General Atomics e MBDA avançam na integração do míssil de cruzeiro com duas plataformas não tripuladas, ampliando a capacidade de ataque a distância e de supressão de defesas aéreas
A General Atomics e a MBDA deram mais um passo na evolução das capacidades ofensivas de sistemas aéreos não tripulados ao assinarem um memorando de entendimento para integrar o míssil de cruzeiro SPEAR ao MQ-9B e ao Gambit 6, aeronave de combate cooperativa não tripulada (CCA). O acordo prevê o trabalho conjunto para garantir que o armamento possa ser transportado e empregado operacionalmente pelas duas plataformas.
A iniciativa amplia uma parceria que já envolve a integração do míssil Brimstone ao Protector RG Mk1, versão britânica do MQ-9B. Agora, a incorporação do SPEAR leva a plataforma a uma categoria diferente de emprego, com capacidade de realizar ataques contra alvos além da linha de visão e a maiores distâncias de segurança em relação às defesas aéreas adversárias.
Desenvolvido pela MBDA, o SPEAR é um míssil de cruzeiro compacto para ataque ar-superfície. Seu tamanho permite que diferentes plataformas transportem múltiplas unidades, enquanto o alcance e os sistemas de guiagem permitem atingir alvos sem exigir que a aeronave lançadora se aproxime diretamente da área protegida por sistemas de defesa antiaérea.
Para o MQ-9B, a integração representa uma ampliação significativa do conceito original da plataforma. Com elevada autonomia e capacidade de permanência prolongada, o sistema já é empregado ou encomendado por cerca de uma dúzia de países, incluindo Reino Unido, Alemanha, Dinamarca, Bélgica e Polônia. A combinação entre persistência, sensores e um armamento de maior alcance amplia sua capacidade de atuar em missões de reconhecimento, vigilância e ataque.
A mesma integração ganha uma dimensão ainda maior no Gambit 6. Desenvolvido pela General Atomics como uma CCA, o sistema foi concebido para operar em missões nas quais uma aeronave não tripulada possa assumir funções de combate normalmente associadas a plataformas tripuladas, incluindo guerra eletrônica, supressão e destruição de defesas aéreas inimigas e ataques de precisão.
Com o SPEAR, o Gambit 6 passa a ser projetado também para engajar alvos terrestres a distância, mantendo a plataforma fora do envelope de ameaça dos sistemas de defesa aérea. Essa combinação é particularmente relevante para operações em ambientes nos quais a sobrevivência das aeronaves tripuladas depende da capacidade de neutralizar ou contornar as defesas adversárias.
A integração também evidencia uma tendência que vem ganhando espaço nos programas de combate aéreo: separar a plataforma do risco direto do ataque e transferir parte da letalidade para armamentos de maior alcance. Nesse modelo, drones de elevada autonomia e CCAs podem permanecer em áreas menos expostas enquanto empregam armas capazes de atingir alvos a grandes distâncias.
O movimento da General Atomics e da MBDA também mostra como os sistemas não tripulados estão deixando de ser empregados apenas como plataformas de inteligência, vigilância e reconhecimento. A combinação entre sensores, autonomia, guerra eletrônica e armamentos de precisão está transformando essas aeronaves em componentes ativos da arquitetura de combate aéreo.
Para o MQ-9B, o SPEAR acrescenta uma nova camada de capacidade ofensiva. Para o Gambit 6, representa um passo na direção de uma aeronave não tripulada concebida desde o início para operar em ambientes de maior ameaça. Em ambos os casos, a lógica é a mesma: aumentar o alcance dos efeitos produzidos sem aumentar na mesma proporção a exposição da plataforma.
Esse conceito deverá ganhar importância à medida que defesas aéreas mais integradas, sensores de maior alcance e sistemas de guerra eletrônica tornarem cada vez mais arriscado penetrar diretamente no espaço aéreo adversário. A integração do SPEAR ao MQ-9B e ao Gambit 6 coloca essas duas plataformas dentro dessa transformação, aproximando drones e sistemas de combate cooperativos do centro da arquitetura ofensiva das futuras operações aéreas.
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