A Argentina iniciou formalmente a incorporação dos novos fuzis ARAD-5 e ARAD-7, destinados a substituir parte do armamento individual atualmente empregado pelas Forças Armadas. O primeiro lote chegou ao país na primeira semana de setembro e, nesta terça-feira (29), o Ministério da Defesa apresentou oficialmente os dois modelos durante uma cerimônia realizada no Regimiento de Infantería 1 “Patricios”, em Buenos Aires.
A incorporação representa uma mudança importante na arquitetura do armamento individual argentino. Os ARAD-5 e ARAD-7 foram adquiridos de Israel por meio de um contrato Estado-Estado com o Ministério da Defesa israelense e fazem parte de um processo mais amplo de renovação dos meios empregados pelo Exército, Marinha e Força Aérea.
O programa prevê a substituição dos fuzis FAL utilizados pela infantaria do Exército Argentino, além daqueles empregados por efetivos de segurança e defesa da Força Aérea e da Armada Argentina. A renovação também alcançará os M-16 utilizados pela Infantería de Marina, ampliando a adoção da nova família de armas para diferentes componentes das Forças Armadas.
A escolha dos modelos ocorreu após uma avaliação técnico-operacional realizada em 2025 pelo Estado-Maior Conjunto, que contou com a participação de militares das três Forças. Segundo o Ministério da Defesa argentino, oito empresas da Argentina, Israel, Europa e Estados Unidos foram analisadas durante o processo de avaliação antes da definição do sistema a ser incorporado.
O processo de recebimento do primeiro lote também já foi concluído. A Dirección General de Logística do Estado-Maior Conjunto conduziu as provas de recepção e aceitação, enquanto os testes de aceitação foram realizados na Guarnición Militar de Campo de Mayo por pessoal técnico do Exército Argentino. A etapa é relevante porque antecede a entrada efetiva do novo armamento no ciclo de formação e adestramento das unidades.
Os dois modelos pertencem à mesma família, mas adotam arquiteturas distintas. O ARAD-5 utiliza a arquitetura AR-15, enquanto o ARAD-7 segue a arquitetura AR-10. Ambos são equipados com miras eletroópticas de ponto vermelho MEPRO M-5 e foram concebidos como uma nova plataforma individual, com redução de peso, maior modularidade e possibilidade de adaptação e integração de novas tecnologias.
A diferença de arquitetura permite à Argentina substituir uma família de armamentos concebida para outra geração de requisitos por uma plataforma mais modular, capaz de receber diferentes configurações e acessórios conforme a função desempenhada pelo combatente. Na prática, isso amplia a possibilidade de padronização de componentes e procedimentos dentro das Forças, ao mesmo tempo em que reduz a dependência de uma solução concebida originalmente para os padrões tecnológicos de décadas passadas.
A transição, porém, não termina com a entrega dos fuzis. O primeiro lote já está sendo utilizado como base para a formação de instrutores e técnicos armeiros, e a IWI deverá iniciar em outubro os cursos de operação e manutenção destinados ao pessoal das três Forças Armadas. A capacitação cria as condições para que o novo sistema seja absorvido não apenas pelos operadores, mas também pela estrutura responsável por sua manutenção e disponibilidade.
Após essa etapa, está prevista a recepção do segundo lote no primeiro trimestre de 2027. A sequência demonstra que a substituição será conduzida de forma progressiva, permitindo que treinamento, manutenção e adaptação das unidades acompanhem a chegada do novo armamento.
Mais do que uma simples troca de fuzis, a adoção dos ARAD-5 e ARAD-7 envolve a renovação de uma capacidade que permaneceu por décadas baseada em plataformas como o FAL e o M-16. O desafio argentino passa agora pela consolidação da nova cadeia logística, pela formação dos usuários e armeiros e pela integração dos novos sistemas à doutrina e aos diferentes ambientes operacionais das Forças Armadas.
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