A Operação Crotalus I recuperou 11 Viaturas Blindadas de Reconhecimento (VBR) EE-9 Cascavel para o Exército Brasileiro, devolvendo meios à disponibilidade das tropas de Cavalaria. A iniciativa ocorre em paralelo ao projeto de modernização do Cascavel no âmbito do programa Cascavel-NG e à incorporação do Centauro II, em um processo gradual de renovação das capacidades das unidades mecanizadas.
O trabalho foi conduzido pela Base de Apoio Logístico, com participação do Batalhão Central de Manutenção e Suprimento (BCMS) na recuperação dos chassis e do Batalhão de Manutenção e Suprimento de Armamento (BMSA) na revitalização dos sistemas de armas. Após os serviços, as viaturas foram submetidas a tiro técnico no Campo de Instrução de Gericinó no Rio de Janeiro, para verificar o funcionamento e a segurança das torres.
A atividade também teve caráter de capacitação, envolvendo militares da Escola de Sargentos de Logística (EsSLog) em uma situação prática de manutenção e recuperação de material de emprego militar. Com a conclusão dos trabalhos, 11 blindados retornaram à condição de emprego.
Os veículos recuperados na Crotalus I não devem ser confundidos com aqueles submetidos ao programa de modernização do Cascavel. A operação teve como objetivo recuperar a condição operacional de viaturas existentes, enquanto o projeto do Cascavel NG prevê alterações de capacidade em uma parcela específica da frota.
O programa de modernização contempla 201 EE-9 Cascavel, sendo 98 na primeira fase, com intervenções em mobilidade, armamento, sistemas optrônicos e comando e controle. A proposta é atualizar a plataforma sem substituir sua arquitetura básica, incorporando recursos destinados a ampliar sua capacidade de emprego.
Em paralelo, o Exército avança com a introdução do Centauro II, viatura blindada de combate 8x8 que representa uma mudança de geração na Cavalaria. O programa prevê até 98 unidades e incorpora capacidades superiores às do Cascavel convencional em áreas como poder de fogo, aquisição de alvos, consciência situacional, proteção, mobilidade e comando e controle, incluindo canhão de 120 mm e sistema digital de controle de tiro.
A coexistência dessas três frentes responde a necessidades diferentes. A recuperação logística devolve rapidamente meios já existentes às unidades; o Cascavel NG atualiza parte da frota; e o Centauro II amplia o patamar tecnológico da Cavalaria. Como os programas possuem cronogramas próprios, a manutenção dos veículos atualmente em serviço continua sendo necessária durante a incorporação dos novos meios.
Nesse processo, a logística deixa de ser apenas uma atividade de sustentação e passa a ter impacto direto sobre a disponibilidade operacional. A recuperação de chassis, sistemas de armas e demais componentes permite preservar a capacidade das unidades enquanto a Força Terrestre executa programas de maior duração e complexidade.
A Crotalus I, portanto, não representa uma extensão do programa Cascavel NG, mas uma ação de recuperação da frota existente. Sua relevância está justamente em manter viaturas convencionais disponíveis enquanto a Cavalaria passa por uma transformação que combina modernização de plataformas, incorporação de novos blindados e renovação gradual de sua capacidade de combate.
por Angelo Nicolaci
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com Exército Brasileiro





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