domingo, 18 de outubro de 2026

SIATT conclui terceira lançadora do MANSUP e amplia opções para a defesa costeira brasileira

 

A SIATT concluiu a modificação da terceira e última viatura 6×6 AV-LMU da Força de Fuzileiros da Esquadra, adaptada para o emprego dos mísseis antinavio MANSUP e MANSUP-ER. A conclusão encerra a etapa de conversão das três viaturas destinadas ao Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, ampliando as opções para o emprego terrestre do armamento desenvolvido no país.

As modificações adaptam as plataformas lançadoras do sistema ASTROS para integrar os mísseis antinavio nacionais. O trabalho envolve adequações estruturais e a integração dos sistemas necessários ao lançamento, permitindo explorar uma configuração distinta daquela empregada nos navios de superfície. A iniciativa também amplia as possibilidades de aplicação das capacidades industriais brasileiras no desenvolvimento de sistemas de armas.

O emprego terrestre do MANSUP já foi demonstrado em dezembro de 2024, quando a Marinha do Brasil realizou um lançamento experimental na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, utilizando uma lançadora ASTROS dos Fuzileiros Navais. O ensaio representou uma etapa importante na avaliação dessa configuração, ao demonstrar a possibilidade de lançamento do míssil a partir de uma plataforma terrestre móvel.

A integração oferece à Marinha uma nova opção para a defesa costeira, permitindo considerar o emprego de mísseis antinavio a partir de posições em terra. Em um cenário operacional, lançadores móveis podem ampliar a flexibilidade de posicionamento e dificultar a previsão das posições de lançamento pelo adversário. A efetividade dessa capacidade, contudo, depende de fatores como aquisição e identificação de alvos, comunicações, comando e controle, coordenação com outros meios e procedimentos de emprego.

O MANSUP-ER, por sua vez, representa a evolução de alcance estendido da família de mísseis antinavio brasileira. A possibilidade de integração às viaturas AV-LMU amplia o potencial de emprego terrestre da família, embora as capacidades efetivamente disponíveis dependam da configuração e da qualificação do sistema. A conclusão da terceira viatura confirma o avanço da etapa de modificação, mas não constitui, isoladamente, comprovação de que todas as unidades tenham concluído os testes de aceitação ou alcançado plena capacidade operacional.

Para o Brasil, o projeto representa um passo na diversificação das plataformas de emprego de um armamento nacional e no desenvolvimento de alternativas para a defesa da costa e de áreas marítimas estratégicas. A combinação entre mobilidade terrestre e mísseis antinavio pode complementar os meios navais, desde que acompanhada pela integração operacional necessária. O próximo aspecto a acompanhar é a validação das viaturas e a definição de como essa capacidade será incorporada ao planejamento e à estrutura de defesa da Marinha do Brasil.


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