quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Dassault assina MoU com indústria portuguesa para disputa pelo substituto dos F-16

 

A disputa pelo substituto dos F-16M da Força Aérea Portuguesa já começou, embora Portugal ainda não tenha lançado formalmente uma concorrência. Em 23 de setembro, na Embaixada da França em Lisboa, a Dassault Aviation assinou um Memorando de Entendimento (MoU) com o AED Cluster Portugal, associação que reúne empresas dos setores aeronáutico, espacial e de defesa.

O acordo foi firmado pela Dassault em nome dos parceiros do Rafale, Thales e Safran, e busca ampliar a cooperação com a indústria portuguesa. A iniciativa acompanha a proposta formal do Rafale apresentada ao governo português e à Força Aérea em julho.

O MoU não assegura a escolha pela opção francesa. Seu peso está na dimensão industrial: a Dassault procura estabelecer, antes da abertura do processo, uma rede de cooperação com empresas portuguesas que poderão participar da produção, manutenção, suporte e demais atividades associadas ao ciclo de vida do Rafale em Portugal.

É uma estratégia importante para disputa na qual o pacote oferecido ao país terá peso semelhante ao desempenho da aeronave. Para Portugal, a escolha envolve não apenas capacidade de combate, mas também custos de operação, sustentação, transferência de tecnologia, participação industrial e autonomia para manter o sistema em serviço por décadas.

A iniciativa francesa ocorre enquanto outros três concorrentes avançam em suas campanhas. A Airbus com seu Eurofighter Typhoon, também busca ampliar sua relação com a indústria portuguesa. Enquanto a Lockheed Martin com F-35A, e a sueca Saab com Gripen E/F, completam o grupo de candidatos à substituição dos F-16M lusitanos.

Nenhum deles, porém, está disputando oficialmente uma concorrência. Lisboa ainda precisa definir os parâmetros do programa e enquadrar os recursos necessários na nova Lei de Programação Militar.

A sucessão dos F-16

Portugal opera hoje 28 F-16M, sendo 24 F-16AM e quatro F-16BM. As aeronaves continuam sendo empregadas em missões dentro do cenário português e da OTAN, mas a necessidade de definir seu sucessor já entrou na agenda política e estratégica do país.

Durante anos, o F-35A foi considerado a opção mais provável. A experiência portuguesa com o F-16 e a integração com as forças norte-americanas dentro da OTAN favoreciam naturalmente a solução.

O cenário mudou com o aumento das incertezas na relação entre Washington e seus aliados europeus. Ainda assim, Lisboa não retirou o F-35A da disputa. Em 8 de outubro, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que Portugal continua considerando seriamente a aeronave norte-americana, ao lado das alternativas europeias. A decisão, portanto, permanece aberta.

A indústria entra na disputa

A movimentação da Dassault mostra que a competição começou antes mesmo da abertura formal da concorrência. Os fabricantes buscam antecipar compromissos com empresas portuguesas e apresentar não apenas um caça, mas também uma cadeia industrial capaz de gerar manutenção, transferência de tecnologia, treinamento e participação local.

O MoU firmado pela Dassault não define o vencedor, mas cria uma base para sua proposta industrial. Airbus, Saab e Lockheed Martin seguem a mesma lógica, combinando capacidade militar, custos de longo prazo e benefícios para a indústria portuguesa.

Para Lisboa, a disputa amplia o poder de negociação. A decisão, porém, terá de conciliar retorno industrial com requisitos operacionais, interoperabilidade com a OTAN e sustentabilidade da futura frota.


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