terça-feira, 21 de julho de 2026

Portugal investe € 3,9 bilhões na aquisição de três fragatas FREMM EVO

 

Portugal oficializou um dos mais importantes investimentos de sua história recente na área de defesa ao anunciar a aquisição de três fragatas FREMM EVO, construídas pela italiana Fincantieri, em um contrato avaliado em aproximadamente 3,9 bilhões de euros. O acordo foi formalizado durante a visita oficial do primeiro-ministro português, Luís Montenegro, à Itália, e integra o programa europeu SAFE (Security Action for Europe), mecanismo criado pela União Europeia para fortalecer as capacidades de defesa dos Estados-membros por meio de investimentos conjuntos.

O anúncio foi feito pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que destacou o significado da decisão portuguesa para a indústria de defesa europeia.

"Um dos setores no qual podemos dar um salto de qualidade é o da indústria da defesa e estou muito, muito feliz da decisão da autoridade portuguesa de comprar três fragatas FREMM EVO da Fincantieri. É um reconhecimento da excelência da indústria italiana e a demonstração que a Europa pode reforçar a sua autonomia investindo na capacidade industrial e tecnológica", afirmou Meloni.

Ao comentar o acordo, o primeiro-ministro Luís Montenegro ressaltou o caráter estratégico do investimento para Portugal e para a Europa.

"Este acordo que hoje celebramos na área da Defesa para a aquisição de três fragatas, estamos a falar de um investimento de três mil e 900 milhões de euros, aproximadamente. Estamos a falar de capacidade, que é a capacidade portuguesa e a capacidade europeia, de vigilância dos nossos recursos marítimos e de salvaguarda dos nossos interesses estratégicos. De salvaguarda também da navegabilidade internacional e das condições de comércio livre e justo a nível global."

Modernização da Marinha Portuguesa

Assinado em 20 de julho, o acordo bilateral entre Portugal e Itália prevê a aquisição de três fragatas de última geração, incluindo o pacote de sustentação logística, transferência de tecnologia e todas as condições necessárias para a exploração operacional dos navios durante um ciclo de vida estimado em, pelo menos, 30 anos.

As embarcações serão entregues entre 2029 e 2030 e fazem parte do processo de modernização da Marinha Portuguesa, buscando adequar seus meios à nova realidade geopolítica e às ameaças emergentes.

Segundo o Ministério da Defesa português, o programa também contempla a cooperação com a indústria nacional, a participação de empresas portuguesas, a transferência de tecnologia, a revitalização do Arsenal do Alfeite e um significativo retorno para a economia do país.

O investimento representa uma parcela expressiva dos 5,8 bilhões de euros garantidos por Portugal no âmbito do SAFE, considerado o maior programa de reequipamento das Forças Armadas Portuguesas desde a redemocratização. Além do domínio naval, os recursos serão destinados ao fortalecimento das capacidades terrestre, aérea, espacial e de sistemas não tripulados.

A escolha da Fincantieri encerrou uma disputa com o estaleiro francês Naval Group e marca um dos primeiros contratos celebrados entre Estados utilizando os mecanismos financeiros do programa europeu SAFE.

FREMM EVO amplia as capacidades da esquadra portuguesa

As embarcações adquiridas pertencem à variante FREMM EVO (Frégate Européenne Multi-Mission Evolution), evolução da consagrada classe FREMM desenvolvida pela italiana Fincantieri e a francesa Naval Group.

A nova versão incorpora avanços em sensores, sistemas de combate, arquitetura digital e comunicações, além de oferecer maior potencial de modernização ao longo de sua vida útil. Projetadas para missões de guerra antissubmarino, guerra antiaérea, guerra de superfície e proteção das linhas de comunicação marítimas, as FREMM EVO figuram entre as mais modernas fragatas atualmente disponíveis no mercado internacional.

Com deslocamento superior a 6.700 toneladas, esses navios oferecem maior autonomia, elevada capacidade de sobrevivência em combate e amplo espaço para integração de novos sensores, armamentos e sistemas não tripulados.

Cooperação entre Brasil e Portugal ganha novo impulso

A aproximação entre Brasil e Portugal na área naval também avançou em 2026. Durante a LAAD Security & Milipol Brazil 2026, as Marinhas dos dois países firmaram um Memorando de Entendimento (MoU) destinado a ampliar a cooperação institucional entre as duas forças navais.

O acordo estabelece mecanismos para a troca de informações, compartilhamento de experiências e intercâmbio de conhecimentos relacionados ao desenvolvimento de programas estratégicos, à modernização de capacidades e ao emprego de meios navais.

Embora o memorando não esteja diretamente relacionado ao programa português de aquisição das fragatas FREMM EVO, ele cria um importante canal de cooperação entre as duas marinhas, permitindo que experiências adquiridas em programas de modernização possam ser compartilhadas ao longo dos próximos anos.

Um olhar para a Marinha do Brasil

A decisão portuguesa também reforça uma tendência observada nas principais marinhas da OTAN: a composição da força de superfície com navios de diferentes categorias, combinando fragatas de porte médio com escoltas de maior deslocamento e capacidade de combate.

No Brasil, a Marinha avança na construção das quatro Fragatas Classe Tamandaré, navios com deslocamento aproximado de 3.500 toneladas que representam um importante salto tecnológico para a Esquadra e serão responsáveis pela substituição gradual das veteranas fragatas da Classe Niterói.

Se por um lado as Tamandaré proporcionarão uma significativa modernização da capacidade de escolta da Marinha do Brasil, por outro, a incorporação das FREMM EVO por Portugal evidencia as vantagens operacionais proporcionadas por navios de maior porte. Com deslocamento superior a 6.700 toneladas, as fragatas italianas oferecem maior autonomia, capacidade de crescimento, espaço para sensores e armamentos adicionais e melhores condições para operações oceânicas prolongadas.

Nesse contexto, a evolução da Marinha Portuguesa poderá fornecer importantes experiências para o intercâmbio técnico previsto no Memorando de Entendimento firmado entre os dois países. Ao mesmo tempo, o programa português reforça um debate cada vez mais presente entre analistas de defesa: a conveniência de no futuro a Marinha do Brasil complementar as Fragatas Classe Tamandaré com uma nova classe de escoltas de maior deslocamento, ampliando sua capacidade de atuação em cenários oceânicos de alta intensidade e fortalecendo ainda mais o Poder Naval brasileiro.


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