A Marinha do Brasil coordenou uma operação de busca, salvamento e assistência que resultou no reboque do navio mercante “Shri Ganesha”, de bandeira da Tanzânia, até o Porto de Outeiro, em Belém (PA). A embarcação chegou ao destino na manhã de 21 de setembro, com os nove tripulantes em segurança, após permanecer cerca de três semanas em uma área de baixa profundidade na costa do Amapá.
A ocorrência começou em 30 de agosto, quando o agente do navio acionou o SALVAMAR NORTE, serviço de busca e salvamento marítimo subordinado ao Comando do 4º Distrito Naval. O “Shri Ganesha” havia sofrido uma avaria na praça de máquinas, com alagamento e perda de propulsão, quando navegava a aproximadamente 161 milhas náuticas, cerca de 300 quilômetros, ao norte de Santana (AP).
Sob influência de ventos fortes e correntes marítimas, a embarcação permaneceu à deriva até encalhar em uma área assoreada, de baixa profundidade e sem dados cartográficos disponíveis, a aproximadamente 3,5 milhas náuticas da Ilha de Maracá.
Além da preocupação com a segurança dos nove tripulantes, havia risco ambiental devido à presença de óleo combustível a bordo. A permanência do navio encalhado e os esforços sobre o casco poderiam provocar danos estruturais e eventual vazamento nas proximidades da foz do Rio Amazonas.
Para apoiar a operação, o Navio-Patrulha (NPa) “Guarujá” deixou Belém em 30 de agosto transportando bombas de grande porte para auxiliar no controle do alagamento, além de água potável e alimentos para a tripulação. O NPa “Bocaina” também prestou apoio logístico.
Diante da ausência de informações sobre a profundidade da região do encalhe, o Navio Hidrográfico Balizador (NHiB) “Tenente Castelo” realizou levantamentos batimétricos durante os períodos de baixa-mar. Os dados obtidos foram utilizados para avaliar as condições de navegabilidade e definir as manobras necessárias ao salvamento.
O levantamento identificou um canal com aproximadamente 450 jardas de largura, cerca de 411 metros, e 24,4 milhas náuticas, aproximadamente 45 quilômetros, de extensão, conectando a posição do navio à área previamente cartografada. As observações das variações de maré, realizadas em coordenação com o Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4), também permitiram a elaboração de uma Tábua de Marés específica para a região.
Com o alagamento controlado e os dados hidrográficos disponíveis, o Comando do 4º Distrito Naval e a Capitania dos Portos do Amapá (CPAP) coordenaram os procedimentos para a retirada do navio, em conjunto com as empresas envolvidas.
A Petrobras e a Bram Offshore participaram da operação, com a disponibilização do rebocador “Mr. Chafic”, empregado em atividades na Margem Equatorial. O reboque do “Shri Ganesha” teve início na manhã de 18 de setembro e terminou em 21 de setembro, com a chegada da embarcação ao Porto de Outeiro, onde deverá passar por reparos.
A operação envolveu meios navais, recursos de apoio e levantamento hidrográfico em uma região não cartografada, permitindo preservar a segurança dos tripulantes e reduzir o risco de danos ambientais. Segundo o Comando do 4º Distrito Naval, a ocorrência também reforça a atuação da Marinha como Autoridade Marítima na Amazônia Legal, particularmente nas atividades de salvaguarda da vida humana no mar, segurança da navegação e proteção do meio ambiente aquático.
GBN Defense - A informação começa aqui
Com Marinha do Brasil


Nenhum comentário:
Postar um comentário