A SIATT iniciou nesta quarta-feira (26) as operações de sua nova unidade industrial em Caçapava, no interior de São Paulo. A entrada em funcionamento da primeira fase da planta amplia a capacidade da empresa para desenvolver, fabricar, integrar, testar e qualificar sistemas estratégicos destinados aos setores de Defesa e Espaço.
Com 6.200 m² de área construída nesta primeira etapa, a unidade foi estruturada para atuar na produção de mísseis, foguetes guiados, motores-foguete e outros sistemas propulsivos. A planta também foi projetada para receber ampliações progressivas conforme a evolução dos programas estratégicos brasileiros e das oportunidades no mercado internacional.
A inauguração reuniu autoridades civis e militares, entre elas o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luis Fernandes; o vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth; o presidente do Conselho de Administração da SIATT, Azhaury Cunha Filho; o presidente do Cluster de Mísseis e Armamentos do EDGE, Saif Al Dahbashi; além de representantes das Forças Armadas e do município de Caçapava.
Durante a cerimônia, o diretor-presidente da SIATT, Rogerio Salvador, destacou a relação entre autonomia tecnológica e capacidade industrial.
“Um país que pretende decidir sobre o próprio futuro, precisa também decidir as suas escolhas, e essa liberdade se sustenta não apenas em meios militares, mas também em ciência, engenharia e uma indústria capaz de transformar conhecimento em soluções concretas”, afirmou.
Da engenharia à produção
A nova unidade representa uma mudança importante na estrutura industrial da SIATT. A empresa passa a concentrar em Caçapava competências relacionadas não apenas ao desenvolvimento, mas também à fabricação e à qualificação de sistemas estratégicos.
O presidente do Conselho de Administração da empresa, Azhaury Cunha Filho, ressaltou justamente essa transição.
“Existe uma diferença fundamental entre dominar uma tecnologia e possuir a capacidade industrial de produzi-la de forma recorrente, confiável e em escala. A nossa sede em São José dos Campos, inaugurada no ano passado, e esta planta de Caçapava que se inicia hoje, representam justamente essa transição. Estamos transformando conhecimento acumulado durante muitos anos em uma capacidade industrial permanente”, afirmou.
A declaração sintetiza um dos principais objetivos do investimento: transformar competências tecnológicas acumuladas pela empresa em uma capacidade fabril permanente, capaz de sustentar programas de longo prazo.
A estrutura deverá abranger diferentes etapas do ciclo industrial de mísseis, foguetes guiados, motores-foguete e sistemas propulsivos, criando condições para a produção seriada e para a evolução de projetos destinados tanto à Defesa quanto ao setor espacial.
Impacto na Base Industrial de Defesa
A entrada em operação da planta amplia a infraestrutura disponível no Brasil para a produção de sistemas avançados de Defesa e reforça a participação da SIATT na Base Industrial de Defesa (BID).
A capacidade de produzir localmente sistemas considerados estratégicos tem impacto direto sobre a autonomia tecnológica brasileira, especialmente em áreas nas quais o domínio industrial é tão relevante quanto o conhecimento necessário para desenvolver o produto.
Nesse sentido, a nova unidade poderá apoiar programas de interesse das Forças Armadas, além de abrir espaço para futuras parcerias com empresas, instituições de ciência e tecnologia e organizações nacionais e internacionais.
O projeto também está inserido na estratégia de expansão internacional da SIATT, criando uma estrutura industrial capaz de atender tanto às necessidades brasileiras quanto a eventuais oportunidades de exportação.
Defesa e Espaço no mesmo complexo
Outro aspecto relevante da planta de Caçapava é sua atuação simultânea nos setores de Defesa e Espaço.
Além dos sistemas de armamento, a infraestrutura foi concebida para a fabricação de motores-foguete e outros sistemas propulsivos destinados a aplicações espaciais. A convergência entre as duas áreas permite aproveitar competências de engenharia, tecnologias e infraestrutura em diferentes projetos de alta complexidade.
A estratégia amplia o campo de atuação da empresa e cria possibilidades para o desenvolvimento de produtos destinados a diferentes mercados tecnológicos, mantendo no Brasil competências consideradas críticas para os dois setores.
Expansão em três fases
A unidade de Caçapava terá sua implantação realizada em diferentes etapas. A Fase 1, agora iniciada, será seguida pelas Fases 2 e 3, que deverão ampliar progressivamente a infraestrutura e a capacidade produtiva.
Ao final do projeto, a previsão é de geração de 640 empregos, sendo 160 postos diretos e 480 indiretos. A expansão também deverá fortalecer a cadeia formada por empresas, universidades, centros de pesquisa e instituições ligadas à engenharia, tecnologia e indústria de alta complexidade.
Mais do que uma nova fábrica, a Unidade Caçapava representa a tentativa de consolidar no país um elo que frequentemente limita programas estratégicos: a passagem da capacidade de desenvolver uma tecnologia para a capacidade de produzi-la de forma contínua.
Com a Fase 1 em operação, a SIATT passa a contar com uma estrutura industrial dedicada a esse objetivo e prepara as próximas etapas de expansão de sua capacidade nos setores de Defesa e Espaço.
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