segunda-feira, 3 de agosto de 2026

KAI oferece T-50 à Royal Air Force e propõe produção da aeronave no Reino Unido

A Korea Aerospace Industries (KAI) confirmou que está oferecendo a aeronave de treinamento avançado T-50 Golden Eagle à Royal Air Force (RAF) para o programa que substituirá a atual frota de BAE Hawk T1 e T2. A proposta sul-coreana vai além do fornecimento da aeronave e inclui a possibilidade de produção local no Reino Unido, em parceria com a indústria britânica.

Segundo Shin Dong-Hak, vice-presidente de Negócios Internacionais da KAI, o T-50 reúne características que atendem aos requisitos operacionais da RAF, incluindo versões dedicadas ao treinamento de pilotos, combate leve e demonstrações aéreas.

"O T-50 já possui diferentes variantes, incluindo uma configuração voltada para treinamento e outra utilizada por uma equipe de demonstração aérea", destacou o executivo, em referência ao T-50B empregado pela equipe acrobática Black Eagles, da Força Aérea da República da Coreia.

Produção local fortalece proposta

Um dos principais diferenciais da proposta da KAI é a possibilidade de estabelecer uma linha de produção no Reino Unido. A empresa afirmou estar buscando um parceiro industrial britânico para viabilizar a fabricação das aeronaves no país, estratégia que pode atender às exigências do governo britânico de fortalecimento da base industrial de defesa.

A expectativa da fabricante é que a RAF adquira entre 40 e 50 aeronaves, enquanto um novo pedido de informações (Request for Information – RFI) deverá ser emitido em 2027, dentro do Plano de Investimentos em Defesa do Reino Unido.

Além de substituir os Hawk, o futuro treinador avançado também deverá assumir as missões da tradicional equipe acrobática Red Arrows, um dos principais "embaixadores" da aviação militar britânica.

Concorrência reúne fabricantes internacionais

A disputa pelo futuro treinador da RAF deverá ser uma das mais concorridas dos próximos anos. Entre os principais candidatos estão o Boeing T-7A Red Hawk, desenvolvido em parceria com a BAE Systems, o Leonardo M-346 Master, o Hürjet, da Turkish Aerospace Industries (TAI), além do Freedom Trainer, desenvolvido pela norte-americana Sierra Nevada Corporation (SNC).

A KAI também mantém conversas com a Lockheed Martin para ampliar a cooperação internacional envolvendo o programa T-50/FA-50, especialmente em campanhas de exportação como a britânica. Paralelamente, a empresa acompanha futuras oportunidades na Austrália, que também deverá substituir sua frota de Hawk.

Evolução do FA-50 amplia capacidades

Enquanto busca novos clientes para a família T-50, a KAI segue investindo na evolução do caça leve FA-50. A empresa confirmou que trabalha no desenvolvimento de uma versão monoposto com maior alcance, cuja conclusão está prevista para o final de 2028. Segundo a fabricante, um país asiático já demonstrou interesse no novo modelo.

Outra evolução importante é a integração do radar AESA PhantomStrike, desenvolvido pela Raytheon. A Malásia será o primeiro operador a receber aeronaves equipadas com o novo sensor, com as entregas iniciais previstas para outubro. A Polônia também receberá o radar em seus 36 FA-50PL.

Além disso, cresce o interesse internacional pela integração do sistema APKWS (Advanced Precision Kill Weapon System), da BAE Systems. O armamento transforma foguetes não guiados de 70 mm em munições guiadas de precisão, oferecendo uma solução de baixo custo para missões de ataque e, principalmente, para o enfrentamento de drones, capacidade cada vez mais relevante nos conflitos contemporâneos.


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