quarta-feira, 21 de outubro de 2026

BAE Systems testa drone com três foguetes Hydra 70 guiados a laser para abater drones

 

Versão militar do T-150 foi equipada com lançador triplo de foguetes de 70 mm e demonstrou capacidade de engajar sucessivos alvos aéreos durante uma única missão.

A britânica BAE Systems testou uma nova configuração de seu sistema antidrones, baseada em uma aeronave não tripulada equipada com três foguetes Hydra 70 dotados de guiamento a laser (APKWS). A demonstração ocorreu no fim de setembro, na Base Aérea de Eglin na Flórida, durante o exercício Mission Capabilities Joint Readiness Experimentation, conduzido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

A plataforma utilizada foi o TRV-150, versão militar do drone T-150, desenvolvido pela Malloy Aeronautics, subsidiária da BAE Systems. Adaptada para transportar um lançador triplo de foguetes de 70 mm, a aeronave demonstrou capacidade de engajar múltiplos alvos aéreos em sequência, sem precisar retornar ao solo para rearmamento.

A principal evolução em relação aos testes de julho de 2025 está no aumento da capacidade de transporte de armamentos. Na demonstração anterior, a configuração utilizava uma única munição de precisão. Com três foguetes disponíveis, o sistema pode realizar mais engajamentos durante a mesma saída. A empresa, porém, não divulgou o número exato de alvos interceptados nos novos ensaios.

Foguetes Hydra 70 recebem guiamento a laser

O sistema utiliza foguetes Hydra 70 equipados com kits APKWS (Advanced Precision Kill Weapon System), desenvolvidos pela própria BAE Systems. O conjunto incorpora guiamento a laser a foguetes originalmente não guiados, convertendo-os em munições de precisão.

A solução aproveita um armamento já utilizado por diferentes plataformas militares, dispensando o desenvolvimento de uma munição inteiramente nova. Essa abordagem pode oferecer uma alternativa economicamente mais acessível a determinados mísseis antiaéreos dedicados, embora o custo efetivo de cada interceptação dependa da configuração empregada e dos resultados obtidos contra cada tipo de ameaça.

O guiamento a laser exige a designação adequada do alvo e condições que permitam conduzir o engajamento. Velocidade, altitude e manobrabilidade do drone adversário também influenciam o resultado. Assim, os testes não permitem concluir que o sistema terá o mesmo desempenho contra todas as categorias de aeronaves não tripuladas.

De drone logístico a plataforma armada

O T-150 foi concebido para transportar cargas e operar por decolagem e pouso vertical, sem depender de pistas convencionais. Sua adaptação para missões de combate amplia as possibilidades de emprego de uma plataforma originalmente desenvolvida para funções logísticas.

A versão TRV-150 foi adaptada aos requisitos do Exército dos Estados Unidos pela SURVICE Engineering, enquanto a integração do lançador de foguetes ficou a cargo da divisão FalconWorks da BAE Systems.

A aeronave também possui experiência em operações marítimas. Em 2025, drones T-150 transportaram suprimentos entre navios do grupo de ataque de porta-aviões da Marinha Real britânica durante um destacamento de oito meses na região do Indo-Pacífico.

A BAE Systems pretende explorar o emprego do sistema antidrones em ambientes marítimos, nos quais aeronaves não tripuladas representam uma ameaça crescente a navios e instalações portuárias. Para isso, a plataforma armada precisará operar integrada aos sensores de detecção, aos sistemas de comando e controle e às demais camadas de defesa.

Foguetes guiados ampliam as opções contra drones

A iniciativa britânica acompanha a busca por alternativas capazes de enfrentar ataques com aeronaves não tripuladas sem depender exclusivamente de mísseis antiaéreos de custo elevado. A conversão de foguetes de 70 mm em munições guiadas permite aproveitar tecnologias existentes em uma nova função, embora sua viabilidade dependa das características do alvo e das condições de interceptação.

Entre as soluções internacionais está o FZ275 LGR da Thales, que também utiliza guiamento a laser. A empresa apresentou ainda o LGR275 Proxy, variante concebida para ampliar a capacidade de engajamento de alvos aéreos com o emprego de um sensor de proximidade. Outra alternativa é o CIRIT, da turca Roketsan, foguete guiado a laser de 70 mm destinado principalmente ao ataque contra alvos terrestres.

O diferencial da configuração da BAE Systems está na combinação entre uma plataforma não tripulada de transporte e um lançador com múltiplas munições. Em cenários com ataques simultâneos, essa arquitetura pode ampliar a capacidade de resposta e permitir sucessivos engajamentos sem que a aeronave precise retornar imediatamente para recarga.

O desafio será comprovar a eficácia contra ameaças de diferentes velocidades e altitudes, especialmente diante da evolução dos drones de ataque. A integração com redes de sensores e comando, assim como o custo por interceptação, será determinante para estabelecer o valor operacional da solução.


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