quarta-feira, 2 de setembro de 2026

MTG-I2 é lançado com sucesso e amplia capacidade europeia de monitoramento meteorológico

Segundo satélite de imagens da terceira geração do Meteosat terá capacidade de atualizar imagens da Europa a cada 2,5 minutos e integra uma nova arquitetura de observação em órbita geoestacionária

O satélite meteorológico MTG-I2 foi lançado com sucesso nesta quarta-feira (2) pela Arianespace, a bordo de um foguete Ariane 62, a partir do Porto Espacial Europeu, na Guiana Francesa. Construído pela Thales Alenia Space, o satélite é o segundo equipamento de imageamento do programa Meteosat de Terceira Geração (MTG) e terá papel importante na ampliação da capacidade europeia de monitoramento e previsão de fenômenos meteorológicos extremos.

O programa é desenvolvido em uma parceria entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a EUMETSAT e foi concebido para garantir a continuidade e a evolução do monitoramento meteorológico de alta resolução sobre a Europa e a África nas próximas décadas. Os satélites da família MTG operarão em órbita geoestacionária, a aproximadamente 36 mil quilômetros de altitude, permitindo observação contínua de grandes áreas do planeta.

O MTG-I2 se juntará ao Meteosat-12, também conhecido como MTG-I1, lançado em dezembro de 2022, e ao MTG-S1, satélite de sondagem atmosférica colocado em órbita em julho de 2025. Com os três equipamentos, a primeira constelação do sistema Meteosat de Terceira Geração passa a combinar diferentes capacidades de observação, reunindo imagens de alta resolução e dados atmosféricos destinados a melhorar os modelos e a previsão meteorológica.

A principal diferença proporcionada pelo MTG-I2 está na frequência de atualização das imagens. Enquanto o Meteosat-12 realiza imagens da Europa e da África a cada 10 minutos, o novo satélite poderá operar em um modo rápido capaz de produzir imagens da Europa a cada 2,5 minutos. Essa frequência é particularmente relevante para o chamado nowcasting, utilizado para acompanhar a evolução de fenômenos meteorológicos que podem se desenvolver rapidamente.

O satélite é equipado com o Flexible Combined Imager (FCI), instrumento de nova geração que trabalha em 16 bandas espectrais e consegue produzir uma imagem completa do disco terrestre em aproximadamente 10 minutos. A resolução espacial também foi aprimorada, situando-se entre 500 metros e 1 quilômetro, permitindo maior nível de detalhamento na identificação e no acompanhamento de sistemas meteorológicos.

A combinação entre frequência de atualização, resolução espacial e número de bandas espectrais permite acompanhar com maior precisão a formação e a evolução de tempestades, sistemas convectivos e outros fenômenos capazes de provocar impactos significativos em curtos períodos. No caso de tempestades severas, por exemplo, a redução do intervalo entre imagens pode fornecer aos serviços meteorológicos informações adicionais para identificar rapidamente mudanças na estrutura e no deslocamento dos sistemas.

O MTG-I2 também terá sua capacidade complementada pelo MTG-S1, responsável pela sondagem atmosférica. Enquanto os satélites de imagem permitem observar continuamente a evolução dos sistemas meteorológicos, os dados de sondagem fornecem informações sobre a estrutura da atmosfera. A integração dessas duas fontes amplia a quantidade e a qualidade dos dados disponíveis para os centros responsáveis pela previsão meteorológica.

Essa capacidade possui implicações que ultrapassam a meteorologia convencional. A antecipação de tempestades severas, chuvas intensas e outros eventos extremos é diretamente relacionada à preparação de sistemas de defesa civil, aviação, navegação, infraestrutura e serviços essenciais. Quanto maior a capacidade de identificar antecipadamente a formação e a evolução desses fenômenos, maior é a possibilidade de reduzir seus impactos por meio de alertas e medidas preventivas.

A evolução também reflete cinco décadas de desenvolvimento do sistema Meteosat. Desde 1977, os satélites da família fornecem dados meteorológicos para a Europa e a África. Na primeira geração, as imagens eram atualizadas a cada 30 minutos. Esse intervalo caiu para 15 minutos com a segunda geração e chega agora a 10 minutos no modo de observação completa com a terceira geração, enquanto o modo rápido destinado à Europa reduz a atualização para apenas 2,5 minutos.

A Thales Alenia Space, joint venture formada pela Thales, com 67%, e pela Leonardo, com 33%, atua como principal contratada do programa MTG em nome da ESA, mantendo participação no desenvolvimento das três gerações do Meteosat. A empresa também trabalha em parceria com a OHB na construção dos satélites da terceira geração.

A participação industrial se estende ao segmento terrestre. A Thales Alenia Space é responsável pelo projeto e construção do componente de processamento de primeiro nível dos dados de imagem para a EUMETSAT, enquanto a Thales atua no processamento de segundo nível dos dados provenientes dos instrumentos de imagem e sondagem. Esses dados são posteriormente distribuídos pela EUMETSAT às instituições meteorológicas dos países participantes.

A Telespazio, joint venture entre Leonardo e Thales, também participa do programa, fornecendo serviços relacionados ao lançamento e à fase inicial de órbita do MTG-I2, além de ter desempenhado funções semelhantes nos lançamentos do Meteosat-12 e do MTG-S1. A empresa também fornece componentes do segmento terrestre destinados à aquisição de dados e ao comando e controle dos satélites.

O MTG-I2 terá vida útil nominal de 8,5 anos e, ao lado do Meteosat-12 e do MTG-S1, formará a primeira configuração operacional do sistema Meteosat de Terceira Geração. Ao final da vida útil desses satélites, a arquitetura deverá ser renovada por uma nova constelação formada por dois satélites de imagem e um de sondagem, com lançamentos previstos para depois de 2033.

A evolução do Meteosat mostra como a capacidade de observação meteorológica depende cada vez mais da integração entre sensores espaciais, processamento de dados e sistemas de previsão. O ganho proporcionado pelo MTG-I2 não está apenas na produção de imagens mais detalhadas, mas na capacidade de transformar uma sequência mais rápida de observações em informação operacional para antecipar fenômenos que podem mudar significativamente em questão de minutos.

Com o lançamento do MTG-I2, a Europa amplia sua capacidade própria de observação meteorológica em órbita geoestacionária e consolida uma infraestrutura espacial voltada não apenas à previsão cotidiana, mas também ao acompanhamento de eventos extremos. A entrada do novo satélite em operação deverá acrescentar uma camada adicional de dados à rede meteorológica europeia, aumentando a capacidade de monitoramento contínuo sobre uma região onde a rapidez na identificação dos fenômenos pode ser determinante para a emissão de alertas e a tomada de decisões.


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