segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Pesquisa da EGN projeta economia bilionária na manutenção das Fragatas Tamandaré com novo modelo logístico

Pesquisa sobre Logística Baseada em Desempenho identifica potencial de economia de até R$ 2 bilhões em 30 anos, mas evidencia que a disponibilidade da nova Esquadra dependerá de previsibilidade orçamentária, gestão logística e capacidade de sustentação industrial.

A construção de uma nova geração de fragatas representa muito mais do que a renovação dos meios da esquadra. Significa incorporar sistemas de combate mais complexos, sensores avançados, armamentos modernos e uma arquitetura tecnológica que exige uma estrutura de manutenção compatível com as capacidades operacionais pretendidas. Para a Marinha do Brasil, entretanto, o desafio não termina com a entrega das Fragatas Classe Tamandaré. É justamente a partir de sua entrada em serviço que começa uma das etapas mais importantes e financeiramente exigentes do programa: garantir sua disponibilidade ao longo das próximas décadas.

Essa questão foi examinada pelo oficial Alexandre Almeida dos Santos, em dissertação apresentada em 2024 à Escola de Guerra Naval (EGN), durante o Curso de Estado-Maior para Oficiais Superiores. Intitulado “A logística baseada em desempenho: viabilidade para a implantação nas Fragatas Classe ‘Tamandaré’”, o trabalho investiga a aplicação da Performance-Based Logistics (PBL), ou Logística Baseada em Desempenho, como alternativa para organizar a manutenção e o apoio logístico dos quatro navios.

A pesquisa parte de uma realidade conhecida pelas forças navais: a aquisição de um meio moderno não assegura, por si só, sua disponibilidade operacional. A capacidade de manter uma fragata pronta para cumprir suas missões depende de uma cadeia que envolve sobressalentes, reparos, documentação técnica, infraestrutura, pessoal especializado, atualização de sistemas e recursos financeiros continuamente disponíveis.

No caso brasileiro, essa equação ganha uma dimensão ainda maior diante das restrições orçamentárias enfrentadas pela Marinha e da necessidade de sustentar simultaneamente os meios que já compõem a Esquadra e aqueles que estão sendo incorporados por meio dos programas de modernização e renovação da esquadra.

O custo que começa depois da entrega

O debate sobre o Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) costuma concentrar-se na construção dos navios, nas capacidades de combate e na participação da indústria nacional. São aspectos fundamentais, mas representam apenas parte do investimento necessário para transformar a nova classe em capacidade militar efetiva.

Uma fragata precisa permanecer operacional durante décadas, período no qual seus equipamentos estarão sujeitos a desgaste, falhas, obsolescência e necessidade de modernização. Sistemas de propulsão, geração de energia, sensores, comunicações, armamentos e gerenciamento de combate possuem ciclos de manutenção próprios e exigem planejamento permanente.

É nesse contexto que a Gestão do Ciclo de Vida (GCV) e o Apoio Logístico Integrado (ALI) assumem importância estratégica. Em vez de tratar a manutenção como uma necessidade posterior à aquisição, essas metodologias procuram incorporar desde a fase de obtenção os requisitos necessários para operar, reparar e sustentar os sistemas ao longo de sua vida útil.

A dissertação destaca que o modelo de obtenção por construção adotado no PFCT oferece vantagens nesse sentido. Diferentemente de uma compra de oportunidade, na qual frequentemente existem limitações para obter informações técnicas e históricos de manutenção, o desenvolvimento de um novo meio permite estruturar antecipadamente a documentação, os processos e os recursos necessários ao suporte logístico.

Essa é uma vantagem que precisa ser preservada. O investimento realizado na construção dos navios só alcançará seu pleno retorno se o conhecimento técnico e os instrumentos de gestão previstos no programa forem efetivamente incorporados à rotina da Marinha.

PBL: remunerar resultados, não apenas serviços

A Logística Baseada em Desempenho propõe uma mudança na relação entre o contratante e seus fornecedores. No modelo tradicional, a contratação costuma estar associada ao fornecimento de peças, à execução de reparos ou à realização de serviços específicos. No PBL, o foco passa a ser o resultado operacional previamente estabelecido.

