áreas de produção de petróleo, gás e minerais estratégicos. Um alinhamento sólido com Israel pode permitir monitoramento avançado, pressão econômica e influência sobre fluxos de recursos, enquanto a Somália, apoiada por blocos regionais e internacionais, busca assegurar sua soberania e evitar precedentes separatistas.

No médio e longo prazo, o reconhecimento israelense pode criar um novo equilíbrio multipolar no Chifre da África. Cenários prováveis incluem aumento de presença militar externa, fortalecimento de alianças bilaterais entre estados árabes e israelenses, e pressão diplomática sobre países africanos que considerem reconhecer entidades separatistas.

Para o Brasil, o cenário impõe atenção estratégica, sobretudo em razão da conexão indireta entre o Chifre da África e o Atlântico Sul. O controle e a estabilidade das rotas marítimas do Mar Vermelho afetam fluxos globais de energia e comércio, que têm reflexos diretos sobre o abastecimento de insumos estratégicos e transporte marítimo internacional. Acompanhar o desenrolar dessa crise permite ao Brasil antecipar riscos, planejar contingências e fortalecer sua presença em fóruns multilaterais e mecanismos de cooperação em segurança marítima.

A situação também reforça a necessidade de inteligência estratégica voltada a regiões de importância global, monitoramento de alianças militares e avaliação de impactos sobre o equilíbrio entre blocos de poder. A Somalilândia, embora distante, demonstra como decisões de reconhecimento e alinhamentos internacionais podem criar precedentes e alterar a dinâmica de influência em áreas críticas para o comércio e a segurança internacional, tornando essencial que o Brasil acompanhe de perto os desdobramentos no Chifre da África, garantindo que seus interesses estratégicos e de soberania estejam protegidos frente a um cenário global cada vez mais competitivo e multipolar.


por Angelo Nicolaci


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Acordo UE‑Mercosul: Implicações Geopolíticas, de Defesa e Estratégicas para o Brasil

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O acordo UE‑Mercosul não é apenas um tratado comercial, é um instrumento de projeção de poder e influência estratégica, capaz de redefinir o papel do Brasil no cenário global. Ao unir duas regiões com complementaridade econômica, tecnológica e militar, o pacto transforma relações comerciais em relações estratégicas, criando interdependências que impactam alianças, fluxos de energia e a segurança do Atlântico Sul.

A Europa busca acesso seguro a recursos críticos para sua transição energética e tecnológica, como lítio, níquel, cobre e minério de ferro, essenciais para baterias, veículos elétricos e sistemas de defesa avançados. O Brasil, detentor de reservas estratégicas, assume um papel central na cadeia global de suprimentos críticos, reforçando sua influência geopolítica e capacidade de negociação diante de potências externas.

O Mercosul, por sua vez, ganha não apenas acesso a mercados, mas também investimento e tecnologia europeia, fortalecendo a industrialização local, agregando valor aos recursos naturais e promovendo empregos qualificados. Essa base econômica sólida é simultaneamente um instrumento de segurança nacional, pois garante resiliência frente a pressões externas e cria capacidade tecnológica que pode ser aproveitada em setores estratégicos de defesa.

Defesa, vigilância e poder regional

O acordo cria oportunidades de integração tecnológica e militar. A colaboração com a UE pode permitir acesso a sensores avançados, sistemas de vigilância aérea e marítima, plataformas de inteligência e comunicações seguras, aumentando a capacidade do Brasil de monitorar e controlar o Atlântico Sul, onde rotas comerciais e de energia são vitais.

Essa integração fortalece a interoperabilidade com aliados europeus, amplia a capacidade de dissuasão do Brasil e protege a soberania sobre recursos estratégicos e áreas marítimas. A cooperação tecnológica dual, civil e militar, amplia a prontidão e a resiliência das Forças Armadas brasileiras, permitindo respostas mais rápidas a ameaças externas e maior presença em exercícios conjuntos internacionais.

Rivalidade entre blocos e influência global

O acordo também posiciona o Brasil de forma estratégica em um mundo cada vez mais polarizado entre Estados Unidos, China e Rússia. Ao consolidar relações com a UE, o Brasil obtém autonomia estratégica: mantém liberdade de decisão em acordos bilaterais e multilaterais, fortalece sua posição no Atlântico Sul e equilibra pressões externas.

No âmbito do Mercosul, o pacto fortalece o bloco como ator estratégico, capaz de negociar com múltiplos parceiros e proteger interesses regionais. A integração econômica e tecnológica cria interdependência confiável com a Europa, enquanto reduz vulnerabilidades frente a potências externas.

Projeções estratégicas

  • Curto prazo: aumento da cooperação tecnológica, industrial e de vigilância, com maior capacidade de monitoramento do Atlântico Sul e segurança das rotas de energia e minerais estratégicos;

  • Médio prazo: consolidação de setores industriais críticos e integração tecnológica com a UE, criando maior resiliência e interoperabilidade em defesa;

  • Longo prazo: Brasil como pivô estratégico regional e global, capaz de influenciar negociações comerciais, energéticas e de defesa, projetando poder de forma autônoma e preservando soberania diante de blocos globais rivais.

Riscos e desafios

Apesar do potencial estratégico, o acordo exige gestão cuidadosa de soberania, autonomia tecnológica e segurança nacional. É necessário equilibrar o acesso a tecnologia europeia com proteção de dados sensíveis, garantir independência em setores estratégicos e harmonizar interesses econômicos e estratégicos. Além disso, o Brasil precisa permanecer vigilante frente à competição de blocos globais, usando o pacto para reforçar sua capacidade de dissuasão regional e projeção estratégica.

O acordo UE‑Mercosul vai muito além do comércio. Ele posiciona o Brasil como ator central em um Atlântico Sul estratégico, garante acesso a recursos críticos, fortalece a capacidade de defesa e amplia a influência geopolítica do país. Em um cenário de rivalidades crescentes, o pacto permite ao Brasil projetar poder, proteger sua soberania e consolidar sua relevância internacional, integrando economia, defesa e estratégia em um modelo coerente de autonomia e influência global.


por Angelo Nicolaci


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Gripen volta ao centro da disputa pelos caças do Canadá com proposta de 12.600 empregos

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A Saab intensificou sua ofensiva industrial e política no Canadá ao apresentar uma proposta que vincula diretamente a aquisição de aeronaves à geração de empregos em larga escala. De acordo com informações apuradas pela CBC News, a fabricante sueca defende que as Força Aérea Real Canadense adquira 72 caças Gripen e seis aeronaves de vigilância GlobalEye para viabilizar a criação de até 12.600 empregos diretos e indiretos no país.

