domingo, 11 de outubro de 2026

OPERANTAR XLV mobiliza navios da Marinha para apoiar 29 projetos científicos na Antártica

 

A Marinha do Brasil iniciou, em 4 de outubro, a 45ª Operação Antártica (OPERANTAR XLV), com a partida do Navio Polar (NPo) “Almirante Maximiano” e do Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) “Ary Rongel”, da Base Naval da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. A comissão, com duração superior a seis meses e retorno previsto para abril de 2027, dará suporte a 29 projetos de pesquisa científica no continente antártico, três a mais que na operação anterior.

Mais de 200 militares e pesquisadores participam da missão, que integra o Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), coordenado pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM). A estrutura mobilizada inclui navios, aeronaves, equipes especializadas e apoio logístico às atividades científicas em uma região marcada por temperaturas extremas, isolamento e dificuldades de acesso.

O aumento de 26 para 29 projetos apoiados em relação à OPERANTAR anterior amplia a demanda sobre os meios navais e a estrutura de suporte brasileira. Na Antártica, a pesquisa depende não apenas de laboratórios e equipes qualificadas, mas também da capacidade de transportar pessoal e equipamentos, manter operações em condições ambientais severas e garantir o apoio necessário ao trabalho de campo.

Dois navios, funções complementares

O Navio Polar “Almirante Maximiano” passou por aproximadamente cinco meses de manutenção antes de iniciar a comissão. A preparação busca assegurar condições para cumprir as tarefas logísticas e atender às necessidades dos pesquisadores ao longo da operação.

O comandante do navio, Capitão de Mar e Guerra Sergio dos Santos Silva, destacou a importância da manutenção para a preparação do meio e para o atendimento às demandas da missão.

Já o Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel” participa pela 33ª vez consecutiva das operações brasileiras na Antártica. Segundo seu comandante, Capitão de Mar e Guerra Maicon Jesus Domingues Luiz, o navio prestará apoio logístico à Estação Antártica Comandante Ferraz e às equipes científicas que desenvolvem atividades na região.

A participação continuada dos dois navios evidencia a importância de manter meios especializados disponíveis para missões que exigem preparação prolongada, capacidade logística e operação em condições ambientais particularmente exigentes. A manutenção desses recursos é parte essencial da continuidade do PROANTAR.

Pesquisa científica em condições extremas

Entre os estudos apoiados nesta edição está uma pesquisa conduzida pela Capitão de Corveta Valéria Faria, do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), integrante do Laboratório de Pesquisa em Ciências do Exercício e Performance e do grupo MEDIANTAR.

O trabalho investigará a influência do ambiente antártico sobre parâmetros psicofisiológicos de integrantes da tripulação dos navios e de militares envolvidos na substituição do Grupo-Base. A pesquisa poderá contribuir para ampliar o conhecimento sobre as respostas do organismo às condições ambientais e aos desafios de uma permanência prolongada na região.

A diversidade dos projetos apoiados pela OPERANTAR exige que a estrutura naval atenda a necessidades distintas, desde o transporte de pesquisadores e equipamentos até o suporte às atividades desenvolvidas na estação e em áreas remotas do continente.

Ciência, logística e presença brasileira

A participação do Brasil na Antártica está ligada ao desenvolvimento de pesquisas científicas e ao compromisso com o Tratado da Antártica. O País tornou-se membro consultivo do tratado em 1983, condição que permite participar das discussões e decisões relativas à região e está associada à realização de atividades científicas substanciais no continente.

Nesse contexto, o PROANTAR depende de uma estrutura permanente de apoio. A Estação Antártica Comandante Ferraz e os meios empregados pela Marinha viabilizam pesquisas que seriam difíceis de executar sem transporte, infraestrutura e suporte operacional adequados.

A OPERANTAR XLV também evidencia um aspecto estratégico frequentemente menos visível que a própria pesquisa: a necessidade de manter navios especializados, equipes treinadas e capacidade logística para operar de forma continuada em uma região distante do território nacional. A interrupção ou a limitação desses meios afetaria diretamente a capacidade brasileira de sustentar suas atividades científicas.

Com retorno previsto para abril de 2027, a missão deverá manter o apoio às pesquisas durante os próximos meses. Seu resultado não será medido apenas pelo número de projetos atendidos, mas também pela capacidade de assegurar condições para que os pesquisadores realizem seus trabalhos e o Brasil mantenha uma participação científica contínua na Antártica.


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com Marinha do Brasil

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