A Aviação do Exército Brasileiro iniciou uma importante transição de sua frota de helicópteros de manobra com a chegada do primeiro UH-60M Black Hawk em 20 de novembro de 2025, oficialmente recebido pelo Exército em 15 de dezembro do mesmo ano e designado HM-2A. A incorporação marcou o início da substituição progressiva dos HM-3 Cougar, designação brasileira do Eurocopter AS532UE, e dos HM-2 Black Hawk, designação dos S-70A, aeronaves de diferentes gerações e em estágios avançados de seus respectivos ciclos de vida. Mais do que renovar células, o programa promove uma mudança qualitativa na capacidade de manobra, associada à padronização da frota e à racionalização de sua estrutura de sustentação.
O planejamento prevê 12 exemplares do HM-2A, quantitativo equivalente aos oito HM-3 Cougar e quatro HM-2 Black Hawk que compõem a frota atualmente destinada a essa função e serão progressivamente retirados. A equivalência numérica, porém, não representa equivalência de capacidade. O UH-60M pertence a uma geração mais recente de helicópteros de transporte e assalto, com arquitetura de aviônicos, sistemas de missão, comunicações, navegação, autoproteção e gerenciamento da aeronave mais avançada que a dos meios que substituirá. O Exército, portanto, mantém o quantitativo planejado de aeronaves de manobra enquanto eleva seu padrão tecnológico.
A mudança também reduz a diversidade da frota. Atualmente, a AvEx precisa sustentar duas plataformas distintas, com diferentes sistemas, documentação técnica, processos de manutenção, treinamento e cadeias de suprimentos. A concentração progressiva dessa capacidade em uma única família de helicópteros permite racionalizar ferramental, estoques, formação de pessoal e procedimentos de manutenção, além de facilitar a gestão da disponibilidade operacional.
A incorporação ocorre no âmbito do Projeto Capacidade de Manobra, integrante do Programa Aviação do Exército e Drones. Segundo o comandante da Aviação do Exército, General Amorim, a introdução do HM-2A está sendo conduzida como um processo de transformação de capacidade, abrangendo operação, instrução, manutenção, formação de tripulações e especialistas e atualização dos documentos regulatórios e doutrinários necessários ao emprego da aeronave.
Essa preparação antecede a chegada da maior parte da frota. Uma unidade já foi recebida, enquanto outras oito estão previstas para 2028 e as três restantes para 2029. As primeiras tripulações já estão sendo formadas, ao mesmo tempo em que estruturas de instrução e apoio logístico são adaptadas e documentos relacionados ao emprego e à manobra do HM-2A são atualizados ou produzidos. A concentração das entregas em 2028 torna esse período decisivo para a expansão da nova capacidade.
A transição ocorrerá, entretanto, com a manutenção de parte da frota atual em operação. O Exército pretende preservar os HM-3 em condições de voo enquanto transfere competências para o HM-2A. Como essas aeronaves se encontram próximas do final de seus ciclos de vida, essa etapa exige gerenciamento de componentes, horas de voo e manutenção, além da preservação das qualificações das equipes responsáveis por sua operação.
A substituição de 12 aeronaves por 12 HM-2A deve, portanto, ser analisada como uma renovação qualitativa da capacidade de manobra. Conforme explicou o comandante da AvEx, parte dos HM-3 será retirada durante o processo, enquanto a entrada dos novos helicópteros deverá compensar a redução relativa provocada pelo desfazimento dessas unidades. O objetivo é evitar que a transição produza uma queda proporcional na capacidade disponível para a Força Terrestre.
Outro desafio está na formação de pessoal. A AvEx precisa qualificar pilotos, mecânicos e demais especialistas para o HM-2A sem aumento proporcional do efetivo, mantendo simultaneamente as competências necessárias para operar os meios que permanecerão em serviço. A formação dessa massa crítica será necessária para sustentar escalas de prontidão, instrução, manutenção e emprego operacional à medida que a nova frota crescer.
A gestão da continuidade operacional envolve diferentes níveis do Exército. De acordo com o comandante da AvEx, o Comando de Operações Terrestres e o Estado-Maior do Exército conduzem esse processo com assessoramento do Comando de Aviação do Exército e do Comando Logístico. A coordenação permite compatibilizar a retirada dos meios antigos com a formação das novas capacidades e com a disponibilidade exigida pela Força Terrestre.
O resultado esperado é uma frota de manobra mais homogênea, apoiada por uma plataforma contemporânea e com maior potencial de integração aos sistemas atuais de comando, controle, comunicações e às operações aeromóveis. A vantagem da renovação, entretanto, não estará apenas na tecnologia embarcada: a redução da diversidade de plataformas deverá facilitar a concentração de recursos de manutenção, treinamento e logística em um único sistema.
A efetividade dessa transformação será determinada pela capacidade de converter o recebimento das aeronaves em disponibilidade operacional sustentada. Para isso, pessoal qualificado, infraestrutura, manutenção, cadeia de suprimentos e doutrina precisam evoluir de forma coordenada. Com o primeiro HM-2A já incorporado e a maior parte da frota prevista para 2028 e as três últimas em 2029, a Aviação do Exército inicia uma transição que preserva o quantitativo planejado de helicópteros de manobra, mas busca entregar uma capacidade mais moderna, padronizada e sustentável.
por Angelo Nicolaci
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