As propostas referentes ao Gripen e ao GlobalEye estão atualmente sob análise de especialistas em defesa e benefícios econômicos em Ottawa. Embora executivos da Saab já tenham mencionado anteriormente a possibilidade de gerar cerca de 10.000 empregos no Canadá, esta é a primeira vez que o volume exato de aeronaves necessário para atingir esse número vem à tona.

O interesse do governo canadense ocorre em um contexto de reavaliação estratégica mais amplo. A administração liderada por Mark Carney busca diversificar fornecedores de equipamentos de defesa e reduzir a dependência dos Estados Unidos, especialmente diante das incertezas comerciais e das tarifas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump. Nesse cenário, propostas que combinam capacidade militar e fortalecimento da base industrial doméstica ganham peso político.

A Saab afirma que caso escolhida, a Força Aérea Real Canadense poderia começar a operar o Gripen em até três anos. A empresa também estuda a instalação de linhas de montagem no país, não apenas para atender às necessidades canadenses, mas para transformar o Canadá em um polo de produção voltado ao mercado internacional. Entre os potenciais clientes citados estão a Ucrânia, que demonstrou interesse em mais de 100 Gripens, além de países europeus como França e Alemanha no caso do GlobalEye.

A aeronave de vigilância GlobalEye teria produção realizada em parceria com a Bombardier, utilizando o jato executivo Global 6500 como plataforma para a integração de sensores e radares. No Canadá, o projeto é conhecido como sistema de alerta aéreo antecipado e controle, ampliando a vigilância aérea e a consciência situacional em grandes extensões territoriais, incluindo o Ártico.

Para alcançar a meta de mais de 10.000 empregos, a Saab planeja estabelecer centros de produção em Ontário e Quebec, apoiados por uma rede de fornecedores distribuída pelo país. A iniciativa dialoga diretamente com a estratégia do governo canadense de maximizar o retorno econômico de um ciclo de investimentos em defesa estimado em 82 bilhões de dólares nos próximos cinco anos.

A ministra da Indústria, Mélanie Joly, afirmou que o governo avalia com atenção projetos capazes de reforçar simultaneamente a soberania nacional e a economia. Segundo ela, embora Ottawa não tenha controle sobre decisões políticas em Washington, pode definir onde e como investe seus recursos de defesa, priorizando contratos que resultem em empregos e desenvolvimento industrial no Canadá.

Apesar do apelo econômico, a proposta da Saab levanta questionamentos relevantes no campo militar. A aquisição de uma frota de Gripen teria impacto direto sobre o plano já em curso de compra de 88 caças F-35, firmado em 2022 e atualmente estimado em mais de 27 bilhões de dólares. Embora o Canadá esteja reavaliando o programa desde a primavera, fontes do governo indicam que ainda é cedo para determinar se o número de F-35 será reduzido e em que proporção.

Por ora, o país se prepara para receber 16 F-35 a partir deste ano. Especialistas militares apontam que integrar simultaneamente duas frotas de caças de gerações e filosofias distintas representaria um desafio significativo em termos de logística, treinamento e sustentação. Além disso, analistas da indústria alertam que as promessas de geração de empregos da Saab precisam ser examinadas com maior rigor técnico e contratual.

A Lockheed Martin, fabricante do F-35, também pressiona Ottawa, destacando benefícios econômicos estimados em 15 bilhões de dólares em contratos para empresas canadenses caso o pedido integral seja mantido. As negociações entre o governo canadense e a empresa norte-americana seguem em andamento.

Do ponto de vista estratégico, há ainda dúvidas sobre a integração do Gripen aos sistemas de defesa do NORAD, fortemente alinhados aos Estados Unidos. Para o analista Justin Massie, da Universidade do Quebec em Montreal, decisões sobre o número de aeronaves não deveriam ser guiadas prioritariamente por critérios econômicos. Segundo ele, a ausência de garantias quanto à interoperabilidade plena com o NORAD pode comprometer a coerência militar da frota canadense.

Mesmo assim, a campanha da Saab tem encontrado ressonância na opinião pública. Pesquisa recente da Ekos indica que 43% dos canadenses preferem a aquisição de uma frota de Gripen, enquanto 29% defendem uma frota mista composta por Gripens e F-35. A opção por uma frota exclusivamente composta por F-35 aparece como a menos popular, com apenas 13% de apoio, refletindo uma percepção cada vez mais associada às tensões políticas com os Estados Unidos.

Os dados revelam ainda diferenças regionais e políticas marcantes, com maior apoio ao Gripen em províncias como Quebec e Colúmbia Britânica, e maior simpatia pelo F-35 entre eleitores conservadores. Para analistas, o debate atual vai além das capacidades técnicas das aeronaves e reflete uma discussão mais ampla sobre alianças, autonomia estratégica e o papel do Canadá em um cenário internacional cada vez mais polarizado.

Diante desse quadro, Ottawa se encontra em uma encruzilhada. A escolha entre manter o caminho traçado com o F-35, adotar uma frota mista ou abrir espaço para o Gripen não será apenas uma decisão militar, mas uma definição de rumo estratégico que envolverá indústria, alianças e soberania por décadas.


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Croácia conclui transição do MiG-21 e assume defesa aérea com o Rafale

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A Croácia deu um passo decisivo na consolidação de sua soberania aérea ao iniciar oficialmente o policiamento do próprio espaço aéreo com os recém-adquiridos caças multifuncionais Rafale. A missão é conduzida no âmbito do Sistema Integrado de Defesa Aérea e Antimíssil da OTAN, marcando o encerramento definitivo da era dos MiG-21 e a plena integração do país aos padrões operacionais da Aliança.

A transição para o Rafale foi precedida por um amplo programa de conversão, envolvendo pilotos, técnicos e pessoal de apoio, com foco na obtenção dos níveis de prontidão exigidos pela OTAN. O processo não se limitou à incorporação de uma nova aeronave, mas representou uma mudança estrutural na capacidade de comando, controle, manutenção e interoperabilidade da Força Aérea Croata.

Durante o período de adaptação, a proteção do espaço aéreo croata em tempos de paz foi assegurada de forma provisória por aliados da OTAN. A partir de bases na Itália e na Hungria, caças Eurofighter Typhoon da Força Aérea Italiana e caças Gripen da Força Aérea Húngara executaram missões de policiamento aéreo sob acordos técnicos específicos, garantindo vigilância contínua e resposta imediata a qualquer violação do espaço aéreo.

