A crescente proliferação de drones suicidas em conflitos modernos está levando forças armadas ao redor do mundo a buscar novas soluções para enfrentar ameaças aéreas de baixo custo e difícil interceptação. Nesse contexto, a Força Aérea e Espacial Francesa (Armée de l’Air et de l’Espace) realizou, em 2 de junho, uma campanha inédita de testes envolvendo helicópteros Airbus H225M Caracal e AS555AN Fennec na missão de neutralização de drones do tipo Shahed.
A atividade, supervisionada pela Equipe de Desenvolvimento de Helicópteros (EMH) do Centro de Expertise Aérea Militar (CEAM), ocorreu na região costeira de Biscarrosse e reuniu um helicóptero Caracal do Esquadrão de Helicópteros 1/67 “Pyrénées” e dois Fennec do Esquadrão de Helicópteros “Alpilles”, sediados na Base Aérea 115 de Orange.
Os ensaios tiveram como objetivo avaliar novas capacidades de combate antidrone (LAD – Lutte Antidrone), ampliando o leque de plataformas disponíveis para a defesa aérea francesa. Até então, a missão vinha sendo desempenhada principalmente por caças e, mais recentemente, pelos drones MQ-9 Reaper. Os resultados iniciais demonstraram que os helicópteros podem desempenhar um papel relevante contra alvos de baixa velocidade e baixa altitude, características típicas dos drones suicidas empregados em conflitos recentes.
Caracal derruba drones durante os testes
Durante a campanha, o H225M Caracal foi equipado com diferentes sistemas de armas, incluindo a tradicional metralhadora MAG58 de 7,62 mm e a metralhadora pesada M3M calibre 12,7 mm. Para aumentar a precisão dos disparos, os técnicos franceses desenvolveram um suporte específico para a M3M, proporcionando maior estabilidade ao operador durante o voo.
Utilizando seu sistema eletro-óptico embarcado para aquisição e rastreamento de alvos, o Caracal conseguiu neutralizar dois drones-alvo que reproduziam as características do Shahed, modelo amplamente empregado em conflitos no Oriente Médio e na Guerra da Ucrânia.
Segundo informações divulgadas pela Armée de l’Air et de l’Espace, os alvos utilizados nos testes possuíam aproximadamente 2,30 metros de envergadura e 1,20 metro de comprimento, sendo lançados pela Direção Geral de Armamentos – Ensaios de Mísseis (DGA EM).
Fennec testa canhão de 20 mm e nova câmera optrônica
Paralelamente, os helicópteros Fennec foram empregados para validar a integração entre a nova câmera optrônica Trakka e o canhão axial de 20 mm utilizado em missões de policiamento aéreo e apoio de fogo.
A câmera Trakka substitui a antiga CHLIO (Caméra Héliportée Légère Infrarouge d’Observation), oferecendo maior alcance de detecção e melhor capacidade de acompanhamento dos alvos. A combinação entre sensores modernos e armamento de maior poder destrutivo busca ampliar a efetividade do Fennec contra drones de pequeno porte.
Embora os resultados tenham sido considerados bastante promissores, a Força Aérea Francesa informou que novos testes serão realizados para validar completamente os parâmetros operacionais dos sistemas antes de sua entrada definitiva em serviço.
A resposta para uma nova ameaça
Os conflitos recentes demonstraram que drones suicidas de baixo custo podem representar uma ameaça significativa mesmo para forças armadas altamente equipadas. O uso massivo de plataformas como o Shahed-136 revelou desafios importantes para os sistemas tradicionais de defesa aérea, que muitas vezes empregam mísseis caros para neutralizar alvos relativamente baratos.
Nesse cenário, os helicópteros surgem como uma alternativa particularmente interessante. Enquanto aeronaves de combate como o Rafale operam em velocidades muito superiores, os helicópteros conseguem voar em regimes compatíveis com os drones de ataque unidirecional, facilitando a identificação visual, o acompanhamento e a interceptação dos alvos.
De acordo com os responsáveis pelo programa, um Rafale normalmente opera entre 120 e 450 nós, enquanto um drone Shahed voa a velocidades entre 80 e 100 nós. Essa diferença torna os helicópteros plataformas especialmente adequadas para missões de interceptação de ameaças lentas em baixa altitude.
Além disso, o emprego de metralhadoras e canhões embarcados oferece uma solução de custo significativamente inferior ao uso de mísseis superfície-ar ou ar-ar, fator que vem ganhando relevância à medida que os conflitos modernos demonstram a necessidade de enfrentar grandes enxames de drones de forma economicamente sustentável.
Lições para o futuro
A campanha conduzida pela França reforça uma tendência observada em diversas forças armadas: a busca por soluções multicamadas para defesa antidrone. Em vez de depender exclusivamente de sistemas sofisticados de defesa aérea, cresce o interesse por plataformas capazes de atuar em diferentes faixas de altitude e velocidade, combinando sensores avançados, armamentos convencionais e baixo custo operacional.
Caso os testes sejam plenamente validados, os helicópteros Caracal e Fennec poderão se tornar componentes importantes da arquitetura de defesa aérea francesa, especialmente em bases avançadas e regiões estratégicas como Djibouti, onde a Força Aérea Francesa já estuda empregar a nova capacidade operacional.
A iniciativa demonstra que, diante da rápida evolução das ameaças aéreas não tripuladas, a adaptação doutrinária e tecnológica continua sendo tão importante quanto o desenvolvimento de novos sistemas de armas, garantindo que plataformas já existentes permaneçam relevantes nos campos de batalha do século XXI.
GBN Defense - A informação começa aqui
com l’armée de l’Air et de l’Espace




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