Na prática, a Marinha poderia definir metas de disponibilidade de equipamentos, confiabilidade, tempo de resposta para reparos e cumprimento dos prazos de fornecimento de componentes. A remuneração do contratado estaria vinculada ao atendimento desses parâmetros, criando incentivos para reduzir falhas, antecipar necessidades de manutenção e melhorar a eficiência do suporte.

A lógica é interessante porque procura alinhar os interesses da Força e da indústria. O fornecedor deixa de ter como objetivo exclusivo executar intervenções e entregar componentes, passando a ter interesse direto em manter os sistemas disponíveis e reduzir a ocorrência de falhas que elevem os custos de sustentação.

A dissertação utiliza experiências internacionais para examinar essa possibilidade, incluindo contratos de apoio logístico aos motores dos helicópteros Apache, no Reino Unido, e às aeronaves de transporte C-130J Super Hercules da Força Aérea Australiana.

Essas experiências demonstram que o modelo pode ser aplicado a sistemas militares complexos. Entretanto, sua reprodução no Brasil exige considerar as características da estrutura industrial, a disponibilidade de fornecedores, os mecanismos de fiscalização e, principalmente, a capacidade de assegurar o cumprimento dos compromissos financeiros assumidos.

O PBL também não significa transferir integralmente a manutenção ou o conhecimento técnico à iniciativa privada. A Marinha precisa preservar competências próprias, domínio sobre a configuração dos sistemas, capacidade de fiscalização e condições para atuar diante de situações em que o fornecedor não consiga cumprir suas obrigações. Em sistemas de defesa, eficiência contratual e autonomia técnica precisam caminhar juntas.

A projeção financeira revela a dimensão do desafio

Um dos pontos mais expressivos do trabalho está na comparação entre os custos projetados de manutenção das quatro fragatas e os recursos destinados ao Programa Geral de Manutenção da Marinha (PROGEM).

Com base em informações levantadas em 2024, o pesquisador utilizou como referência um orçamento aproximado de R$ 371 milhões para o PROGEM naquele exercício. Para projetar a evolução desse montante até 2029, adotou uma expectativa de inflação anual de 4,02%, extraída do cenário econômico disponível à época.

A partir dessa premissa, o orçamento de referência alcançaria aproximadamente R$ 451,8 milhões em 2029.

Paralelamente, o estudo estimou os custos anuais de manutenção das quatro Fragatas Classe Tamandaré entre R$ 280 milhões e R$ 450 milhões, considerando a entrada de todos os navios na fase de operação e apoio.

A comparação é significativa. Pelas premissas adotadas na dissertação, a manutenção da nova classe poderia representar entre aproximadamente 62% e praticamente a totalidade do PROGEM projetado para 2029.

É importante ressaltar que não estamos diante de despesas já realizadas ou de dotações orçamentárias aprovadas para aquele exercício. São estimativas acadêmicas construídas em 2024, com base nas informações e premissas disponíveis naquele momento. A evolução dos preços, os contratos de manutenção, o cronograma de incorporação dos navios e as decisões orçamentárias podem modificar substancialmente esse cenário.

Ainda assim, o exercício expõe uma questão que não pode ser ignorada: a entrada em operação das quatro fragatas acrescentará uma demanda expressiva à estrutura de manutenção da Marinha, que continuará responsável pela sustentação de submarinos, navios de superfície, aeronaves e demais meios empregados no cumprimento de suas atribuições.

O problema, portanto, não se limita a encontrar recursos para manter as Tamandaré. É necessário evitar que a concentração de despesas em uma nova classe comprometa a disponibilidade dos demais meios da Esquadra.

Até R$ 2 bilhões em economia: o potencial e seus limites

Ao examinar os benefícios financeiros do PBL, o pesquisador utiliza referências do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que apontam possibilidades de redução dos custos de manutenção entre 5% e 15% ao ano, dependendo das condições de aplicação do modelo.

Aplicando o percentual máximo de 15% ao limite superior da estimativa de manutenção das quatro fragatas de R$ 450 milhões anuais, chega-se a uma economia potencial de R$ 67,5 milhões por ano.