Desde o início do novo ano, a Força Aérea Croata passou a executar o policiamento aéreo de forma permanente, 24 horas por dia, sete dias por semana, seguindo integralmente os procedimentos e protocolos da OTAN. A mudança representa mais do que uma substituição de vetores: ela adiciona à Defesa Aérea Integrada e Antimíssil da Aliança uma capacidade nacional moderna, plenamente interoperável e conectada à rede aliada de sensores, centros de comando e meios de resposta.

A incorporação do Rafale fortalece a capacidade da Croácia de detectar, identificar e reagir a ameaças aéreas de maneira autônoma, ao mesmo tempo em que amplia a resiliência coletiva da OTAN em um contexto de crescente complexidade do ambiente aéreo europeu. A aeronave oferece maior alcance, sensores avançados e integração com sistemas de comando e controle aliados, elevando significativamente o patamar operacional do país.

Ao comentar o marco, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, destacou o papel da Croácia na segurança coletiva desde sua adesão à Aliança, em 2009. Segundo ele, a assunção plena da responsabilidade pela defesa do espaço aéreo nacional, a partir de 1º de janeiro, reflete a maturidade operacional da Força Aérea Croata e sua contribuição concreta para a arquitetura de defesa da OTAN.

Com o início do policiamento aéreo nacional, a Croácia encerra um ciclo de dependência temporária e passa a operar como um elo ativo e confiável na defesa aérea do flanco europeu da Aliança, alinhando soberania, interoperabilidade e prontidão em um cenário estratégico cada vez mais exigente.


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M1E3 Abrams: Apresentado protótipo que antecipa a próxima geração do Abrams

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O Exército dos Estados Unidos apresentou, durante o Salão Internacional do Automóvel em Detroit, o protótipo inicial do M1E3 Abrams, um marco simbólico e técnico no processo de transição da mais tradicional família de carros de combate ocidentais para um conceito voltado ao campo de batalha do futuro. Mais do que um novo carro de combate, o M1E3 surge como uma plataforma experimental destinada a validar ideias, tecnologias e soluções que deverão convergir no futuro M1A3.

Desenvolvido sob liderança direta do Exército dos EUA, em parceria com a empresa Roush, o projeto reflete lições aprendidas em estudos de redução de riscos e sobretudo, no feedback operacional de tropas que empregam o Abrams em diferentes cenários. A proposta central é clara: manter a letalidade e a proteção características do Abrams, ao mesmo tempo em que se reduz peso, complexidade logística e tempo de resposta estratégica.

Segundo o próprio Exército, o M1E3 busca responder a um ambiente operacional cada vez mais saturado por drones, sensores e armas de precisão de longo alcance. A ênfase não está apenas em blindagem mais espessa, mas em sobrevivência sistêmica, integração de sensores, automação e agilidade logística, permitindo deslocamentos mais rápidos dos portos para a linha de frente e maior flexibilidade em operações expedicionárias.

Visualmente, o veículo exposto em Detroit já antecipa mudanças estruturais profundas. A torre mantém proporções gerais familiares, derivadas do M1A1, mas apresenta uma configuração claramente distinta. A ausência de escotilhas, periscópios e componentes tradicionais de controle de tiro indica que se trata de uma torre não tripulada, com toda a tripulação deslocada para o interior do casco. Essa decisão aponta para um salto conceitual importante, alinhado à redução de silhueta, aumento da proteção da tripulação e maior integração com sistemas automatizados.

O armamento principal permanece o consagrado canhão de alma lisa M256 de 120 mm, sem alterações aparentes. No entanto, a nova estrutura na parte traseira da torre sugere a adoção futura de um carregador automático, o que reduziria a tripulação de quatro para três militares. Uma abertura adicional próxima ao mantelete indica a possível realocação de sensores ou da mira principal, reforçando a ideia de um sistema de tiro redesenhado para operar em conjunto com sensores externos e arquitetura digital.

No topo da torre, destaca-se a estação de armas remotamente operada EOS R400 Mk2, equipada na configuração apresentada com lançador automático de granadas Mk19 de 40 mm, metralhadora de 7,62 mm e a possibilidade de integração de um míssil anticarro FGM-148 Javelin. O Exército fez questão de ressaltar o caráter modular desse conjunto, que pode ser adaptado conforme a missão. Integrado a ele está o radar EchoGuard, voltado para detecção, rastreamento e defesa contra drones, um reflexo direto das ameaças observadas nos conflitos contemporâneos.

O pacote de sensores também evidencia a transição para um campo de batalha altamente conectado. Enquanto o demonstrador AbramsX utilizou a mira panorâmica PASEO da Safran, o protótipo apresentado em Detroit está associado à mira optoeletrônica estabilizada S3 da Leonardo, destinada às funções de comando e aquisição de alvos. Câmeras distribuídas pelo casco e pela torre permitem consciência situacional em 360 graus, reduzindo a dependência de linhas de visão diretas e aumentando a sobrevivência em ambientes urbanos e complexos.

As mudanças no casco são igualmente significativas. A frente do veículo parece mais robusta, e a presença de duas escotilhas frontais, em vez da tradicional escotilha única do motorista, reforça o conceito de uma tripulação de três homens totalmente integrada ao casco. Embora o layout interno não possa ser confirmado visualmente, tudo indica uma reorganização voltada à proteção, ergonomia e eficiência operacional.

Internamente, o discurso do Exército gira em torno da digitalização completa. Os postos de trabalho da tripulação são descritos como totalmente digitais, com interfaces configuráveis por software, reduzindo a carga cognitiva e facilitando atualizações futuras. O nível de automação é tal que o protótipo teria capacidade de se mover e disparar com apenas um tripulante a bordo, um indicativo do caminho que está sendo explorado, ainda que esse modo não seja pensado para emprego operacional regular.

No campo da mobilidade, o M1E3 apresentado combina soluções tradicionais e experimentais. O protótipo ainda utiliza a conhecida turbina a gás do Abrams, deixando claro que não representa a configuração final. O Exército confirmou a intenção de migrar para um motor diesel comercial, associado a uma nova transmissão, buscando maior eficiência e menor consumo de combustível aliado a simplificação logística. A menor altura em relação ao solo sugere o estudo de uma nova suspensão, possivelmente hidropneumática, capaz de ajustar a altura do veículo conforme o terreno.

