domingo, 20 de setembro de 2026

POWERTECH da EDGE, amplia portfólio de motores e mira cadeia industrial na Europa

A POWERTECH, empresa da EDGE Group criada em 2025, está desenvolvendo uma família própria de motores para drones, mísseis e outras aeronaves, enquanto busca parceiros para formar uma cadeia industrial na Europa. A estratégia combina desenvolvimento de propriedade intelectual nos Emirados Árabes Unidos e na Itália com a possibilidade de produção localizada e transferência de tecnologia para mercados considerados estratégicos.

O plano foi apresentado pelo CEO da POWERTECH, Marian Lubieniecki, durante a MSPO, na Polônia. A empresa participou pela primeira vez da feira e utilizou o evento para negociar com potenciais clientes e fornecedores, colocando o mercado europeu entre os alvos de sua expansão.

A POWERTECH foi criada para fornecer motores tanto às empresas do próprio EDGE Group quanto a clientes externos. Em vez de depender principalmente de projetos licenciados, a companhia afirma estar desenvolvendo internamente os produtos que compõem seu catálogo.

A estrutura atual está dividida entre duas especialidades. Nos Emirados Árabes Unidos, a empresa concentra o desenvolvimento de motores turbojato. Na Itália, mantém uma estrutura de pesquisa e desenvolvimento dedicada aos motores a pistão.

Entre os propulsores a pistão estão modelos de 10, 80 e 145 hp. Eles são destinados principalmente a aeronaves não tripuladas de vigilância, enquanto a POWERTECH também trabalha em motores de menor custo para plataformas descartáveis. Nesse segmento, o objetivo é adequar o propulsor ao perfil da missão, considerando fatores como autonomia, altitude, desempenho e custo por unidade.

A linha de turbojatos inclui atualmente motores de 450 N e 1.000 N de empuxo contínuo para drones e mísseis. A empresa também desenvolve um turbofan de maior porte e prevê acrescentar ao catálogo um modelo de 4.700 N.

A variedade de motores mostra que a POWERTECH não está trabalhando em uma única solução para um único veículo. A proposta é criar uma família de propulsores que possa ser dimensionada conforme a plataforma e a missão, desde sistemas não tripulados de menor porte até aeronaves que demandem maior empuxo.

Para a EDGE Group, esse domínio tem uma consequência direta: maior controle sobre um dos componentes que mais condicionam o desempenho de uma aeronave. Motor, consumo, peso, autonomia e velocidade estão diretamente relacionados, e alterações no sistema de propulsão podem exigir mudanças em toda a arquitetura da plataforma.

A empresa pretende ainda vender seus motores para clientes que não pertencem ao EDGE Group. Esse mercado externo é importante porque permite utilizar a mesma base tecnológica em diferentes programas, ampliando a escala potencial de produção e criando uma fonte adicional de demanda para os propulsores.

A Polônia aparece nesse processo como possível ponto de entrada para a cadeia industrial europeia. Lubieniecki afirmou que a empresa está avaliando diferentes possibilidades no país, mas não anunciou até o momento uma fábrica ou investimento específico.

O interesse polonês está relacionado à existência de uma indústria aeroespacial consolidada, centros de pesquisa e uma cadeia de fornecedores capaz de atender programas de defesa. A POWERTECH também considera empresas de outros setores industriais que possam adaptar suas capacidades aos padrões exigidos pela produção aeronáutica.

A companhia afirma estar disposta a transferir tecnologia e localizar parte da produção. Isso permitiria que fornecedores poloneses participassem não apenas do fornecimento de componentes, mas de uma estrutura industrial mais ampla, caso as negociações avancem.

Entre as áreas avaliadas está o Aviation Valley, polo aeroespacial localizado no sudeste da Polônia e que reúne fabricantes, fornecedores, centros de pesquisa e instituições de ensino. A região pode oferecer à POWERTECH uma base para desenvolver uma cadeia europeia próxima de clientes e parceiros.

A empresa ainda não anunciou uma instalação industrial na Polônia nem um cronograma para produção local. Por enquanto, o projeto combina o desenvolvimento de motores próprios com a busca por fornecedores e parceiros capazes de sustentar uma futura cadeia europeia de produção.´


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