Após mais de uma década de desenvolvimento, o LINK-BR2 representa um desafio tecnológico estratégico para a Força Aérea Brasileira (FAB) e para a Base Industrial de Defesa (BID). Mais do que estabelecer comunicações seguras entre aeronaves e centros de comando e controle, o programa envolve o desenvolvimento e a integração de uma capacidade essencial às operações aéreas em rede, na qual o compartilhamento de informações influencia diretamente a consciência situacional e a coordenação dos meios empregados.
Nesse processo, a AEL Sistemas assumiu papel central ao dar continuidade ao programa após as mudanças empresariais que envolveram a Mectron, responsável pela etapa inicial do desenvolvimento. A trajetória do LINK-BR2 evidencia a importância de preservar competências técnicas e manter a continuidade de projetos complexos, cujo valor estratégico vai além da entrega de equipamentos.
AEL Sistemas e a continuidade de uma tecnologia estratégica
Contratado em 2012, o LINK-BR2 percorreu uma longa trajetória de desenvolvimento, marcada por mudanças empresariais e pela continuidade de um projeto tecnológico estratégico para a Força Aérea Brasileira (FAB). A iniciativa teve origem na Mectron, responsável pela etapa inicial do programa. Após a reestruturação da empresa e a criação da Mectron Comm, a operação foi posteriormente incorporada pela AEL Sistemas, que assumiu a continuidade contratual do desenvolvimento.
Essa transição ajuda a compreender a importância da preservação de competências industriais em programas de defesa de longa duração. Mais do que dar sequência a um contrato, a continuidade do LINK-BR2 envolve manter o conhecimento acumulado e avançar na integração de uma tecnologia complexa, concebida para permitir a troca segura de dados táticos entre aeronaves e estruturas de comando e controle.
O desenvolvimento de um enlace de dados militar exige muito mais do que a produção de equipamentos de comunicação. Segurança das informações, confiabilidade, interoperabilidade e integração aos sistemas embarcados precisam ser validadas para que diferentes plataformas possam compartilhar informações de maneira eficaz. É nesse contexto que a atuação da AEL Sistemas ganha relevância, ao dar continuidade a um programa que exige engenharia especializada e integração de sistemas.
A trajetória do LINK-BR2 também evidencia o papel da Base Industrial de Defesa (BID) no desenvolvimento de capacidades estratégicas para o país. A manutenção dessas competências no Brasil pode ampliar a capacidade nacional de integrar, sustentar e evoluir sistemas militares complexos, preservando conhecimento técnico e reduzindo vulnerabilidades associadas à dependência externa. O desafio é transformar mais de uma década de desenvolvimento em uma capacidade efetivamente certificada e incorporada às operações da FAB.
Dos ensaios à integração operacional
Os testes em solo e em voo marcaram etapas importantes do LINK-BR2. Em 2020, começaram os voos com o sistema embarcado em aeronaves F-5M. Em outubro de 2021, a FAB divulgou a realização de enlaces de dados entre duas aeronaves desse modelo, demonstrando a capacidade de estabelecer comunicação tática entre plataformas aéreas.
As campanhas posteriores, incluindo atividades durante a Operação IRIS, em 2024, deram continuidade à avaliação do sistema. A participação da Kryptus em atividades relacionadas à criptografia também evidencia a importância da proteção das informações transmitidas, um requisito indispensável para sistemas de comunicação militar sujeitos a riscos de interceptação, interferência e ação adversária.
A integração a diferentes aeronaves, entretanto, exige trabalho específico para compatibilizar equipamentos, interfaces e sistemas embarcados. Em julho de 2025, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) realizou um workshop dedicado à integração do LINK-BR2 ao F-39 Gripen. O registro confirma a existência dessa frente de trabalho, mas não comprova que a integração e a certificação tenham sido concluídas.
Essa distinção é importante: demonstrar o funcionamento do enlace em uma plataforma não significa que o sistema esteja automaticamente qualificado para todas as aeronaves previstas. Cada configuração precisa cumprir os requisitos técnicos e operacionais correspondentes.
Da engenharia à capacidade operacional
A trajetória do LINK-BR2 também reflete os desafios de desenvolver uma tecnologia militar complexa ao longo de mais de uma década. O Relatório de Gestão da FAB de 2024 registra alterações contratuais associadas à escassez global de componentes, ao cenário geopolítico em Israel, à reorganização das entregas dos rádios terminais e a mudanças nos requisitos do programa. Esses fatores afetaram o planejamento e evidenciam a complexidade de manter um projeto dessa natureza até sua conclusão.
Para a AEL Sistemas, o desafio é consolidar o trabalho de engenharia e integração em um sistema que atenda aos requisitos operacionais da FAB. Isso envolve não apenas concluir os ensaios, mas assegurar que os equipamentos funcionem de forma confiável nas plataformas previstas e que as configurações integradas sejam devidamente validadas.
A etapa é decisiva porque o valor estratégico do LINK-BR2 depende de sua incorporação efetiva às operações aéreas. É nesse momento que o esforço industrial acumulado se converte em capacidade para compartilhar informações táticas com segurança, ampliar a coordenação entre os meios e fortalecer a atuação da FAB em operações integradas.
O protagonismo da BID em um domínio estratégico
O LINK-BR2 ilustra a importância de investir na BID brasileira para o desenvolvimento de tecnologias que ocupam posição central na arquitetura de combate moderna. A comunicação tática segura não é um recurso acessório: constitui parte da infraestrutura que permite compartilhar informações, coordenar ações e conectar plataformas ao processo de decisão operacional.
O protagonismo industrial, nesse contexto, não deve ser medido apenas pela entrega de um equipamento. Ele também está na capacidade de acumular conhecimento, integrar tecnologias complexas, responder aos requisitos das Forças Armadas e sustentar a evolução de um sistema ao longo de sua vida útil.
A trajetória do LINK-BR2 mostra tanto a dimensão desse desafio quanto a importância da continuidade dos programas estratégicos. Com a AEL Sistemas desempenhando papel central no desenvolvimento, a conclusão das etapas técnicas e a futura incorporação operacional serão determinantes para converter esse esforço industrial em uma capacidade efetiva para a FAB.
O resultado esperado vai além de conectar aeronaves: trata-se de consolidar no Brasil competências tecnológicas em um segmento decisivo para o poder aéreo e para a autonomia operacional do país.
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