Há ainda especulações sobre um conjunto motopropulsor montado transversalmente e testes envolvendo uma transmissão ACT1075LP acoplada a um motor diesel Caterpillar, mas esses elementos não foram oficialmente confirmados como parte da configuração final. O próprio Exército enfatizou que o futuro M1A3 será substancialmente diferente deste M1E3, incluindo uma torre completamente nova e um casco ainda mais modificado, ou até totalmente redesenhado.

Apesar da incorporação de novos sensores e sistemas, autoridades afirmam que o protótipo apresentado é mais leve do que os Abrams atualmente em serviço, embora nenhum dado preciso de peso tenha sido divulgado. Isso reforça a ideia de que o veículo exibido em Detroit deve ser entendido como uma plataforma de testes funcional, e não como uma declaração definitiva sobre o Abrams do futuro.

Além do hardware, o programa destaca uma mudança cultural e industrial relevante. A adoção de uma arquitetura de sistemas abertos, sob controle do governo, permitirá atualizações rápidas de software e hardware ao longo do ciclo de vida. Ferramentas de engenharia digital com apoio de inteligência artificial estão sendo empregadas para acelerar o desenvolvimento e a integração de tecnologias, aproximando o Exército de empresas não tradicionais e ampliando a base industrial de defesa dos Estados Unidos.

Quando comparado a outros carros de combate de nova geração ou recentemente modernizados, o M1E3 Abrams se posiciona de forma distinta, priorizando arquitetura aberta, automação e integração sistêmica em vez de uma ruptura total imediata.

No caso do Leopard 2A8, a abordagem alemã permanece evolutiva e conservadora. O Leopard 2A8 mantém a tripulação de quatro homens, torre tripulada e o canhão Rheinmetall L55A1 de 120 mm, apostando principalmente no reforço da proteção passiva, na integração do sistema de proteção ativa Trophy e na melhoria dos sensores. Diferentemente do M1E3, o Leopard 2A8 não busca reduzir drasticamente a tripulação nem adotar uma torre não tripulada, concentrando-se em aumentar a sobrevivência dentro de um conceito já amplamente validado em serviço.

O KF51 Panther, também da Rheinmetall, segue um caminho mais disruptivo e se aproxima conceitualmente do que o Exército dos EUA explora com o M1E3. O Panther propõe uma torre não tripulada, tripulação reduzida a três militares, carregador automático e a adoção do canhão de 130 mm Future Gun System. No entanto, ao contrário do M1E3, o KF51 é apresentado como uma proposta de produto quase final, ainda sem adoção oficial por forças armadas, enquanto o Abrams segue como uma plataforma de testes incremental, focada em maturar tecnologias antes de definir o desenho definitivo do M1A3.

Já o T-14 Armata russo representa uma ruptura conceitual mais precoce, ao adotar desde o início uma torre não tripulada e tripulação encapsulada no casco. Apesar disso, o Armata enfrenta desafios significativos de maturidade industrial, produção em série, confiabilidade e integração de sistemas, além de limitações logísticas evidenciadas pela ausência de emprego consistente em combate de alta intensidade. O M1E3, por sua vez, se beneficia de uma base industrial consolidada, de décadas de experiência operacional e de um processo de desenvolvimento mais cauteloso, ainda que mais lento.

Em síntese, enquanto o Leopard 2A8 refina um conceito clássico, o KF51 Panther propõe uma ruptura imediata e o T-14 Armata aposta em um salto tecnológico ainda incompleto, o M1E3 Abrams ocupa uma posição intermediária. Ele funciona como um laboratório operacional, no qual automação, digitalização, sensores distribuídos e redução de tripulação são testados de forma progressiva, com o objetivo de garantir que o futuro M1A3 chegue ao campo de batalha não apenas como um conceito avançado, mas como um sistema maduro, sustentável e plenamente integrado às operações conjuntas dos Estados Unidos.

O M1E3 Abrams não é apenas um novo carro de combate em desenvolvimento. Ele representa uma transição de mentalidade, na qual sobrevivência, conectividade, logística e adaptabilidade passam a ter o mesmo peso que blindagem e poder de fogo. O Abrams do futuro começa a tomar forma, não como um ícone do passado, mas como um sistema de combate moldado para os conflitos do século XXI.


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sábado, 17 de janeiro de 2026

A escolha brasileira pelo EMADS e a busca por uma capacidade de defesa aérea moderna

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A decisão do Brasil de incorporar o sistema EMADS (Enhanced Modular Air Defence Solutions) à sua arquitetura de defesa aérea deve ser entendida como um movimento de consolidação estratégica, no qual critérios operacionais, industriais, políticos e doutrinários convergem. Trata-se de uma escolha que dialoga com a realidade do campo de batalha contemporâneo e ao mesmo tempo, com a necessidade de construir capacidades de defesa sustentáveis ao longo do tempo.

O Exército Brasileiro protege um território de dimensões continentais, com infraestrutura crítica distribuída, grandes vazios demográficos e múltiplos ambientes operacionais. Nesse cenário, a defesa aérea não pode ser pensada como um sistema fixo ou excessivamente especializado. Ela precisa acompanhar a manobra terrestre, proteger ativos estratégicos e manter capacidade de resposta diante de ameaças variadas e assimétricas. O EMADS foi concebido exatamente para esse tipo de desafio.

O ambiente de ameaças que moldou o desenvolvimento do EMADS é aquele observado nos conflitos mais recentes. O espaço aéreo de baixas e médias altitudes passou a ser permanentemente contestado por drones de diferentes classes, munições vagantes, mísseis de cruzeiro de perfil baixo e aeronaves operando fora dos envelopes tradicionais de detecção. A defesa aérea moderna não enfrenta alvos isolados, mas ataques coordenados, saturados e persistentes. Nesse contexto, resiliência, integração e velocidade decisória tornaram-se fatores críticos.

Do ponto de vista técnico, o EMADS é um sistema de defesa aérea de médio alcance baseado em uma arquitetura modular e distribuída. Ele integra sensores, centros de comando e controle e efetores de forma escalável, permitindo diferentes configurações conforme a missão. Essa modularidade não é apenas estrutural, mas funcional. O sistema pode ser empregado tanto na defesa de pontos sensíveis quanto na proteção de forças em movimento, mantendo coerência operacional em ambos os cenários.

