quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Espanha coloca dois submarinos da classe S80 Plus juntos no mar pela primeira vez

A Espanha deu nesta quinta-feira (27) um passo importante na renovação de sua força submarina. Pela primeira vez, os dois primeiros submarinos da classe S80 Plus, desenvolvida no âmbito do projeto desenvolvido pela Navantia (S-81 Isaac Peral e o S-82 Narciso Monturiol), navegaram simultaneamente diante de Cartagena.

O momento marca uma nova etapa para um dos mais complexos programas navais já conduzidos pela indústria espanhola. Enquanto o Isaac Peral já integra a Armada Espanhola e participa de atividades operacionais e de adestramento, o Narciso Monturiol ainda está em sua campanha de provas de mar antes da incorporação à frota.

O S-81 foi incorporado à Armada em novembro de 2023, depois de concluir sua fase inicial de testes. Com 80,8 metros de comprimento, 7,3 metros de diâmetro e deslocamento submerso de aproximadamente 3.000 toneladas, o submarino representa uma mudança significativa em relação aos antigos submarinos da classe Galerna, que o projeto S-80+ foi concebido para substituir.

O Narciso Monturiol iniciou seus testes de mar em junho de 2026. Em julho, realizou sua primeira imersão estática nas proximidades da Base Naval de La Algameca em Cartagena, procedimento destinado a verificar o comportamento do casco e o funcionamento dos sistemas de lastro antes do avanço para os testes de navegação submersa. A previsão é que o S-82 seja entregue à Armada ainda em 2026.

O projeto S-80 Plus prevê quatro submarinos. Depois do Isaac Peral (S-81) e do Narciso Monturiol (S-82), a Navantia trabalha na construção do S-83 Cosme García (S-83) e do Mateo García de los Reyes (S-84), que completarão a nova geração de submarinos convencionais espanhóis.

Um dos principais diferenciais da classe Isaac Peral está na sua arquitetura de propulsão e na capacidade prevista de operar durante longos períodos sem precisar retornar à superfície.

O projeto incorpora o sistema de propulsão independente de ar BEST-AIP, desenvolvido pela indústria espanhola. A solução utiliza bioetanol para produzir hidrogênio, posteriormente empregado em células de combustível para gerar energia elétrica durante a navegação submersa.

Na prática, o sistema permite ampliar significativamente o tempo de permanência em imersão e reduzir a necessidade de operações de snorkel para recarga das baterias. Para um submarino convencional, essa capacidade representa uma vantagem operacional importante, especialmente em missões nas quais a discrição é fundamental.

Os dois primeiros submarinos, porém, não receberão inicialmente o sistema AIP de forma definitiva. A tecnologia será instalada posteriormente durante períodos de manutenção, enquanto as unidades seguintes da classe serão construídas já com o sistema integrado.

O caminho percorrido pelo programa até chegar a este estágio foi marcado por problemas técnicos e atrasos. Durante o desenvolvimento do S-80 original, engenheiros identificaram problemas relacionados à distribuição de peso e à flutuabilidade do projeto. A solução exigiu alterações profundas na plataforma, incluindo mudanças estruturais e aumento das dimensões previstas inicialmente.

O processo provocou anos de atrasos e transformou o programa em um dos maiores desafios enfrentados pela indústria de defesa espanhola. Ao mesmo tempo, obrigou a Espanha a desenvolver e preservar competências próprias em áreas críticas da construção submarina.

É justamente esse aspecto que dá ao projeto uma dimensão estratégica. Construir um submarino moderno exige domínio de engenharia naval, hidrodinâmica, acústica, propulsão, sistemas de combate, sensores, automação e integração de armamentos. São capacidades que permanecem concentradas em um grupo restrito de países.

A Navantia, responsável pelo desenvolvimento e construção da classe, afirma que o programa mobiliza mais de 6.000 empregos e uma extensa cadeia de fornecedores dentro da Base Industrial de Defesa espanhola.

O Isaac Peral já começou a demonstrar o potencial da nova plataforma em operações reais. Em 2025, o submarino participou da operação Sea Guardian, da OTAN, permanecendo 46 dias em atividade, com cerca de 840 horas de imersão e mais de 5.000 milhas náuticas percorridas.

Com o Narciso Monturiol avançando nos testes e os S-83 e S-84 em construção, a Armada Espanhola começa a deixar para trás a dependência de uma única unidade da nova geração. A presença simultânea dos dois primeiros submarinos da classe Isaac Peral no mar representa, portanto, mais do que um registro simbólico.

Depois de anos de dificuldades técnicas, revisões e atrasos, o projeto S-80 Plus começa finalmente a transformar uma ambiciosa aposta industrial em capacidade militar efetiva. Para a Espanha, o resultado significa não apenas renovar sua força submarina, mas preservar uma competência tecnológica estratégica que poucos países possuem: a capacidade de projetar, construir, integrar e manter seus próprios submarinos.


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