domingo, 20 de setembro de 2026

Exército avança em projeto de comunicação quântica para proteger informações estratégicas

 

O Exército Brasileiro avançou no desenvolvimento de uma capacidade nacional de comunicação quântica ao firmar um Memorando de Entendimento com o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI Renato Archer) para o desenvolvimento do Projeto AURORA. O acordo foi assinado durante o IV Encontro Nacional de Tecnologias Quânticas para Defesa (IV ENTQD), realizado em Campinas (SP), reunindo representantes das Forças Armadas, instituições de pesquisa, academia e setor de Tecnologia da Informação e Comunicação.

Organizado pelo Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército, o encontro teve como foco aplicações de tecnologias quânticas em comunicação, computação e sensoriamento. A programação foi dividida em quatro painéis, dedicados a aspectos político-estratégicos, fomento à indústria e projetos de Estado em Ciência e Tecnologia, perspectivas para Tecnologia da Informação e Comunicação e participação da academia e de unidades de pesquisa.

O Projeto AURORA, desenvolvido pelo CTI Renato Archer, propõe uma Arquitetura Unificada de Redes Optoeletrônicas de Resiliência Avançada voltada à comunicação quântica e à proteção de informações. A iniciativa foi estruturada como um projeto de Estado diante da complexidade tecnológica envolvida e prevê a participação coordenada de instituições militares, centros de pesquisa, universidades e empresas.

No arranjo apresentado pelo CTI, o Exército assume a liderança da vertente de segurança cibernética associada ao projeto, denominada “Escudo Quântico”. A proposta é desenvolver uma capacidade nacional para proteger comunicações estratégicas e ampliar a resiliência de sistemas empregados por estruturas críticas.

A comunicação quântica utiliza propriedades da física quântica para criar mecanismos de proteção de informações, com destaque para a Distribuição Quântica de Chaves (QKD). Nesse modelo, alterações provocadas pela tentativa de interceptação de determinados estados quânticos podem ser identificadas pelo sistema, permitindo detectar comprometimentos no canal utilizado para distribuição das chaves criptográficas.

A tecnologia, entretanto, não representa isoladamente uma solução completa de segurança cibernética. Sua aplicação depende da integração com criptografia, redes convencionais, sistemas de autenticação e outras camadas de proteção. O desafio está em transformar o princípio científico em uma infraestrutura confiável e compatível com os sistemas existentes.

O AURORA prevê inicialmente o estabelecimento de comunicações quânticas entre Campinas e São Paulo e entre Recife e João Pessoa. Esses enlaces deverão permitir o desenvolvimento e a validação de tecnologias associadas à transmissão, gerenciamento e proteção de informações em redes quânticas.

A implantação de uma rede desse tipo envolve desafios que vão além da transmissão de dados. Distância, estabilidade dos enlaces, infraestrutura óptica, sincronização, equipamentos fotônicos, gerenciamento das chaves e integração com redes convencionais estão entre os requisitos que precisam ser solucionados para transformar um demonstrador tecnológico em uma capacidade operacional.

O projeto também ganha relevância diante do avanço da computação quântica. A evolução dessa tecnologia poderá ameaçar, no futuro, determinados algoritmos criptográficos utilizados atualmente, criando a necessidade de desenvolver mecanismos capazes de proteger informações contra novos métodos de processamento e ataque.

Nesse cenário, o domínio de tecnologias quânticas passa a ter implicações para sistemas governamentais, militares e infraestruturas críticas. Comunicações relacionadas a comando e controle, centros de dados, energia, telecomunicações e outros serviços estratégicos exigem níveis elevados de disponibilidade e proteção contra interceptação ou comprometimento.

A participação do Exército no AURORA amplia a atuação do DCT em uma área que combina ciência fundamental, engenharia, cibernética e sistemas de comunicação. O desenvolvimento também cria oportunidades para a formação de competências nacionais em fotônica, eletrônica, software, criptografia e integração de redes.

O principal desafio será converter os resultados de pesquisa em sistemas escaláveis, sustentáveis e compatíveis com as necessidades operacionais. A distância entre uma demonstração de laboratório e uma rede quântica disponível de forma contínua exige desenvolvimento tecnológico, infraestrutura especializada e capacidade industrial para produzir e manter os equipamentos envolvidos.

O Projeto AURORA coloca, assim, a comunicação quântica dentro da agenda brasileira de ciência, tecnologia e Defesa. Os primeiros enlaces previstos entre Campinas–São Paulo e Recife–João Pessoa representam uma etapa inicial de um processo cujo objetivo é desenvolver conhecimento e infraestrutura nacional para proteger informações estratégicas em um ambiente tecnológico no qual os métodos de processamento e de ataque cibernético estão em rápida evolução.


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com Exército Brasileiro


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