terça-feira, 8 de setembro de 2026

EDGE e Safran avançam em parceria com SIATT para desenvolver motores-foguete no Brasil

 

A Base Industrial de Defesa brasileira poderá ganhar novas capacidades em uma área considerada estratégica para o desenvolvimento de sistemas de mísseis. A SIATT, empresa brasileira da EDGE Group especializada em armas inteligentes, sistemas de mísseis e integração de sistemas, assinou um Memorando de Entendimento (MoU) com a Safran Electronics & Defense para explorar oportunidades de cooperação tecnológica e industrial no Brasil.

O acordo anunciado nesta terça-feira (8), prevê a cooperação entre as empresas em áreas como sistemas de mísseis, loitering munitions, defesa costeira e outras tecnologias associadas. Entre as iniciativas previstas está o estabelecimento de capacidades para o desenvolvimento e a produção de motores-foguete de propelente sólido nas instalações da SIATT.

A iniciativa merece atenção pelo potencial impacto sobre a autonomia tecnológica brasileira. Os motores-foguete de propelente sólido constituem um dos principais componentes de sistemas de mísseis e foguetes, concentrando conhecimentos relacionados à propulsão, materiais, processos de fabricação e integração. O domínio dessas capacidades é particularmente relevante para países que buscam reduzir dependências externas em áreas sensíveis da defesa.

O Memorando de Entendimento também prevê a exploração conjunta de outras tecnologias críticas, incluindo sistemas de medição inercial e navegação, receptores GNSS, atuadores, miras optrônicas e sistemas de busca, conhecidos como seekers. Esses componentes estão diretamente relacionados à precisão, navegação, controle e capacidade de aquisição de alvos de diferentes sistemas de armas.

A combinação dessas áreas abre espaço para uma cooperação mais ampla do que o simples fornecimento de componentes. Caso as iniciativas avancem para programas concretos, a parceria poderá envolver o desenvolvimento e a integração de subsistemas capazes de atender futuros projetos de mísseis, munições guiadas, sistemas autônomos e soluções de defesa costeira.

Para a SIATT, o acordo ocorre em um momento de expansão de sua participação em programas estratégicos brasileiros. A empresa atua no desenvolvimento de sistemas de mísseis e armas inteligentes e também é responsável pela integração de sistemas no Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, o SisGAAz. A entrada em novas áreas de propulsão e sistemas embarcados poderá ampliar sua atuação dentro da cadeia brasileira de sistemas de defesa de maior complexidade.

A Safran Electronics & Defense, por sua vez, reúne competências em sistemas de navegação, optrônica, sensores, sistemas inerciais e tecnologias destinadas aos setores de defesa e aeroespacial. A possível associação dessas capacidades à estrutura industrial e aos programas desenvolvidos pela SIATT cria uma oportunidade para ampliar o conteúdo tecnológico realizado no Brasil.

O CEO do EDGE, Hamad Al Marar, destacou que o acordo amplia a rede de parcerias do grupo no Brasil e está alinhado à estratégia de desenvolvimento de capacidades soberanas de defesa. Segundo o executivo, a cooperação entre Safran e SIATT permitirá explorar o desenvolvimento de capacidades relacionadas aos motores-foguete de propelente sólido em território brasileiro.

Alexandre Ziegler, responsável pela unidade de negócios de Defesa da Safran Electronics & Defense, afirmou que a parceria reúne capacidades complementares das três empresas e poderá apoiar o desenvolvimento de novas soluções de defesa no Brasil e na região.

Por enquanto, o acordo estabelece uma estrutura para explorar oportunidades de cooperação e não representa, por si só, o lançamento de um programa específico ou a transferência imediata de tecnologias. O alcance efetivo da parceria dependerá dos projetos que surgirem a partir do Memorando de Entendimento e dos investimentos associados à implantação dessas capacidades.

Ainda assim, o anúncio coloca em discussão um ponto relevante para a indústria brasileira: a possibilidade de ampliar no País o domínio sobre tecnologias que normalmente permanecem concentradas em poucos fornecedores internacionais. Se a cooperação avançar para programas concretos, a SIATT poderá incorporar novas competências em propulsão, navegação, controle e guiagem, áreas fundamentais para o desenvolvimento da próxima geração de sistemas de mísseis e armas inteligentes produzidos no Brasil.


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