Considerando os 30 anos de vida operativa projetados para os navios, a dissertação apresenta uma redução acumulada que poderia alcançar aproximadamente R$ 2 bilhões, sem considerar a inflação ao longo do período.

O resultado é expressivo, mas precisa ser interpretado dentro de seus limites metodológicos. Não representa uma economia já obtida, uma previsão contratual consolidada ou um compromisso assumido pelos fornecedores do programa. Trata-se de uma simulação construída a partir de percentuais de experiências internacionais aplicados às estimativas brasileiras.

Para transformar essa possibilidade em resultado concreto, seria necessário demonstrar que os contratos conseguem efetivamente reduzir custos sem comprometer a qualidade dos serviços, a disponibilidade dos sistemas e a capacidade de resposta da Marinha.

Também seria indispensável estabelecer indicadores objetivos, mecanismos de auditoria e critérios claros para atribuir responsabilidades por falhas ou indisponibilidades. Uma redução aparente de despesas não representa necessariamente ganho operacional se vier acompanhada de atrasos na reposição de componentes, perda de capacidade de manutenção ou dependência excessiva de um único fornecedor. O verdadeiro resultado de um contrato PBL deve ser medido pela relação entre custo, disponibilidade e desempenho entregue.

A estrutura logística prevista no programa pode fazer a diferença

Um aspecto particularmente relevante da dissertação está na identificação dos instrumentos de gestão logística previstos no próprio Programa Fragatas Classe Tamandaré.

Entre eles está o MB LCM Solution, sistema informatizado desenvolvido para o projeto brasileiro, destinado ao gerenciamento do ciclo de vida dos navios e ao acesso às informações necessárias às atividades de manutenção.

O programa também prevê a entrega de um Plano de Gestão do Ciclo de Vida para cada fragata, contemplando indicadores de desempenho e eficácia dos sistemas, gerenciamento de configuração, garantia da qualidade, gestão de riscos e gerenciamento da obsolescência. Outro instrumento importante é o Banco de Dados de Apoio Logístico (BDAL), que deverá reunir informações técnicas sobre componentes, especificações, sobressalentes e requisitos necessários à execução das atividades de manutenção.

Esses recursos podem constituir a base para contratos orientados por desempenho, pois permitem conhecer antecipadamente as necessidades de suporte e acompanhar a evolução dos sistemas durante sua vida operacional.

Entretanto, é necessário distinguir a previsão contratual de entrega dessas ferramentas de sua efetiva maturidade operacional. A existência de um sistema informatizado ou de um banco de dados não garante, isoladamente, a qualidade das informações ou sua utilização adequada.

Será necessário manter os registros atualizados, integrar os dados aos processos de manutenção e desenvolver capacidade institucional para transformar essas informações em decisões. Indicadores como disponibilidade operacional, tempo médio entre falhas, tempo médio de reparo e cumprimento dos prazos de fornecimento precisam ser acompanhados de forma contínua e verificável. Sem essa disciplina, o PBL corre o risco de se transformar em um contrato baseado em metas formais, sem correspondência efetiva com a disponibilidade dos meios.

A indústria nacional precisa fazer parte da equação

A sustentação das Fragatas Classe Tamandaré também abre uma discussão importante sobre o papel da Base Industrial de Defesa brasileira. A capacidade de construir navios de guerra representa uma conquista relevante, mas a consolidação de uma indústria naval de defesa exige continuidade. A manutenção, a modernização e a atualização dos sistemas precisam gerar oportunidades para empresas nacionais, técnicos e engenheiros que possam acumular conhecimento e atender às necessidades da Marinha.

Nesse contexto, a adoção de contratos de longo prazo pode contribuir para dar previsibilidade à cadeia de fornecedores, estimular investimentos em infraestrutura e ampliar a capacidade de atendimento no País.

Entretanto, esse resultado não é automático. A estrutura contratual precisa considerar a participação da indústria nacional, a transferência efetiva de conhecimento, o acesso à documentação técnica e a preservação de competências estratégicas.

A dependência excessiva de fornecedores externos pode criar vulnerabilidades, especialmente em períodos de crise internacional, restrições de exportação ou interrupções nas cadeias globais de suprimentos.

