sábado, 29 de novembro de 2025

Índia e França avançam em autonomia estratégica com joint venture para produzir munições guiadas HAMMER

A Índia deu mais um passo decisivo rumo à autossuficiência em defesa ao formalizar, em Nova Delhi, a criação de uma joint venture entre a estatal Bharat Electronics Limited (BEL) e a francesa Safran Electronics & Defence. O acordo, resultado de uma carta de intenções assinada em fevereiro durante a Aero India, estabelece uma empresa de participação igualitária dedicada à produção, desenvolvimento e suporte das munições guiadas de precisão HAMMER lançadas do ar.

A nova companhia atenderá diretamente às necessidades da Força Aérea Indiana (IAF) e da Marinha Indiana, que já operam ou estão prestes a operar aeronaves Rafale. O caça leve Tejas, peça central do programa indígena de aviação de combate, também será adaptado para empregar o armamento da Safran. Segundo as empresas, o conteúdo local deve alcançar 60%, com a BEL responsável pela montagem final, testes e controle de qualidade, enquanto a Safran fornecerá componentes críticos como eletrônicos, sistemas de navegação e unidades de guia.

O movimento se encaixa na estratégia indiana de reduzir dependências externas e consolidar um ecossistema doméstico de alta tecnologia. Para isso, a joint venture irá além da fabricação. As empresas planejam estabelecer um centro de excelência dedicado a produção, projeto, manutenção, reparo e revisão de sistemas de armas, optoeletrônica e equipamentos de navegação. Esse hub deverá fomentar uma rede nacional de fornecedores, com foco em pequenas e médias empresas, ampliando competências locais com apoio da expertise francesa.

O kit HAMMER transforma bombas convencionais em munições de precisão por meio de módulos de direção, sistemas de orientação a laser, infravermelho ou GPS/INS e um motor-foguete que estende significativamente o alcance da arma. Capaz de manter precisão da ordem de um metro mesmo sob interferência de guerra eletrônica, o sistema já demonstrou desempenho em combate, inclusive em cenários do conflito entre Rússia e Ucrânia. Sua integração ao Tejas e ao Rafale reforça a capacidade da Índia de conduzir operações de ataque de alta precisão em diferentes teatros.

Para a Índia, a parceria consolida sua ambição de tornar-se um centro regional na fabricação de armamentos avançados, alinhada às diretrizes do programa Make in India. Para a França, representa uma expansão industrial estratégica em um dos mercados mais dinâmicos do mundo, onde grandes contratos exigem cada vez mais transferência de tecnologia real, e não apenas fornecimento de produtos acabados.

O acordo BEL–Safran simboliza mais que um avanço industrial. Ele materializa a convergência entre dois países que apostam na autonomia estratégica como eixo central de sua política de defesa, e reforça a tendência global de cooperação tecnológica profunda como caminho para enfrentar um ambiente geopolítico cada vez mais contestado.


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