A ASELSAN assinou durante a MSPO 2026, em Kielce, um novo contrato com a empresa polonesa AMZ Kutno para o fornecimento de 24 conjuntos do sistema ARSUS de reconhecimento e vigilância às Forças Armadas da Polônia. O acordo amplia uma parceria que já vinha sendo construída desde 2024 e reforça a presença da indústria de defesa da Türkiye no mercado polonês.
As entregas dos novos sistemas estão previstas para ocorrer entre 2028 e 2029. O contrato complementa o acordo firmado entre as duas empresas em 2024, que prevê outras entregas ao longo dos próximos anos, com cronograma que se estende até 2035.
O movimento ganha relevância pelo perfil da cooperação que vem sendo estabelecida entre a ASELSAN e a indústria polonesa. A relação deixou de estar concentrada em uma única capacidade e passou a envolver diferentes áreas, acompanhando o processo de modernização das Forças Armadas da Polônia.
O ARSUS será empregado em missões de reconhecimento e vigilância, ampliando a capacidade das forças polonesas de obter informações sobre o ambiente operacional. Em um campo de batalha cada vez mais dependente de sensores, sistemas não tripulados e redes de comando e controle, a capacidade de localizar, acompanhar e identificar alvos tornou-se um dos elementos centrais da consciência situacional.
O novo contrato também ocorre na sequência de um acordo de maior dimensão assinado em dezembro de 2025, avaliado em US$ 410 milhões, envolvendo sistemas de guerra eletrônica da ASELSAN. A sucessão dos contratos mostra que a relação entre as empresas está avançando para além de uma aquisição isolada.
Atualmente, a ASELSAN afirma trabalhar com mais de 20 fornecedores poloneses e mantém uma estrutura local no país. A empresa também avalia novas oportunidades envolvendo treinamento, manutenção e a criação de centros de excelência.
Uma presença que cresce no mercado polonês
A Polônia tornou-se um dos principais mercados de defesa da Europa nos últimos anos. A necessidade de reforçar suas capacidades militares, particularmente diante da situação no flanco oriental da OTAN, levou Varsóvia a acelerar programas de aquisição e modernização de equipamentos.
É nesse ambiente que a ASELSAN vem ampliando sua participação. A estratégia combina a venda de sistemas desenvolvidos pela indústria turca com a aproximação da cadeia industrial polonesa, permitindo que a cooperação avance para áreas como suporte logístico, manutenção e treinamento.
Durante a MSPO 2026, a empresa apresentou um portfólio que vai muito além do ARSUS. Entre os sistemas expostos estão soluções de defesa contra drones, guerra eletrônica, defesa antiaérea, sensores para veículos aéreos não tripulados e sistemas navais.
Na área antidrones, a ASELSAN apresentou o DRONEDEF, integrado à arquitetura de defesa aérea STEEL DOME. A solução reúne diferentes meios para detectar e neutralizar sistemas aéreos não tripulados, incluindo o İHTAR, o sistema laser GÖKBERK, o KORKUT 100/25, o GÖKALP, o ŞAHİN de 40 mm e o sistema de contramedidas eletromagnéticas de alta potência EJDERHA/AD HPEM.
Também fazem parte da exposição os sistemas de guerra eletrônica da família KORAL e cargas úteis para UAVs, incluindo o ANTIDOT e o radar de abertura sintética FULMAR 200A.
No setor naval, a empresa apresenta veículos não tripulados destinados a diferentes funções, entre eles o KILIÇ, de emprego submarino, o TUFAN, veículo de superfície não tripulado, e o MARLİN 100 ASW, destinado a missões de guerra antissubmarino.
A variedade de sistemas oferecidos ajuda a explicar o movimento da ASELSAN no mercado europeu. Em vez de atuar apenas como fornecedora de um equipamento específico, a empresa procura inserir diferentes tecnologias dentro das arquiteturas de defesa de seus clientes.
Reconhecimento, guerra eletrônica e defesa contra drones
A entrada do ARSUS na relação com a Polônia amplia justamente esse espectro. Depois de conquistar espaço no segmento de guerra eletrônica, a ASELSAN passa a avançar também no campo de reconhecimento e vigilância.
Essa combinação tem importância operacional. Sistemas de reconhecimento fornecem informações que podem alimentar redes de comando e controle, enquanto os meios de guerra eletrônica e defesa antiaérea permitem atuar sobre as ameaças identificadas.
A tendência observada na Polônia acompanha uma transformação mais ampla das forças armadas europeias, nas quais sensores, guerra eletrônica, sistemas não tripulados e defesa contra drones passam a operar de maneira cada vez mais integrada.
Para a ASELSAN, o novo contrato representa mais uma etapa de expansão em um mercado considerado estratégico. Para a indústria polonesa, a aproximação oferece acesso a tecnologias e, ao mesmo tempo, abre espaço para maior participação de fornecedores locais.
O resultado é uma relação que vem adquirindo uma dimensão maior do que a simples compra de equipamentos. Com contratos de diferentes áreas, uma rede de fornecedores e perspectivas de cooperação em manutenção, treinamento e suporte, a ASELSAN começa a consolidar uma posição mais permanente dentro do ecossistema de defesa da Polônia.
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