Para uma Marinha que precisa garantir a defesa de um espaço marítimo de dimensões continentais, a autonomia logística possui valor estratégico. Não basta possuir um navio moderno; é necessário ter condições de mantê-lo disponível sem ficar excessivamente condicionado às decisões comerciais ou políticas de terceiros.

Previsibilidade orçamentária: o elo entre o contrato e a disponibilidade da Esquadra

A adoção da Logística Baseada em Desempenho exige uma condição que, embora não seja novidade no planejamento de defesa brasileiro, continua sendo um dos seus maiores desafios: a capacidade de assegurar recursos ao longo do tempo. Um contrato dessa natureza não se sustenta apenas pela definição de metas e indicadores. Ele pressupõe que a Marinha consiga honrar compromissos plurianuais e que os fornecedores tenham condições de planejar investimentos, manter estoques, qualificar pessoal e estruturar uma cadeia de suporte compatível com as exigências dos navios.

Essa relação é particularmente sensível quando se trata de sistemas de combate complexos, cuja manutenção depende de componentes específicos, assistência técnica especializada, em determinados casos com fornecedores estrangeiros. A interrupção do fluxo financeiro pode repercutir muito além do contrato diretamente afetado, comprometendo a reposição de peças, adiando intervenções programadas e ampliando o tempo necessário para recuperar equipamentos indisponíveis. O efeito acaba chegando ao nível operacional: uma fragata pode estar incorporada à Esquadra, mas ter sua capacidade de emprego reduzida por limitações na sustentação.

Há ainda uma questão que merece atenção. O modelo PBL transfere ao fornecedor parte da responsabilidade pelos resultados de suporte, mas não elimina os riscos que estão fora de seu controle. Atrasos nos pagamentos, restrições de importação, dificuldades na cadeia internacional de suprimentos e alterações nas prioridades de financiamento podem afetar o cumprimento das metas contratadas. Por isso, não basta estabelecer indicadores de disponibilidade e penalidades por desempenho insuficiente. É necessário construir contratos que distribuam adequadamente os riscos, definam responsabilidades e ofereçam condições reais para que os compromissos assumidos sejam cumpridos.

Para a Marinha, isso significa incorporar a sustentação das Tamandaré ao planejamento financeiro de longo prazo, sem tratar a manutenção como uma despesa residual, disputando recursos apenas depois de atendidas as necessidades de aquisição. O mesmo raciocínio precisa alcançar a Base Industrial de Defesa. Empresas nacionais dificilmente investirão na formação de equipes, infraestrutura e capacidade de fornecimento especializada se não houver perspectiva de continuidade das demandas. A previsibilidade, nesse caso, não beneficia apenas a administração naval ou os contratados: contribui para preservar conhecimento, ampliar a participação industrial brasileira e reduzir vulnerabilidades externas.

A pesquisa, entretanto, não deve ser interpretada como uma proposta contratual pronta para implementação. O próprio trabalho não desenvolve uma análise jurídica completa dos instrumentos de contratação do PBL à luz da legislação brasileira, nem demonstra a execução prática desse modelo nas Fragatas Classe Tamandaré. A viabilidade apontada é, portanto, uma avaliação acadêmica que identifica caminhos e condicionantes, mas cuja aplicação ainda exigiria estudos complementares, definição de responsabilidades, avaliação de riscos e estruturação de mecanismos de fiscalização.

O ponto central é que a Marinha não poderá colher os benefícios de um modelo de manutenção orientado por desempenho se não houver condições de financiar o desempenho que pretende exigir. A modernização da Esquadra precisa ser acompanhada por uma política de sustentação compatível com a complexidade dos meios incorporados. Caso contrário, o País corre o risco de investir na aquisição de capacidades que, por falta de continuidade financeira e logística, não conseguirão entregar todo o potencial operacional previsto.

