quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Polônia recebe primeiros carros de combate "Black Panther" do segundo contrato avaliado em US$ 6,5 bilhões

 

A Polônia recebeu os primeiros 28 carros de combate K2 previstos no segundo contrato firmado com a sul-coreana Hyundai Rotem. Os veículos blindados serão destinadas à 16ª Divisão Mecanizada, no nordeste do país, ampliando a capacidade blindada polonesa em uma região considerada estratégica para a defesa do flanco oriental da OTAN.

A entrega marca o início de entrega do acordo assinado em 1º de agosto de 2025, avaliado em aproximadamente US$ 6,5 bilhões. O contrato prevê 180 novos K2, além de veículos de apoio, munições, logística, treinamento e transferência de tecnologia.

O novo acordo dá continuidade à aquisição inicial de 180 K2GF, cuja entrega à Polônia foi concluída em novembro de 2025. Somados, os dois contratos representam uma expansão significativa da frota de carros de combate de origem sul-coreana em serviço nas Forças Armadas polonesas.

Os 28 carros de combate recém-entregues são da configuração K2 padrão. Nas próximas etapas, entretanto, a Polônia começará a receber a variante K2PL, desenvolvida para atender aos requisitos específicos das Forças Armadas polonesas e ampliando a participação da indústria polonesa no programa.

O segundo contrato estabelece a entrega de 116 K2GF entre 2026 e 2027, seguidos por 64 K2PL entre 2028 e 2030. Dos K2PL previstos, 61 serão montados na própria Polônia pela Bumar-Łabędy em Gliwice, empresa pertencente ao grupo estatal de defesa PGZ.

A mudança é importante porque o acordo não se limita à aquisição de equipamentos produzidos na Coreia do Sul. A transferência de tecnologia e a montagem local fazem parte da estratégia de Varsóvia para ampliar sua autonomia industrial e criar capacidade própria de manutenção e suporte para uma força blindada em rápida expansão.

O K2 Black Panther é um carro de combate (MBT) de terceira geração desenvolvido pela Coreia do Sul. A plataforma é equipada com canhão de alma lisa de 120 mm dotado de carregador automático, além da metralhadora de 7,62 mm e uma metralhadora pesada de 12,7 mm.

O carro de combate também incorpora sistemas avançados de controle de tiro, proteção e gerenciamento da plataforma, combinados a elevada mobilidade. Essas características ajudaram a transformar o K2 em uma das principais opções de Varsóvia para acelerar a modernização de suas forças terrestres.

A 16ª Divisão Mecanizada da Pomerânia está entre as principais unidades beneficiadas pelo programa. Sediada no nordeste da Polônia, a divisão possui papel estratégico na defesa do território próximo às fronteiras com Belarus e à região russa de Kaliningrado.

O segundo contrato também prevê 81 veículos de apoio baseados no chassi do K2. O pacote inclui 25 veículos de engenharia de combate, 25 veículos blindados lançadores de pontes e 31 veículos blindados de recuperação. Esse componente é fundamental para uma força mecanizada em expansão. Veículos de engenharia, recuperação e lançamento de pontes permitem manter a mobilidade das unidades, superar obstáculos e recuperar equipamentos danificados ou imobilizados durante operações de grande intensidade.

O acordo inclui ainda munições, suporte logístico, treinamento e transferência de tecnologia. Pelo lado polonês, o contrato foi assinado pelo General Artur Kuptel, chefe da Agência de Armamentos, enquanto a Hyundai Rotem foi representada por seu CEO, Lee Yong-Bae. A assinatura ocorreu nas instalações da Bumar-Łabędy, justamente a unidade que terá participação na montagem dos futuros K2PL.

A aquisição dos K2 faz parte de um esforço de rearmamento muito mais amplo conduzido por Varsóvia desde o início da guerra na Ucrânia. Além dos carros de combate sul-coreanos, a Polônia vem incorporando carros de combate M1A2 SEPv3 Abrams dos Estados Unidos e mantém em serviço os Leopard 2 de origem alemã. Até o início de 2026, cerca de 117 M1A2 SEPv3 Abrams já haviam sido entregues ao país. A estratégia polonesa prevê chegar a aproximadamente 900 carros de combate em operação até 2030, distribuídos entre as famílias K2, Abrams e Leopard 2.

O número coloca a Polônia em uma posição singular dentro da Europa. Enquanto diversos países reduziram ou mantiveram estoques limitados de carros de combate após o fim da Guerra Fria, Varsóvia está construindo uma das maiores forças mecanizadas do continente, combinando plataformas de diferentes origens e ao mesmo tempo, tentando transformar parte dessas aquisições em capacidade industrial local.

A chegada dos primeiros K2 do segundo contrato, portanto, representa mais do que a incorporação de 28 novos carros de combate. É o início de uma segunda etapa da parceria entre Polônia e Coreia do Sul, agora marcada pela transferência de tecnologia, participação crescente da indústria polonesa e preparação para a montagem local do K2PL.

Para Varsóvia, o objetivo é acelerar a expansão do poder de combate das forças terrestres sem abrir mão da construção de uma base industrial capaz de sustentar essa capacidade no longo prazo.


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