sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Exército Brasileiro acompanha tiro real do TULPAR com canhão de 120 mm na Itália

O Exército Brasileiro acompanhou em 23 de setembro, em Nettuno, na Itália, uma demonstração de tiro real do TULPAR equipado com a torre HITFACT MkII, da Leonardo, armada com um canhão de 120 mm. A atividade coloca a plataforma turca entre as soluções que vêm sendo observadas pelo Brasil para a renovação de seus blindados sobre lagartas.

A delegação brasileira foi chefiada pelo Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, General de Divisão Eduardo Tavares Martins. Os militares acompanharam os disparos e o funcionamento do conjunto formado pelo chassi sobre lagartas, torre, estabilização e sistema de controle de tiro.

O TULPAR empregado nos ensaios utiliza a torre HITFACT MkII com canhão de alma lisa 120/45 mm. O sistema reúne sensores eletro-ópticos, estabilização e recursos digitais de aquisição e engajamento de alvos, enquanto o veículo oferece uma arquitetura modular para diferentes configurações.

A campanha incluiu disparos com o veículo parado e em movimento. Foram realizados 12 tiros com munição de treinamento DM-88 contra um alvo a aproximadamente 1.300 metros. Segundo os dados divulgados pelos fabricantes, os disparos apresentaram índices de acerto de 99,97% na condição estática e 95,07% com o veículo em movimento a 20 km/h.

Para o Exército Brasileiro, um dos pontos que diferencia a proposta está na torre. A HITFACT MkII também equipa o Centauro II 8x8, já incorporado à Força, o que abre espaço para maior comunalidade em treinamento, manutenção, conhecimento técnico e parte da infraestrutura de apoio. Não se trata, porém, de transformar os dois veículos em sistemas equivalentes: o Centauro II e o TULPAR respondem a conceitos operacionais diferentes.

Outro aspecto é a flexibilidade do TULPAR. O veículo pode receber diferentes motores, transmissões e sistemas de missão, permitindo configurar a plataforma de acordo com os requisitos do operador. Para um programa que deverá permanecer em serviço por décadas, essa capacidade de evolução pesa tanto quanto o desempenho apresentado em um ensaio específico.

O canhão de 120 mm também muda a posição do TULPAR dentro da discussão brasileira. O calibre oferece poder de fogo superior ao normalmente encontrado em veículos de combate de infantaria e aproxima a configuração, pelo armamento, do universo dos carros de combate principais. A torre pode ainda utilizar a família de munições guiadas Vulcano 120, ampliando as opções para engajamentos de precisão.

O interesse brasileiro, entretanto, não se resume ao calibre ou à precisão do tiro. A renovação dos blindados sobre lagartas envolve uma combinação de proteção, mobilidade, sensores, logística, manutenção, custo de operação e capacidade de produção e suporte no país. É nesse conjunto que uma eventual solução precisa fazer sentido para o Exército.

A presença da delegação brasileira em Nettuno ganha importância justamente por permitir observar o TULPAR em uma situação que vai além da apresentação estática. O tiro real coloca em evidência a integração entre plataforma e armamento e acrescenta elementos concretos ao conhecimento que o Brasil vem acumulando sobre as alternativas para sua próxima geração de blindados.


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