O desafio estratégico é sustentar a Esquadra, não apenas incorporar novos navios

A contribuição mais relevante da pesquisa de Alexandre Almeida dos Santos está em trazer para o centro do debate uma dimensão frequentemente secundarizada nos programas de modernização naval: a capacidade de sustentar os meios incorporados durante toda a sua vida operacional. No caso das Fragatas Classe Tamandaré, essa discussão ganha especial importância porque estamos diante de uma nova geração de navios, dotada de sistemas cuja complexidade tecnológica exige uma estrutura de apoio compatível, tanto em recursos financeiros quanto em infraestrutura, pessoal e capacidade industrial.

A Logística Baseada em Desempenho oferece uma alternativa para organizar essa estrutura, aproximando os interesses da Marinha e dos fornecedores em torno de resultados mensuráveis. Entretanto, seria um equívoco tratar o PBL como solução isolada para as limitações de financiamento da Força. Um contrato bem estruturado pode melhorar a gestão dos estoques, reduzir o tempo de reparo e estimular maior confiabilidade dos equipamentos, mas não consegue compensar a ausência de recursos, a fragilidade de uma cadeia de fornecimento ou a falta de capacidade técnica para fiscalizar os serviços contratados. A eficiência logística depende de uma estrutura institucional e financeira capaz de sustentar os compromissos assumidos.

É justamente nessa relação que identificamos o principal alerta da dissertação. A incorporação de meios tecnologicamente mais avançados eleva também o nível de exigência sobre a estrutura responsável por mantê-los. Sensores, sistemas de armas, propulsão e equipamentos eletrônicos possuem necessidades específicas de manutenção, ciclos de obsolescência e dependências de fornecimento que precisam ser consideradas desde o planejamento da aquisição. Quando a expansão das capacidades operacionais não é acompanhada por uma evolução correspondente dos recursos destinados à sustentação, surge um desequilíbrio que pode comprometer o próprio resultado da modernização.

Essa questão não diz respeito apenas às quatro fragatas. A Marinha precisa administrar uma estrutura diversificada de meios, com diferentes gerações tecnológicas, requisitos de manutenção e demandas operacionais. A chegada das Tamandaré acrescenta novas capacidades à Esquadra, mas também introduz obrigações permanentes de financiamento e suporte. A disputa por recursos entre programas de construção, manutenção, modernização e operação exige planejamento integrado, capaz de evitar que a sustentação de uma nova classe ocorra à custa da disponibilidade de outros meios igualmente importantes para o cumprimento das atribuições navais.

A dimensão industrial também precisa integrar essa equação. O conhecimento adquirido durante a construção dos navios somente se converterá em autonomia duradoura se houver continuidade na participação de empresas brasileiras nas atividades de manutenção, atualização e suporte dos sistemas. Isso exige acesso à documentação técnica, capacitação de profissionais, desenvolvimento de fornecedores e condições para que a indústria invista em estruturas especializadas. Sem uma perspectiva de demanda ao longo do ciclo de vida, parte do conhecimento desenvolvido durante a construção corre o risco de não se consolidar em capacidade nacional permanente, mantendo a sustentação condicionada a fornecedores externos.

Por isso, a discussão sobre o PBL deve ser acompanhada de uma reflexão mais ampla sobre a forma como o Brasil planeja e financia seus programas estratégicos de defesa. A sustentação precisa deixar de ser tratada como uma etapa posterior à aquisição e passar a integrar, desde o início, as decisões sobre requisitos, contratos, financiamento e participação industrial. Isso pressupõe continuidade administrativa, previsibilidade orçamentária e mecanismos que permitam à Marinha planejar compromissos de longo prazo sem perder a capacidade de responder às necessidades imediatas da Esquadra.

As Fragatas Classe Tamandaré representam um investimento importante na renovação do Poder Naval brasileiro. Entretanto, o resultado desse esforço não será definido exclusivamente pela entrega dos navios ou pelas capacidades incorporadas ao seu projeto. Será determinado também pela capacidade de financiar sua operação, preservar o conhecimento necessário à manutenção e assegurar que os sistemas permaneçam disponíveis ao longo das décadas de serviço. A pesquisa da Escola de Guerra Naval contribui justamente para colocar essa responsabilidade em perspectiva: modernizar a Esquadra exige não apenas recursos para construir novos meios, mas uma estrutura orçamentária permanente capaz de mantê-los operacionais.


por Angelo Nicolaci


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