domingo, 11 de outubro de 2026

Cascavel NG testa precisão do canhão de 90 mm

 

O Exército Brasileiro realizou, entre 29 de setembro e 1º de outubro, uma nova etapa de testes de tiro com o EE-9 Cascavel Nova Geração (Cascavel NG), no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), no Campo de Provas da Marambaia, no Rio de Janeiro. Os ensaios avaliaram a precisão do canhão de 90 mm do protótipo P01, com disparos contra alvos posicionados a 1.000 e 1.500 metros, utilizando munição produzida pela Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL).

Os disparos foram realizados a partir de uma posição estática e instrumentada, permitindo avaliar o desempenho do armamento nas condições estabelecidas para os ensaios. A atividade integra o processo de avaliação da viatura modernizada, que busca atualizar uma plataforma empregada há décadas pela Cavalaria do Exército.

Torre digital e sistemas modernizados

O Cascavel NG recebe um conjunto de modificações destinado a atualizar seus sistemas e ampliar suas condições de emprego. Entre os recursos divulgados estão o controle da torre por joystick, um sistema de regulagem da pressão dos pneus para adaptação a diferentes terrenos e melhorias no sistema de frenagem. A viatura também incorpora novos sensores externos, associados à modernização dos sistemas de observação e controle.

A atualização do sistema de armas é um dos pontos centrais do projeto. O canhão de 90 mm permanece como armamento principal, mas passa a operar em uma arquitetura modernizada, com novos recursos de controle. Os testes de tiro permitem verificar o comportamento do conjunto em condições específicas, fornecendo dados para a avaliação técnica do protótipo.

O resultado de disparos em distâncias determinadas, contudo, não equivale à validação completa do sistema de armas. A avaliação operacional de um blindado envolve diferentes condições de emprego, incluindo mobilidade, confiabilidade, funcionamento dos sistemas integrados e desempenho ao longo de ciclos de utilização.

Indústria brasileira participa da modernização

O programa envolve a Diretoria de Fabricação do Exército e empresas da Base Industrial de Defesa e Segurança, reunidas no Consórcio Força Terrestre, formado por Akaer, Universal Importação e Comércio e OPTO Eletrônica. Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, os sistemas incorporados apresentam índice de nacionalização superior a 90%.

A participação industrial nacional é relevante para a capacidade de integrar e sustentar os sistemas modernizados, além de ampliar o domínio sobre tecnologias empregadas na viatura. Esse componente ganha importância em programas que precisam conciliar atualização técnica, disponibilidade de peças e suporte durante a vida útil dos equipamentos.

O projeto integra o esforço de modernização das viaturas blindadas do Exército no âmbito do Programa Estratégico Forças Blindadas. A iniciativa busca adaptar o EE-9 às exigências atuais, preservando a plataforma sobre rodas e atualizando seus principais sistemas.

Modernização diante da renovação da Cavalaria

A modernização do Cascavel ocorre em paralelo à incorporação futura do Centauro II, blindado 8x8 equipado com canhão de 120 mm, destinado a substituir os EE-9 em parte das unidades de Cavalaria. As duas iniciativas representam caminhos distintos para a renovação dos meios: a aquisição de uma nova plataforma e a atualização de um veículo já incorporado à frota.

O Cascavel NG não deve ser confundido com a simples revitalização de viaturas, que envolve a recuperação de chassis e sistemas existentes. A Nova Geração contempla modificações mais amplas, incluindo a modernização do sistema de armas e a incorporação de novos recursos eletrônicos e mecânicos.

A conclusão dos ensaios de tiro representa mais uma etapa de avaliação, não uma confirmação isolada de que o blindado esteja plenamente qualificado para todas as condições operacionais. A efetividade do programa dependerá da conclusão das avaliações, da confiabilidade dos sistemas, da capacidade de manutenção e da disponibilidade das viaturas modernizadas para as unidades.

Para o Exército, o desafio é transformar a modernização técnica em capacidade operacional sustentável, mantendo os meios disponíveis enquanto avança a renovação da frota blindada.


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com Exercito Brasileiro

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