No centro da solução está um sistema de comando e controle projetado para operar em ambiente de alta complexidade. A fusão de dados provenientes de múltiplos sensores permite a construção de uma imagem aérea integrada, atualizada em tempo quase real. Essa capacidade é essencial em cenários nos quais a distinção entre ameaça prioritária e alvo secundário define o sucesso da defesa. A redução do ciclo entre detecção, decisão e engajamento é um dos principais atributos do EMADS.

Os efetores associados ao sistema, em especial os mísseis da família CAMM, refletem essa lógica de emprego moderno. Com guiagem ativa por radar e capacidade de engajamento de múltiplos alvos simultaneamente, esses mísseis foram concebidos para operar em ambientes saturados, com elevada probabilidade de contramedidas e interferências. O lançamento vertical, associado à cobertura de 360 graus, elimina restrições de orientação e amplia a flexibilidade tática do sistema.

Outro aspecto relevante é a mobilidade. Os componentes do EMADS podem ser integrados a plataformas móveis, permitindo rápida implantação, reposicionamento e dispersão. Essa característica reduz a vulnerabilidade do sistema a ataques de precisão e amplia sua capacidade de sobrevivência em cenários de alta intensidade. Para um país com as dimensões do Brasil, essa mobilidade é um multiplicador de valor operacional.

Nesse contexto, o papel da MBDA no projeto é central. A empresa atua como integradora de uma solução concebida para operar em rede, com elevada interoperabilidade e capacidade de evolução. A experiência acumulada pela MBDA no desenvolvimento de sistemas de defesa aérea modernos se traduz em uma arquitetura pensada para enfrentar ameaças reais, e não cenários teóricos. O EMADS reflete décadas de aprendizado operacional incorporadas ao projeto.

A presença da MBDA Brasil adiciona uma dimensão estratégica fundamental. A subsidiária funciona como elo entre o sistema e o ecossistema industrial nacional, criando condições para cooperação técnica, capacitação de pessoal e transferência de tecnologia. Em um setor no qual a dependência externa pode comprometer a disponibilidade e a liberdade de emprego, a existência dessa ponte institucional é um ativo estratégico de longo prazo.

A transferência de tecnologia associada ao EMADS deve ser entendida como um processo, não como um evento. Ela envolve absorção de conhecimento, domínio de processos de manutenção, integração de sistemas e capacidade de evolução futura. Para o Brasil, isso é particularmente relevante. A defesa aérea não pode ser tratada como uma aquisição pontual, mas como uma capacidade que precisa ser mantida, atualizada e adaptada ao longo de décadas.

Outro pilar técnico do sistema é o radar Kronos, da Leonardo, responsável pela construção da consciência situacional aérea. Baseado em tecnologia AESA, o Kronos oferece capacidade de detecção, rastreamento e classificação simultânea de múltiplos alvos, incluindo aqueles de baixa assinatura radar. Sua arquitetura permite rápida varredura do espaço aéreo e elevada resistência a contramedidas eletrônicas, características essenciais em ambientes saturados.

O radar não atua isoladamente, mas como parte integrante do sistema de comando e controle. Ele alimenta o processo decisório em tempo real, permitindo priorização dinâmica de ameaças e alocação eficiente dos efetores disponíveis. Essa integração sensor-sistema é um dos elementos que diferenciam uma defesa aérea moderna de soluções baseadas apenas em alcance ou potência.

A escolha de um sistema tecnicamente maduro, já validado e em constante evolução, reduz riscos operacionais e facilita a construção de uma capacidade sustentável. No entanto, essa sustentabilidade depende diretamente de investimento continuado e previsibilidade orçamentária. Defesa aérea é uma capacidade que exige atualização permanente, treinamento constante e manutenção rigorosa. Sem planejamento de longo prazo, mesmo os sistemas mais avançados tendem à obsolescência.

Ao optar pelo EMADS, com participação ativa da MBDA e presença institucional da MBDA Brasil, o Brasil sinaliza uma compreensão mais ampla do conceito de soberania no século XXI. Não se trata apenas de possuir meios, mas de garantir a capacidade de decidir, empregar, manter e evoluir esses meios de acordo com seus próprios interesses estratégicos.

Essa escolha não resolve todos os desafios da defesa aérea brasileira, mas estabelece uma base coerente sobre a qual essa capacidade pode ser construída. Trata-se de uma decisão que combina realismo operacional, prudência política, integração industrial e visão de Estado. Em um ambiente internacional cada vez mais instável, investir de forma planejada, contínua e previsível deixou de ser uma opção. Tornou-se uma necessidade estratégica.


por Angelo Nicolaci


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Navio-hospital chinês no Rio expõe fragilidades na gestão de visitas navais estrangeiras e reacende alerta estratégico

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A recente passagem do navio-hospital chinês Ark Silk Road pelo porto do Rio de Janeiro trouxe à tona um debate sensível e necessário sobre segurança, soberania e transparência na autorização de meios navais estrangeiros em áreas estratégicas do Brasil. Oficialmente enquadrada como uma missão humanitária, a visita revelou lacunas informacionais, normativas e institucionais que acenderam alertas em círculos diplomáticos, militares e de inteligência.

O Ark Silk Road, pertencente à Marinha do Exército Popular de Libertação da China, permaneceu no Rio entre os dias 8 e 15 de janeiro. Apesar do caráter humanitário atribuído à missão, não houve qualquer atividade médica ou atendimento à população brasileira, o que, na prática, esvazia o principal argumento utilizado para justificar a presença da embarcação e reforça questionamentos sobre seus reais objetivos estratégicos.

Sob a ótica técnica e de inteligência naval, o navio apresenta características que extrapolam as de um hospital flutuante convencional. Sua estrutura externa abriga um conjunto significativo de antenas, sensores eletroeletrônicos e sistemas de radar, capazes de operar tanto em modo passivo quanto ativo. Esses sistemas permitem a coleta de dados sobre infraestrutura portuária, hidrografia costeira, padrões de tráfego marítimo, rotas de acesso, profundidades, além do mapeamento do ambiente eletromagnético local, informações de alto valor estratégico para planejamento naval e operações futuras.

A autorização para a atracação foi solicitada por via diplomática meses antes da visita, porém sem detalhamento claro dos objetivos operacionais da missão nem referência explícita à operação internacional à qual o navio estaria vinculado. Essa ausência de transparência inicial colocou a visita em uma zona cinzenta, limitando a capacidade das autoridades brasileiras de avaliar, de forma plena, os riscos associados à permanência de um meio naval militar estrangeiro em um dos portos mais relevantes do país.

