O 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (3º GAC AP) – "Regimento Mallet", em Santa Maria (RS), está avançando na implantação do Sistema Digitalizado da Artilharia de Campanha, o SISDAC, ampliando a integração entre sensores, observadores, sistemas de comando e controle e os meios de tiro empregados pela 6ª Brigada de Infantaria Blindada – "Brigada Niederauer". A evolução ocorre sobre uma estrutura que já conta com os obuseiros M109A5+BR, modernizados pelo Exército Brasileiro, e representa uma nova etapa na digitalização dos processos de direção e coordenação dos fogos.
O próprio Exército Brasileiro destaca que o SISDAC foi concebido para ampliar a integração entre navegação, posicionamento, direção de tiro, comunicações e apoio ao comando e controle. A implantação no Regimento Mallet está inserida no processo de evolução da Artilharia de Campanha brasileira, que busca reduzir o tempo necessário para transformar informações obtidas no campo em dados utilizáveis pelos meios de fogo.
A chegada do M109A5+BR já havia elevado o nível tecnológico da artilharia autopropulsada brasileira. A modernização incorporou novos recursos de navegação, pontaria e comunicações às viaturas, criando uma base tecnológica que passou a exigir também a evolução dos processos de coordenação e direção dos fogos. Nesse contexto, o SISDAC amplia a capacidade de integração para além do próprio obuseiro.
A instalação do sistema no 3º GAC AP começou ainda no primeiro semestre de 2026. Segundo o Exército, a iniciativa está relacionada à necessidade de aumentar a precisão dos fogos de longo alcance, integrar sensores e meios de tiro e acelerar o processo de decisão. O Regimento Mallet foi selecionado entre as organizações militares que receberão o sistema justamente por sua função no apoio de fogo da 6ª Brigada de Infantaria Blindada.
A fase mais recente da implantação ocorreu entre 21 e 25 de setembro de 2026, quando foi realizada a etapa final de instalação do SISDAC no Regimento Mallet. Segundo informações obtidas pelo GBN Defense junto ao 3º GAC AP, a próxima etapa está prevista para 5 de novembro, quando deverá ocorrer o tiro de integração do Radar de V0 ao SISDAC, concluindo a instalação do sistema na unidade.
O Radar de V0 possui uma função específica dentro da cadeia de artilharia, fornecendo informações relacionadas à velocidade inicial do projétil. Sua integração ao sistema amplia a quantidade de dados que podem ser empregados no acompanhamento e na preparação dos fogos, inserindo mais uma fonte de informação na arquitetura digital que está sendo implantada no Regimento Mallet.
Paralelamente à instalação do SISDAC, também foi realizada uma atualização de software do equipamento de observação JIM Compact da Safran. O equipamento é empregado para observação e localização de alvos e possui recursos eletro-ópticos destinados a missões de apoio de fogo e artilharia. A fabricante destaca sua capacidade de observação diurna e noturna, localização de alvos e conectividade para emprego em missões de fogos de longo alcance.
No Regimento Mallet, a atualização permite que as informações do alvo obtidas pelo JIM Compact sejam inseridas digitalmente no tablet utilizado pelo Observador Avançado, por meio do Terminal de Observação e Ligação (TOL). A mudança é relevante porque aproxima o sensor do restante da cadeia digital de fogos, reduzindo a necessidade de transcrição manual das informações e permitindo que os dados obtidos pelo observador sejam incorporados diretamente ao fluxo de processamento do sistema.
A evolução pode ser compreendida a partir de uma cadeia que começa na aquisição da informação sobre o alvo e termina no emprego do meio de tiro. O JIM Compact fornece os dados de observação, o Observador Avançado os insere no TOL, o SISDAC integra e processa as informações dentro da arquitetura de direção dos fogos e os M109A5+BR constituem os meios responsáveis pela execução do tiro. A integração do Radar de V0 acrescentará outra fonte de dados ao mesmo ambiente digital.
Esse processo é particularmente importante para uma unidade de artilharia autopropulsada inserida em uma brigada blindada. A capacidade de deslocamento do M109A5+BR permite acompanhar forças de manobra, mas a eficiência do sistema de armas depende também da velocidade com que recebe informações, processa os dados necessários e executa uma missão de fogo. A digitalização atua justamente nesse intervalo entre a observação e o disparo.
A transformação também acompanha uma mudança mais ampla na forma de emprego da artilharia. Sensores eletro-ópticos, radares, sistemas de posicionamento, comunicações e meios de comando e controle passaram a constituir elementos inseparáveis da capacidade de fogo. O obuseiro continua sendo responsável pela produção do efeito sobre o alvo, mas sua eficiência depende cada vez mais da qualidade e da velocidade das informações que chegam à guarnição.
No caso brasileiro, o SISDAC representa ainda a continuidade de uma trajetória de desenvolvimento nacional iniciada com o Sistema Gênesis, desenvolvido pela Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL). O sistema atual amplia esse conceito para uma arquitetura que integra diferentes funções da Artilharia de Campanha, mantendo o domínio nacional sobre componentes críticos de comando, controle e direção dos fogos.
O Regimento Mallet, portanto, passa por uma transformação que vai além da modernização individual dos seus obuseiros. O M109A5+BR continua sendo o principal meio de fogo autopropulsado da unidade, mas passa a estar inserido em uma arquitetura na qual sensores, observadores, sistemas digitais e meios de tiro trabalham dentro de uma cadeia integrada.
A conclusão da instalação do SISDAC, prevista para avançar com o tiro de integração do Radar de V0 em novembro, deverá representar mais uma etapa na consolidação dessa capacidade. O resultado pretendido não é apenas aumentar a quantidade de equipamentos digitais disponíveis, mas reduzir o intervalo entre a obtenção da informação, a decisão e a execução do fogo, mantendo o Regimento Mallet alinhado às exigências de uma artilharia cada vez mais dependente de informação e conectividade.
Por Angelo Nicolaci
GBN Defense – A informação começa aqui






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