segunda-feira, 14 de setembro de 2026

FAB treina recuperação de carga útil de foguete suborbital com H-36 Caracal

A Força Aérea Brasileira (FAB) está realizando os preparativos finais para a Operação Potiguar Fase 2, que terá como uma de suas principais atividades o lançamento do veículo de sondagem VS-30 V16, a partir do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (RN). Entre os elementos que estão sendo qualificados está o sistema destinado à recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R), cuja carga útil deverá retornar ao oceano após o voo.

O treinamento envolve o 1º Esquadrão do 8º Grupo de Aviação (1º/8º GAv) "Esquadrão Falcão", sediado na Base Aérea de Natal, e o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR), de Campo Grande (MS). As duas unidades trabalham de forma coordenada empregando um helicóptero H-36 Caracal, preparando a tripulação e os especialistas em salvamento para uma operação que dependerá da localização precisa da carga e da rápida intervenção no mar.

A PSM-R terá massa estimada em 400 quilogramas e será lançada a bordo do VS-30 V16, veículo desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). Após cumprir sua trajetória suborbital, a plataforma retornará à atmosfera e descerá sustentada por paraquedas, exigindo que sua posição seja determinada para que a equipe de recuperação possa atuar.

Nesse cenário, o treinamento estabelece uma divisão clara de responsabilidades. A tripulação do H-36 é responsável pelo deslocamento e posicionamento da aeronave na área prevista, enquanto os militares do PARA-SAR executam os procedimentos de recuperação da carga no ambiente marítimo. A atividade exige coordenação entre voo, comunicações, localização do objeto e lançamento da equipe de salvamento.

O adestramento foi estruturado em duas etapas. A primeira, denominada fase seca, ocorre em solo e permite que os militares do PARA-SAR conheçam os procedimentos e as características da aeronave, além de ajustar dúvidas relacionadas à operação. A segunda, a fase molhada, envolve o emprego real do helicóptero e a execução dos procedimentos no ambiente marítimo, aproximando o treinamento das condições previstas para a missão.

A recuperação é particularmente relevante porque a Operação Potiguar Fase 2 representa uma evolução em relação à primeira fase, realizada em 2024. Na etapa atual, além da atividade de lançamento, será avaliado em voo o sistema destinado à recuperação da plataforma, criando condições para o aperfeiçoamento de futuras missões brasileiras de pesquisa em microgravidade.

A carga útil transportará quatro experimentos resultantes de parcerias entre a Agência Espacial Brasileira (AEB), instituições de pesquisa e empresas privadas. Entre eles está a Análise dos Efeitos da Microgravidade sobre Microrganismos (AEMM), coordenada pela Rede Space Farming Brasil, que reúne ITA, Embrapa, USP e INPE para estudar os efeitos da microgravidade sobre microrganismos.

Também será conduzido o experimento CTM-Sec, da R-CRIO, voltado à avaliação dos efeitos do voo suborbital sobre o secretoma de células-tronco mesenquimais. O conjunto inclui ainda o MundoTec, desenvolvido pelo SENAI CIMATEC em parceria com o Manual do Mundo, e um teste em condições reais de uma antena destinada a CubeSats, desenvolvida pela Tycho Space.

O próprio IAE também embarcará tecnologias no veículo. Entre elas estão o Sistema de Interface Pirotécnica (SIP), voltado à segurança das operações de lançamento, uma bateria de lítio de alta densidade energética produzida pelo Instituto e o transmissor RangeLoRa, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) para transmitir informações que auxiliem na localização da carga útil após a descida.

O VS-30 V16 é um veículo de sondagem suborbital de estágio único, equipado com propulsão sólida e lançado por trilho. O sistema utiliza estabilização aerodinâmica e por rotação e foi desenvolvido para transportar cargas úteis a altitudes superiores a 100 quilômetros, permitindo a realização de experimentos em condições de microgravidade durante parte do voo.

Programada para ocorrer entre 31 de agosto e 19 de setembro, no CLBI, a Operação Potiguar Fase 2 representa uma etapa de amadurecimento da capacidade brasileira de realizar pesquisas suborbitais com recuperação de cargas. A integração entre o sistema espacial e os meios da FAB empregados no resgate amplia a complexidade da missão e cria experiência operacional que poderá ser aproveitada em futuras campanhas científicas e tecnológicas.


GBN Defense - A informação começa aqui

com FAB

Nenhum comentário:

Postar um comentário