Do ponto de vista doutrinário, é amplamente reconhecido que navios classificados como hospitalares, científicos ou de pesquisa frequentemente cumprem funções secundárias de reconhecimento e levantamento ambiental. Trata-se de uma prática recorrente entre potências navais que operam com o conceito de presença persistente e coleta de dados em tempo de paz, reduzindo incertezas e ampliando conhecimento sobre áreas estratégicas sem recorrer a meios ostensivamente militares.

O episódio ganha ainda maior relevância quando inserido no atual cenário geopolítico regional. A América Latina passou a ocupar posição crescente na disputa silenciosa entre grandes potências, seja pelo controle de rotas marítimas, pelo acesso a portos estratégicos, pela proximidade com o Atlântico Sul ou pela capacidade de influência política e econômica. A presença naval chinesa na região tem se intensificado de forma gradual e meticulosamente calibrada, utilizando missões diplomáticas, científicas e humanitárias como instrumentos de projeção de poder e construção de familiaridade operacional.

No Atlântico Sul, em particular, o interesse estratégico é evidente. A região concentra rotas críticas de comércio, áreas de exploração de recursos naturais, cabos submarinos de comunicação e zonas marítimas pouco monitoradas. Para uma potência extrarregional, o levantamento detalhado dessas áreas representa uma vantagem significativa em cenários de competição estratégica ou de crise internacional.

Outro ponto sensível diz respeito à inexistência de acordos bilaterais específicos entre Brasil e China que regulamentem, de forma clara, visitas navais com potencial de uso dual, ou seja, simultaneamente humanitário e militar. Essa lacuna normativa reduz a capacidade do Estado brasileiro de impor condicionantes técnicas mais rigorosas, limitar o uso de sensores, exigir desligamento de determinados sistemas ou estabelecer protocolos de verificação e acompanhamento mais intrusivos durante a permanência dessas embarcações.

Autoridades locais e operadores portuários classificaram a visita como estritamente diplomática, voltada ao estreitamento de laços entre os dois países. Ainda assim, a ausência de atividades humanitárias concretas e a natureza dos sistemas embarcados reforçam a percepção de que o valor estratégico da passagem do Ark Silk Road superou, em muito, seu valor simbólico oficialmente divulgado.

Para analistas de defesa e inteligência, o caso evidencia a necessidade urgente de o Brasil revisar seus procedimentos de autorização, monitoramento e fiscalização de navios estrangeiros, especialmente aqueles pertencentes a forças armadas de países com elevada capacidade tecnológica e estratégia clara de ampliação de presença global. Isso inclui maior integração entre Itamaraty, Ministério da Defesa, Marinha do Brasil e órgãos de inteligência, além do estabelecimento de critérios mais rigorosos para visitas em portos sensíveis.

A passagem do Ark Silk Road pelo Rio de Janeiro não deve ser tratada como um evento isolado ou meramente protocolar. Ela representa um sinal de alerta sobre a forma como o Brasil administra sua soberania marítima em um ambiente internacional cada vez mais marcado pela competição informacional, pela coleta sistemática de dados em tempo de paz e pela utilização de instrumentos aparentemente benignos como vetores de projeção estratégica. Em um cenário assim, a defesa do entorno marítimo nacional exige não apenas meios navais, mas visão estratégica, inteligência ativa e decisões alinhadas aos interesses permanentes do Estado brasileiro.


por Angelo Nicolaci


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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

DEFESA NACIONAL EM RISCO - QUANDO O IDEOLÓGICO SUPERA O ESTRATÉGICO

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A distinção entre Política de Estado e Política de Governo é central para compreender como decisões públicas são formuladas, mantidas ou alteradas ao longo do tempo. Trata-se de duas categorias analíticas distintas, porém frequentemente tensionadas, sobretudo em áreas sensíveis como a defesa nacional. 

A Política de Estado refere-se a diretrizes estruturais, estratégicas e de longo prazo, construídas a partir de consensos amplos entre forças políticas, econômicas e sociais. São políticas que transcendem ciclos eleitorais, governos e orientações partidárias, mantendo continuidade mesmo diante da alternância no poder. Clássicos exemplos incluem a preservação da soberania territorial, a integridade nacional e, de forma inequívoca, a defesa do Estado. 

Já a Política de Governo está intrinsecamente associada ao mandato de uma administração específica. Reflete prioridades conjunturais, valores ideológicos e visões de mundo do grupo político no poder, sendo naturalmente mais suscetível a revisões, rupturas e reorientações conforme o contexto político e econômico. 

No campo da defesa, o consenso predominante, tanto no debate acadêmico quanto na prática estratégica de democracias consolidadas, é que ela deve constituir, prioritariamente, uma Política de Estado. 

A razão é evidente: A defesa diz respeito à sobrevivência nacional, à soberania e à capacidade de dissuasão. Oscilações abruptas, descontinuidades ou rupturas estratégicas produzem vulnerabilidades reais, especialmente em um ambiente geopolítico cada vez mais instável, marcado pela competição entre grandes potências, pelas tensões no Atlântico Sul e pelas disputas em torno da Amazônia Azul. 

NA PRÁTICA, O FATOR IDEOLÓGICO PESA, E MUITO Apesar desse ideal normativo, a realidade mostra que a defesa não está imune à influência ideológica. A visão predominante do governo de turno tende a moldar decisões-chave, entre elas: 

✓ A definição do que constitui uma ameaça: Ênfase em ameaças externas clássicas vs. Foco em ameaças internas, terrorismo ou crime organizado transnacional; 

✓ A alocação de recursos escassos: Priorização da modernização e do treinamento das Forças Armadas, do investimento em capacidades cibernéticas e espaciais vs. A aquisição de meios voltados principalmente para operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO); 

✓ As parcerias estratégicas internacionais: Alinhamentos automáticos com potências ocidentais, busca por maior autonomia estratégica e multipolaridade vs. Maior aproximação com países do Sul Global (BRICS, África e América Latina); 

✓ A relação com a Base Industrial de Defesa (BID): Estímulo à autonomia tecnológica, à produção nacional e à transferência de tecnologia vs. Preferência por aquisições “off-the-shelf”, que privilegiam rapidez e custo imediato em detrimento da independência industrial; 

✓ O papel das Forças Armadas em missões não convencionais: Maior ou menor envolvimento em segurança interna, combate ao crime organizado, controle de fronteiras e apoio a órgãos civis. 


