quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Presidente visita Aramar e acompanha avanço do programa nuclear da Marinha

 

Agenda em Iperó destacou a montagem do reator do LABGENE e o desenvolvimento das tecnologias que serão empregadas no futuro submarino brasileiro de propulsão nuclear

O presidente da República visitou nesta quarta-feira (19) o Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), em Iperó, São Paulo, onde acompanhou o avanço do Programa Nuclear da Marinha (PNM) e as etapas de desenvolvimento da planta de propulsão destinada ao futuro submarino brasileiro de propulsão nuclear.

A visita ocorre em um momento importante do programa, que avança para a montagem do reator do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE). A instalação funciona como um protótipo em escala real e em terra da planta de propulsão que será posteriormente empregada no futuro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA).

O LABGENE permitirá testar o reator e os diferentes sistemas eletromecânicos integrados antes de sua instalação a bordo, criando uma etapa fundamental para validar o funcionamento da planta e qualificar as equipes responsáveis por sua operação. Quando estiver plenamente operacional, o laboratório terá uma potência térmica de 48 megawatts.

O desenvolvimento do submarino depende, porém, de uma cadeia tecnológica mais ampla. Aramar concentra estruturas voltadas ao domínio do ciclo do combustível nuclear, incluindo o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI), responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de separação isotópica por ultracentrifugação, e a Usina Piloto de Produção de Hexafluoreto de Urânio (USEXA), destinada à conversão do concentrado de urânio em UF6.

Outro componente é o Laboratório de Materiais Nucleares (LABMAT), que desenvolve combustíveis cerâmicos e materiais utilizados em sistemas nucleares. A instalação recebe um aporte de R$ 58 milhões da Finep para a implantação de uma linha de produção de combustíveis destinados a reatores de pequeno porte.

A Finep também apoia o programa por meio de iniciativas como o projeto Atomic, voltado à modelagem computacional de transientes e acidentes operacionais nucleares, além de projetos inseridos no Finep Mais Inovação, dentro da Nova Indústria Brasil. Essas iniciativas ampliam a participação da base científica e industrial brasileira no desenvolvimento das tecnologias associadas ao programa.

O complexo também concentra a formação dos profissionais que irão operar as instalações nucleares. O Centro de Instrução e Adestramento Nuclear de Aramar (CIANA) prepara militares e civis para a operação segura de plantas nucleares, enquanto o Laboratório Radioecológico (LARE) realiza o monitoramento radiológico dos trabalhadores e das áreas do entorno.

O caráter do programa é também dual. O domínio desenvolvido para a propulsão naval pode gerar aplicações futuras em outras áreas da tecnologia nuclear, incluindo geração de energia e soluções para setores como medicina e agricultura, ampliando o retorno científico e industrial dos investimentos realizados.

A visita presidencial reuniu ainda o ministro da Defesa, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o comandante da Marinha e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, reforçando a dimensão estratégica atribuída ao Programa Nuclear da Marinha.

O avanço do LABGENE representa, assim, uma das etapas mais importantes do caminho até o submarino brasileiro de propulsão nuclear. Mais do que a construção de uma plataforma naval, o programa envolve o desenvolvimento de uma cadeia nacional de conhecimento, materiais, combustível, geração de energia e recursos humanos necessária para que o Brasil possa operar e sustentar uma capacidade nuclear naval própria.


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com Marinha do Brasil

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