CAPACIDADE EXISTE, MAS O INVESTIMENTO NÃO ACOMPANHA 

O Brasil dispõe de uma Base Industrial de Defesa tecnicamente capacitada, com empresas aptas a desenvolver sistemas de C4I, sensores, guerra eletrônica, sistemas não tripulados, software crítico e integração de sistemas complexos. Ainda assim, o investimento das Forças Armadas nessas capacidades permanece aquém do necessário. Essa lacuna não decorre de um único fator, mas de um conjunto estrutural, político, orçamentário e cultural, que se manifesta de forma recorrente, são eles: 

1. RESTRIÇÃO ORÇAMENTÁRIA CRÔNICA E RIGIDEZ ESTRUTURAL

O orçamento da Defesa é fortemente comprometido com despesas obrigatórias, pessoal ativo, inativos e pensões, que em muitos exercícios, absorvem mais de 75% dos recursos disponíveis. O espaço para investimento em P&D, aquisição de sistemas avançados e modernização tecnológica torna-se residual. 

Como consequência, projetos estruturantes e de longo prazo, essenciais para a guerra do século XXI, são constantemente adiados, fragmentados ou descontinuados, minando previsibilidade financeira e não priorizando a inovação; 

2. AUSÊNCIA DE UMA POLÍTICA CONTÍNUA DE CAPACITAÇÃO MILITAR

O Brasil sofre com a descontinuidade estratégica. Programas iniciados sob uma administração frequentemente são interrompidos, redimensionados ou politizados pela seguinte. Embora documentos como a Estratégia Nacional de Defesa reconheçam a importância da autonomia tecnológica, falta uma execução consistente, com contratos plurianuais protegidos dos ciclos políticos; 

3. CULTURA DE AQUISIÇÃO CENTRADA NO “PRODUTO PRONTO”

A preferência por soluções prontas reduz riscos de curto prazo, mas desestimula o desenvolvimento nacional, sobretudo em áreas como software militar, inteligência artificial, integração de sistemas e guerra eletrônica, domínios que evoluem rapidamente e não se adaptam bem a modelos tradicionais de compra; 

4. BAIXA TOLERÂNCIA INSTITUCIONAL AO RISCO TECNOLÓGICO

O desenvolvimento de sistemas avançados envolve riscos técnicos, prazos mais longos e falhas intermediárias. No Brasil, a combinação entre orçamento limitado, cultura administrativa avessa ao risco e atuação rigorosa de órgãos de controle cria um ambiente no qual: 

✓ Optar por não desenvolver localmente é percebido como mais seguro; 

✓ Projetos disruptivos e complexos são evitados; 

✓ Soluções prontas produzidas fora do país, parecem menos arriscadas do ponto de vista administrativo. 

5. FRAGILIDADE DO MODELO DE “TRÍPLICE HÉLICE” 

A integração entre Forças Armadas, indústria e academia ainda é muito limitada. Embora existam alguns casos de sucesso, as iniciativas são pontuais, dependentes de indivíduos e não de estruturas permanentes. Em países líderes em inovação militar, esse ecossistema funciona de forma contínua e coordenada, algo que ainda não se consolidou no nosso país; 

6. PREDOMINÂNCIA DE UMA VISÃO CENTRADA EM MEIOS TRADICIONAIS 

Apesar da evolução doutrinária, o investimento brasileiro ainda privilegia “meios” em detrimento de “sistemas”.  No cenário contemporâneo, capacidades como ciberdefesa, guerra eletrônica, sistemas antidrone e operações multidomínio são centrais e não complementares, porém não são priorizadas; 

7. AMBIGUIDADE POLÍTICA QUANTO À AUTONOMIA ESTRATÉGICA 

Discursos recorrentes sobre soberania e autonomia contrastam com decisões que favorecem fornecedores sem presença industrial relevante no país, em detrimento de empresas nacionais já inseridas na BID. Isso fragiliza o domínio do ciclo de vida dos sistemas, o suporte logístico e a capacidade de adaptação rápida a novos cenários de ameaça, evidenciando que a BID ainda não é plenamente utilizada como instrumento de soberania. 

ATÉ QUE PONTO A IDEOLOGIA INTERFERE? 

O grau de interferência ideológica varia conforme o contexto: 

✓ Democracias com consenso estratégico consolidado → interferência de baixa a moderada (EUA e França mantêm linhas mestras mesmo com alternância política); 

✓ Países com alta polarização e instituições de defesa em consolidação → interferência de moderada a alta, como no caso brasileiro. 

ESSA INTERFERÊNCIA TENDE A SER MAIOR QUANDO: 

✓ Não há tradição de revisões periódicas e institucionais dos documentos estratégicos; 

✓ O orçamento de defesa é tratado como gasto ordinário, e não como investimento de Estado; 

✓ O meio político e a sociedade civil têm pouca ou nenhuma participação no debate sobre defesa. 

Idealmente, a defesa nacional deveria ser o campo de menor interferência ideológica possível, o núcleo duro da Política de Estado. Na prática, contudo, a ideologia sempre estará presente, pois são governos, e não abstrações, que definem prioridades, alocam recursos e interpretam o ambiente estratégico. 

O desafio não é eliminar essa interferência, mas conter seus efeitos nocivos, por meio da construção de consensos mínimos multipartidários em torno de objetivos centrais, tais como a autonomia tecnológica, a dissuasão crível, a previsibilidade orçamentária e a institucionalização de revisões periódicas e transparentes da Política Nacional de Defesa (PND) e da Estratégia Nacional de Defesa (END). 

Quando a ideologia se sobrepõe excessivamente à razão de Estado na área de defesa, o país incorre em fragilidade estratégica. No limite, a defesa não existe para proteger governos, ela existe para proteger o Estado e a nação.  Quanto mais “de Estado” e menos “de governo” ela for, maior será a segurança coletiva. 

Em um ambiente geopolítico cada vez mais instável, investir pouco em tecnologia de defesa não é economia: 

É vulnerabilidade estratégica! 


por Mauro Beirão - Formado em engenharia e mais de 30 anos de experiência na indústria de defesa e aeroespacial 


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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Indra Group e EDGE avançam na criação de nova empresa de defesa na Espanha focada em loitering munition

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A Indra Group e o EDGE Group deram um passo estratégico relevante para o fortalecimento da base industrial de defesa europeia ao firmarem um acordo para a criação de uma nova empresa de fabricação de defesa na Espanha. A iniciativa terá como foco o desenvolvimento, a produção e o suporte ao ciclo de vida de sistemas de loitering munition, além de armas inteligentes destinadas a programas de defesa espanhóis e europeus, com potencial de expansão para outras capacidades conforme a evolução das necessidades operacionais.

O anúncio foi feito em 13 de janeiro de 2026, em Abu Dhabi e Madri, e marca a ampliação da presença industrial do EDGE na Europa, ao mesmo tempo em que reforça a ambição da Indra de se consolidar como uma referência continental no segmento de sistemas não tripulados e munições inteligentes. A nova empresa contará com um pipeline de pedidos plurianual estimado em aproximadamente € 2 bilhões, evidenciando a crescente demanda europeia por esse tipo de capacidade.

A assinatura do acordo foi acompanhada por autoridades de alto nível, incluindo a Secretária de Estado da Defesa da Espanha, Amparo Valcárcel, o embaixador dos Emirados Árabes Unidos na Espanha, Saleh Ahmad Salem Al Suwaidi, e o Diretor Geral de Programas Industriais do Ministério da Indústria da Espanha, Alberto Ruiz Rodríguez. Também estiveram presentes o presidente do EDGE Group, Faisal Al Bannai, e o presidente executivo do Indra Group, Ángel Escribano. O documento foi formalmente assinado por Hamad Al Marar, diretor executivo e CEO do EDGE Group, e por José Vicente de Los Mozos, CEO do Indra Group.

Sujeita às aprovações finais dos conselhos das duas empresas, a nova companhia será estabelecida na Espanha como uma entidade dedicada à fabricação. A estrutura industrial se apoiará na experiência do EDGE no desenvolvimento de sistemas de loitering munition e armas inteligentes, enquanto a Indra aportará sua capacidade consolidada de fabricação, integração de sistemas e execução de programas em escala europeia.

A produção dos sistemas está prevista para a província de León, onde a Indra desenvolverá uma nova instalação industrial voltada à fabricação de drones e sistemas de loitering munition. O investimento estimado para a implantação da unidade varia entre € 15 e € 20 milhões. A opção pela produção local atende diretamente aos requisitos de soberania industrial europeia e busca garantir disponibilidade em larga escala para responder à rápida expansão do mercado de defesa no continente.

A iniciativa reflete uma tendência clara no cenário estratégico europeu, marcada pelo fortalecimento de capacidades industriais próprias, redução de dependências externas e aceleração de programas relacionados a sistemas não tripulados e munições inteligentes, hoje considerados elementos centrais das operações militares modernas.

Segundo Hamad Al Marar, CEO do EDGE Group, a joint venture representa um marco na estratégia de expansão do grupo na Europa. Para o executivo, o desenvolvimento de capacidades industriais de loitering munition em território espanhol permitirá responder com rapidez e escala às necessidades de defesa europeias, ao mesmo tempo em que constrói uma base industrial sustentável de longo prazo com um parceiro de confiança.

Já José Vicente de Los Mozos destacou que o acordo reforça a ambição da Indra de se tornar uma referência europeia na indústria de drones. De acordo com ele, o investimento em capacidades industriais nesse segmento permitirá à empresa responder de forma ágil às demandas de um mercado em forte crescimento e de elevado valor estratégico.

Para além do impacto industrial imediato, a parceria entre Indra e EDGE sinaliza um movimento mais amplo de integração entre empresas europeias e grupos internacionais de defesa, combinando tecnologia avançada, capacidade produtiva local e alinhamento com as prioridades estratégicas de soberania e prontidão operacional da Europa.


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Amazonas inicia treinamento dos Operadores do HARPIA”

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Teve início em 5 de janeiro, na sede da ADTECH em São José dos Campos (SP), o treinamento dos operadores dos sistemas HARPIA destinados ao Estado do Amazonas, dando sequência à integração dos SARPs às operações estratégicas do estado. O programa apoia diretamente a segurança pública, a defesa civil e o monitoramento ambiental, fortalecendo a atuação das autoridades locais. O Amazonas é o segundo estado do país a adotar o HARPIA em suas capacidades de vigilância.

Desenvolvido pela brasileira Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD), o HARPIA é um Sistema de Aeronave Remotamente Pilotada (SARP) multimissão, projetado para missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR). O sistema se destaca pela autonomia estendida e alcance operacional de mais de 218 km, sensores de alta performance e operação simplificada, características essenciais em cenários de crise que exigem vigilância contínua, rapidez na tomada de decisão e coordenação eficiente entre diferentes órgãos.

Recentemente, o estado do Acre empregou o HARPIA em missões de monitoramento de áreas alagadas após fortes chuvas, demonstrando a versatilidade do sistema em situações adversas e sua capacidade de prover consciência situacional em tempo real. Durante a operação, o VANT forneceu imagens aéreas do Rio Acre, do Igarapé São Francisco e de outros pontos sensíveis, permitindo uma visão ampla e precisa da situação, essencial para ações de segurança e defesa civil.

Entre os principais diferenciais do HARPIA estão:

  • Autonomia de voo de até 12 horas, garantindo longos períodos de vigilância sem necessidade de pousos frequentes;

  • Baixo custo operacional, significativamente inferior ao de aeronaves tripuladas ou drones de decolagem vertical;

  • Simplicidade logística, possibilitando iniciar a operação em poucos minutos, com equipe reduzida e sem infraestrutura complexa;

  • Captação e transmissão de imagens em tempo real, integradas aos centros de comando e controle, ampliando o alcance da inteligência e a coordenação das ações em campo.

O treinamento, com duração de dois meses, inclui aulas teóricas sobre operação e regulamentação do sistema, além de horas práticas de voo, montagem e manutenção das aeronaves, operação de sensores embarcados e manuseio dos softwares que integram o HARPIA. Ao final do programa, os operadores estarão plenamente capacitados para atuar no monitoramento do território amazonense, garantindo eficiência, rapidez e segurança nas operações.

A capacitação representa um passo importante para o fortalecimento da atuação tecnológica do estado do Amazonas, preparando agentes públicos altamente qualificados e consolidando o papel da ADTECH como parceira na implementação de soluções de ponta em defesa, segurança e proteção ambiental.

 

Sobre a ADTECH


A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD) é uma empresa brasileira reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), especializada em soluções tecnológicas de alta performance voltadas à segurança pública, defesa territorial e monitoramento estratégico. Com foco em inovação, confiabilidade e conformidade regulatória, a ADTECH consolida-se como uma referência nacional no desenvolvimento e na operação de aeronaves não tripuladas de última geração.



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